Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 27 2016

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Começou a época das vindimas, sendo a vindima do meu irmão Manuel neste ano, uma das primeiras da aldeia. Mas não fora o facto de se intrometer a festa do São Miguel, esta semana as vindimas ficavam praticamente todas arrabeiradas. Doutro modo, prolongar-se-ão até ao dia 8 de outubro, porque a nossa aldeia, tornou-se uma aldeia de serviços, e se a maioria dos produtores não meterem férias nesta época, especificamente para fazerem a vindima, estas só poderão ser realizadas, aos fins-de-semana.

Ora, se há boas práticas que se transmitem geracionalmente, o trabalho comunitário é uma delas, e o meu irmão Manuel assimilou bem essa prática da casa dos meus pais. Desde sempre que em casa dos meus pais, as grandes tarefas como vindimas, apanha de batatas e outros, mais do que um trabalho eram uma festa.

O trabalho mais penoso sobrava para a minha mãe, porque tinha de cozinhar para cerca de trinta pessoas, tantas quantas se juntavam nesses mesmos trabalhos, como a vindima por exemplo. O trabalho propriamente dito, fazia-se com uma perna às costas, entre chalaças e brincadeiras dos presentes, quer fossem homens ou mulheres.

Para mim foi gratificante observar, que, esse espirito comunitário ainda se preserva, embora eu estivesse presente, apenas para registar o evento.

Quanto às vindimas propriamente ditas, infelizmente este ano, não vai ser um ano muito produtivo. Há enormes quebras face aos anos anteriores, havendo casos em que as vinhas, até já parecem vindimadas, não pelos vindimadores mas pelo míldio, em especial naquelas que os produtores, não acertaram com a data dos tratamentos.

 Mas nem sempre a quantidade é sinónimo de qualidade, por isso esperamos nessa matéria, que o ano de 2016, seja um ano de boa colheita.  

publicado por Nuno Santos às 23:56

Setembro 27 2016

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Se o mês de junho é considerado o mês dos santos populares, havendo festas e romarias por toda a parte e  quase todos os dias, em Outeiro Seco o mês das festas é em setembro, celebrando-se a Sra da Azinheira no dia 8, e o São Miguel no dia 29, com a particularidade do São Miguel, ser o nosso padroeiro.

Mas lá diz o ditado, “santos da casa não fazem milagres” de modo que, o São Miguel, embora seja o nosso padroeiro, em matéria de festejos ocupa um lugar subalterno, porque em termos orçamentais, gastam-se apenas as sobras da festa da Sra da Azinheira.

Por isso, as dificuldades na realização desta festa, estão agora mais amenizadas, por causa da retirada das receitas das oferendas do prato, no dia da festa da Sra da Azinheira, à Comissão da Fábrica da Igreja, passando a pertencer à Comissão da Festa.

Tal medida continua a gerar alguma controvérsia, em especial nos sectores mais ligados à igreja, porque assim a Comissão da Fábrica da Igreja, passou a ter menos dinheiro para a realização das obras de conservação da igreja e das capelas, em contrapartida, passou a haver mais dinheiro para celebrar o São Miguel.

Mas em abono da verdade, o facto é que acaba por ser sempre o povo, quem contribui para a requalificação do património religioso da aldeia, como foi no caso das capelas de Sant’Ana, e Sra da Portela, já que a Sra do Rosário foi um caso um pouco especial, mercê de um donativo também ele especial.

No passado existiram anos, em que não houve sobras da festa, ou as que houve, foram insuficientes para se celebrar o São Miguel com a dignidade que merecia. No entanto, guardou-se sempre o feriado na aldeia, assim como a celebração da missa e do sermão.

Nesses anos poderia não haver procissão nem o baile à tarde, mas o povo não deixava de sair, circulando pelo largo do tanque, cortando na casaca dos mordomos desse ano, acusando-os de terem enterrado o São Miguel. Mas mesmo nesses anos e foram poucos, quase nunca deixou de haver arraial.

À noite enquanto se comiam as sobras do almoço, habitualmente frangos ou patos assados no forno, porque o cordeiro fora comido na festa Sra da Azinheira, ainda que alguns guardassem uma espádua para esse dia, ouviam a música que vinha estrada a baixo, tocada por um grupo de músicos entre os oito e os doze, quase sempre de Vila Verde da Raia, a que o povo chamava de gaiteiro ou de um Jazz.

O promotor desse arraial costumava ser o Adelino Figueiras, que, tinha relações especiais com o Nelson, músico de Vila Verde, por serem colegas de profissão. O dinheiro lá aparecia sempre porque durante o baile, as pessoas quotizavam-se para o pagamento do gaiteiro.

O arraial fazia-se no Largo do Zé Merceana e a sua varanda servia de coreto, como por baixo tinha taberna, claro que acabava por ser ele o maior beneficiário, mas também o maior mecenas.

Chamávamos-lhe a festa dos velhos, porque nesse dia toda a gente dançava, não havendo reumatismos nem espondiloses que apoquentasse. Aqueles que não tinham par dançavam com o Toninho Carreira, o tolinho da aldeia que, embora não tivesse outras tendências sexuais, gostava de imitar as práticas femininas, nomeadamente usar malas e dançar, ainda que fosse com homens.

Outra figura bizarra desse tempo era João Cagão, porque dançava por cima da sua ramada, com um garrafão de vinho na cabeça, em precário equilíbrio.

Atualmente passou a existir um outro constrangimento na realização do São Miguel. As escolas que antes abriam em outubro, passaram a abrir em meados de setembro, logo, muitos dos músicos são estudantes, não estando disponíveis para tocar, quando a festa calha num dia de semana, como acontece este ano.

Ora, apesar de agora haver uma Banda na aldeia, este ano a nossa banda não tocará na procissão, e veremos quantos poderão tocar à tarde. Provavelmente teremos uma Banda em versão reduzida como antigamente, para não lhe chamarmos um gaiteiro.

Como sempre o arraial promete, vai haver um conjunto e uma descarga de fogo, esperamos que o São Pedro seja amigo e nos dê uma noite amena.

Desde já os parabéns para as comissões de festas dos casados e dos solteiros, os quais terminam os seus mandatos com grande brilhantismo, contribuindo para a honra e o prestígio da aldeia. Bem hajam pelo esforço e sacrifício pessoal.

publicado por Nuno Santos às 11:35

Setembro 26 2016

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 Foto da Internet

 

É recorrente falar-se de OVNIS, Objectos Voadores Não Identificados, tanto em artigos escritos como em reportagens televisivas, o próprio cinema tem lhe dedicado vários filmes, sendo os mais famosos, o ET e os Contactos Imediatos de Terceiro Grau.

Ontem o tema voltou à discussão em Outeiro Seco, porque ninguém conseguiu qualquer explicação para aquilo que um grupo de mais de dez outeiro secanos que, se encontravam no largo do tanque por volta das 22,30 horas da noite de sábado, viram passar.

Segundo os seus testemunhos, eram umas luzes verdes em número de mais de quarenta, que se deslocavam a uma velocidade moderada, no sentido sudoeste nordeste, voando por baixo das nuvens, quando até se tinha iniciado um pequeno aguaceiro.

Esta visão foi tão estranha que, aqueles que se encontravam na rua, chamaram os que ainda se encontravam dentro do café do Flávio, e apesar de alguns tentarem registar a insólita visão, através das máquinas fotográficas dos seus telemóveis, por causa da escuridão, ninguém conseguiu registar qualquer imagem, senão a visual.

O que seriam as tais luzes? Segundo as testemunhas, não se ouvia qualquer som de motores, mas apenas, as imagens das luzes em movimento. Seriam drones! Ora o Marcos Costa tem um drone, que já é de uma geração avançada e segundo ele, só tem uma autonomia de seis quilómetros e meio, mas mesmo que fossem drones mais modernos, teriam de ser mais de quarenta, ora não é muito curial, nem se conhece qualquer atividade programada com drones em Chaves, no passado dia 24 de setembro, muito menos para aquela hora da noite.

Eu não tive o privilégio de assistir ao fenómeno, mas vi e ouvi a estupefação daqueles que assistiram e ontem me narraram o acontecimento. Algumas das testemunhas já não são jovens e passaram até por situações muito complicadas, como a guerra colonial, onde assistiram a outros fenómenos, desde os naturais como tempestades tropicais, até a situações de guerra.

Apesar de ninguém explicar este fenómeno, razão pelo qual se designam por OVNIS Objectos Voadores Não Identificados, o certo é que eles andam aí, e foram vistos no sábado passado em Outeiro Seco.

publicado por Nuno Santos às 10:34

Setembro 24 2016

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Hoje a cidade de Chaves teve um movimento anormal nesta época do ano, porque o seu Grupo Desportivo recebeu um dos grandes do futebol nacional, o Sport Lisboa e Benfica. E se no futebol ganha quase sempre o melhor, hoje ganhou apenas o maior, porquanto, na qualidade do jogo apresentado em campo pelas duas equipas, não se notou grande diferença de qualidade, apesar das diferenças orçamentais.

Com efeito, só o vencimento de Mitroglu o autor do primeiro golo benfiquista, pagava os ordenados de toda a equipa do Desportivo de Chaves. Mas o futebol são golos e o Benfica marcou dois, enquanto o Chaves não marcou nenhum, e as oportunidades que teve, atirou-as à trave, numa das vezes a bola, até bateu sucessivamente nos dois postes.

Claro que não escondo a minha frustração com este resultado, como flaviense, porque o Desportivo não pontuou na sua luta pela manutenção, depois, porque sendo também eu sócio e adepto do Sporting, a vitória do Benfica, mantém-no como líder isolado no campeonato.

A consolação que me resta é que a procissão ainda vai no adro, faltando ainda muitos jogos para disputar e o Desportivo de Chaves jogará de novo no seu estádio, já próximo sábado contra o Belenenses, este ano recheada de bons jogadores, alguns emprestados pelos clubes grandes, como são os casos de Oriel Rossel e João Palhinha.

Esperamos que no próximo jogo, os jogadores do Desportivo sejam mais eficazes, e deem uma alegria a todos os flavienses, ao contrário do jogo de hoje, onde havia muitos sentimentos contraditórios. Hoje apesar de vestirem a camisola e o cachecol azul grená, muitos flavienses no final do jogo, não deixaram de expressar a sua felicidade pelo resultado obtido.

Eu não censuro esses estados de alma, porque sociologicamente a maioria das pessoas, apoia os grandes e poderosos, tanto no desporto como na política, embora não seja o meu caso, que, estou sempre do lado das minorias.

 Os da minha geração recordam-se ainda, quando o Desportivo disputava apenas os campeonatos regionais, jogando com o Valpaços e o Fontelas e os jogos de interesse em Chaves, eras apenas quando se disputava o dérbi transmontano, com o Sport Clube de Vila Real.

Nesse tempo a maioria dos flavienses tornou-se adepto das equipas maiores e vencedoras, ainda que ao longo dos tempos, tenha havido vários ciclos de vencedores. A única cidade portuguesa, onde a maioria dos seus habitantes são adeptos do clube local, é na cidade de Guimarães, ainda que em Braga esteja também a crescer essa onda de entusiasmo em redor do clube local, mas na população mais jovem, porque durante muitos anos os bracarenses eram conhecidos como os benfiquistas do norte, ainda que ali haja adeptos de outros clubes.          

publicado por Nuno Santos às 23:53

Setembro 21 2016

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Ainda que eu não seja muito ligado às práticas litúrgicas, este ano tive o privilégio de assistir pela primeira vez à Festa da Sra das Graças, que, depois de um grande interregno, agora com o patrocínio da Câmara Municipal de Chaves, realiza-se já vai para doze anos consecutivos.

Do programa desta festa consta uma missa campal celebrada no Jardim Público, com a presença do Reverendíssimo Bispo da Diocese de Vila Real, acompanhado de quase todos os párocos da diocese de Chaves.

Após essas exéquias segue-se a procissão, que, partindo do Jardim Público, atravessa a Ponte Romana, seguindo pela Rua de Santo António, Rua 1.º de Dezembro, Largo do Anjo, terminando no Largo da Câmara em frente da Igreja Matriz, onde é feita a bênção dos andores.

Ainda que segundo testemunhos, a presença de público ao longo do percurso não fosse tão grande como em anos anteriores, a procissão não deixava de ser imponente, pois além das autoridades religiosas e políticas, acompanhavam-na as seis Bandas Filarmónicas do Concelho e quarenta e cinco andores, representando cada andor uma das freguesias do concelho, transportados por locais dessas mesmas freguesias.

Ora, é aqui que reside o meu constrangimento, porque embora tivesse visto passar o estandarte da minha freguesia, Outeiro Seco, assim como a nossa Banda Musical, não desfilou o andor do nosso padroeiro, o São Miguel, quando nos anos anteriores segundo vários testemunhos, ele desfilava impante e altaneiro nos ombros de outeiro secanos, que na sua passagem ouviam orgulhosamente elogios ao nosso santo, como sendo o mais bonito da procissão.

Com todo o respeito e amizade pelo nosso pároco, o cónego José Banha, creio ter sido ele o maior responsável por esta situação, dado ser ele o presidente da Comissão da Fábrica da Igreja. Bem sei que esta Comissão está praticamente vazia por falta de elementos, mas o Presidente da Junta de Freguesia, dispôs-se em duas ocasiões a armar o andor, e foi por causa da sua indecisão, que o andor não foi armado.

Mas o pior ainda foi quando na missa de domingo, a poucas horas da procissão e quando sabia já ser impossível corrigir essa falta. ter dito que a armação do andor, ficava ao critério da população , 

Ora não está em causa Outeiro Seco agradar ou não à autarquia, até porque ao contrário dos outros anos, a autarquia deixou de custear os gastos com a armação dos andores. O que ficou abalado foi o  nosso brio e o nossp bairrismo , e ao mesmo tempo alguma ingratidão, porque ao não participar com o andor do seu padroeiro na procissão da festa da cidade, Outeiro Seco não retribuiu o apoio que a população da cidade costuma dar, para a realização da festa da Senhora da Azinheira.   

 

publicado por Nuno Santos às 18:15

Setembro 16 2016

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 Há já alguns anos tornei-me aquista das Termas de Chaves, contrariando o velho ditado de que "santos ao pé da porta não fazem milagres". Acontece que no tocante à sinusite, os efeitos têm sido positivos. Infelizmente interrompi os tratamentos, quando devido à má gestão das obras de requalificação das Termas, estas não abriram nos anos de 2013 e 2014, perdendo-se com isso, um número considerável de aquistas. O ano passado recuperei os tratamentos, mas só neste ano me apercebi de alguns erros incríveis nas suas estruturas. Sem falar na decoração dos gabinetes médicos, atente-se nos fechos das casas de banho, uns orifícios circulares com menos de 3 centímetros de diâmetro, os quais têm de ser manuseados apenas por um dedo. Ora como a maioria dos utentes são pessoas de idade e com problemas reumatismais, em busca aqui da cura, considero um absurdo a escolha deste tipo de fecho para as casas de banho.
Também segundo me apercebi e me disseram o actual número de aquistas, anda muito longe dos números do passado na ordem dos 7.500 aquistas, pois ente ano ainda não se chegou aos 2.000.
Ora, devido ao êxodo que as Termas tiveram por causa do seu encerramento em 2013 e 2014, era importante que a autarquia, fizessem uma campanha de promoção a nível nacional junto dos média, a fim de recuperar os aquistas perdidos, pois só engrandeceria a cidade e o comércio local.

publicado por Nuno Santos às 08:34

Setembro 11 2016

Desde há uns anos que o fogo do arraial de Outeiro Seco, é o melhor que se queima na região, mas o deste ano elevou ainda mais a fasquia, desde logo com a contratação da empresa Macedos, que habitualmente abrilhantam o fim de ano na Madeira e o São João no Porto e Vila Nova de Gaia.

O filme em cima ilustra bem o que foi o espectáculo apresentado.

 

publicado por Nuno Santos às 23:52

Setembro 09 2016

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Foi por ela que Outeiro Seco esteve em festa e recebeu milhares de visitantes. Foi por ela que, muitos outeiro secanos atravessaram o oceano, outros vieram de outras terras distantes, onde diariamente labutam ganhando o pão do dia-a-dia, para lhes agradecer as graças recebidas durante o ano.

Viriam mais se a festa, em vez de ser uma quinta-feira, fosse num sábado ou num domingo? Essa é grande discussão que se trava em Outeiro Seco, há mais de um século. Até agora, tem prevalecido a tradição de se realizar a festa no dia do seu calendário religioso, ou seja no dia 8 de setembro, ainda que noutras terras, se tenha alterado essa tradição, tal como a própria igreja noutras datas, entre as quais o dia da mãe ou a Páscoa, a qual se celebra em dias móveis, consoante as luas do equinócio.

Além de que, a vida é dinâmica e Outeiro Seco, deixou de ser um meio rural, onde os seus habitantes que viviam sobretudo da agricultura passaram a viver de outras atividades, como os Serviços ou o Comércio.  

Contudo e apesar de a festa ser móvel no tocante aos dias da semana, ela continua a ser a rainha das festas da região, sobretudo o seu arraial, porque o programa da festa durante a tarde, carece em minha opinião de uma nova reprogramação.

Digo isto porque para mim é sempre um pouco constrangedor, face às expectativas criadas com a festa, ver o recinto vazio, apenas com algumas dezenas de pessoas à volta do coreto, mas claro, que a alteração a esta medida, deverá ser discutida e aprovada consensualmente.   

O balanço da festa é amplamente positivo. Desde logo, porque a festa tem vindo a ser enriquecida com a realização da “Festa do Reco”, realizada por uma comissão independente, agora sem coincidir com a realização da Procissão das Velas, tendo vindo a fortalecer-se em cada ano que passa, sendo por isso já muitos os não residentes que a procuram.

 De salientar ainda a forte presença de pessoas na procissão das velas, em muito maior número que, na tradicional procissão do dia festa. Muitas pessoas em especial os moradores de Santa Cruz que, antes da agregação com Santa Cruz – Trindade eram enterrados no nosso cemitério, agora para muitos deles, a festa da Sra da Azinheira resume-se à procissão das velas do dia 7.

De manhã houve a tradicional alvorada seguida da arruada pelas ruas da aldeia, a cargo da Banda Musical de Outeiro Seco. Seguiram-se depois as práticas religiosas, com missa e sermão e procissão, cujas práticas devido à extensão do percurso da procissão, termina a horas impróprias. Além de ser penosa devido à extensão do percurso, a sua chegada à igreja é também um pouco constrangedora, limitando-se apenas aos carregadores dos andores, ao padre, a Banda e aos pagadores de promessas, porquanto os acompanhantes vão ficando pelas suas casas. Estou certo que quando a procissão recolhe na igreja, alguns já terão já terminado o almoço.

Claro que o ponto alto da festa foi o seu arraial, em particular por causa do fogo, independente do programa paralelo que, não era de somenos importância.

No recinto de baixo estava o grupo de baile Arkádia, um dos melhores que passou por Outeiro Seco, com um vasto reportório que ia da música rock ao fado canção de Ana Moura.

No recinto de cima estavam as Bandas de Mateus – Vila Real e de Vilarandelo – Valpaços. A apreciação das bandas filarmónicas é sempre controverso. Desde logo, porque não existe uma grande cultura musical, razão porque a generalidade das pessoas, não aprecia tanto os temas de música mais elaborada, preferindo temas de música ligeira e de menor dificuldade de execução.

Quanto ao fogo-de-artifício a cargo dos conceituadíssimos Macedos, que frequentemente abrilhantam o fim de ano na Madeira e no Porto, apresentaram um espectáculo piromusical, um espetáculo pouco visto na região. Pena que muitos visitantes não reconheçam o esforço e o gasto com este evento, e não deixem a sua participação na mesa de oferendas da igreja.

Os parabéns à população de Outeiro Seco pela realização de mais uma festa da Sra da Azinheira e sobretudo aos seus comissários, com particular destaque para o Altino Rio e António José sobre quem recaiu a maioria dos encómios com esta organização.

 

publicado por Nuno Santos às 12:49

Setembro 04 2016

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Felizmente tenho o privilégio de conhecer uma boa parte do país, do interior ao litoral, embora, existam ainda algumas pequenas zonas do Portugal profundo, por descobrir. Esta semana com a nossa ida à serra do Açor e visita às aldeias de xisto, ficamos a conhecer um pouco mais desse país rural, garantindo-vos que vale mesmo a pena.

Há anos que andava para visitar essa zona, com sucessivos convites do meu amigo João Paulo Dias, ex-colega profissional, que é natural de Vide. Só que por circunstâncias várias nunca fora possível, só agora quando ele já tinha regressado a Lisboa, visitamos essa região, donde tivemos o privilégio em ter como guia o seu pai, João Mendes Dias, uma figura conhecida na região, que foi ali autarca durante vinte e oito anos.

Esta zona das aldeias de xisto, embora ocupem uma área pequena, pertencem a três concelhos; Arganil, Seia e Oliveira do Hospital. O Piódão (Arganil) em matéria da construção de xisto é seguramente ímpar, porquanto ali não é permitido outro tipo de construção senão o xisto. Bem próximo do Piódão e pertencente a esta freguesia fica Chãs de Égua, cuja praia fluvial é em termos de beleza, o paraíso na terra.

Existem depois outras aldeias como as de Vide ou Loriga (Seia) e outras mais pequenas a que o nosso guia chama de anexas, por estarem agregadas, onde a construção já alterna entre o xisto e a tradicional, granito ou tijolo e cimento.

Uma coisa comum a todas estas aldeias são a qualidade das suas ribeiras, tanto a da Ribeira do Alvoco como a Ribeira de Alva, são de uma água tão cristalina, como há muitos anos eu não tinha o privilégio de ver, aliás só me recordo de ver assim ribeiras tão cristalinas, nos fiordes na Noruega.

Curiosamente têm sido os nórdicos, mais propriamente holandeses, quem mais tem investido nesta região. Aliás o hotel rural onde pernoitamos em Alvoco da Várzea, que outrora fora um moinho e um lagar de azeite, está agora reconvertido numa bela unidade hoteleira denominada como Quinta da Moenda. Apesar de ter uma bela piscina, tem a menos de cem metros um açude, com uma bela praia fluvial.

Em matéria de praias fluviais são várias as existentes nesta zona, porém, existe um pequeno senão, para quem não gosta muito de viajar de carro, as estradas são estreitas e muito sinuosas, tal como não podia deixar de ser em serranias, mas como há pouco trânsito circula-se com segurança.

Para quem gosta de lazer e ar livre, recomendo uma visita a esta zona, antes que esse turismo se massifique e se degrade, pois sem dúvida que se trata de uma das zonas rurais mais bonitas de Portugal.   

 

publicado por Nuno Santos às 09:43

Setembro 01 2016

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Elenco da peça " As árvores morrem de pé"

 

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Ainda a televisão era a preto e branco quando eu vi pela primeira vez a peça “As árvores morrem de pé”. A sua atriz principal D. Palmira Basto já tinha falecido. Esta peça escrita por um escritor espanhol exilado na Argentina, foi gravada ao vivo no Teatro Avenida em 1966, tinha a atriz 90 anos e falecido um ano depois. Diz-se que apesar da sua proveta idade e uma vida dedicada ao teatro, este fora o papel da sua vida.

Quando anos mais tarde assisti à sua exibição pela televisão, ficou-me na memória a sua figura débil mas hirta, batendo com a bengala no palco dizendo “ morta por dentro mas de pé como as árvores”.

Ontem no Teatro Politeama, onde sessenta anos depois, a peça  volta a estar em cena, senti de novo essa emoção, quando ouvi a frase agora dita pela atriz Manuela Maria, com os seus 81 anos. De salientar que a partir de setembro, este papel será alternado com Eunice Muñoz, uma prática exercida por La Féria, alternando quase sempre a dupla dos atores principais, no caso Manuela Maria e João D’Avila com Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho.

Mas ontem foi um dia de emoções fortes, porque assisti à queda da Presidente do Brasil Dilma Rousseff, que, morta por dentro mas de pé como as árvores, foi destituída do seu cargo para o qual tinha sido eleita pelo povo brasileiro, mercê de artimanhas previstas na legislação brasileira.

A presidente Dilma, pese embora não esteja acusada de desvios nem de apropriação própria de bens do estado, viu-se afastada por um grupo de malfeitores, eles sim, com processos de investigação por crimes de corrupção e enriquecimento ilícito.

Ontem foi também um dia grande em matéria de desporto, porquanto, era o último dia para o mercado de transferências de jogadores. Nos sportinguistas havia a dúvida e o receio, da perda do seu capitão Adrien Silva. Porém o nosso presidente Bruno de Carvalho, o qual não teve o meu voto quando da eleição, geriu este tema com mestria.  O Sporting tornou-se assim no clube que gerou mais-valias em Portugal, e ainda aquele que melhor se reforçou para colmatar as saídas.

publicado por Nuno Santos às 10:33

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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