Outeiro Secano em Lisboa

Junho 19 2017

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 Foto do Público

 

O terrível incêndio de Pedrógão Grande, considerado desde já o maior de sempre em Portugal, por causa do número de vítimas causadas, trouxe à discussão temas recorrentes, como o ordenamento do território, a prevenção e o combate aos incêndios, além de outros temas como a cobertura televisiva.

Embora atento ao acontecimento, tenho evitado assistir às reportagens televisivas, sobretudo à sistemática repetição das imagens telivisivas, assim como às explicações de técnicos de gabinete, a maioria dos quais, nunca se viu confrontado com um incêndio.

Claro que o tema é muito controverso, digo isso porque já me vi confrontado de perto com este fenómeno, por mais de uma vez. Há poucos anos em Vilela Seca, concelho de Chaves, ajudei a estender as mangueiras aos bombeiros de Vidago, quando o fogo estava a cerca de três ou quatro quilómetros de distância. Ainda não tínhamos acabado de estender as mangueiras e tivemos de fugir, levando o carro as mangueiras de rasto, porque o fogo, já estava em cima de nós. Valeu-nos a circunstância de estarmos numa estrada asfaltada e ter sido fácil a escapatória.

Sobre este incêndio não deixa de ser paradoxal que, quando o mesmo ainda não se extinguiu, assim como não se tenham identificado todas as vítimas nem feito os funerais, já se procurem culpados desta catástrofe, mas em meu entender as suas causas estão muito a montante, desde logo no ordenamento do território.    

Ora, quando nas cidades do interior se fecham escolas, maternidades e outros serviços hospitalares, e as empresas e os serviços são deslocalizados para o litoral, contribuindo para a sua desertificação destas regiões, claro que se está a potenciar os incêndios.

Eu estive apenas por duas vezes nesta região, tendo almoçado numa delas em Figueiró dos Vinhos. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a quantidade de casas solarengas ali existentes, muitas delas em estado de abandono, sinais dessa mesma desertificação.

A imagem publicada hoje na capa do Público é ilustrativa dessa realidade, atente-se na densidade deste pinhal, além de contribuir para uma maior propagação dos incêndios, contribui também uma menor rentabilidade económica do mesmo. Ora estando este pinhal à beira de uma estrada, quem é o responsável pelo seu estado? Claro que em primeiro será o proprietário, mas tratando-se de um depósito de combustão não existe uma fiscalização que obrigue à sua limpeza?

publicado por Nuno Santos às 20:37

Junho 11 2017

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                                                                  Foto Humberto Ferreira

 

Embora os censos indiquem que sejamos cerca de dez milhões de portugueses, há outros indicadores que dizem que seremos cerca de quinze milhões, espalhados pela diáspora, isto é pelos cinco continentes.

A prova disso é que no espaço de pouco mais de uma semana, os sinos da nossa igreja tocaram três vezes, anunciando a morte de outros tantos outeiro secanos, tendo em comum, o facto de terem nascido e vivido na nossa aldeia parte das suas vidas, mas por razões circunstanciais, tiveram de fazer as suas vidas noutros paradeiros, sem contudo perderem as suas raízes.

por via disso os seus familiares, fizeram questão que, o sino da nossa igreja que, quando dos seus batismos anunciou ao povo o seu nascimento, agora nas suas mortes anunciasse também a sua despedida.

A primeira vez foi a Aninhas Florista, lamento já não me lembrar do apelido verdadeiro, ainda que tivesse nascido em Guimarães, tal como o seu irmão, o Zé Sapateiro, foi em Outeiro Seco que cresceu e se fez mulher aqui casando e criado os seus filhos.

Mais tarde emigrou para os Estados Unidos, donde regressou para viver os seus últimos dias. Só que a vida dá muitas voltas e afinal, quem veio para ficar foi o seu marido, João Floristo, este sim nascido e criado na aldeia. Viúva e com a família toda nos Estados Unidos, a Aninhas acabou por regressar para junto dos seus, dos quais se separou em definitivo, na passada semana.

A segunda vez que o sino tocou foi pelo José Lopes, mais conhecido na aldeia como o Zé Chibinha. O Zé era o mais novo de quatro irmãos, dois rapazes e duas raparigas todos eles ainda vivos. Ao que parece, a vida terá sido um pouco madrasta para o Zé, lá por terras de França, razão pela qual poucas vezes nos visitava no verão, ao contrário da maioria dos emigrantes que regressam quase todos os anos por altura das férias.

Quem também nos visitava frequentemente, em especila por altura da festa da Sra da Azinheira, era a Maria do Céu Pinho, mais conhecida por Céu Vigária. A partir de hoje jamais o fará, porquanto, faleceu em Lisboa. O sino que tantas vezes tocou para as orações rezadas pela sua avó, a senhora Maria dos Anjos, toca hoje a finados pela sua neta Céu.

Convivi com todos eles ainda embora mais com a Céu, porque durante anos fomos vizinhos no Bairro Alto em Lisboa. Por isso deixo aqui os sentidos pêsames a todas as famílias enlutadas, em especial à Fernanda e ao Mári,o pois, pelo facto de ter vindo justamente neste fim de semana a Chaves, não poderei estar presente nas cerimónias fúnebres. Paz às suas almas.

Nota - Por ironia ontem o sino tocou duas vezes a finados, a primeira vez pela Céu Pinho falecida em Lisboa e ali enterrada, fazendo companhia ao seu marido Ângelo.

Em seguida, tocou pelo António Pereira do Rio Costa mais conhecido como o António "Caneco". O António nasceu em 03-09-1933 falecendo ontem dia 11 de junho de 2017 vítima de doença prolongada. O seu corpo está em câmara ardente na capela mortuária de Outeiro Seco e o seu funeral será hoje segunda-feira às 17 horas. À Lula sua esposa e restante família, apresentamos os sentidos pêsames.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 11:38

Junho 03 2017

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Depois de Plaza Suite no Teatro Tivoli a dupla Diogo Infante e Alexandra Lencastre regressou ao palco, desta vez no Teatro da Trindade, para interpretarem o clássico “Quem tem medo de Virgínia Woolf.

Porque morei alguns anos no Largo de Camões, tornei-me num frequente espetador do Teatro da Trindade, tendo ali assistido à exibição de grandes peças de teatro, mas também de outros espetáculos, recordando-me de uma atuação da flaviense Teresa Ventura, cuja carreira deixei de seguir, por ignorância minha ou se por abandono seu!

Quanto ao Teatro da Trindade e por causa dessa proximidade, também fui assistindo à sua degradação, ao ponto de se tornar penoso assistir ali a um espetáculo, por causa da incomodidade das cadeiras.

Felizmente este teatro um dos mais belos de Lisboa, foi requalificado, ganhando de novo comodidade e dada a sua capacidade, torna assim possível que, mais público possa usufruir da sua programação.

Claro que a cidade de Lisboa beneficia muito da proximidade dos grandes artistas, pois mesmo entre as gravações de novelas ou de outras séries televisivas, podem representar peças de teatro. Alguns fazem-no por necessidade artística pois o Teatro é a sua essência como artistas, enquanto as novelas e outras representações, são a sua sobrevivência.

A peça em cena embora não escrita por Virgínia Woolf, tem como referência os jogos psicológicos entre os casais, sendo que nestas circunstâncias nem sempre tenham finais felizes. A representação destes dois monstros do teatro nacional é que é sempre brilhante.

 

publicado por Nuno Santos às 09:54

Junho 01 2017

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Já não sei qual o evento que decorria no Largo do Tanque, o nosso salão de festas, mas presumo que seria uma Corrida da Páscoa. Dos assistentes nesta fotografia, apenas o meu sogro está entre nós, embora já não fosse o mais novo dos retratados.

Com o desaparecimento destas pessoas, desapareceu também muita da nossa história. Embora na nossa terra se tenha feito muita recolha, refletida em muita obra publicada, eu penitencio-me por não recolhido do meu pai ou do meu tio Augusto, como o filho mais velho, os testemunhos do meu avô Manuel dos Santos, um ex-combatente da I Grande Guerra, as suas vivências nesse terrível acontecimento que, assolou o mundo, no início do século passado.

Os personagens desta foto teriam também muitas histórias para contar, umas de caráter pessoal, outras com repercussões  na vida social da aldeia. Entre os retratados está o Zé Regalia, cuja bonomia era reconhecida sendo o autor de muitas histórias pitorescas.

Recordo-me duma que me contou, a do roubo da boina ao Carloto na Bagoeira, pensando este que fora o diabo que lhe aparecera, no cruzamento das Japoneiras.

Isso aconteceu numa noite de breu quando o Carloto e a sua mulher seroavam em casa da sua mãe, vizinha do Zé Regalia. Ora quando o Carloto estava para sair, o Zé escondeu-se na sua eira, entre as ramagens da figueira.

Nessa época durante o inverno, a Bagoeira era um lamaçal e os transeuntes tinham de passar por um tombarão, uma espécie de passadiço, mesmo rente ao muro da eira do Zé.

À frente vinha a tia Júlia e logo atrás o Carloto, assim quando o Carloto passou, o Zé aproveitando-se do escuro e da noite e as ramagens da figueira, sacou-lhe a boina da cabeça.

Este talvez sugestionado por aquilo que se dizia deste lugar, saltou para o meio da lama correndo o mais rápido que pode do lugar. A mulher surpreendida perguntou.

- Que foi Manel! Parece que viste o diabo?

- Foi o diabo negro, que me roubou a boina da cabeça.

O caso ficou apenas dentro do casal, reforçando a ideia que o cruzamento das Japoneiras, era um lugar assombrado. Passado alguns dias e como o Carloto continuava a andar com a cabeça em couca, o Zé com o seu espírito galhofeiro disse para os outros.

- Perguntai ao Carloto pela boina?

Foi quando o Carloto descobriu que, o diabo se chamava Zé.

 

publicado por Nuno Santos às 16:07

Maio 28 2017

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Para muitos adeptos do fenómeno desportivo, a época termina hoje, com a realização da final da Taça de Portugal. Para mim o desporto não se confina ao futebol, embora a nossa comunicação social, tanto as televisões como a imprensa escrita, lhe dediquem quase em exclusividade o seu espaço, sendo de salientar que, o fenómeno desportivo mundial que mais espetadores agrega, são os Jogos Olímpicos.

Embora os Jogos se realizam apenas de quatro em quatro anos, as modalidades que os potenciam, realizam-se semanalmente, mas a nossa comunicação social não lhe dá a visibilidade que merecem. O exemplo disso foi a vitória de ontem na Roménia do Sporting em andebol, uma modalidade olímpica, trazendo para Portugal mais um troféu europeu. A propósito de andebol, se o Sporting ganhar o próximo jogo na próxima quarta-feira contra o Benfica, sagra-se também campeão nacional.  

Voltando ao futebol e à Taça de Portugal, entre o Benfica e o Vitória de Guimarães, vou ver o jogo pela televisão, porquanto nenhuma das minhas equipas preferidas são finalistas. O Sporting porque foi eliminado e bem, pelo Chaves. O Chaves porque foi eliminado e mal, já na meia-final pelo Vitória de Guimarães.

Quando escrevo mal, refiro-me à forma como o Chaves abordou o jogo em Guimarães, armando-se em equipa grande, assumindo o jogo. Por sua vez o Vitória, apesar de jogar em casa, jogou na defensiva, esperando o erro do Chaves, marcando-nos assim dois golos sem resposta, em contra ataque.

No segundo jogo aconteceu futebol, o Chaves fez tudo para dar a volta ao resultado e conseguiu chegando a estar a ganhar 3-0. Entretanto o Vitória marcou o golo que os apurava por goal-average, e o Chaves não se apurou para o Jamor, porque falhamos um penalti já nos descontos, um lance que é uma contingência do futebol.

Diz-se que em futebol não há justiças nem injustiças e que só contam os golos que entram, mas se houvesse justiça, deveria ser o Chaves a estar no Jamor, atendendo aos adversários que ultrapassou até a essa meia-final.

Entre outros clubes eliminou o Futebol Clube do Porto e o Sporting. Em contra partida o Benfica outro dos finalistas, jogou sempre com equipas do escalão secundário, uma coisa recorrente nos sorteios, onde raramente lhe saem as equipas mais difíceis.

Para mim é uma grande frustração não estar hoje no Jamor, porquanto, perdura ainda na minha memória, a final entre o Chaves e o Porto em 2010, sobretudo pela jornada de grande transmontanismo vivida no Jamor. Depois disso já lá estive e até com melhor resultado desportivo, como na final de 2015, onde o Sporting saiu vencedor sobre o Sporting de Braga, mas não foi a mesma coisa.

Curiosamente no próximo domingo, dia 4 de junho, irá repetir-se a final Sporting- Sporting de Braga, desta vez em futebol feminino. Claro que lá estarei torcendo pelas leoas, esperando que façam a dobradinha, isto é juntem a taça ao campeonato já conquistado.

Voltando ao Desportivo de Chaves, espero que na próxima época consigam munir-se de um avançado com maior qualidade que, os desta época. Tenho para mim que, face ao futebol produzido ao longo da época, se o Desportivo tivesse um avançado melhor, por certo teria ficado classificado nos lugares cimeiros, isto é em lugar europeu.

Embora eu goste muito do Verão, a falta do desporto em geral e do futebol em particular, traz-me sempre alguma monotonia, nesta altura do ano.

Mas espero que neste ano, devido à realização da Taça das Confederações, entre os dias 14 de junho a 2 de julho e onde Portugal vai estar pela primeira vez, defendendo o estatuto de campeão europeu, me amenize essa monotonia.

Para muitos desportistas o que conta é apenas a conquista do título de campeonato nacional, seja qual for a forma e o contexto, nem que seja com a "mão de Vata". Mas o futebol é mais que isso e a prova é de que  está ainda a decorrer a fase final das equipas de formação, de onde sairão os atletas que mais tarde vestirão a camisola da seleção.

De salientar que este ano o Sporting, poderá conquistar o título de campeão nacional em todos os escalões, sendo que em Juniores A, já se sagrou ontem campeão.

Espero que o jogo de hoje decorra com a maior normalidade dentro e fora do campo, e que acima de tudo, perdure a verdade desportiva, aquela que ainda ontem colocou a selecção portuguesa de sub-20 nos oitavos de final. Ontem não fora o vídeo árbitro, do qual Rui Vitória não se mostra grande adepto, Portugal teria sido afastado do mundial, quando o árbitro marcou um penalti inexistente contra Portugal. Valeu-nos na circunstância o vídeo árbitro, que  fez o ábitro alterar a decisão.

Um bom domingo e saudações desportivas, em especial para os benfiquistas outeiro secanos, que hoje, celebram a comemoração do Tetra.

 

publicado por Nuno Santos às 10:57

Maio 16 2017

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As pagelas distribuídas pela Agência Esteves que, operacionalizou o seu funeral, diziam que nasceu para o mundo em 24-07-1934 e para o céu em 13-05-2017. Só não diziam quão importante foi durante a sua vida, sobretudo para os seus seis filhos, dos quais durante muitos anos, teve de ser mãe e pai, por causa da sua precoce viuvez de Norberto Rodrigues Afonso, criando-os como uma ínclita geração.

Tais encómios não a impediram de ser um elemento ativo na vida da comunidade. Durante muitos anos e juntamente com a sua irmã Matilde, foram as zeladoras da igreja da senhora da Azinheira e ainda, as fiéis depositárias do ouro da santa. Em simultâneo cantava no coro da igreja, função que manteve quase até ao final da sua vida.

O seu funeral ocorreu hoje dia 15 para o cemitério local e a missa do sétimo dia decorrerá na próxima sexta-feira dia 19 às 16,30 na igreja matriz de Outeiro Seco. Entretanto em Lisboa será também rezada uma missa na Basílica da Estrela, no próximo sábado às 19,00 horas.

A toda a família enlutada filhos, filha, noras, genro e netos, as sentidas condolências.   

publicado por Nuno Santos às 00:04

Maio 13 2017

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Durante anos todos ouvimos a expressão dos três Efes – Fátima, Futebol e Fado. Claro que era uma expressão pejorativa para de certa maneira, denegrir o estado novo ou seja, o período da governação de Salazar, porquanto, eram as três únicas coisas positivas que nos projetavam no exterior.

Curiosamente ontem enquanto assistia pela televisão, às reportagens das comemorações do centenário de Fátima, dei-me conta de facto de alguma similitude, não tanto entre os três Efes, mas sobretudo entre o Futebol e Fátima.

As próprias perguntas dos repórteres de rua aos peregrinos, eram semelhantes às perguntas que fazem aos adeptos, antes de um jogo importante.

- Donde vem? Porque vem? Quais as suas expectativas perante este acontecimento?

 Só faltava mesmo perguntar qual o prognóstico do resultado e quem marcaria os golos, uma pergunta que a mim me irrita deveras ouvir, porquanto, uma das coisas boas do futebol é a sua imprevisibilidade, razão porque alguém disse “Prognósticos só no fim do jogo”.

Durante essas reportagens impressionou-me também o estado emocional dos entrevistados, em tudo semelhante ao estado emocional dos adeptos do futebol, ainda que estes costumem ser mais agressivos perante o opositor, o qual é visto como um rival e não um adversário, enquanto os peregrinos são mais assertivos e mais sofridos.

Mas ambos se movem pelos mesmos estados de alma, a Fé e a Esperança. Os peregrinos com Fé numa ação de graças, os adeptos com a Fé e a Esperança de que o seu clube ganhe, porque isso vai aumentar a sua auto estima, ganhando com isso um suplemento de alegria, para melhor suportar durante a semana, momentos menos bons da sua vida.

O facto curioso é que por vezes, estes dois acontecimentos cruzam-se, havendo quem vá a Fátima, só para agradecer os bons resultados desportivos, obtidos pelo seu clube, ou até pela seleção.

Curiosamente hoje dia 13 de maio, coexistem uma série de fatores que entroncam nos três Efes. É a canonização dos pastorinhos feita pelo papa Francisco em Fátima. É o Benfica que se ganhar o jogo de hoje, sagra-se campeão nacional, conquistando pela primeira vez na sua história de mais de cem anos o tetra. Um feito que os adversários diretos Sporting e Porto já conquistaram antes. O terceiro F hoje pode ser substituído por Festival e segundo as casas de apostas, O Salvador Sobral está bem posicionado, para ganhar o Festival da Eurovisão em Kiev.

Ora, de todos estes acontecimentos o que mais me entusiasma é a possível vitória do Salvador Sobral, pois quanto à questão dos pastorinhos, confesso que o meu ceticismo acentua-se cada vez mais, na medida em que vou adquirindo mais informação, sobre o fenómeno de Fátima.

Quanto ao Benfica campeão embora não goste, tenho de me render à evidência, porquanto, das dezasseis equipas em competição só uma pode ser campeã e o Benfica, recorrendo a meios diretos e indiretos foi aquela que, mais fez para ficar em primeiro.

  

 

  

publicado por Nuno Santos às 09:35

Maio 08 2017

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Ontem apesar de ter sido um dia festivo para a generalidade dos portugueses, para os sportinguistas nos quais me incluo, foi um dia aziado e deprimente, por causa do resultado do Sporting perante o Belenenses, onde se bateu um feito negativo que, já durava há 62 anos.

Parece incrível mas é verdade, teremos de recuar 62 anos para encontrarmos uma vitória do Belenenses em Alvalade, onde nos ganharam ontem por 3-1.

Ora, se em desporto qualquer dos resultados possa ser natural, já não se pode dizer o mesmo da postura dos seus responsáveis, nomeadamente do seu presidente. Pois como sportinguista fiquei deveras incomodado e triste com a sua postura, ao que parece só é responsável do clube nas horas boas, sacudindo a água do capote, na altura dos maus resultados.

Quando na primeira volta o Sporting ganhou em Belém por 1-0, já ao cair do pano, o presidente deu uma volta olímpica ao estádio batendo com a mão no peito mostrando o seu orgulho pela vencedora. Ontem atirou-se a tudo e a todos, como se ele não tivesse responsabilidades no resultado obtido, ou como se não fizesse parte da estrutura.

Pior ainda foi o que disse sobre a equipa de futsal, só porque perdeu a final contra a melhor equipa do mundo, esquecendo o brilhante jogo na meia-final, eliminando a equipa que, era a campeã europeia em título.

Como estamos a entrar na reta final do campeonato nacional de futsal, mais concretamente nos play-off, esperamos que tais declarações não tenham efeitos no seio da equipa, e que o título ganho o ano passado, não passe para o outro lado da segunda circular.

Para mim a situação diretiva no Sporting faz-me lembrar a França. Apesar da recente vitória de Bruno de Carvalho por quase 90 %, muitos desses votos inclusive os meus, foram pela falta de uma outra alternativa credível, como ontem em França,  onde muitos dos votos em Macron foram para derrotar Marine Le Pen e não para dar a vitória a Macron.   

 

publicado por Nuno Santos às 09:20

Maio 07 2017

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Confesso que não sou muito atreito à comemoração de datas, sobretudo, daquelas que se deixaram aprisionar pelo sistema comercial, como são os casos do dia da mãe, o dia do pai, o dia da mulher ou o dia dos namorados.

Ainda me recordo que na primeira vez em que comemorei o dia da mãe, há mais de cinquenta anos, teve também subjacente uma razão comercial.

Andava eu na terceira classe e tinha como professora, a D. Matilde Correia (Caretas) que, juntamente com outras duas irmãs e um irmão, o Domingos Careto, geriam duas papelarias em Chaves, uma na rua de Santo António, outra na rua Direita.

Embora a sociedade tivesse como denominação comercial “Casa Plastic” todos a conhecíamos como as “Caretas”, não porque as suas proprietárias fossem feias, ainda que a providência também não tivesse sido muito generosa com elas,  mas porque era nos seus estabelecimentos, onde se vendiam as caretas para o Carnaval.

Ora, a D. Matilde aproveitando a comemoração do Dia da Mãe, na época a 8 de dezembro, em vez de nos incentivar a fazermos um trabalho manual para oferecermos às nossas mães, levou-nos vários postais alusivos à efeméride, para nós lhos comprarmos.

Para o efeito, teríamos de pedir o dinheiro às nossas mães, dizendo-lhes que era para lhe fazermos uma surpresa. Infelizmente pouco habituadas a surpresas, muitas delas não colaboraram, umas porque não acreditaram no pedido dos filhos, outras porque tinham outras prioridades para o dinheiro, que, na época não abundava. Por isso, alguns dos meus colegas ficaram sem a prenda para as suas mães.

Eu recordo-me de ter escolhido o postal que ilustra o post, o qual tinha por trás a seguinte quadra:

Com três letrinhas apenas

Se escreve a palavra mãe

É das palavras pequenas

A maior que o mundo tem.

Ao que parece, a comemoração do Dia da Mãe ou o Dia das Mães, como é designado em alguns países, tem origens ancestrais, vindo mesmo do tempo da Grécia clássica, onde já se celebrava o Dia de Cibeles, a Mãe dos Deuses.  

Também não existe uma grande uniformidade, quanto à data desta comemoração. Há países onde o Dia da Mãe se comemora no primeiro domingo de maio, noutros é no segundo domingo de maio e outros ainda, no último domingo de maio. Em Portugal já se comemorou no dia 8 de dezembro, o dia da Imaculada Conceição, ou seja, o dia em que segundo o dogma católico, Jesus Cristo foi concebido sem o pecado original.

Ora, como se diz que Jesus Cristo nasceu em 25 de dezembro, dia de Natal, uma destas datas não estará certa, talvez o meu amigo Manuel da Costa Cunha que, anda a estudar a bíblia, nos ajude a decifrar este enigma.

Ainda que para mim o dia da mãe, deva ser todos os dias do ano, aqui fica um beijo especial para a minha mãe assim como para todas as mães e votos de um dia feliz para todas.

publicado por Nuno Santos às 07:22

Maio 04 2017

Cruz-shutterstock_702155021.jpg

 

Ontem foi o dia 3 de maio e presumo que, para muitos outeiro secanos, terá sido um dia como outro qualquer. Só que nem sempre foi assim. Tempos houve em que este dia era feriado na aldeia, em nome da veneração da Santa Cruz, porque segundo os cânones religiosos, terá sido neste dia que, Santa Helena descobriu a cruz, onde Jesus Cristo fora cruxificado.

 A data foi tão levada a sério que, ao lugar da nossa freguesia para onde se terão deslocado algumas famílias, como uma espécie de colonos, chamaram-lhe Santa Cruz.

Durante muitos anos Santa Cruz não teve qualquer autonomia, dependia administrativamente da junta de freguesia sedeada em Outeiro Seco, assim como dos serviços religiosos e o cemitério. Mais tarde foi construída uma capela, tomando-se como orago a Santa Cruz, realizando-se a festa em sua honra neste dia do 3 de maio.

Embora esta festa tivesse essencialmente um cariz religioso, a população de Outeiro Seco também a tomava como sua, guardando o feriado e participando no peditório para a sua realização. Aliás a prática do peditório era recíproca, pois quando da realização da festa da Sra da Azinheira em 8 de setembro, a comissão de festas também ia e continua a ir pedir a Santa Cruz.

Em alguns anos dependendo da dinâmica das comissões de festas, além da festa religiosa também se organizava baile, com banda de música e tudo. Esse baile realizava-se na eira grande, onde havia um coreto improvisado.    

Por causa da situação estratégica deste lugar, muito próximo da cidade, Santa Cruz teve um crescimento exponencial, passando a ter mais residentes e eleitores do que a própria sede da freguesia. Assim no ano de 2001 ocorreu o desmembramento da freguesia de Outeiro Seco, passando a ser mais uma freguesia de Chaves, com o nome de Santa Cruz Trindade.

Em 2011 na sequência da última reforma administrativa, a sua toponímia voltou a ser alterada, passando a designar-se como União das freguesias de Santa Cruz Trindade e Sanjurge, parecendo-me uma união sem grande nexo, pois, não havia qualquer ligação histórica entre estas duas localidades, porquanto, essa ligação histórica existiu sim mas com Outeiro Seco.

Atualmente Santa Cruz tornou-se num lugar descaraterizado, já que a maioria dos seus moradores, não têm ali as suas raízes. Compraram ali um lote de terreno e construíram ali uma casa, muitos deles oriundos das terras da montanha, mas apenas para que os seus filhos beneficiem da proximidade das escolas da cidade.

Assim o dia 3 de maio passou a ser uma data como outra qualquer, embora continue a ser recordado pelos outeiro secanos, sobretudo os mais velhos porque a esta data está ainda associado um outro facto, o início das sestas, ou seja a pausa no trabalho entre o almoço e a tarde.

Este é um costume usado na vizinha Espanha “la siesta” e seguido ainda pelos mais velhos nas regiões transfronteiriças, no Alentejo chamam-lhe “a folga” mas que sabe bem lá isso sabe.

publicado por Nuno Santos às 10:47

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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