Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 18 2017

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Não é só anatomicamente que o coração se divide em dois ou seja em dois ventrículos, o ventrículo direito e ventrículo esquerdo. Também emocionalmente o coração pode estar dividido, tal como o canta Marco Paulo “ Eu tenho dois amores”. Aliás, o Prof. Júlio Machado Vaz e Inês Maria Menezes, no programa “O Amor é” emitido diariamente nas manhãs da Antena 1, já por várias vezes desenvolveram o tema das duas paixões.

Bem isto a propósito do meu estado de alma, por causa dos recentes resultados do Chaves-Sporting, as minhas duas paixões desportivas. Eu escrevi antes do jogo, de que gostaria que o Sporting vencesse o jogo para o campeonato, e o Chaves ganhasse o jogo da Taça, a fim de poder regressar ao Jamor, repetindo assim a presença do ano de 2010, dando uma nova alegria a todos os transmontanos, tanto aos residentes na região, como aos que estão espalhados pela diáspora.

 Afinal o meu desejo só se concretizou em parte. Para o campeonato houve um empate, mas com sabor a derrota para os sportinguistas. Na Taça o meu desejo cumpriu-se, tendo o Desportivo ganho e bem, pese embora o golo da vitória só aparecesse ao minuto 87, por isso mesmo dramático para os sportinguistas,  mas saboroso para os flavienses.

Bem sei que falta ainda a meia-final, hoje saber-se-á com quem, se com o Sporting da Covilhã ou com o Vitória de Guimarães. Mas o facto de ser uma eliminatória a duas mãos, logo, haverá mais vantagens de vencer a eliminatória.

Embora flaviense  nunca escondi a minha simpatia pelo Sporting, e tenho a certeza que os  da minha geração, não haverá ninguém que seja exclusivamente, adepto do Chaves. Isso porque no nosso  tempo de meninos e moços, o Desportivo de Chaves disputava apenas os campeonatos regionais, e no máximo, a terceira divisão, com clubes como o Bragança, Fafe, Vianense, ou São Pedro da Cova.  

Ao contrário de outros países, onde as pessoas assumem exclusivamente a sua paixão, pelo clube da sua terra ou da sua região, em Portugal os adeptos assumem a sua simpatia pelos clubes que ganham, ainda que haja raras exceções, como é o caso de Guimarães. Donde, a maioria esmagadora dos flavienses que, ontem glorificaram e bem o Desportivo, tenho a certeza de que teriam sido bem mais contidos, caso o adversário do Chaves tivesse sido outro.

Ora atendendo ao bom momento que, o Chaves está a passar, e seguindo o exemplo do Sporting de Braga, o Desportivo deveria intensificar a visita dos seus jogadores às escolas, fazendo junto dos jovens essa adesão ao Desportivo, evitando deste modo que se tornem adeptos de outros clubes, adotando como clube do coração, o clube da sua terra.

Eu como já não estou em idade de mudar, continuarei fiel a ambos, fazendo seletivamente as minhas opções, embora quanto à Taça de Portugal serei um dos maiores torcedores.

publicado por Nuno Santos às 15:27

Janeiro 17 2017

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Ainda não se apagaram os clamores do último Chaves-Sporting, disputado no Municipal do passado sábado, e eis que por sortilégio do sorteio, hoje volta haver um novo jogo no Municipal, desta vez para a Taça de Portugal.

O resultado do jogo de sábado, um empate de 2-2, teve um efeito nefasto nas hostes sportinguistas, a meu ver nem tanto pelo resultado obtido face ao desempenho das duas equipas, o qual se me afigura justo, mas sobretudo porque o Sporting, não aproveitou a perda de pontos do Benfica em casa com o Boavista.

Ora, segundo se escreveu nos jornais, no balneário do Sporting terá havido grande alarido, protagonizado pelo seu presidente Bruno de Carvalho.

O facto de o Sporting estar em período pré eleitoral, não será estranho a todo este ambiente escaldante, mas face à forma de gestão imprimida pelo nosso presidente, parece-me que não poderá imputar as culpas dos fracos resultados para terceiros nomeadamente para os jogadores, já que a culpa será de quem os adquiriu e de quem os pões a jogar.

Quem não tem culpa é o Desportivo de Chaves que fez o que tem a fazer tal como já tinha acontecido quando recebeu o Benfica. A diferença é que no jogo do Benfica a bola bateu no poste ou antes nos dois postes e contra o Sporting entrou dentro da baliza porque é lá que elas contam.

Tal como disse num post anterior, eu como adepto dos dois clubes, no jogo da liga torcia pelo Sporting para poder ainda lutar pelo título, mas no jogo de hoje para a Taça, eu torço pelo Chaves porque quero os Valentes Transmontanos no Jamor.

publicado por Nuno Santos às 18:12

Janeiro 15 2017

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Outeiro Seco, tal como a maioria das localidades do interior do país, vai ficando cada vez mais desertificada, sendo várias as razões dessa desertificação. Uma delas é o desaparecimento das gerações mais velhas, seguindo o ciclo da vida, pese embora o seu tempo de vida, tenha vindo sucessivamente a aumentar.

A segunda causa é o abandono dos seus naturais para outras paragens, em busca de melhor qualidade de vida. Alguns para os grandes centros, outros porém para o estrangeiro, donde não mais regressam.

A terceira causa e não menos despiciente, é a fraca natalidade existente, pois se os naturais em idade de procriação saem, logo não pode haver nascimentos. Ao lembrar-me que no ano do meu nascimento, 1955, nascemos na aldeia onze rapazes e onze raparigas, agora nem durante uma década se atinge este número de nascimentos.

Porém, o objectivo do post de hoje, tem por fim informar os outeirosecanos espalhados pela diáspora, de que só neste ano de 2017, a aldeia já perdeu três conterrâneos, todos na mesma semana.

Depois do falecimento do Sr. Alexandre Batista, (Moucho) seguiu-se o Manuel Melo (filho da Minda Melo) e hoje acaba de falecer o Sr. Eustáquio Dias.

Os dois primeiros não eram propriamente velhos, porém, ambos estavam em sofrimento, vítimas de doenças prolongadas.

 O Sr. Eustáquio era um nonagenário, e uma figura carismática da aldeia. Galhofeiro e bem-disposto esteve ligado a vários episódios que fazem parte da memória coletiva da aldeia, desde a ocupação da Abobeleira, à fundação do Gaiteiro de Outeiro Seco na década de trinta.

Desconheço ainda o dia e a hora do funeral do Sr. Eustáquio, contudo aqui ficam os meus sentidos pêsames, às famílias dos três falecidos.  

publicado por Nuno Santos às 16:27

Janeiro 13 2017

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A sexta-feira treze é considerada na religião judaico-cristão, como um dia de azar, porque se segue ao dia doze, um número associado às doze tribos de Israel, aos doze apóstolos e aos doze meses do ano. Além de que a sexta-feira, foi o dia em que, Jesus Cristo foi crucificado no calvário.

O município de Montalegre tem aproveitado muito bem esta superstição, proporcionando nos dias de sexta-feira treze, um mega evento aos visitantes, baseado neste misticismo, mas sobretudo na dinâmica do Padre Fontes, iniciado primeiro com o Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes.

Depois do êxito do Congresso, os responsáveis do município, vendo aqui uma janela de oportunidade, para promover os seus produtos regionais e dar a conhecer melhor o seu concelho, criou este evento que, todos os anos tem vindo em crescendo, tornando-se num acontecimento cultural que, senão já de âmbito nacional, é o pelo menos a nível regional. 

Como vem sendo habitual, hoje serão milhares de pessoas que rumarão a Montalegre, alguns para degustar os produtos gastronómicos da região, outros para se divertirem apenas com as fantasias, tornando as ruas da vila bem mais animadas, do que nos restantes dias do ano.

Neste ano de 2017 pese embora haja muitos feriados, que, podem proporcionar várias pontes, só haverá uma outra sexta-feira treze, a qual ocorrerá no mês de outubro.

Confesso que nunca fui a Montalegre neste dia, mas tinha programado fazê-lo neste ano, por causa de uma coincidência feliz. É que amanhã sábado dia 14, o Sporting vai jogar em Chaves para a Liga, voltando a jogar na terça-feira para a Taça de Portugal. Ora com dois jogos num espaço tão curto de tempo, estavam assim mais que reunidas as razões para irmos a Chaves ao futebol e fazer o desvio a Montalegre.

Só que a sexta-feira treze foi mesmo para mim um dia de azar, porquanto, estou desde quarta-feira, com uma arreliadora gripe, a qual me impossibilita de sair de casa.

Assim não só não poderei ir a Montalegre, como terei de ver os dois jogos em casa, pela televisão. Claro que os meus amigos benfiquistas, já estarão a cogitar.

 – Então como é que é agora, és do Chaves ou do Sporting?

Ora, como sócio dos dois clubes, mas atendendo à situação periclitante do Sporting no campeonato, com um atraso de oito pontos do Benfica, e como o Chaves não tem a manutenção em perigo, eu digo com toda a franqueza que, torço pela vitória do Sporting. Já quanto ao jogo da Taça de Portugal, só para ter o prazer de ver de novo o Chaves no Jamor, eu fico a torcer pela vitória do Chaves.

 

publicado por Nuno Santos às 12:21

Janeiro 11 2017

Já por mais de uma vez escrevi neste blog, das qualidades multifacetadas da minha sobrinha, Laura Moura, embora conhecida no seio da família, como a Filipa. Aliás, foi ela a autora do Conto de Natal aqui publicado. Com várias exposições em espaços públicos da Câmara de Almada, sobretudo na área da fotografia, em minha opinião, é na literatura que o seu talento mais se releva.

Desde cedo que a Filipa mostrou talento para a literatura, valendo-lhe essa inspiração criativa, ter já ganho  alguns prémios infanto-juvenis, atribuídos pelo DN Jovem. Apesar de ter outras coisas escritas, as quais eu próprio já tive o privilégio de ler, têm-lhe faltado a coragem para vencer essa inibição, mostrando esses trabalhos a editores, a fim de se tornarem públicos.

Finalmente decidiu criar um Blog, chamado Dias Impares, onde segundo ela, irá apresentar pequenas histórias, tendo já publicado duas. Por isso estejam atentos e verão, a potencial escritora que ela é.

Como estamos no início de mais um ano, desejo à Filipa e ao seu Blog Dias Impares, um grande sucesso.   

O link de acesso é:

http://diasimpares.weebly.com/histoacuterias

 

 

A autora

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Laura Moura (Lisboa, 1983) formada em Psicologia e Produção de Artes e Espetáculos desde 2007, tem vindo a trabalhar em ambas as áreas, procurando as suas complementaridades. Recentemente tem-se dedicado à conceção e desenvolvimento de projetos de intervenção sociocomunitária em territórios vulneráveis ou com populações fragilizadas, junto de ONG, IPSS ou como freelancer.
Dias Ímpares surge da observação e diálogos do dia-a-dia – quando a poeira assenta são as histórias que resistem. Um microbservatório do comportamento humano que junta escrita e fotografia, as suas duas ferramentas de eleição para a partilha.
publicado por Nuno Santos às 10:31

Janeiro 10 2017

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Ontem foi conhecido o vencedor do Prémio FIFA 2016, e o contemplado deste ano, em minha opinião  com toda a justiça, foi o Cristiano Ronaldo. Embora  esse reconhecimento fosse esperado, pela esmagadora maioria dos adeptos do futebol, atendendo aos feitos obtidos neste ano, fundamentalmente por ter sido campeão europeu de clubes e pela seleção, nesta coisa de eleições existe por vezes, alguma irracionalidade. Ainda recentemente houve um exemplo dessa mesma irracionalidade, numa situação bem mais relevante, do que o prémio FIFA.

Além de que o Lionel Messi, o seu mais direto adversário, é também ele um grande jogador, tendo já vencido por cinco vezes este prémio, contra apenas quatro de Cristiano Ronaldo. Se bem que um desses prémios, atendendo ao desempenho desportivo dos dois jogadores, a sua atribuição a Lionel Messi nesse mesmo ano, resultou um pouco dessa mesma irracionalidade, de quem votou.

Para quem não está tão identificado com estas coisas do futebol, existem dois prémios diferenciados, atribuídos aos atletas com o melhor desempenho durante cada época desportiva. A Bola de Ouro, que foi criada pelo jornal francês L’Equipe, no ano de 1956 e o prémio FIFA, criado no ano de 1990.

Entre os anos 2010 e o ano 2015 o jornal L’Equipe e a FIFA fizeram uma parceria, unificando o prémio, porém essa parceria foi desfeita em 2016, passando a haver de novo os dois prémios, a Bola de Ouro e o prémio FIFA agora designado por The Best.

Neste ano, o Cristiano Ronaldo já tinha ganho a Bola de Ouro, atribuída pelo L’Equipe, embora não fosse uma garantia de, ser considerado o melhor do mundo. Isto porque no ano de 2000, Luís Figo também ganhou a Bola de Ouro e não foi eleito o melhor jogador pela FIFA, cabendo o prémio FIFA nesse ano a Zinedine Zidane. Porém no ano de 2001 o Luís Figo viria a ganhar o prémio FIFA de melhor jogador do mundo, quando a Bola de Ouro do L'Equipe, foi atribuída a Michael Owen do Liverpool.

Apesar de ser um orgulho para a maioria dos portugueses, termos alguém reconhecido, como o melhor do mundo, e logo numa área de tão grande visibilidade como é o futebol, de tal forma que o próprio Cristiano Ronaldo, se transformou num símbolo do nosso país no mundo inteiro. Para os sportinguistas é um duplo prazer, porquanto, dois dos jogadores já distinguidos como melhores do mundo, foram formados no Sporting, o Luis Figo e o Cristiano Ronaldo.

 

 

publicado por Nuno Santos às 16:24

Janeiro 09 2017

1924-2017

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O ano de 2016 foi fértil no desaparecimento de figuras públicas, tanto no meio artístico, como na política. No meio artístico destacam-se entre outros, o desaparecimento de David Bowie, Leonard Cohen e George Michael e no meio político, o do icónico Comandante Fidel Castro.

O ano de 2017 ainda agora começou e logo com o desaparecimento de uma figura marcante da vida portuguesa, nos últimos cinquenta anos, o Dr. Mário Soares, pese embora, já estivesse retirado da política ativa.

Eu nunca fui um seu apoiante, porquanto, as minhas simpatias políticas situam-se num outro quadrante, porém, não me é difícil reconhecer a sua importância e o seu contributo na consolidação da democracia, ainda que de certeza, não seria esta democracia em que vivemos, aquela que o Dr. Mário Soares idealizou, uma democracia subordinada ao poder económico, mais do que ao sufrágio popular como ele sempre defendeu.

A propósito de eleições lembro-me de um episódio curioso ocorrido com o Dr. Mário Soares, o qual ilustra o seu sentido democrático. Como costume em véspera de eleições, as forças partidárias fazem arruadas nas principais cidades e nas ruas mais movimentadas.

Durante uma campanha eleitoral e estando no período de almoço, encontrava-me no Rossio, junto a uma banca do meu partido. Entretanto aproximou-se a comitiva do PS, encabeçada pelo Dr. Mário Soares. Ora o Rossio, é como que a sala de visitas de Lisboa, e à hora de almoço, são centenas para não dizer milhares, as pessoas que por ali circulam. Pois o Dr. Mário Soares dando a volta à praça, cumprimentou todos os elementos das bancas dos partidos rivais, inclusive a mim. Foi este o meu momento de maior proximidade, com o Dr. Mário Soares.   

Claro que nestas alturas, há sempre tendência para se sobrevalorizar as virtudes, dos que nos deixam, por isso, são muitos os comentadores que o apelidam de “pai da democracia”. Mas com todo o respeito, a mim custa-me reconhecer-lhe esse epíteto, porque houve muitos portugueses que fizeram bem mais pela instauração da democracia em Portugal, pagando até com a própria vida, essa luta pela democracia. E se ele esteve deportado em São Tomé e exilado em Paris, outros estiveram deportados no Tarrafal e nas masmorras de Peniche.

Mas também tenho dificuldade em entender, as críticas que lhe fazem, sobre o processo de descolonização, sobretudo, as efetuadas pelos portugueses retornados das colónias.

Isto porque em face da conjuntura da época, o que esses portugueses deveriam valorizar mais, era o seu processo de integração na vida social do país, pois não há muitos exemplos como esse, no mundo. Foi quase um milhão de pessoas integradas num período tão curto de tempo, e num país tão pequeno como o nosso. Ora o Dr. Mário Soares fazia parte desse governo, que, tudo fez para os receber e integrar socialmente.

Quanto a mim os principais responsáveis da descolonização foram, como muitos defendem, o Prof. Salazar e o Prof. Marcelo Caetano, porque não conseguiram ler atempadamente os sinais que vinham dos países vizinhos das nossas ex-colónias, acompanhando a retirada dos outros países colonizadores.

Estão aagora a decorrer as cerimónias fúnebres e com honras de estado. Ainda que eu não participe nelas a não ser pela televisão, não deixo de exprimir a minha solidariedade à família, assim como a todos aqueles que sentem a sua partida, estando ciente de que o Dr. Mário Soares, figurará na História de Portugal.

publicado por Nuno Santos às 17:16

Dezembro 26 2016

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 Nota - Os meus sobrinhos Laura Filipa e Artur Miguel Moura são uns artistas, pese embora neste país, os artistas tenham uma vida difícil, sendo disso exemplo, o recente encerramento do Teatro da Cornucópia em Lisboa, um teatro com mais de 43 anos de atividade.

A Filipa ganhou já vários prémios literáriios e tem no seu currículo, várias exposições temáticas. O Artur Miguel é engenheiro de som, tendo colaborado em sonoplastia, com várias companhias de teatro e mais recentemente na gravação do disco de uma jovem cantora Mariana Root.

Na noite de Natal em Outeiro Seco, na  casa dos avós maternos, juntamente com os primos, quase sempre nos presenteiam com um pequeno espetáculo de variedades. Este ano, por força da multiplicação das famílias, apesat de  sermos menos, não deixou de haver um espetáculo, que, teve a representação da Carolina, Laura Filipa, Artur Miguel, Daniel e Artur (pai). O texto é da autoria da Laura Filipa e do Artur Miguel, sendo até seguido via Skipe na Holanda.

A Missa do Galo Galela

 

 

NARRADOR: Era uma vez um galo chamado Gastão que era o rei da capoeira. Todas as galinhas o achavam jeitoso e um bom partido.

GASTÃO Entra todo pimpão, dirigindo-se ao público como se fossem as suas galinhas.

– Minhas pitinhas, o Gastão chegou. Cacarejem quando estou por perto, chorem quando me vou. fala em privado para o público Tenho mais amantes que penas e olhem que tenho muitas penas!

NARRADOR: Certo dia chegou à capoeira uma carta endereçada a Gastão. A galinha Pipá Pita apressou-se a entregá-la.

PIPÁ PITA: – Gastãozinho! Chegou uma carta para ti!

GASTÃO: – O quê? Mais contas? Cá para mim são acertos... vocês levam-me à falência com a electricidade que gastam a embonecar-se e com a televisão ligada todo o dia nas novelas, e nas manhãs do Goucha...

PIPÁ PITA: interrompendo Gastão – Não, não! Isto é uma coisa importante! Traz um selo da Igreja Paroquial Adventista Romana do 14º Dia em Portugal e Arredores.

GASTÃO: – Ui! Deixa cá ver isso.

NARRADOR: Excelentíssimo Senhor Gastão, vimos por este meio convidar sua excelência a estar presente na nossa excelente Missa do Galo. Todos os paroquianos poderão contemplar a sua forma vigorosa, o brilho das suas penas, o requinte da sua crista. Aguardamos ansiosamente que nos presenteie com a sua vinda. Melhores cumprimentos, O presidente da assembleia geral da Igreja Paroquial Adventista e Romana do 14º Dia em Portugal e Arredores.

GASTÃO: – Ah! Finalmente fui reconhecido! Uma missa do Galo para mim – a minha missa! Vou ficar famoso, conhecer outras capoeiras, ir para o estrangeiro! Meninas, meninas! Toca a trabalhar – quero estas penas num brinco.

NARRADOR: Nessa noite, Gastão entra no adro da igreja todo pimpão, onde é recebido com toda a pompa e circunstância pelo sacristão Bítaro.

BÍTARO: – Seja muito bem vindo! Que honra tê-lo cá! Temos para si um ligar cativo, com vista privilegiada para a cerimónia – o lugar é aquecido e pode contar com umas barras de segurança para a sua maior protecção.

NARRADOR: Gastão ocupa o seu lugar todo crencho. O seu lugar que, na verdade, é uma gaiola com algumas brasas por baixo. Era tarde e àquela hora, Gastão já dormiria se estivesse na sua capoeira. A somar àquele calorzinho e a um farto sentimento de reconhecimento, Gastão fecha o olho e passa pelas brasas no seu camarote. Só acorda quando ouve o sino a tocar a meia noite. Olha rapidamente em volta para ver se alguém deu conta que adormecera e é nessa altura repara nos outros camarotes da sala ocupados por outros galos em “lugares cativos” como o seu.

GASTÃO: – Mas o que vem a ser isto?! Eu pensava que era o único galo desta Missa do Galo!

NARRADOR: E sem dar tempo a Gastão de pensar mais no assunto, um dos paroquianos surge no seu camarote, pega na sua gaiola e leva-a para o altar. Ali, as gaiolas são dispostas numa linha, como uma montra.

BÍTARO: – Um aplauso para os nossos ilustres convidados! Contemplem e votem – votem no galo mais formoso!

GASTÃO: pondo-se logo em sentido – Ah isto é uma competição? Esperem lá que eu já vos mostro.

NARRADOR: Gastão abre as suas asas mostrando as suas penas lustrosas, o seu peito definido, as suas pernas arqueadas, o seu bico dourado, o seu corpo robusto, etc, etc, etc.

BÍTARO: aparece e interrompe a série de poses do Gastão, batendo-lhe na asa – Oh pá, já chega! Pronto, és tu o escolhido!

NARRADOR: Gastão está feliz que nem um galo. Os outros concorrentes são levados dali e o palco é finalmente apenas de Gastão. Enquanto sonha com o seu prémio e imagina a sua cara como a nova cara do Galo de Barcelos, é despertado pelo som e o reflexo de uma lâmina desembainhada pelas mãos de Bítaro. E logo começam cânticos na sala.

TODOS: – Galo Galão Galo Galela Nossa salvação Está na tua moela.

NARRADOR: Gastão estremece  apercebendo-se do terrível engano e  de que o seu fim está próximo. Surpreendentemente, sente saudades das suas pitinhas e pensa que as devia ter tratado melhor... As brasas da sua gaiola começam a aquecer automaticamente e quando já se estava a imaginar a acompanhar um arroz de cabidela, uma grande confusão instala-se na sala. Irrompe da multidão um inspector da ASAE que diz:

INSPECTOR: – Alto e para tudo! Para se proceder ao abate deste animal, ele deve estar registado, vacinado, medicado e anestesiado. E a sua confeção deve acontecer em local esterilizado, arejado, arrumado e escarquejado. Ora, como não estão reunidas essas condições, suspendo desde já o abate do galo.

Assim se salvou o Gastou de ser servido de cabidela, voltando de novo ao galinheiro e a galar as suas pitinhas.

 

 

publicado por Nuno Santos às 16:31

Dezembro 23 2016

boas festas.jpg

Este ano na condição de avós felizes, eu e a Celeste desejamos  a todos os nossos amigos e leitores deste blog, um BOM NATAL e um ANO NOVO cheio de prosperidades.

publicado por Nuno Santos às 10:22

Dezembro 18 2016

Iluminação de natal 2.jpg

 

Ainda que haja Natal todos os anos, nem sempre as cidades são iluminadas, com a sumptuosidade como nos anos em que há eleições. Mesmo em Lisboa, onde a iluminação na Baixa e na zona do Chiado, são uma tradição antiga, numa coprodução da Câmara Municipal de Lisboa com a Associação dos Comerciantes, este ano o investimento é duas vezes superior ao do ano anterior, pois segundo vi escrito, são dois milhões de lâmpadas que, iluminam a noite lisboeta, desde o dia 30 de novembro até depois dos Reis, num custo de setecentos mil euros.

A acrescer à iluminação das ruas, é exibido todas as noites no Terreiro do Paço, um espetáculo de multimédia, no género do que vem sendo apresentado nas noites de verão, só que desta vez o tema do espetáculo é o espírito natalício e o ambiente. Todas as noites a Praça do Comércio enche-se e esvazia-se de gente a um ritmo alucinante, tanta é a gente que por ali passa,vindos muitos de fora havendo inclusive em excursões para o efeito.

Mas se em Lisboa e no Porto este investimento tem ainda algum retorno, eu próprio experienciei, quando ontem fui com outro casal ver a iluminação e o espetáculo, jantamos e fizemos outros gastos, porquanto, os estabelecimentos da Baixa estão na sua maioria abertos, precisamente para angariar clientes ocasionais como nós.

Como as eleições estão à porta, em Chaves também se fez um investimento avultado, na iluminação de Natal. Embora não tivesse ainda o privilégio de as ver in loco, pois só irei amanhã para cima, porém já vi um filme da iluminação na internet, contemplando as principais artérias da cidade, assim como os seus principais monumentos.

Mas se a iluminação tem o objetivo de trazer pessoas à rua, criando uma dinâmica comercial, o filme que vi é desolador, porquanto,  mostra-nos os efeitos luminosos, mas também as ruas da cidade, totalmente desertas.

Ora, se as autarquias devem assinalar a quadra natalícia, a mim parece-me um exagero, fazerem-se gastos excessivos, sem qualquer retorno.

publicado por Nuno Santos às 11:23

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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