Outeiro Secano em Lisboa

Junho 30 2013

O Sporting sufraga hoje em Assembleia Geral um plano de recuperação do clube, o qual passa pela redução do seu passivo perante os Bancos e os restantes credores, fundindo para isso várias empresas do universo sportinguista, de modo a sair da falência técnica em que se encontra. Entre outras medidas destaca-se a entrada de investidores estrangeiros, nomeadamente a Holdimo, um fundo de capitais angolanos que apesar de tudo, ficam com apenas 26% do capital social da Sporting SAD, mantendo o Sporting a maioria do seu capital social.

O mesmo já não acontece com outros clubes, nomeadamente o FCP, o qual já só detém 40% do capital social do Porto SAD, razão pela qual muitos dos investimentos e decisões são feitos do exterior, tornando-se o Porto SAD num veículo de negócio de investidores. Mas como têm apresentado resultados desportivos e, é isso que o povo quer, tudo está bem quando acaba em bem e a maioria dos sócios é alheio a essa situação.

Contrariamente às minhas expectativas iniciais, não fui à assembleia, a qual está a decorrer no velhinho pavilhão da Ajuda, por causa da canícula que se faz sentir em Lisboa e por todo o país, como a sua cobertura é em zinco, imagine-se o calor que lá deve estar.

A propósito deste pavilhão, ocorre-me contar um episódio passado há quase quarenta anos, quando ali levei lá uns nossos conterrâneos. Foram o Costa na época estudante de Direito aqui em Lisboa, o Zé Manuel Anjos e José Fernando que cumpriam o serviço militar  nas Caldas da Rainha e trocaram o fim de semana na terra, por uma vinda a Lisboa. Após  um jantar bem regado no Bairro Alto onde eu morava, levei-os ao pavilhão da Ajuda, para assistirmos a um jogo de andebol, entre a nossa selecção e a da Holanda.

O Costa estava já em tal estado que, em vez de gritar Portugal, Portugal, Portugal, gritava o nome de lugares do nosso termo como Vale de Amieiro, onde tanto ele como o Zé Fernando passaram bons tempos, enquanto guardavam ali as vacas quando eram miúdos.

Voltando ao tema da assembleia do Sporting, espero que este plano seja aprovado e sirva para a recuperação do clube, e que não seja um empurrar dos problemas para a frente.

Não fui um apoiante deste presidente, e é ainda muito cedo para se fazerem avaliações de desmpenho, tendo por isso o meu benefício da dúvida.

O Sporting foi criado em 1 de Julho de 1906, fazendo amanhã 107 anos, não se devem dar os parabéns antecipados, mas espero que possa continuar por muitos mais anos, fiel aos princípios dos seus fundadores, sendo um dos maiores entre os maiores, sobre o lema: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória.

publicado por Nuno Santos às 16:34

Junho 28 2013

O azeite tal como o vinho está nas nossas produções agrícolas mais emergentes, produzindo-se em todas as regiões e com prémios de qualidade, em vários certames internacionais. A Sovena produtora do azeite “Oliveira da Serra” é das maiores produtoras de azeite mundial.

Na última semana tive a oportunidade de visitar dois lagares de azeite. O pimeiro foi o lagar da Cooperativa dos Olivicultores do Cano, na freguesia do Cano, concelho de Sousel. Trata-se de um lagar moderno,todo ele mecânico em inox, onde se produz um azeite extra virgem, com apenas 0,2º de acidez.

No sábado passado acabei por visitar um outro lagar, desta vez em Vila Velha de Ródão, o qual já não labora desde 1930. Este lagar agora convertido num ecomuseu era designado por lagar de varas e laborava por processos artesanais. A azeitona era esmagada por três mós numa espécie de tina ou lagar, a que chamavam o pio.

As mós eram movidas por tracção animal, quase sempre por bois, que rodavam à volta do engennho, num processo semelhante às tradicionais noras. As mós moviam-se com simetrias diferentes, para apanharem toda a superfície do pio. Depois de moída a massa era prensada num outro departamento, por meio de pesos na extremidade das varas, daí a origem do seu nome.

A nossa veiga foi outrora um local de muita produção de azeitona. Nos olivais do Dr. Ferreira Montalvão situados nos termos de Outeiro Seco e Faiões, as campanhas da apanha de azeitona duravam quase um mês. Mas não era o único produtor, a D. Beatriz também tinha alguma dimensão,  precisamente nas mesmas aldeias. Havia depois outros produtores mais pequenos, que produziam azeite para consumo interno, durante todo o ano.

Em Outeiro Seco chegou a haver vários lagares de azeite, eu já não conheci nenhum a laborar, embora soubesse que havia um lagar de azeite, lá para os lados do Campo da Roda.  É pena não haver um único lagar na zona para mostrar às gerações mais novas, de que o azeite, não sai das prateleiras dos supermercados. A única peça ainda preservada é a roda da azenha do Agapito, a qual servia precisamente, para mover um lagar de azeite.

 
publicado por Nuno Santos às 21:10

Junho 27 2013

O mês de Junho está associado às festas dos santos populares, mas para algumas famílias de Outeiro Seco, este mês de Junho ficará na sua memória, pelas piores razões, a morte de entes queridos. Depois do Fernando Reis e da tia Irene, cuja missa de sétimo dia ocorreu hoje, faleceu ontem a mãe da Lígia Campos sogra do Jorge Bernardo.

Também o Fernando Jorge Bernardo e a sua mulher Rita Chaves estão de luto, pela perda do seu único filho, Paulo Jorge Chaves Bernardo, falecido ontem no Porto, cujo funeral ocorrerá amanhã, nessa cidade. Às famílias destes outeiro secanos, através deste blog eu e a Celeste, apresentamos as mais sentidas condolências, em especial ao Jorge e à Rita, neste momento tão doloroso.  
publicado por Nuno Santos às 18:48

Junho 25 2013

 

 

Num recente passeio ao Ródão, além de vermos o património material da vila, conhecemos também algum do seu património imaterial, como a lenda do Rei Vamba, um rei visigodo que terá vivido no castelo de Ródão, com a mulher e três filhos. A rainha gostava de ir para a margem do rio, apreciando as suas águas revoltas. Porém, na margem oposta, um rei mouro tinha também esse mesmo hábito, nascendo entre os dois uma paixão platónica, que as águas revoltas do rio, impedia de se encontrarem.

Entretanto o rei mouro congeminou um plano para raptar a rainha, escavando um túnel por baixo das águas. Este plano não resultou porque o túnel saiu longe do local onde estava a rainha. O primeiro fracasso não fez desistir o rei mouro, conseguindo atravessar o rio numa corda de seda, raptando a rainha, levando-a para o seu castelo.

Despeitado o rei Vamba não descansou, enquanto não resgatou a esposa. No regresso a casa, reuniu a família para decidir o castigo, a aplicar à rainha adúltera e foi o filho mais novo, quem decretou a sentença. A rainha foi atada a uma roda, rolando montanha abaixo, e enquanto a roda rolava, a rainha rogou a seguinte praga.

- Nesta terra não haverá cavalos de regalo, nem padres se ordenarão e putas não faltarão.

Diz-se que por onde passou a roda, nunca mais cresceu mato, os cavalos ficaram-se pelo Ribatejo, houve dois padres que se ordenaram mas abandonaram o sacerdócio, tendo-se casado. Á cautela o nosso guia disse ter ido casar ao Porto.

Mas a realidade é que o castelo do rei Vamba, não passou de uma torre de atalaia que, comunicava por sinais de fumo com o castelo de Marvão e de Castelo de Vide e ainda com o castelo de Belverde, sendo utilizado quando da primeira invasão francesa, a qual passou por estas terras. Perto do Ródão  no rio Cobrão, existem umas outras portas, semelhantes às do Ródão, embora numa dimensão menor, mas não inferiores em beleza.

publicado por Nuno Santos às 23:05

Junho 24 2013

Há muitos anos havia um slogan publicitário que dizia “Serviço combinado com a CP”, este slogan continua actual tendo a Casa do Professor de Loures no passado sábado recorrido a este serviço, para proporcionar aos seus associados e familiares, um passeio extraordinário.

Com partida da Estação de Santa Apolónia em Lisboa às 08,16 h, chegamos a Vila Velha de Ródão, aproxidamente duas horas depois. A paisagem até ao Entroncamento foi entrecortada entre o rio alguma paisagem industrial e explorações agrícolas.

A partir do Entroncamento o rio Tejo passa a ser o principal parceiro de viagem, algo semelhante às viagens de comboio, do Porto ao Tua, embora com paisagens e belezas diferentes.

Ao chegar a Vila Velha de Ródão sentimos então os efeitos do tal serviço combinado. À nossa espera estava o Grupo de Bombos de Ródão, diferenciados pela técnica dos mareantes do Douro, por serem mais parecidos com os Tóca a Rufar, de Lisboa.

À nossa espera estava também um guia local com um autocarro que, nos transportou à casa das Artes, um belíssimo edifício composto de um auditório e várias salas de exposição, onde nos foi servido um porto de honra.

Como o grupo era composto de cinquenta elementos, dividiu-se depois em dois, indo uma parte visitar um lagar de azeite, convertido em ecomuseu, a outra fez a viagem panorâmica de barco, passando então por entre as portas do Ródão.

Esta paisagem é esmagadora e torna-nos muito pequeninos, perante esta beleza da natureza, nas suas rochas onde se pode ver a maior reserva de grifos do país. O grifo uma espécie de ave muito semelhante ao abutre que, praticamente só existe aqui nesta região.

A ordem inverteu-se quem antes visitou o lagar fez depois o passeio de barco, para nos juntarmos de novo na Pousada, onde foi servido um belo almoço.

Após o almoço rumamos ao museu da vila sem podermos usufruir da piscina e que bem se agradecia, para ajudar a suportar a canícula exterior, a qual rondaria perto dos 40º, mas dentro do museu a temperatura rondava os 18 a 20º.

O museu é interessante porque preserva alguns dos objectos que compõem o complexo de arte rupestre do Vale do Tejo, descoberto em 1971. Estima-se que seja composto por 40.000 gravuras, o maior da península ibérica, estendendo-se pelos concelhos de Vila Velha de Ródão, Nisa e Mação, situado nas margens do rio Tejo, Ocreza e ribeira de Nisa embora esteja agora todo ele debaixo de água.

Até aos princípios da década de setenta, o rio Tejo passava em Vila Velha de Ródão pelo meio de rochas e fragas tornando a sua passagem quase impossível no inverno e só facilitada no verão, quando o rio quase secava. Segundo explicação do guia, a origem do nome de Ródão vem dos romanos e quer dizer “rio revolto”.

Só em finais da década de sessenta, quando se construiu a Barragem do Fratel, situada alguns quilómetros abaixo, foram então descobertas estas gravuras rupestres.

 Vivíamos tempos diferentes, ainda não havia a democracia e o lóbi  dos ambientalistas e dos arqueólogos não tinham a força dos tempos actuais. De modo que se quiseram preservar alguma dessa arte, tiveram que andar rápido, porque as águas da barragem já estavam a subir, mesmo assim, através de fotografia, filmes e outras técnicas, conseguiram preservar algumas peças, as quais podem ser visitadas neste museu.

Em comparação com o que viria a passar-se anos mais tarde em Foz Coa, é difícil fazer uma avaliação mas em minha opinião, acho que Vila Velha de Ródão ganhou e muito com a construção da barragem. Actualmente pode ver-se uma amostra da sua arte rupestre e ao mesmo tempo ganhou uma vida económica que antes não tinha, cuja taxa de desemprego ronda apenas os 3%.   

publicado por Nuno Santos às 21:30

Junho 23 2013

 

 
 
Na senda de uma tradição iniciada no ano de 2011, realizou-se hoje o III Encontro de Flavienses residentes na região de Lisboa. O evento que decorreu na margem sul, nas instalações anexas ao pavilhão desportivo do Alto do Moinho, onde o Quim Barrigas que juntamente com o Zé Manuel Costa e a Fátima Lúcia fazia parte da organização, e é um dos seccionistas de andebol neste clube.
No encontro estiveram alguns repetentes dos anos anteriores, outros pela primeira vez, revendo-se amigos mas sobretudo, recordando-se o passado vivido em Chaves.
Este ano havia ainda uma razão acrescida para comemorarmos, foi a subida e o respectivo  título de campeão nacional da II Divisão do nosso Desportivo, que no próximo ano virá quatro vezes a Lisboa, para jogar com o Belenenses, Atlético, Benfica B e Sporting B.
Como não podia deixar de ser, Outeiro Seco esteve presente com dez elementos, com especial destaque para a família do Manuel Benedito, que, apesar de viver há mais de sessenta anos em Lisboa, o seu coração continua lá.
A organização esteve 5 estrelas, houve alimentação variada, discursos apresentação de imagens actuais e antigas da cidade, algumas que jamais poderão ser vistas, como a praça velha e o antigo Largo das Freiras. A coroar esta pequena apresentação, cantou-se com grande exaltação bairrista a marcha de Chaves e o Hino do Desportivo.
O ponto fraco foi a adesão, havendo inclusive alguns inscritos que não compareceram, levando a organização a considerar se no futuro próximo, não será melhor antecipar o encontro para Maio, porque no mês de Junho, coincide com festas de família, nomeadamente as comunhões.
Mantendo a alternância de organizar o convívio, em cada um das margens do rio, em 2014 vai ser realizado na zona norte, ficando a organização a cargo do Nelson Rodrigues, representante da Casa do Desportivo em Lisboa. Da nossa parte seja onde for lá estaremos, porque Chaves é para nós:
 Terra de encanto
 Que tanta beleza encerra,
 A quem nós queremos tanto
 Porque és tu, a nossa terra.
publicado por Nuno Santos às 23:25

Junho 21 2013

 

Quando hoje vinha a caminho do emprego, ouvi na rádio do meu carro o extracto de uma entrevista do Prof. Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, dizendo que o governo da nação, não tem de ser exercido obrigatóriamente apenas pelo PSD ou pelo PS, porque outros movimentos surgiram na sociedade portuguesa, com novas ideias, capazes de assegurar melhor essa governação.

Embora concorde com a afirmação, não sei muito bem como isso se articula depois com a actual constituição, a não ser que esse governo fosse de iniciativa presidencial, mas para isso, teria de ver o seu programa aprovado na assembleia da república. Mas como não ouvi a entrevista toda, fico-me por aqui.

Quando cheguei ao escritório, deparei-me na minha caixa de correio com este convite, para celebrar o S. Pedro em Outeiro Seco, promovido por um grupo de amigos de Outeiro Seco.

Ora o convite vindo na sequência da entrevista obriga-me a fazer esta reflexão. Das duas uma, ou as pessoas já não se revêem nos órgãos que elegem, ou então vivemos tempos novos que ainda não estão regulados, mas atenção tudo o que não é regulado não acaba bem.

E em Outeiro Seco existem até várias entidades institucionalizadas, cujo objecto social é a promoção do bem-estar social e cultural dos seus associados, cuja actividade não é confinada aos sócios, mas à população em geral, embora os sócios tenham uma discriminação positiva, como a redução de preços na entrada.

Algumas dessas instituições precisam até de angariar receitas, para a prossecução da sua actividade, daí a minha estranheza, por vê-las ficarem indiferentes a estas actividades populares, como é o caso do S. Pedro, que vá la saber-se porquê, é dos três santos populares aquele com maior tradição na nossa terra, apesar de creio não estar enganado, o único que está representado nos altares das várias igrejas e capelas da aldeia, ser o Santo António.

Aproveitando para dar os parabéns à organização nao vou poder estar, por causa da distância e porque este mês de Junho, tem sido fértil em deslocações. Amanhã sábado vamos às Portas do Rodão, uma das sete maravilhas de Portugal, e no domingo estaremos no Alto do Moinho, no III Encontro de Flavienses, onde vão estar vários outeiro secanos.

Para quem vive na zona de Lisboa e queira comparecer, pese embora eu não pertença à organização aqui fica o convite, o local é junto ao Pavilhão Desportivo do Alto do Moinho, entre Corroios e Vale de Milhaços.

 

publicado por Nuno Santos às 10:39

Junho 19 2013

 

 

 

Após o discurso do presidente da república no dia de Portugal e das Comunidades, a agricultura ficou na ordem do dia, embora não fosse por isso que ontem, uma equipa da Nucase visitou a Herdade das Romeiras, situada no Alentejo, por sinal bem próxima de Elvas, onde o presidente proferiu o seu discurso.

A visita ficou a dever-se à gentileza do Eng.º Guerreiro dos Santos, administrador desta empresa agrícola, cliente da Nucase há quase vinte anos. Da comitiva faziam parte além do Eng.º Guerreiro dos Santos, eu e a minha colega e conterrânea Idalina Carvalho, mais o Dr. Rafael, actual ROC Revisor Oficial de Contas.

Deste modo, tivemos o privilégio de visitar in-loco, o que de melhor se faz em matéria de agricultura, sobretudo, em áreas como; a pecuária a silvicultura e viticultura.

Devido à dimensão da herdade, a sua visita só se torna possível de viatura, mas ainda que os seus trilhos nos pareçam um labirinto, contornando as diversas culturas, milho, trigo, cevada, pastagens, vinha, montado etc., o tio Isidoro, com os seus 78 anos de idade e 33 anos de efectividade nesta herdade, conduziu o jipe com o mesmo à vontade, como nós conduzimos uma viatura numa auto-estrada. 

A Herdade das Romeiras ocupa uma área de dois mil e duzentos hectares. Para quem não está muito familiarizado com as medidas agrárias, cada hectare corresponde a um campo de futebol, logo estamos perante dois mil e duzentos campos de futebol, todos seguidos.

A sua dimensão é tal que a sua área estende-se por duas freguesias e dois concelhos, a freguesia do Cano pertence ao concelho de Sousel, e a de Santa Vitória do Ameixial, concelho de Estremoz.

De salientar que foi nesta freguesia e presumidamente nos terrenos desta herdade que, em 8 de Junho de 1663, se travou a batalha do Ameixial, estando ali o obelisco, para celebrar o feito.

Nesta batalha os espanhóis sofreram uma pesadíssima derrota, contando com cerca de treze mil baixas, num exército de vinte e seis mil efectivos, metade deles foram mortos, feridos ou feitos prisioneiros.

O S. Pedro é que não foi muito solidário, porque embora chovesse muito os aguaceiros que caíram, impediram-nos de assistir à actividade de vinte e dois machados que, manejados por outros tantos artistas da função, extrairiam a cortiça dos sobreiros. È sabido que a cortiça é extraída de nove em nove anos, mas a extensão desta herdade aliada a sua boa gestao, já conseguem extrair cortiça todos os anos.

Esta Herdade foi outrora um dos maiores produtores da Adega de Borba, hoje os seus cerca de cem hectares de vinha, contribuem para fazer o excelente “Marquês de Borba” produzido pela Adega de João Portugal Ramos, da qual são sócios com uma participação minoritária.

Foi graças a essa parceria, assim como aos conhecimentos privilegiados do Eng.º Guerreiro dos Santos, que visitamos também esta adega, assim como as suas vinhas, mesmo nas fraldas do castelo de Estremoz.

Esta adega está tambem convertida numa unidade de enoturismo, por isso além de nós havia outros visitantes, nomeadamente um grupo de alemães que além de coleccionarem os aromas de um bom vinho, coleccionam também viaturas antigas, conforme se pode ver nas imagens que retractei.

Para quem gosta de conhecer o país real, este pode ser mais um roteiro de viagem, constatando que Portugal, é bem mais do que os últimos cem metros de areia, ao longo do litoral ou ao sul no Algarve.

publicado por Nuno Santos às 16:28

Junho 17 2013


Quem nasceu em Chaves ainda que aí não viva em permanente, a cidade jamais lhe sai do pensamento e tudo quanto vê pelo mundo fora, serve-lhe de comparação. Ainda recentemente andando por Espanha, visitando entre outras cidades a de Mérida que, durante a ocupação romana, tinha o nome de Emérita Augusta e foi a capital da Lusitânia, constatei muitas semelhanças com Chaves.

Desde logo o rio Guadiana que a divide, tal como o Tâmega divide a nossa cidade. No passado ambas privilegiaram a sua actividade na margem direita, pese embora preservem ainda as pontes romanas que ligavam as duas margens, servindo fundamentalmente para a entrada e saida de quem visitava as cidades.

O facto de ter sido uma cidade povoada pelos romanos, em Mérida acontece o mesmo que em Chaves, em cada cavadela surgem vestígios da civilização romana. Pela sua importância no passado, os achados em Mérida, são incomensuravelmente maiores do que os de Chaves, mas fiquei com a ideia de que têm resolvido melhor, essa relação do antigo com o moderno.

A não ser o anfiteatro romano cuja monumentalidade vale pelo seu conjunto, as restantes ruínas não são impeditivas ao progresso. Deste modo ainda que preservem essas ruínas, constroem por cima, utilizando técnicas de construções onde as duas civilizações coabitam numa simbiose perfeita, sendo visível por toda a cidade, os vestígios do antigo com o moderno.

A distância entre Chaves e Mérida é de cerca de 550 quilómetros, quer fazendo o percurso sempre por Espanha, com passagem por Zamora, Salamanca, Placência e Cáceres, quer vá pela A24, A23 e depois pelo IP 2 até Badajoz. Quem queira fazer este segundo trajeto, não deixe de visitar Elvas, cidade património mundial e dar um salto a Olivença, que mudou de nacionalidade, mas preserva ainda a simpatia pelos portugueses, assim como o nome das ruas, tendo  na mesma placa o seu nome em espanhol e português.
publicado por Nuno Santos às 07:53

Junho 16 2013

 

Como os santos populares nos acompanham durante todo o mês de Junho, culminando no dia 29, com o dia de São Pedro, o Santo António acompanhou-me para Espanha. E foi em Mérida capital da Estremadura espanhola, que assisti a uma procissão algo bizarra, semelhante a uma vivenciada quando fui mordomo no ano de 1999, quando na manhã do dia 29 de Setembro, dia de S. Miguel, o andor da senhora da Azinheira foi transportado por quatro almas, sem qualquer acompanhamento, da igreja da senhora da Azinheira para a igreja matriz, para se incorporar depois na procissão do S. Miguel.

No último dia 13 dia de Junho o dia do Santo, enquanto digeriamos o jantar, fizemos a travessia  pedonal da ponte romana de Mérida sobre o Guadiana, uma ponte com semelhanças arquitetónicas com a ponte de Chaves mas seguramente quatro a cinco vezes mais comprida, num pequeno bairro de uma das margens, deparamo-nos com uma pequena festa.

Depois da actuação de um grupo de flamenco, organizou-se então a procissão com o andor do santo António. À frente ia o pendão, depois o andor seguido por meia dúzia de pessoas, enquanto as restantes, não abandonaram as mesas e cadeiras de plástico, onde aquela hora saboreavam as famosas  "raciones de tapas".

Mas voltando às tradições do Santo António, na primeira metade do século XX em Outeiro Seco, os animais nomeadamente os porcos, circulavam livremente pelas ruas trepando as estrumeiras. Mas havia um porco que não era de ninguém em particular, era comunitário e chamavam-lhe o “réquinho do santo antónio”.

Este porco era alimentado por todos, ainda hoje se diz de alguém que gosta de socializar, comendo em várias casas, que, é como o réquinho de santo antónio. Mas na época das matanças o reco do santo antónio não fugia ao destino de ir à faca, só que antes era leiloado, ficando com ele, quem mais amigo era do santo.

A partir da segunda metade do século deixou de haver o réquinho do santo antónio, mas não a fé no santo para a protecção desses animais. E aos domingos na altura das matanças, no final da missa o Sr. Lépido ou o Sr. Manuel Pispalhas, os leiloeiros de serviço, leiloavam um ou mais pratos com uma parte do porco, composto por uma porção de fígado ou o coração e de um pouco de lombo,

que, toda a gente oferecia ao santo, pela graça do porco ter sobrevivido até à matança.  

publicado por Nuno Santos às 08:12

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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