Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 30 2013

Ontem foi um dia importante para o país e para Outeiro Seco em particular. Para o país porque se realizaram as eleições autárquicas e ainda que em muitas das terras, estas eleições tenham um cariz local, e os eleitores votem nas pessoas, não deixam também de ter uma matriz partidária. E basta cingir-nos aos resultados da nossa freguesia, onde o Carlos Xavier, concorrente pelo PSD, que pela obra feita durante o último mandato, merecia senão a totalidade dos novecentos votos inscritos, ainda que obtivesse a maioria absoluta, teve apenas 334 voto contra 155 do PS, e 25 da CDU.

Quanto aos resultados no país, o PS recuperou praticamente todas as grandes cidades, a CDU foi também uma força partidária vencedora, pois recuperou a gestão de cidades que num passado recente tinha perdido para o PS, como Beja, Évora, Grândola, Loures e outras.

O grande perdedor foi sem dúvida o PSD influenciado pelas repercussões da gestão no governo, mas também pela má escolha dos candidatos sendo exemplo o candidato do Porto, Luís Filipe Menezes. Mas como era expectável manteve a câmara de Chaves, mais pela ausência de grandes alternativas, do que pela qualidade dos eleitos, é a minha opinião dado ser um não residente e assistir à gestão camarária um pouco à distância.

Outro acontecimento do dia de ontem pela positiva foi consagração de campeão do mundo em ciclismo do ciclista português Rui Costa, que teve um ano de sucesso coma vitória na volta à Suíça e duas vitórias em etapas na volta à França.

A juntar ao êxito do Ruis Costa, há ainda a do João Sousa, um jovem tenista de Guimarães, tornando-se no primeiro português a vencer uma prova do ATP – Associação de Ténis Profissional, vencendo o torneio de Kuala- Lampur onde participaram grandes nomes do ténis mundial, como David Ferrer.

Mas o dia de ontem associa-se sobretudo ao S. Miguel o Santo, que a seguir à virgem Maria a 15 de Agosto, é padroeiro em mais de uma centena de freguesias do país.

Ontem apesar de ter como concorrente, o acontecimento das eleições, não deixou de se fazer cumprir a tradição, havendo missa e sermão seguida da procissão com três andores, acompanhada pela população e pela nossa Banda.

Há tarde a banda deu o concerto habitual, mas apesar de se continuar a falar na tradição e de se dizer que o S. Miguel é a festa dos velhos,  só três ou quatro os pares é que dançaram. À noite houve o Grupo Musical Norte e apesar de empoleirados no palco, não fizeram aquecer o pouco público presente, salvou-se a rodada do fogo, para os seus entusiastas.

A falta de público à noite ficou a dever-se primeiro, porque o desejo de conhecer os resultados eleitorais se sobrepôs ao interesse na festa, em segundo, porque não sabemos o que se passou entre o S. Miguel e o S. Pedro, mas o S. Pedro não colaborou na festa, estando uma noite de morrinha, a chamada molha-tolos, não convidando as pessoas a sair de casa.

Correndo o risco de ser mal interpretado,  este  ano atendendo ao facto do dia da festa ter coincidido com as eleições, parecia-me mais avisado e lógico, a festa ter-se ficado apenas pela tarde, dispensando-se o programa da noite. O saldo financeiro a transitar,seria para a comissão da festa do ano seguinte, ontem nomeada, ou em alternativa, para ser gasto em melhorias na aldeia, como na recuperação do recinto da festa, ou de uma capela, esta é a minha opinião de cidadão livre e independente, e que vale o que vale.

publicado por Nuno Santos às 09:35

Setembro 29 2013

O dia 28 de Setembro é um dia célebre por vários acontecimentos de carácter universal, nacional e outros mais local, como aquele que aconteceu em Chaves no ano de 1949, com a fundação do Grupo Desportivo de Chaves, em resultado da fusão de dois clubes rivais, o Atlético e o Flávia.

E se tantas vezes se diz mal das pessoas ligadas ao futebol, este exemplo em Chaves é um bom paradigma, do muito que se podia fazer pelo país noutras matérias, acabando-se com muito do despesismo que grassa por aí.

Só que apesar do clube estar em festa, disponibilizando um bolo gigante aos associados que se quiseram associar-se à efeméride, desportivamente a equipa não se associou aos associados, perdendo no seu campo com o Tondela, por 2-1.

O Chaves ainda esteve na frente do marcador, com um golo de Clemente, mas o Tondela deu a volta ao marcador, primeiro por Tózé Marreco e depois por Piojo.

Valeu que antes os juniores, jogaram no campo sintético com a Académica de Coimbra, a quem venceram por 3-0.

No final do jogo houve uma grande contestação ao técnico João Eusébio, o qual deu para perceber que não goza de um grande capital de confiança, perante os associados.

Mas fazendo uma análise mais racional que emotiva, o culpado da derrota em meu entender, foi o guarda redes Nuno Ribeiro, sofrendo dois golos ambos de canto e os dois na sua área de jurisdição, em especial no segundo golo.

Apesar do resultado negativo, aqui ficam os meus parabéns ao Grupo Desportivo de Chaves, pelo seu 64º aniversário, e votos de muito sucesso para o futuro, pois a procissão ainda vai no adro, havendo ainda muito tempo para recuperar, deste mau resultado.  

publicado por Nuno Santos às 00:19

Setembro 27 2013

Há ranquings que nos encham de satisfacção outros, antes pelo contrário, como este em que Lisboa, aparece como a cidade menos honesta do mundo, o que muito nos entristece, ficando  atrás de cidades como; Bucareste – Roménia ou Rio de Janeiro – Brasil, cidades às  quais associamos alguma insegurança.



Este ranquing resulta de um trabalho desenvolvido pela Reader's Digest que escolheu 16 cidades por todo o mundo e, em cada uma, os seus repórteres "perderam" 12 carteiras, deixando-as em "parques, centros comerciais, passeios".

Cada exemplar continha "um número de telemóvel, uma foto de família, cupões, cartões de visita e o equivalente a 50 dólares [37 euros]. "Depois, esperámos para ver o que acontecia", resumem.

Das 12 carteiras deixadas em Lisboa, só uma foi entregue e curiosamente, por um casal de turistas holandeses.

Ora sabemos que este teste é muito subjectivo, porque sendo Lisboa uma cidade multicultural, também não sabemos se as restantes carteiras, foram encontradas por residentes em Lisboa, ou por viajantes. O facto é que o ranquing das cidades mais honestas ficou assim ordenado.



Top das Cidades Mais Honestas

1. Helsínquia, Finlândia (11 em 12)
2. Bombaim (Mumbai), Índia (9 em 12)
3. Budapeste, Hungria (8 em 12)
Nova Iorque, EUA (8 em 12)
4. Moscovo, Rússia (7 em 12)
Amesterdão, Holanda (7 em 12)
5. Berlim, Alemanha (6 em 12)
Ljubljana, Eslovénia (6 em 12)
6. Londres, Reino Unido (5 em 12)
Varsóvia, Polónia (5 em 12)
7. Bucareste, Roménia (4 em 12)
Rio de Janeiro, Brasil (4 em 12)
Zurique, Suíça (4 em 12)
8. Praga, República Checa (3 em 12)
9. Madrid, Espanha (2 em 12)
10. Lisboa, Portugal (1 em 12)

Espero que as repercussões desta classificação sejam nulas, porque quem vive em Lisboa, não tem essa a ideia da sua cidade. Eu próprio já deixei uma bolsa com a carteira, numa esplanada em plena Rua Augusta, a qual foi depois entregue aos funcionários do café. Quando horas mais tarde a reclamei, estava tudo em seu sítio, com excepção de três notas de vinte, embora não saiba quem se apropriou delas, se foi quem encontrou a bolsa, se o funcionário do café, por sinal um brasileiro.  

publicado por Nuno Santos às 08:09

Setembro 26 2013

 

Estas imagens deveriam fazer-nos corar a todos de vergonha. Porque se em 1945, ainda estávamos na ressaca de uma guerra mundial, a qual afectou o mundo, na sua componente industrial e agrícola, as imagens de 2013, são depois de gastos muitos milhões de euros, em fundos de coesão e programas de apoio, para isto e para aquilo.

Perante estas imagens pergunta-se, quem beneficiou desses fundos? Se a fila para a sopa dos pobres continua! O pior é que quando vemos o Estado a dificultar ainda mais, o bom funcionamento da escola pública, sabemos que a tendência destas filas é para aumentar, assim como a exclusão social, de uma boa parte da população.

Neste ano de 2013 só 42% dos alunos que, terminaram o ensino secundário, é que se inscreveram no ensino superior. Por este andar voltamos às décadas de cinquenta e sessenta a um país iletrado e mal formado. Recordam-se quantos licenciados havia na nossa aldeia? Contavam-se pelos dedos de uma mão e sobravam dedos.

No entanto o Porto onde foram recolhidas estas fotografias, mas que poderiam ter sido recolhidas em Lisboa, onde esta situação é semelhante  junto à igreja dos Anjos, no Porto dizia, embora o último presidente da câmara, até nem fosse muito despesista, ao contrário daquele que se prepara para lhe suceder, gastaram-se ainda assim milhões de euros, com os aviões do Red Bull, ou com as corridas de automóveis da Boavista, os quais poderiam suportar alguns programas de apoio à formação.

 Mas uma formação a sério que trouxesse um valor acrescentado aos formandos, e não uma forma de os ocupar temporariamente, baixando com isso os indicadores das taxas de desemprego, e para que não se venham a tornar numa geração de indigentes, que vive em função da caridadezinha.

 

publicado por Nuno Santos às 07:29

Setembro 25 2013

 

Candidato mendigando o voto?

 

No próximo domingo vai haver eleições autárquicas e ainda que em minha opinião devessem ser as eleições mais importantes, por causa da proximidade dos eleitos com os eleitores, nota-se no eleitorado um certo desinteresse, e eu sou disso um exemplo.

De tal forma que pela primeira vez em trinta e nove anos de democracia, não vou exercer o direito de voto, porque sinceramente já não me sinto muito representado no actual espectro político, senão vejamos:

Esta semana na Mealhada, o Dr. Paulo Portas fazia duras críticas ao PSD, porque é a força partidária mais próxima de conquistar a liderança da autarquia. Mas no dia seguinte em Sintra, o mesmo Dr. Paulo Portas, surge ao lado do líder do PSD, Dr. Passos Coelho, em defesa do mesmo candidato.

Ora em política como é que se pode estar contra e a favor, sendo por estas e por outras que, reina entre o eleitorado, um enorme desinteresse e indiferença, sendo pernicioso para a democracia.

Há dias enviaram-me um e-mail, o qual nem sei se é de rir ou de chorar, faça cada um o seu juízo de valor, ei-lo:

“Cruzei-me há dias na rua com um amigo e parámos a comentar a situação e a realidade actual.

Dizia-me ele que já não acreditava em qualquer solução democrática.

Perante essa desilusão, perguntei-lhe porquê e a resposta deixou-me a meditar:

«Porque a primeira consulta democrática de que há memória foi a de Pôncio Pilatos, que perguntou ao povo:

"Quem quereis que vos solte, Cristo ou Barrabás? E o povo escolheu o ladrão...”  

publicado por Nuno Santos às 07:40

Setembro 24 2013
Morreu ontem pelas 13,30 horas António Ramos Rosa, um dos nossos maiores poetas contemporâneos. Nascido em Faro em 17 de Outubro de 1924, faleceu ontem em Lisboa, no Hospital Egas Moniz. Além de poeta ensaísta e tradutor, António Ramos Rosa foi também um grande opositor ao regime de Salazar. Foi premiado com quase todos os prémios literários. Entre muitos outros poemas "O Boi da Paciência" é um dos seus poemas  de referência. Com a morte de Ramos Rosa Portugal perdeu mais uma figura de referência da nossa cultura.
O boi da Paciência  

Noite dos limites e das esquinas nos ombros

 noite por de mais aguentada com filosofia a mais

 que faz o boi da paciência aqui?

 que fazemos nós aqui?

 este espectáculo que não vem anunciado

 todos os dias cumprido com as leis do diabo

 todos os dias metido pelos olhos adentro numa evidência que nos cega

 até quando?

 Era tempo de começar a fazer qualquer coisa

 os meus nervos estão presos na encruzilhada

 e o meu corpo não é mais que uma cela ambulante

 e a minha vida não é mais que um teorema

 por demais sabido!
Na pobreza do meu caderno

 como inscrever este céu que suspeito

 como amortecer um pouco a vertigem desta órbita

 e todo o entusiasmo destas mãos de universo

cuja carícia é um deslizarr de estrelas?

 Há uma casa que me espera

 para uma festa de irmãos

 há toda esta noite a negar que me esperam

e estes rostos de insónia

 e o martelar opaco num muro de papel

 e o arranhar persistente duma pena implacável

 e a surpresa subornada pela rotina

 e o muro destrutível destruindo as nossas vidas

 e o marcar passo à frente deste muro

e a força que fazemos no silêncio para derrubar o muro

 até quando? até quando?
Teoricamente livre para navegar entre estrelas

 minha vida tem limites assassinos

Supliquei aos meus companheiros.

Mas fuzilem-me!

 Inventei um deus só para que me matasse

 Muralhei-me de amor e o amor desabrigou-me

 Escrevi cartas a minha mãe desesperadas

colori mitos e distribuí-me em segredo

 e ao fim ao cabo

 recomeçar

 Mas estou cansado de recomeçar!

Quereria gritar:Dêem árvores para um novo

 recomeço!

 Aproximem-me a natureza até que a cheire!

Desertem-me este quarto onde me perco!

 Deixem-me livre por um momento em qualquer parte

 para uma meditação mais natural e fecunda

 que me limpe o sangue!

 Recomeçar!
Mas originalmente com uma nova respiração

 que me limpe o sangue deste polvo de detritos

que eu sinta os pulmões com duas velas pandas

 e que eu diga em nome dos mortos e dos vivos

 em nome do sofrimento e da felicidade

 em nome dos animais e dos utensílios criadores

 em nome de todas as vidas sacrificadas

 em nome dos sonhos

 em nome das colheitas em nome das raízes

em nome dos países em nome das crianças

 em nome da paz

que a vida vale a pena que ela é a nossa medida

 que a vida é uma vitória que se constrói todos os dias

 que o reino da bondade dos olhos dos poetas

vai começar na terra sobre o horror e a miséria

 que o nosso coração se deve engrandecer

 por ser tamanho de todas as esperanças

e tão claro como os olhos das crianças

 e tão pequenino que uma delas possa brincar com ele
Mas o homenzinho diário recomeça

 no seu giro de desencontros

 A fadiga substituiu-lhe o coração

 As cores da inércia giram-lhe nos olhos

 Um quarto de aluguer

Como perservar este amor

 ostentando-o na sombra

 Somos colegas forçados

 Os mais simples são os melhores

 nos seus limites conservam a humanidade

 Mas este sedento lúcido e implacável

familiar do absurdo que o envolve

como uma vida de relógio a funcionar

e um mapa da terra com rios verdadeiros

 correndo-lhe na cabeça

como poderá suportar viver na contenção total

 na recusa permanente a este absurdo vivo?
Ó boi da paciência que fazes tu aqui?

Quis tornar-te amável ser teu familiar

 fabriquei projectos com teus cornos

 lambi o teu focinho acariciei-te em vão
A tua marcha lenta enerva-me e satura-me

As constelações são mais rápidas nos céus

a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo

 Lá fora os homens caminham realmente     

Há tanta coisa que eu ignoro

 e é tão irremediável este tempo perdido!

 Ó boi da paciência sê meu amigo!

António Ramos Rosa

publicado por Nuno Santos às 07:59

Setembro 23 2013

 

Apesar de o campeonato ainda só ir na quinta jornada, já anda tudo em brasa. No Estoril houve a marcação errada de um penálti contra o Porto, ainda que antes o árbitro, também tivesse errado contra o Estoril, ao não assinalar uma falta de Otamendi e não lhe amostrasse o respectivo cartão vermelho, como determinam as leis do jogo.

Na conferência de imprensa o treinador do Porto, atirou-se a Jorge Jesus, pelas declarações deste no lançamento da jornada, no género “quem não chora não mama”.

 Ainda no jogo do Estoril, diz-se que houve “mosquitos por cordas” na tribuna, com o inefável Caldeira, vice-presidente do Porto a dar uma palmada, no presidente da Associação de Futebol de Lisboa Nuno Lobo.  

Em Guimarães além das incidências do jogo, também com um penalti não assinalado a favor do Benfica, no final do mesmo, foi Jesus que, contrariando o que se aprende na bíblia, não deu a outra face, atirando-se aos seguranças e aos polícias. Alíás numa situação em que é useiro e vezeiro, em finais de jogo, vidé um jogo com o Marítimo e um outro com o Nacional, só não reagiu quando foi um seu jogador que o empurrou.

Só em Alvalade é que as coisas foram tranquilas, apesar de prejudicados pelo árbitro, o treinador Leonardo Jardim teve o fair play em dizer, que, os grandes não têm autoridade moral para se queixar das arbitragens, porquanto são mais as vezes em que são beneficiados, do que aquelas em que são prejudicados.

Mas todos sabemos que isto é música celestial, pois continuamos a ouvir os apaniguados benfiquistas dizerem, de que o golo do Sporting foi em fora de jogo, em vez de ter sido precedido de um fora de jogo. Bem sei que em termos legais é o mesmo, mas para a análise do árbitro auxiliar é diferente, porquanto, quando o Montero marcou o golo, já não estava em fora de jogo e terá sido essa a visão do árbitro auxiliar.

O curioso é que todo este ruído de fundo futebolístico se passa, quando o nosso primeiro-ministro diz que provavelmente, teremos de recorrer a um segundo resgate. Será que haverá   alguma intenção neste bruá, e seja uma forma de afastar as atenções do essencial para o acessório?     

publicado por Nuno Santos às 13:48

Setembro 22 2013

 

Ontem mesmo depois da meia-noite, os termómetros ainda marcavam em Lisboa, mais de 25º e as pessoas andavam na rua alheios à crise com que somos bombardeados em todos os telejornais, mais parecendo estarmos a viver os tempos eufóricos, da expo 98.

O Bairro de Alfama fervilhava com milhares de pessoas, por causa do Caixa – Alfama, um festival de fado que reuniu ali mais de quarenta fadistas em vários palcos, com nomes como; Ana Moura, Raquel Tavares, Aldina Duarte, Gisela João, Camané, António Zambujo, Ricardo Ribeiro e muitos outros.

Em simultâneo realizou-se a corrida MEO URBAN TRAIL, um novo conceito de corrida, levando milhares de atletas a percorrerem várias das artérias da cidade. E como os atletas levavam todos uma lanterna do tipo mineiro na cabeça, pareciam milhares de pirilampos ondulando pela cidade.

Já as trinta e duas mil almas entre as quais eu me encontrava, e que estivemos no estádio de Alvalade a assistir ao jogo do Sporting com o Rio Ave, cuja vitória nos colocava como líderes à condição, porque o Futebol Clube do Porto só joga hoje no Estoril, saímos de lá com uma enorme frustração, porquanto, o melhor que se pode arranjar foi um empate.

E nem o facto do árbitro nos ter escamoteado um penálti que, eventualmente nos daria a vitória serve de desculpa, primeiro, porque houve já outros jogos em que fomos beneficiados, segundo porque o Sporting tem de se queixar dele próprio, pois tinha a obrigação de jogar bem mais do que aquilo que jogou.

Este resultado negativo talvez venha trazer alguma temperança, na euforia que alguns sportinguistas viviam, pensando que por mudar de estrutura directiva isso nos fazia ganhar jogos. Ora os jogos ganham-se dentro do campo, com garra e atitude e ontem os jogadores do Sporting não a tiveram, estando mais próximos da derrota do que da vitória

Foi o Chiado que mais uma vez me salvou a noite, terminando-a no Largo de S. Carlos, o mesmo largo onde no quarto andar do n.º 18 nasceu Fernando Pessoa e onde agora funciona o Café de Lisboa, onde serve uns óptimos pasteis de massa tenra, ou uns hambúrgueres de carne barrosã.

Depois do Cantinho, do Belcanto e da Pizzaria do Chiado o Café de Lisboa é mais uma unidade hoteleira do Chefe José Avillez, que é uma mais-valia para a cidade e para o Chiado.

Curiosamente entre os comensais encontrava-se o José Couceiro, ex-candidato à presidência do Sporting em quem votei e perdi, o que em matéria de eleições é recorrente, pois nunca sigo a tendência das maiorias.    

publicado por Nuno Santos às 09:46

Setembro 21 2013

 

A revista à portuguesa teve o seu início no século XIX, no extinto teatro Gynasium, e conheceu o seu maior apogeu, em meados do século passado, na altura em que a censura do regime de Salazar mais apertava, obrigando os autores dos textos teatrais, a serem altamente criativos.

Nessa época em Lisboa, o Parque Mayer era um parque de diversões, chamando-lhe inclusive, a Broadway portuguesa, por analogia com um espaço algo semelhante em Nova York, um velho hábito de fazermos sempre comparações,tais como "Aveiro ser a Veneza portuguesa" etc.

Ora só no parque Mayer, funcionavam quatro salas de teatro; Teatro Maria Vitória, Variedades, Capitólio e Teatro ABC. Actualmente dos quatro, só o Teatro Maria Vitória ainda resiste, graças à persistência do empresário Hélder Freire.

Mas havia outras salas de espectáculo, espalhadas pela cidade que, também encenavam teatro de revista, como o Monumental, o Villaret ou o Laura Alves, entre outras.

Estes espetáculos quando saíam de cena em Lisboa faziam depois tournées pelo país e pelas ex-províncias ultramarinas. Eu recordo-me ainda menino e moço, quando o cineteatro de Chaves ainda funcionava, de ver na esplanada do Sport, artistas como Florbela Queiroz, Artur Semedo, Vítor Mendes, pai do actual Fernando Mendes, nessa altura ainda não tinha idade para assistir a esses espectáculos, os quais por causa das pernas ao leu das coristas, eram classificados para maiores de 18 anos.    

Este ano o teatro Politeama faz cem anos, tendo sido construído em 1913. O seu actual proprietário Filipe la Féria, para comemorar o centenário, montou como só ele sabe um espectáculo de revista, homenageando os 100 anos do teatro e ao mesmo tempo, este género de espectáculo.

Aconselho a quem tiver a oportunidade de assistir que não o perca, pois está ao nível dos grandes espectáculos do antigamente. É certo que já lá não estão a Ivone Silva a Laura Alves o Eugénio Salvador, o Solnado ou o Zé Viana, mas está a Marina Mota e o João Baião que, secundados por uma série de jovens actores, dão-nos três horas de alegria e boa disposição, fazendo-nos esquecer os apertos pelos quais passamos no dia à dia, causados pelos cortes da Troika, a qual como não podia deixar de ser, não deixam de ser mimoseados.    

publicado por Nuno Santos às 09:24

Setembro 20 2013

 

 

Desde que no século XIX se fundou na rua Ivens, o Grémio Literário, o Chiado tornou-se num dos bairros mais emblemáticos de Lisboa. Essa popularidade ficou a dever-se em parte à sua evocação por escritores como Eça de Queirós, ali imortalizado com uma estátua, no Largo Barão de Quintela, mesmo em frente ao palacete onde ele imaginou, a Tragédia da Rua das Flores.

Situado entre a baixa pombalina e o Bairro Alto, este bairro é de passagem obrigatória, para quem quer conhecer Lisboa.

São muitos os locais de referência neste bairro, relacionados com a cultura. Desde logo, o Teatro de S. Carlos, o único teatro de ópera em Portugal, mas ainda o teatro S. Luís, o teatro da Trindade, e no actual edifício Chiado Terrace, onde outrora funcionou a Casa de Trás os Montes, de tão boa memória para mim, funcionou também o teatro Gynasium, onde foram representadas as primeiras revistas à Portuguesa.

Por coincidência hoje vou ao Politeama, precisamente ver o espectáculo do La Féria, designado Revista à Portuguesa.

Lembrei-me de escrever este post, porque hoje por razões profissionais tive de ir ao Chiado, onde vivi no período de 1974 a 1978 e onde regresso frequentemente, eu e milhares de turistas, de tal modo que, a cadeira ao lado da estátua do Fernando Pessoa, situada na esplanada da Brasileira, tornou-se o lugar mais procurado para ser fotografado pelos turistas.

Mas não é só o património teatral que prolifera no bairro do Chiado, existe ainda o museu do Chiado e as igrejas dos Mártires, Sra. da Encarnação a da Senhora do Loreto e as ruínas do convento Carmo, tudo isto num raio de quinhentos metros.

É sempre bom regressar a um local, onde se foi feliz.

publicado por Nuno Santos às 19:27

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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