Outeiro Secano em Lisboa

Dezembro 30 2014

 

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Embora não residente continuo a interessar-me pelo património da nossa terra e sempre que lá regresso, tento na medida do possível revisitar os locais onde fui feliz, enquanto residente. Nesta minha ida ao Natal a primeira vez depois do verão, quando o rio pequeno ainda não corria, foi com estranheza e consternação que vi o estado de abandono em que se encontram as poldras do papeiro, intransitáveis porque lhe faltam pedras e tem outras derrubadas, contrastando com o brio e empenho que, o Carlos Xavier costuma ter na limpeza e apresentação do nosso rio.

Bem sei que as poldras já não têm a utilidade de outrora, porque os seus habitantes  na sua maioria idosos, já não têm o equilíbrio necessário para as atravessar, nem existem tantos jovens como antes, e que as atravessavam para encurtarem caminho ou na maioria das vezes, apenas para mostrarem a sua destreza e agilidade, mas também  imperícia, porque de vez em quando, lá havia um que caía ao rio, para gáudio da restante tribo e aflição da vítima, porque além da vergonha do momento, sabia que ainda iria levar uns tabefes da mãe.

Estas poldras tal como o restante patimónio público edificado, fazem parte  da herança dos nossos antepassados, por isso é nosso dever e obrigação, a sua preservação e em Outeiro Seco, já perdemos as poldras da Fontaínha, dos Pelames e do Porto de Santo Estêvão, por favor não deixem perder também as poldras do Papeiro.

 

publicado por Nuno Santos às 07:55

Dezembro 29 2014

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Há dias escrevi que a Mural da História é uma empresa conceituada na requalificação de pinturas murais, com trabalhos em vários monimentos e edifícios classificados, alguns em parceria com a Nova Conservação,uma empresa do Nuno Proença, cliente da Nucasehá mais de vinte anos.

A Nova Conservação foi responsável pela requalificação de vários monumentos, um pouco por todo o país, entre os quais se destacam a estátua do Marquês de Pombal, a Torre de Belém, os Claustros do Mosteiro dos Jerónimos ou a Charola do Convento de Cristo em Tomar.

Entretanto durante a minha ida aí no Natal, soube que a intervenção da Mural da História na capela da Sra do Rosário está suspenso, porquanto, a Câmara Municipal de Chaves ainda não disponibilizou os meios com que se comprometeu, para a substituição do telhado da capela, uma condição essencial para que as obras da conservação dos frescos se possam concluir.

Apesar do tempo meteorológico ter estado algo instável a substituição do telhado, não demora mais do que dois dias, dependendo da quantidade de pessoal disponibilizado e de uma consulta ao site da meteorologia para programar um período de tempo seco.

Só com a substituição do telhado se podem concluir os restantes trabalhos da restauração da capela, como a montagem do altar e a conservação dos frescos, para que a imagem da Sra do Rosário regresse à sua capela, e Outeiro Seco recupere mais uma jóia do seu património.

publicado por Nuno Santos às 08:14

Dezembro 19 2014

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Como a partir de hoje vou de férias natalícias, para todos os visitantes deste blog, aqui fica o meu desejo de  Boas Festas.

publicado por Nuno Santos às 16:33

Dezembro 16 2014

Frescos da capela da Sra do Rosário.jpg

 

Quando se faz a requalificação de uma obra de arte, é necessário recorrer a pessoal especializado para a sua execução, dando crédito ao velho ditado “cada macaco no seu galho” e para que não aconteçam situações como o da igreja do Santuário da Misericórdia de Borja em Saragoça – Espanha, quando, uma senhora resolveu por sua iniciativa, restaurar uma tela de Cristo, designada por “Ecce Homo”.

Essa obra fora pintada pelo pintor Elias Garcia Martinez no século XIX e oferecida a essa igreja, porque o pintor costumava passar férias nessa localidade.

O restauro efetuado pela senhora, transformou a obra de arte numa pintura infantil, embora paradoxalmente essa terra nunca fora tão visitada, como depois das imagens transmitidas na televisão, só para verem o quadro.

Claro que as reparações de obras de arte são dispendiosas e devido à sua especificidade, devem ter a supervisão de entidades oficiais como, o IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico ou da DGPC – Direcção Geral do Património Cultural, mas por causa da malfadada crise, da parte dessas entidades não vem qualquer apoio financeiro, só exigências e obrigações.

É essa a situação que se está a passar com o restauro da capela da Sra do Rosário, onde depois da retirada do altar, surgiram os frescos ou pinturas murais. Como é sabido a restauração do altar está a ser feita por uma empresa de Braga, a qual se propunha também restaurar os frescos, mas por exigência da DGPC - Direcção Geral do Património Cultural, o restauro dos frescos teve de ser adjudicado a uma empresa de Lisboa, especialista em pinturas murais, designada por Mural da História.

A Mural da História é de facto uma empresa com obra reconhecida na área da pintura mural, associada da ARP – Associação Profissional de Conservadores Restauradores de Portugal e com garantia de qualidade. Só que nestas coisas da arte existe sempre uma grande subjetividade sendo difícil agradar a todos.

Como sabemos que da parte do Estado não vem qualquer apoio, a reparação desta valiosa obra do nosso património, toca a todos os outeiro secanos.

 

 

publicado por Nuno Santos às 22:51

Dezembro 13 2014

Matança do porco.jpeg

 

Embora a matança do porco seja uma prática condenada por alguns cidadãos organizados e intitulados como amigos e defensores dos animais, entre os quais os da “Plataforma Viver”, que dizem que, a matança é um acto bárbaro indigno do século XXI, ela está associada a uma tradição secular, praticada de norte ao sul do país e até mesmo nas ilhas.

Noutros tempos a matança do porco tinha um grande peso sócio económico na vida das populações rurais, pois era a base do seu sustento alimentar das famílias durante o ano. Atualmente o porco continuar a ter grande influência económica, quer na indústria de carnes, mas também como produção artesanal num âmbito mais regional, sendo exemplo disso as diversas feiras de fumeiro que, se realizam um pouco por todo o país, entre os meses de janeiro e fevereiro.

Em casa dos meus pais houve sempre a matança do porco, era ele próprio quem se encarregava dessa função, um jeito herdado de seu pai e agora transmitido ao meu irmão Manuel, que herdou o jeito e as facas.

A época das matanças ocorre durante o mês de Dezembro, aproveitando-se as geadas para se curarem as carnes, costumando ser esse acontecimento uma festa. Convida-se a família e alguns amigos, e ainda que a tarefa não seja propriamente lúdica, porquanto, é preciso alguma perícia associada à força de braços para se segurar o porco, a fim do matão espetar a faca em segurança.

Na matança também entram as mulheres para apararem o sangue do porco, com que se hão-de fazer os chouriços. As crianças também  participam neste ritual, segurando o rabo do porco, ficando todas satisfeitos quando os adultos lhes dizem quão importante foi a sua acção, senão o porco teria fugido.

Às crianças está ainda reservada outra missão incumbida pelos adultos mais extrovertidos, a de irem buscar as pedras para lavar o porco. Claro que é uma necessidade supérflua, mas indicam sempre a casa de um vizinho mais distante. Na maioria das vezes os vizinhos conhecedores da praxe, informam-nos de que caíram num logro, outros entram na brincadeira e metem-lhes umas pedras num saco, e lá carregando os vêm os jovens todos contentes pelo cumprimento da missão.

Embora haja de facto legislação que regula as matanças dos porcos, felizmente que a ASAE não tem sido exigente no seu cumprimento, por isso em Outeiro Seco como noutras terras, continua-se a fazer matanças do porco, embora em número bem menor do que antes, porque a população tem diminuído outros porque são sugestionados pelos efeitos que a carne de porco tem no colesterol.

Mas todos vamos perdoando o mal que faz, pelo bem que sabe. Boas matanças.

 

publicado por Nuno Santos às 10:22

Dezembro 11 2014

sporting chelsea.jpg

 

Com a derrota ontem em Londres com o Chelsea por 3-1, o Sporting disse adeus à Champions, porque a tal conjugação de resultados favoráveis não aconteceu. Além da nossa derrota, o Maribor que nunca tinha perdido em casa, também soçobrou perante o Shalke 04 por 1-0 e deste modo, fomos ultrapassados no segundo lugar pelos alemães.

O Sporting acabou assim em 3.º lugar, classificando-se para a Liga Europa, o lugar que, quando do sorteio inicial, era o mais expectável, embora tenhamos ficado com alguma azia, porquanto ao longo da prova, ficou uma sensação de que poderíamos ter ido mais longe.

Desde logo, quando ao minuto 92 do primeiro jogo com o Maribor,  ganhávamos por 1-0, sofremos de forma infantil o golo do empate, perdendo ali  2 pontos  que nos qualificavam para a fase final. Depois no jogo da Alemanha foi também ao minuto 92 e com o jogo empatado a 3-3 que sofremos aquele penalti fantasma, o qual  nos retirou a nós um ponto e deu mais dois ao Shalke 04.

Em síntese houve erros próprios e alheios, para lá de outras contingências negativas como as lesões de jogadores fundamentais entre as quais de Nani e do Jefferson, mais o castigo de Cédric, que influenciaram o desempenho da equipa. Basta ver o penalti ontem cometido por Ricardo Esgaio, logo nos minutos iniciais do jogo, o qual condicionou de algum modo a equipa.

Saímos da Champions mas vamos à Liga Europa, onde outras equipas com orçamentos bem maiores, não conseguiram o apuramento. Esperamos agora ser bafejados com o sorteio na Liga Europa, onde também não costumamos ser felizes, senão vejamos. Na Taça de Portugal logo na primeira eliminatória levamos com o Porto no Dragão, na Champions caímos no grupo do Chelsea, ontem no sorteio da Taça Liga, saiu-nos também o grupo mais difícil, embora o presidente tenha dito que esta taça e por razões sobejamente conhecidas, não seja de valorizar.

Para o ano há mais, esperamos agora que o Sporting faça um campeonato caseiro, de molde a podermos classificar-nos para a Champions, pois é lá que está o pote do dinheiro.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 07:54

Dezembro 10 2014

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Embora nunca tenha sido um amante da Matemática, paradoxalmente tive sempre uma inclinação pela contabilidade, talvez por ser uma ciência de certeza, onde um cêntimo é um cêntimo e o débito tem de ser igual ao crédito, dando-me um certo sentimento de justiça e de igualdade.

Assim quando no longínquo ano de 1973 saí da escola, deparavam-se-me duas alternativas, ou ia para as Finanças, sujeitando-me a um estágio não remunerado de alguns meses, aguardando depois a abertura de um concurso de admissão, ou tentava a contabilidade em Lisboa, onde para lá do fascínio de vir para a grande cidade, havia a possibilidade de continuar os estudos.

Ganhou a segunda alternativa, tornando-me contabilista, uma terminologia mais tarde substituída pela de TOC – Técnico Oficial de Contas. Curiosamente o termo contabilista, aparece de vez em quando, embora  por maus motivos como ontem na Assembleia da República, o local onde curiosamente foi reconhecida a OTOC - Ordem dos Técnicos de Contas e aprovados os seus estatutos.

Quem ressuscitou a figura do contabilista, foi o Dr. Ricardo Salgado, até há poucos meses o DDT - Dono Disto Tudo, mas que ontem vestiu a pele de incauto administrador, enganado pelo contabilista.

Para quem está no meio sabe bem que, os técnicos oficiais de contas, limitam-se a classificar os elementos contabilísticos disponibilizados e se os seus relatos financeiros apresentam lucro ou prejuízo, isso depende das operações que esses gerentes e administradores fizeram, durante os seus actos de gestão.

Por isso, depois de tudo o que tem sido tornado público, nomeadamente as actas de reuniões e cartas com denúncias de má gestão, é preciso o Dr. Ricardo Salgado ter muita lata para vir dizer que, a culpa dos resultados negativos do GES, são do contabilista.

publicado por Nuno Santos às 18:21

Dezembro 07 2014

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Terminou ontem a campanha “Toca a Todos” uma realização da RTP a favor da Caritas Portuguesa, visando a angariação de fundos para o combate à pobreza das crianças portuguesas que, segundo alguns estudos, estimam que 25% das crianças portuguesas são pobres, e vivem abaixo do limiar da pobreza.

Claro que não ficamos indiferentes a esta campanha, a qual durou mais de três dias, começando na passada quarta-feira às vinte horas, com a entrada num estúdio de vidro montado na Praça do Comércio, onde três locutores da estação radiofónica Antena 3, a Ana Galvão, Joana Marques e Diogo Beja, aguentaram estoicamente a emissão durante 73 horas, revezando-se em pequenas pausas.

A minha posição perante este tipo de campanhas, é algo contraditória. Se por um lado não fico indiferente e sou solidário, por outro lado sinto uma grande revolta, pela necessidade destas campanhas, resultante da pobreza e miséria das famílias vítimas do desemprego e da austeridade, mas também, pela falta de formação estrutural, porquanto na maior parte dos casos, os pobres de agora foram os pobres do passado, e serão os pobres do futuro.

Independente da solidariedade que se possa ter nestas campanhas, a resolução destas situações só se resolvem com novas políticas, pois tem sido esta política praticada no país e no mundo, que tem criado estas desigualdades, onde nunca como agora, muitos tiveram tão pouco e poucos tiveram tanto, mas as causas disso, davam para escrever um post muito longo.

De realçar a acção da RTP, que prestou um verdadeiro serviço público, embora este governo, esteja interessado também em privatizá-la, tal como já fez com outras empresas e serviços estruturantes, medidas essas que irão gerar mais desemprego e miséria.

Por via da sua divulgação ao longo destes dias, assistimos a um grande apoio da sociedade civil, com o silêncio das entidades governamentais. Todos vimos e ouvimos movimentos de apoio gerados em escolas e empresas, mas por acaso nenhum desses apoios veio da Assembleia da República.

Segundo os números anunciados a campanha rendeu cerca de 365.000,00 €, dinheiro que agora irá ser distribuído em géneros pelas pessoas mais carenciadas, cabendo aos representantes da Caritas no terreno, a responsabilidade de que esses bens seja entregue aos mais necessitados e não aos mais oportunistas, como aparecem sempre nestes momentos.

Mas mais importante do que a solidariedade demonstrada pelos portugueses nesta campanha, seria a tomada de consciência, para a necessidade de alterar as políticas que nos conduziram a esta situação. Ora os portugueses têm nas sua mãos essa possibilidade, basta que na hora de escolher os executores da política, não optem por aqueles que nos levaram a isto.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:03

Dezembro 02 2014

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O poeta Ary dos Santos escreveu que, “Natal é em Dezembro / Mas em Maio pode ser / Natal é em Setembro /É quando um homem quiser” e após o falecimento do meu pai, e com a minha mãe a passar o Natal no Alentejo, eu passei a ter vários natais.

Todos os anos no início do mês de dezembro, costumamos ir ao Alentejo a casa do meu irmão Diamantino, aproveitando para fazer uma ceia, semelhante à de natal. Porém este ano foi ele quem veio a Lisboa, donde fizemos a ceia em minha casa, havendo natal no dia 30 de novembro.

Na próxima sexta-feira dia 5 de dezembro, uns colegas estão a organizar um jantar de natal, no restaurante Meninos do Rio no Cais do Sodré,  para depois  no próximo dia 19 de dezembro, realizarmos o almoço de natal do nosso escritório.

No próximo dia no 20, lá vamos nós até Chaves, onde no dia 24 haverá de novo Natal, com a tradicional romagem a casa dos tios e primos, seguindo-se depois a tradicional ceia e a troca de prendas.

É deste modo que eu tenho agora vários natais, muito diferentes do tempo em que o meu avô Eurico era vivo, e reuniamos toda a família em sua casa, a mesma que agora é nossa e se mantém fechada nesse dia.

Era o tempo em que o Natal tinha alguma magia para mim. Claro que para os mais novos, essa magia continua, mas para mim o dia de Natal apenas me trás nostalgia, porquanto, trás-me à memória pessoas e momentos irrepetíveis.

publicado por Nuno Santos às 18:47

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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