Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 30 2015

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Os seguidores deste blogue têm-se questionado pela falta de novos posts, tal facto não se deve a Inércia, porque essa desapareceu com o BES mas à falta de tempo por causa da minha actividade profissional, que nesta época do ano é sempre maus exigente.

Um dos temas que faz a actualidade, tem sido a saúde, ou o estado dela, mais visível com as urgências dos hospitais entupidas, por causa da gripe. Curiosamente foi a gripe que também me atacou, pois estou de molho desde sexta-feira, que me proporcionou o tempo disponível para escrever este post.

Outro dos temas da ordem do dia tem sido, os resultados eleitorais na Grécia, sobretudo por causa dos efeitos colaterais que, possam causar no sistema monetário da Europa. Razão porque os governantes dos restantes países aguardam com expectativa, as tomadas de posição do governo da Grécia, um governo saído de uma coligação algo inusitada pois junta forças políticas da esquerda à direita.

Neste fim de semana vão decorrer mais umas quantas feiras de fumeiro, pena que se realizem duas em simultâneo numa mesma região, uma em Chaves outra em Macedo de Cavaleiros.

Quando se realiza a BTL, a Bolsa de Turismo de Lisboa, todas as regiões de turismo do norte, concentram-se num único stand, como sehouvesse uma grande concertação de interesses, mas depois não existe qualquer concertação na realização desses eventos, Quando  da feira dos Santos em Chaves, uma feira centenária, realizou-se em Bragança a Norcaça & Norpesca, um evento em concorrência com a feira dos Santos.

Por falar em Trás-os-Montes, vai decorrer amanhã na Vila Nova de São Bento onde vive meu irmão Diamantino, o V Encontro de Transmontanos residentes no Alentejo, um evento onde já estive várias vezes, e só não estarei amanhã, por causa desta arreliadora gripe, desejando aos organizadores do encontro e a todos os presentes, uma bela jornada de convívio.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 18:52

Janeiro 25 2015

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Quem costuma seguir as telenovelas de produção portuguesa na SIC, recordar-se-à ainda das duas personagens centrais da novela Sol de Inverno, a Laura e a Sofia, representadas por Maria João Luís e Rita Blanco.

Pois estas duas excelentes actrizes tiveram um novo desempenho artístico, numa peça de teatro no São Luís, cuja encenação termina hoje, com o título “Na solidão dos campos de algodão”.

O nome da peça pode induzir que, o seu tema trata de algo de rural ou bucólico, contudo é uma dramaturgia com um texto altamente filosófico, protagonizado por dois homens, pois o texto foi escrito para ser representado por dois homens, pese embora esta encenação tenha sido e bem, representada por duas mulheres.

O autor do texto o dramaturgo francês, Benanard Marie Koltès já desaparecido (1948-1989), apresenta-nos como agentes comerciais, onde todos somos compradores ou vendedores, seja de bens materiais ou de afectos, demonstrando o esforço que, cada um faz para vender algo que, o outro rejeita. Aliás duas das frases mais fortes do texto são:

- Diga-me o que quer que eu vendo-lho, diz o primeiro e o outro responde-lhe: Diga-me o que tem que eu digo-lhe o que quero.

A peça obriga-nos a uma grande introspeção, porque expressa bem a competitividade em que vivemos nos nossos dias, em todas as áreas. Apesar do cenário ser extremamente simples gostei do espectáculo, primeiro, porque foi um pretexto para regressar ao meu Bairro Alto, onde morei e fui muito feliz, parafraseando o Malato. Segundo pela excelente representação das duas actrizes, terceiro, porque o teatro estava esgotado, sendo sempre mais agradável assistir a um espectáculo com a sala cheia, tanto para os actores como para o público.

De salientar que antes de adquirir os bilhetes para esta peça, tentei o Teatro D. Maria onde está o Cyrano de Bergerac com o Diogo Infante, à frente de um grande elenco, mas já estava com lotação esgotada para toda a semana, um sinal de que o Teatro está de novo em alta. Contudo como este espectáculo vai estar em cena até 1 de março, espero ter a oportunidade de ainda o ver.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:23

Janeiro 19 2015

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Terminou ontem a primeira volta da primeira e da segunda liga, com o Benfica na frente isolado, com seis pontos de avanço sobre o Futebol Clube do Porto e dez sobre o Sporting. Já na segunda liga o Desportivo de Chaves caiu para sexto lugar, a quatro pontos do Freamunde, um clube que atravessa uma grave crise financeira, com salários em atraso aos seus jogadores.

Claro que ainda há 51 pontos em disputa, mas sem dúvida que o Benfica está bem posicionado para revalidar o título. É costume dizer-se que “candeia que vai à frente alumia duas vezes” e de facto neste ano o Benfica, tem beneficiado de uma série de situações positivas, que, lhe têm facilitado a tarefa.

Ainda ontem na Madeira onde venceu o Marítimo por 0-4, um resultado que à partida não mereceria contestação, não fora o facto de que, quando ainda estava só em 0-1, o seu jogador Talisca fez uma segunda falta que, segundo as regras do jogo, deveria ter sido expulso. Será que o desenrolar do jogo seria o mesmo! Pois ainda esta semana veio à baila de que, o Benfica perdeu o campeonato de há dois anos, porque o Carlos Martins se fez expulsar no jogo com o Estoril, quando também ganhava por 1-0.

Na segunda liga o Desportivo de Chaves continua a desiludir os seus adeptos,  ontem ficou mais longe dos lugares cimeiros, ao perder por 2-1 com a Oliveirense, um dos concorrentes directos à subida. Curiosamente o Chaves, não consegue ganhar um jogo aos seus principais concorrentes; Freamunde, Tondela e Oliveirense com os dois primeiros empatou em sua casa, ontem perdeu fora.

É óbvio que ainda falta muito campeonato, mas sinceramente. dos jogos que já vi disputar ao Desportivo, não lhe reconheço capacidade, para subir de divisão. Falta-lhe um avançado concretizador, pois os que tem, são muito perdulários.

Mas como dizia o João Pinto aquele que foi eleito, como a melhor defesa direito da selecção contemporânea do século, “prognósticos só no fim do jogo”, e como as contas  só se fazem no fim do campeonato, até lá fico a torcer pelo sucesso das minhas equipas, o Sporting e o Desportivo de Chaves.

publicado por Nuno Santos às 12:50

Janeiro 17 2015

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Foto de Fernando Ribeiro

 

Desde a idade média que as universidades são uma fonte de conhecimento, trazendo desenvolvimento aos meios onde estão inseridas, vejamos os casos de Aveiro e Braga, duas cidades que se têm desenvolvido no meio industrial e científico, muito à base das suas universidades.

Uma boa parte das universidades em todo o mundo, funcionam num modelo multi camp, permitindo uma descentralização, beneficiando desse modo, um maior número de população,  porque os estudantes não necessitam de se desmobilizar tanto das suas terras, e ajudam as economias locais.

Também a UTAD – Universidade de Trás os Montes e Alto Douro a certa altura seguiu esse modelo, abrindo um polo em Miranda do Douro e outro em Chaves, talvez porque a criação desses polos, lhe trouxesse na altura alguns benefícios patrimoniais via FCT, mas foi como uma espécie de brinquedo que, se dá a uma criança e depois se retira.

Assim, o polo de Miranda do Douro, teve pouca duração e o de Chaves, que, funcionou na cidade numas instalações comerciais e inadequadas ao ensino, viveu sempre sobre a ameaça do encerramento. Claro que quem mais sofreu com isso, foi a região, mas também a freguesia de Outeiro Seco, local onde esteve projectada a sua implantação.

Para o efeito, a autarquia municipal adquiriu uma quinta com um solar, protocolizando-a à UTAD por um período de sete anos, para aí construir as novas instalações.

A quinta tinha espaço só por si, para albergar não só um polo universitário, mas a universidade inteira, e o solar, era uma joia arquitectónica do século XVIII que, devido à indefinição da UTAD em iniciar as obras  foi-se degradando, estando hoje em ruínas, conforme foto do Fernando Ribeiro.

Perante a inércia da UTAD, a própria autarquia haveria de construir numa parte da quinta, uma escola de enfermagem, ainda em funcionamento, para onde mais tarde a UTAD transferiu o seu polo, mas já com a maioria dos cursos retornados à sede, ou seja a Vila Real.

Aos poucos a UTAD foi esvaziando o polo de Chaves, estando hoje representado por dezoito funcionários, com o ultimato de que, ou vão para Vila Real ou para o desemprego.

Recentemente fizeram-se homenagens às pessoas que, estiveram à frente dos destinos do Polo de Chaves, pelo seu “brilhante” desempenho, fazendo lembrar as homenagens aos antigos administradores da PT, também pelo seu “brilhante” desempenho. Agora Outeiro Seco, prepara-se possivelmente para albergar, mais um elefante branco, à semelhança de outros investimentos locais.

Em matéria de ensino os nossos autarcas, nunca conseguiram criar o dinamismo que, outros autarcas criaram, sendo exemplo os de Macedo de Cavaleiros ou Bragança, cidades que a meu ver, não têm as potencialidades de Chaves. Sem investimento nessa área perde população, e a que fica, torna-se cada vez mais envelhecida.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 09:25

Janeiro 16 2015

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As notícias da semana que hoje termina e no tocante ao nosso país, foram sobretudo dominadas por dois temas. A primeira pelo seu interesse relevante na vida política e económica, foi a privatização da TAP. A segunda mais da área social, foi a celebração do centenário da Federação Portuguesa de Futebol, com as respetivas escolhas das figuras do século, em matéria futebolística.

Quanto à privatização da TAP, o governo pese embora estejamos em ano de eleições, e a poucos meses de terminar o seu mandato, continua empenhadíssimo na sua privatização, contra tudo e contra todos, em vez de procurar um amplo consenso com as outras forças partidárias.

Ontem ficamos a saber que, terá obtido um acordo para a elaboração do caderno de encargos a apresentar aos potenciais compradores, com nove dos doze sindicatos da empresa, ficando de fora apenas três sindicatos. Só que estes três sindicatos, representam cerca de sessenta por cento dos trabalhadores, logo, não está afastada o foco de perturbação laboral, caso o processo avance.

É um facto que as regras da União Europeia são claras, quanto à participação do Estado nas empresas, mas precisamente por isso, não seria melhor procurar uma posição concertada, a fim de se evitarem não só as perturbações na empresa, como eventualmente até a sua insolvência?

A acontecer essa insolvência, já não será a primeira, quem não se recorda da Swiss Air, a companhia de bandeira suíça que faliu, ainda que não estivesse sujeita às regras da União Europeia, por não integrar esta comunidade.

Haja bom senso e concertação para que não aconteça com a TAP, o mesmo que nas outras empresas de referência nacional, as quais têm fenecido, sem que se tenha feito nada,senão depois a sua lamentação.

A segunda referência, a escolha das figuras futebolísticas do século, apesar do processo de escolha ter sido por voto internauta, um processo sempre falível, porquanto, permite que se vote as vezes que quiser na mesma personalidade, confesso que não votei, mas acho que o resultado configura alguma justiça, consagrando as figuras com maior projeção mundial, Cristiano Ronaldo; Eusébio, mas também José Mourinho.

Quanto ao reconhecimento do Cristiano Ronaldo, é lamentável a posição dos responsáveis dos organismos internacionais, reguladores deste fenómeno, a UEFA e a FIFA, assim como dos povos do norte da Europa, sempre críticos não tanto ao seu valor mas da sua personalidade, acho eu que por ser português, pois pede meças a todos os futebolistas, tanto na vertente desportiva como humana.

Basta fazer a comparação com o David Beckman, um futebolista também galardoado pela FIFA. Alguém conhece a sua família de David Beckman? Também veio de uma família humilde, só que nunca teve a coragem de a assumir, como o faz orgulhosamente o Cristiano Ronaldo, actual detentor de todos os recordes, sendo para mim, o melhor jogador do século em Portugal e actualmente o melhor do mundo.

 

publicado por Nuno Santos às 08:49

Janeiro 13 2015

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Depois dos tristes acontecimentos ocorridos na semana passada em Paris, as manchetes de hoje em toda a imprensa mundial, fazem-se com a terceira nomeação de Cristiano Ronaldo, como o melhor jogador do mundo.

Com este feito Cristiano Ronaldo igualou Johan Cruyff , Jean Michel Platini e Van Basten, ficando a uma nomeação de Lionel Messi, mas deixou a promessa, de que tudo fará, para que no próximo ano volte a ganhar este galardão, igualando assim o argentino.

Claro que tratando-se de um feito desportivo e sendo o desporto emoção, a nomeação de Cristiano Ronaldo não gera o consenso geral, tanto a nível mundial como internamente, contudo a sua vitória deste ano foi contundente, não só porque ganhou tudo o que havia para ganhar a nível de clubes, recolhendo o dobro da votação dos seus principais concorrentes, Lionel Messi e Manuel Neuer.

Infelizmente não ganhou nenhum título com a selecção, mas isso é uma tarefa mais difícil, porquanto, não depende apenas dele, embora se estivemos na fase final do mundial, a ele o devemos, depois daquele brilhante jogo na Suécia.

Para os Sportinguistas como eu, este prémio traz-nos uma enorme nostalgia, lembrando-nos uma fase brilhante da nossa academia de formação, por onde passou o Cristiano Ronaldo, mas também o Luís Figo, um outro vencedor da bola de ouro, e Paulo Futre que, só não ganhou também uma bola de ouro, por escassos dois votos.

Essa academia formadora de tantos de jogadores, que, embora não tenham ganho esses troféus, porque issosó está ao nível dos sobredotados, ganharam prestígio internacional, jogando nos melhores clubes do mundo, como são exemplo: Ricardo Quaresma, Simão Sabrosa, Nani, Dani e muitos outros.

Infelizmente hoje essa mesma academia, atravessa uma fase menos positiva, em termos de resultados desportivos, fruto da crise estrutural que afecta o país e os clubes, esperando nós sportinguistas que, se recupere em breve esse modelo, formador de tantos campeões.

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:10

Janeiro 12 2015

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Depois da gigantesca manifestação em Paris à qual assistimos via televisão, com milhões de cidadãos anónimos na rua, mas também chefes de governo de braço dado, era impossível não voltarmos ao tema. Também nós somos Charlie, mas tão importante como proclamá-lo, seria talvez mais importante que, se discutissem as causas a montante, de todo este fenómeno.

Para começar na cabeça da manifestação de ontem, e porque estavam ambos presentes, deveriam ter colocado de braço dado, o presidente de Israel, Benjamim Netanyau com Mahmoud Abbas, líder da Palestina, e procurar que, ambos encontrem um caminho para a paz e cooperação entre estes dois estados, pois se tal acontecer, acabarão por certo, muitos ódios e extremismos e com isso, muitos atentados e mortes de inocentes.

Outra forma de extirpar o problema do fanatismo religioso, seria a separação entre a igreja e os estados, tornando-os laicos, uma das ideias nascidas já na revolução francesa, e à qual Portugal aderiu logo na primeira república. A política de um estado religioso é ainda hoje professada no oriente, com os resultados que todos conhecemos. Já o Lenine dizia “ A religião é o ópio do povo” e com efeito, a maioria dos atentados a que assistimos todos os dias, por esse mundo fora, têm quase sempre a religião, como móbil.

Ao que consta, são as Igrejas do Catar e da Arábia Saudita, que com a sua infinita riqueza, financiam esses movimentos extremistas, aderindo muitos jovens que, mesmo nascendo no ocidente, como o caso destes três terroristas franceses, têm um passado de vida de delinquência, sem quaisquer perspetivas de futuro, tornando-se presas fáceis para o seu arregimento nestas causas.

Esperamos agora dos governantes que, ontem se uniram para condenar o terrorismo, se unam também, para combater as causas do mesmo.

 

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 07:36

Janeiro 08 2015

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A França viveu nesta semana dois acontecimentos que chocaram o Mundo. O primeiro foi a recusa de um “maire” em permitir o enterro de uma criança de etnia cigana no cemitério municipal, com o argumento de que os pais, não pagavam impostos, como se o facto de perderem um filho e serem pobres, não fosse já em si muito  penalizador.

O segundo caso foi o ataque terrorista ocorrido ontem ao jornal satírico “Charlie Hebdo”, um símbolo da liberdade de imprensa, o qual fez doze mortos e perpetrado por dois fanáticos islamitas. Claro que este acontecimento tem uma maior visibilidade, embora ambos sejam demonstrativos da intolerância em que todos vivemos.

E se todos os ataques terroristas devem ser condenados onde quer que ocorram, em França o berço da liberdade, igualdade e fraternidade ainda choca mais, porquanto, foi sempre um país acolhedor e refúgio de todas as tendências, foi ali que se exilaram a maioria dos portugueses, opositores ao anterior regime, mas também Khomeini, o líder supremo religioso do Irão, o qual viveu vários anos exilado em Paris.

Contrariando a máxima de que, “em Roma sê Romano”, em França existe uma enorme margem de tolerância perante todos os credos religiosos. Agora e perante os acontecimentos de ontem, esperamos que não se venham a exacerbar maiores sentimentos de intolerância e xenofobia, defendidos por alguns dos movimentos extremistas, os quais também existem em França.

publicado por Nuno Santos às 07:40

Janeiro 07 2015

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                                                     (Foto do jornal  Público quando do processo Face Oculta)  

 

 

Esta semana foi anunciado pela Porto Editora, de que a palavra do ano de 2014, fora a Corrupção. Esta escolha não nos dá qualquer orgulho, antes pelo contrário, porquanto, o significado desta palavra quer dizer que, se beneficia alguém numa negociata, em prejuízo de outrem.

O fenómeno da corrupção sempre existiu, em especial nos países mais subdesenvolvidos. Na Europa e durante muitos anos, a corrupção esteve muito associada à Itália, por causa das redes mafiosas que minavam sobretudo o poder autárquico do sul do país, e todos nos recordamos de séries televisivas como o Polvo, onde este fenómeno era retratado.

Infelizmente este fenómeno tem-se alastrado a outros países do sul da Europa, nomeadamente a França, a Espanha e Portugal, onde recorrentemente aparecem nos meios de comunicação casos de corrupção, envolvendo personalidades ligadas à alta finança, economia e à política.

Só que enquanto os governos nesses países, têm procurado combater esse flagelo, em Portugal assobia-se para o lado e as medidas apresentadas contra a corrupção, ou contra o enriquecimento ilícito, nem sequer têm cabimento na assembleia da república, vide as propostas apresentadas pelo ex-deputado João Cravinho, as quais, nem o próprio partido o PS as aceitou.

Enquanto continuar este estado de coisas, tem de ser o tribunal a fazer a prova de que houve crime, o que não é fácil, pois os meios de investigação de que dispõe também são precários. Deste modo vamos assistindo aos sucessivos arquivamentos de processos por falta de provas, como aconteceu recentemente com o caso dos submarinos, pese embora neste caso os corruptores na Alemanha tivessem sido condenados, em Portugal os corrompidos ficaram impunes.

 

 

publicado por Nuno Santos às 07:56

Janeiro 06 2015

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Ainda agora aqui cheguei

Pus o pé nesta escada

Logo o meu coração disse

Aqui mora gente honrada

Pastores serranos

Vamos a Belém

Ver o Deus menino

Que a senhora tem

Quem diremos nós que viva

Debaixo de um laranjal

Vivam pequenos e grandes

Vivam todos em geral

No meu tempo de menino e moço era com estes versos que neste dia, iniciávamos o cântico dos reis pelas casas dos lavradores mais abastados da aldeia, em troco de uns figos secos e nozes, tudo produção caseira.

Embora se continuem a cantar os Reis ou as Janeiras por todo o país, o seu espírito está adulterado, porque, deixou de ser cantado pelos miúdos das aldeias a troco de umas guloseimas, passando a ser cantados por escolas e instituições, umas vezes a título de reivindicação de qualquer coisa, outras para angariação de fundos.

Ainda que alinhasse com os outros, por causa da minha timidez, nunca me senti muito confortável nesta tradição, por isso, era quase sempre dos últimos do grupo, embora o não fizesse muitas vezes, recordo-me de alguns episódios vividos nesse tempo.

Um ano fomos cantar os Reis a casa do Sr. Filipe Ranheta e da tia Julia, que moravam no bairro da Santa Rita. O casal não tivera filhos mas, afeiçoara-se a um criado de servir que praticamente criaram lá em casa, a quem chamavam João Mono, porém quando se tornou adulto, imigrou para Lisboa onde se radicou, mas manteve durante muitos anos esse vínculo quase maternal, pois todos os anos visitava o casal pelo verão, em especial pela festa da Sra da Azinheira.

O senhor Filipe fora um ex-combatente da 1ª Grande Guerra e pese embora tivesse vivido as vicissitudes dessa guerra, sendo um dos sobreviventes da batalha de La Lys, tinha um espírito muito jovial, gostando de pregar partidas aos miúdos, em especial no período do Entrudo.

Passando o Natal era ouvi-lo no Largo da Oliveira da Saúde, de que já tinha sete caretos na loja, e a sua Júlia não fazia outra coisa, senão, cozer fornadas de pão, para alimentar aquelas almas do diabo, deixando os garotos aterrorizados com o que seria o Entrudo.

O Senhor Filipe era padrinho do Edgar Silva e por ideia deste, juntamo-nos alguns dos garotos do Eiró e lá fomos a sua casa cantar-lhes os Reis. Depois de os cantarmos no cimo das escadas, mandou-nos entrar para a cozinha, brindando-nos com um opíparo lanche, composto de pão alheiras e linguiças.

A bebida era o vinho da casa, uma coisa a que todos nós e apesar da idade estávamos habituados, só que em vez de ser servido em copos, bebíamos por um alguidar de barro negro de Nantes, onde a tia Júlia lavava a loiça. Assim para bebermos, tínhamos de mergulhar a cabeça, saindo de lá com as camisas todas manchadas  e a cambalear.

Para mim esse dia de reis foi memorável, primeiro porque apanhei uma das minhas primeiras bebedeiras, segundo, porque ainda apanhei uns tabefes da minha mãe, quando cheguei a casa.

publicado por Nuno Santos às 07:26

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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