Outeiro Secano em Lisboa

Março 30 2015

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O conceito da realização de concertos musicais em casas particulares não é novo. A Amália Rodrigues fazia-o frequentemente na sua casa da rua de São Bento, existindo até um disco gravado com a participação de Vinícius de Moraes, Natália Correia e José Carlos Ary dos Santos, de um desses encontros, aos quais chamavam serões em casa de Amália.

Em Guimarães no ano em que foi capital da cultura, também se recorreu a este conceito, e foram vários os particulares que abriram as suas casas para acolherem espectáculos, inseridos no programa do evento.

Em Lisboa existe agora um casal residente na Lapa, que criou o projecto, Lisbon Living Room, abrindo a sua casa para este tipo de espectáculos. E porque se realizam na sua sala de estar, são por isso mais intimistas, diferentes dos que se realizam nas salas de espectáculo, permitindo uma maior proximidade e interacção, entre o público e os artistas.

O público é recebido como se fossem visitas da casa, havendo uma mesa com bebidas e acepipes, as pessoas ainda que não se conheçam vão se relacionando enquanto não começa o espectáculo, no final, é colocado uma caixa na mesa, e os presentes depositam um donativo, sem qualquer valor estipulado, embora ande na média dos dez euros por pessoa.

Os convidados de ontem do Lisbon Living Room foram os Lavoisier, um projecto desconhecido para a maioria dos presentes, ficando por isso surpreendidos, pela sua qualidade musical.

Nós é que não ficamos surpreendidos, pois conhecemos os Lavoisier, desde a formação. De salientar que têm um novo disco, e vão estar na Sala Estúdio do Teatro D. Maria, entre os dias 2 a 26 de Abri, fazendo o suporte musical da peça “Três parábolas da possessão”, escrita por Francisco Luis Parreira e direcção de João Garcia Miguel.

 

 

publicado por Nuno Santos às 13:14

Março 27 2015

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Como não residente vou seguindo à distância os acontecimentos que ocorrem na nossa terra, tomando conhecimento de uns, através das redes sociais, de outros, pelos contactos que mantenho permanentes com a minha família. Ora, foi desse modo que tomei conhecimento, do vasto programa cultural que irá decorrer na semana da Páscoa, para minha enorme satisfação, porquanto, este ano vou poder assistir.

Essa actividade é  demonstrativa de que, as sementes outrora lançadas criaram raízes e germinaram. Mas não me refiro apenas às sementes lançadas na década de setenta e de oitenta, um período fértil em acção cultural, tanto na nossa aldeia, como no país em geral, por causa das dinâmicas criadas pelo 25 de abril.

Na nossa aldeia essa dinâmica cultural vem, desde a década de trinta. Embora  se vivesse um período de grande escassez, causada pela guerra civil de Espanha e pela 2ª guerra mundial, a JAC - Juventude Agrária Católica, de cujos membros sobrevivem ainda, Manuel Torres, António Chaves e Eng.º Eugénio Dias, criou uma intensa actividade cultural na aldeia, sinal de que muitas vezes o crer move montanhas.

Foi nessa época que se lançaram as bases para a criação da banda musical, cujo projecto só foi consumado em 4 de janeiro de 1998, pese embora nessa época o gaiteiro como  pejorativamente lhe chamaram, tivesse efectuado algumas actuações. 

Do programa agora anunciado, embora não conste a tradicional via sacra, mas que se realiza ao longo do nosso belo calvário, logo pela manhã de sexta-feira, sobressaem a representação do Acto da Paixão e a XXIV Corrida da Páscoa.

Embora o Acto da Paixão seja um projecto mais abrangente,  porque envolve um maior número de pessoas locais, permitam-me que dê um maior enfase ao regresso da Corrida da Páscoa, pela minha anterior ligação com este evento, e porque em minha opinião, projecta mais a nossa terra, porque trás até nós atletas oriundos de várias regiões.

Embora desconheça o programa da corrida, congratulo-me pela sua realização, ficando a torcer pelo seu êxito. Quando colaborava nessa corrida como speaker, em jeito de brincadeira anunciava  que, quando se realizasse a XXV Corrida da Páscoa, iríamos ter a presença de um queniano.

Infelizmente os apoios financeiros têm vindo a diminuir, quer pela conjuntura económica, mas também pela intermitência na realização da prova. Mas como a próxima vai ser o ano da XXV Corrida da Páscoa, gostava imenso que se fizesse uma prova, à altura dessa efeméride.

E ainda que não conte com a presença de um queniano, como as corridas de estrada voltam a estar na moda, seria interessante que fosse a Corrida mais participada de sempre, contando com a presença de muitos dos seus antigos vencedores, porque muitos deles, ainda estão no activo.

publicado por Nuno Santos às 13:59

Março 26 2015

 

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 Foto jornal Público

 

 

A nossa caixa de correio electrónico é  diariamente invadida com emails, uns mais divertidos do que outros, por isso os partilhamos ou apagamos. Hoje recebi um email com as regras do futebol de rua e não resisto em partilhá-lo,  porque me fez recuar cerca de cinquenta anos atrás, ao tempo em que jogávamos à bola com a roupa e o calçado que traziamos no corpo.

Jogávamos  na eira do Caneco, do Pispalhas, no Largo do Zé Merceana, no adro da Sra. Rosário, ou no recinto da escola de baixo, durante o intervalo no tempo lectivo, mas também à noite e aos domingos à tarde, à revelia do presidente da junta, o meu avô Eurico, por causa dos vidros das janelas da escola, que de vez em quando lá se partia um. O pior era quando a bola entrava pela sala dentro, acabando-se logo jogo, pois sem bola não havia  jogo.

Os meus contemporâneos recordar-se-ão ainda dessas partidas, sobretudo das guerras provocadas pelo Lelo Sobreira, porquanto, para ele os golos só eram válidos quando rasteiros e bem no centro da baliza, doutra forma, a bola ou tinha saído ao lado ou fora  alta de mais.

Mas também do Zé Mau que impunha a sua lei e quando dizia que fora golo, era mesmo golo, razão porque todos queriam jogar sempre na sua equipa, pois sabiam que saiam sempre vencedores.

Por vezes num mesmo jogo, havia paradoxalmente dois resultados diferentes, porquanto uma das equipas não reconhecia o golo da outra, razão pela qual se recorria depois à regra 3. 

 

 

Regras

 

1º- O gordo é o Guarda-redes
2º- O jogo termina quando todos estão cansados
3º- Embora o jogo esteja 20 a 0, “quem marcar, ganha!”
4º- Não há árbitro
5º- Só se marca falta se for muito claro, ou se sair alguém a chorar
6º- Não há fora-de-jogo
7º- Se o dono da bola se chateia… acaba o jogo
8º- Os melhores jogadores não podem jogar na mesma equipa e são eles que escolhem o resto da equipa
9º- Ser o último a ser escolhido é a maior humilhação
10º- Nos livres directos, a barreira vai estar sempre perto da bola
11º- A partida pára quando a bola entra pelo vidro de alguma casa, café, carro… ou quando passa um camião, autocarro ou carro. Se forem motas ou bicicletas… segue o jogo
12º- São inimigos eternos os jogadores do bairro mais perto (Eiró/Pontão)
13º- Os que não sabem dar um pontapé na bola, são suplentes ou quanto muito… defesas
14º- Se chegam os mais velhos, temos que sair do campo, mas não, sem protestar primeiro
15º- Há sempre um vizinho que não te deixa jogar ou que ameaça que te fica com a bola
16º- Se se aposta alguma coisa, jogamos como se fosse uma final
17º- As balizas são duas pedras, ou latas, mas vai haver sempre uma equipa que tem a baliza mais pequena
18º- Quando uma equipa marcar um golo de chapéu, a equipa adversária vai gritar sempre “FORA”( para que o golo não seja validado)
19º- Os foras são marcados com o pé e é possível atirar contra um adversário e seguir a jogada.
20º- Num penalty, o gordo sai sempre da baliza e quem defende é o melhor jogador.

Um abraço para o Manel e para o Zé Mau.

 

publicado por Nuno Santos às 15:17

Março 22 2015

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Castelo de Monterrey em Verin

“Lázaro, Ramos e na Páscoa estamos”, desde pequenos que ouvimos este dito, bem mais longo porque existe um nome, para cada uma das semanas da quaresma, ou seja: Ana, Magana, Rebeca, Susana, Lázaro, Ramos e na Páscoa estamos.

Mas dos domingos que antecedem a Páscoa, o domingo de Lázaro era dos mais aguardado pelos flavienses, não pelo significado religioso, o milagre de Cristo na ressurreição de Lázaro, mas pela festa que em sua honra, se realiza em Verin.

Depois da nossa independência em 1143, embora houvesse uma linha de fronteira a separar os territórios de Portugal e Espanha, definida pelo tratado de Alcanices em 1297, houve sempre uma grande cumplicidade e intercâmbio entre os povos fronteiriços, nomeadamente entre os concelhos de Chaves e de Verin. A minha família é um exemplo dessa ligação, tanto do lado materno como paterno, com origens em Feces de Abajo e em Tamagos.

Por certo que essa miscigenação não será alheio a festa do Lázaro, a qual está para os galegos de Verin, como o dia de Santos para Chaves. Nesse dia não havia guardas na fronteira, sendo a passagem livre. Mais do que o comércio, era a diversão e as raciones de pulpo à galega, servidas nos tradicionais pratos de madeira, que os portugueses procuravam no Lázaro.

 Atravessava-se a fronteira, como que uma espécie de libertação, porquanto na época Portugal era um país de costas voltadas para a Europa e nos restantes dias do ano, só os possuidores de passaporte podiam atravessá-la.

Recordo-me por isso das enormes filas que se geravam ao longo da estrada de Vila Verde da Raia, porque vinha gente de outros lados só para sentir essa sensação de liberdade. Para quem como nós viviamos ali ao lado, bastava-nos atravessar a barca do Tegas, e depois a apanhar a carretera (autocarro) em Feces até Verin.

Com a entrada de Portugal e Espanha na CEE as fronteiras foram abolidas e hoje, Chaves e Verin vivem em comunidade, designada pela Eurocidade Chaves-Verin. Apesar de agora se ir a Verin com regularidade, até para ir ao supermercado comprar alguns artigos de consumo diário, porque são mais baratos devido às menores taxas do Iva, haverá outros que irão manter a tradição, indo a Verin pelo Lázaro, para comer uma racione de pulpo, regada com um jarro de vinho grês.

 

publicado por Nuno Santos às 09:16

Março 21 2015

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Durante anos este dia foi celebrado pela entrada da Primavera, a estação do ano associado à vida alegre e sadia, mais no campo que na cidade, porque é no campo, onde mais se faz sentir as mudanças da natureza.

Porém as constantes alterações climáticas, provocadas pelo avanço das novas tecnologias, apesar de algumas contribuirem para gerarem maior felicidade para a humanidade, outras pelo contrário, embora acrescentem valor económico, degradam o nosso meio ambiente.

Por isso e ainda que este dia continue a ser o dia da entrada da primavera, por causa do seu Equinócio, assim como o dia mundial da Poesia, por proposta do Butão um dos países mais pequenos do mundo, a ONU decretou em 2013 que, passasse também a ser, o dia mundial da Felicidade.

De salientar que o Butão tem como indicador de prosperidade, em vez do PIB Produto Interno Bruto, rege-se pelo Índice de Felicidade Bruta.

O dia foi cheio de felicidade para os que fizeram por ela, porque a felicidade é como um jardim, tem de ser bem cuidada. Começou com um eclipse do sol, visível entre as 8,00 e as 10,00 horas, quando a maioria dos portugueses ia a caminho do trabalho.

Tratou-se de um eclipse parcial, pois o sol não se eclipsou totalmente, da mesma forma que a crise em Portugal também não, ainda que alguns indicadores económicos sejam positivos, mais por causa de factores exógenos que endógenos, como a baixa dos juros, a desvalorização do euro ou a descida do petróleo.

Os deputados na assembleia da república que, tantas vezes têm sido acusados de fazerem pouco, andam numa roda-viva, não tanto pelo seu desempenho no hemiciclo, mas pelo trabalho nas comissões parlamentares, agora transmitidas em directo pelos canais televisivos.

Nesta quinta-feira tivemos Ricardo Salgado, não para explicar as causas do desastre do BES, mas para  atacar o governador do Banco de Portugal, pelas acusações, da sua gestão danosa. Ontem foi o secretário de estado dos Assuntos Fiscais, a dizer-nos que, não sabia da existência da lista VIP. A lista tem esta designação, porque protege apenas as “Pessoas Muito Importantes”.

Mas se a Primavera entrou em termos do calendário, o mesmo não parece em termos meteorológicos, porque embora não esteja muito frio, continua um tempo cinzento, mesmo assim e como dizia o Raul Solnado, “Façam o favor de ser felizes”.

 

 

publicado por Nuno Santos às 09:50

Março 16 2015

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Pedro Lomba

Vem por aqui dizem-me alguns com os olhos doces, estendendo-me os braços seguros de que seria bom que eu os ouvisse…. Estes são os primeiros versos do famoso poema de José Régio, o Cântico Negro.

Na última semana foi conhecido um outro VEM, desta vez criado pelo governo, e dado a conhecer pelo secretário de estado Pedro Lomba. Este novo VEM é a sigla do programa, Valorização do Empreendorismo Emigrante, uma medida cujo efeito é meramente eleitoralista, e sem qualquer efeito prático.

A medida consiste numa subvenção de dez a vinte mil euros para os emigrantes que, retornem ao nosso país, e aqui queiram criar o seu posto de trabalho, estando previsto que numa primeira fase, subsidie apenas trinta a quarenta projectos.

Ora se tivermos em conta que nos últimos dois anos a fuga de jovens licenciados, foi de cerca de quatrocentos mil, é fácil concluir, quanto esta medida é inócua e despropositada.

Claro que todos nós gostaríamos de ver regressar estes jovens, porque um país desenvolve-se quanto maior for a sua massa crítica, eu incluo-me nesse grupo porque o meu filho e nora, fazem parte desse contingente de emigrantes. Mas dada a conjuntura ainda vigente no país, para os emigrantes que têm as suas vidas estabilizadas nos países de acolhimento, o melhor que têm a fazer, é responder-lhes com o verso final do José Régio.

- “Sei que não vou (para) aí!”.

publicado por Nuno Santos às 13:19

Março 13 2015

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Porque estamos em período de entrega das declarações do IRS, referente aos rendimentos obtidos no ano de 2014, recordo aqui os seus prazos de entrega.

Para os rendimentos das categorias A/H, com entrega em papel, o prazo é durante o mês de março.

Para os rendimentos das categorias A/H com entrega através da Internet, o prazo é durante o mês de abril.

Para as restantes categorias, o prazo de entrega decorre durante o mês de maio.

Vem o tema a propósito do anúncio na página da internet da AMA, para que façamos a consignação do 0,5% do nosso IRS, indicando o  seu número de contribuinte, no anexo H da declaração.

Ora, já o ano passado tinha escrito um post sobre este tema, informando qual o processo para o recurso à consignação dos 0,5% do IRS. Porém em consulta à lista publicada no site da AT – Autoridade Tributária, onde constam o nome das 2616 entidades benificiárias para o ano de 2014, infelizmente não consta o nome da AMA, pelo que a indicação do seu número de contribuinte no anexo H da Declaração do IRS, em nada lhe aproveita.

Benefício fiscal da consignação de quota do IRS (n.ºs 4 e 6 do artigo 32.º da Lei n.º 16/2001 de 22 de Junho)

ENTIDADES COM PROCESSO DEFERIDO PARA O ANO FISCAL DE 2014 (dados de 2015-03-12)

 

As entidades do concelho de Chaves que, constam dessa lista, são: Associação Flor do Tâmega; Centro Social da Abobeleira; Centro Social S. Tiago de Mairos; Centro Social de Travancas, Patronato de S. José e Santa Casa da Misericórdia, logo, se quiserem ajudar as entidades do concelho, optem por colocar o número de contribuinte de uma destas entidades.

Contudo convém salientar que, aqueles que deram donativos em dinheiro à AMA, e têm na sua posse o respectivo recibo comprovativo, podem deduzi-lo na sua declaração, escusam é de colocar o número da AMA no campo da consignação, pelas razões apontadas. 

Para beneficiarem da consignação, as entidades reconhecidas como IPSS têm de o requerer à AT – Autoridade Tributária, durante o mês de outubro, aguardando depois a publicação do seu nome na lista, durante o mês de fevereiro do ano seguinte.

Curiosamente a AT ainda não tinha pago às IPSS, a consignação do ano de 2013, porém vai fazê-lo neste mês, o facto de estarmos em ano eleitoral, talvez não seja despiciente.

 

publicado por Nuno Santos às 13:47

Março 10 2015

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Segundo a terminologia do parentesco, são primos, todos aqueles que têm os mesmos avós. É o caso do grupo retratado na fotografia, descoberta por mero acaso, em passagem pelo meu arquivo fotográfico.

Datada de 2006, a fisionomia de alguns já mudou, assim como o seu estado social, agregando outros elementos que, embora não consanguíneos, passaram a ser também parentes.

Claro que as dinâmicas da vida criou algumas barreiras, mas apenas de ordem física, porque a afectividade do grupo mantém-se, e recorrentemente, encontram-se nos momentos mais solenes, quase sempre no mesmo ponto de encontro, o lugar da sua origem, a casa dos avós.

Hoje um dos elementos deste grupo é aniversariante, e ainda que por causa das tais barreiras físicas, não tenha direito a uma fatia de bolo, aqui fica um beijo de parabéns e as maiores felicidades, extensíveis a toda a família.

 

publicado por Nuno Santos às 13:50

Março 08 2015

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Hoje dia 8 de março comemora-se o dia internacional da mulher, uma data que simboliza a luta das mulheres pela sua emancipação, mas sobretudo, pela igualdade de direitos iguais aos dos homens, no exercício das mesmas funções.

E se nas regiões mais desenvolvidas do mundo como na Europa e na América, damos o facto dos direitos  iguais entre homens e mulheres, como um dado adquirido, existem ainda muitas regiões do globo, onde os direitos da mulher são cerceados, por razões culturais e religiosas.

A própria religião católica que é a mais praticada nas regiões mais democráticas e civilizadas, teima em reconhecer à mulher, os mesmos direitos que subsistem aos homens. Espera-se que o recém-eleito papa Francisco, porque tem dado provas de ser um renovador, consiga promover uma maior predominância da mulher, no seio da orgânica da Igreja.

Embora as estatísticas provem o contrário, isto é que as mulheres estão em larga minoria em funções de chefia, na empresa onde trabalho, essa paridade existe. A título de exemplo o nosso Conselho de Gestão,  um órgão consultivo de apoio ao Conselho Executivo, é composto por 21 elementos, 10 dos quais são homens e 11 são mulheres.

Mas claro que esta situação não é a regra, e mesmo na política nacional essa desigualdade existe, levando alguns partidos a criarem quotas de inclusão, para elevarem a participação das mulheres, na sua representação parlamentar.

Ultimamente os direitos da mulher têm estado em voga no nosso país, não só pelo direito à igualdade, mas também pela sua dignidade, porque diariamente somos confrontados com notícias de crimes cometidos contra as mulheres.

A fotografia que ilustra o post é um exemplo disso. É uma iniciativa da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que promove o apoio às mulheres vítimas de violência doméstica. A APAV está no Rossio com uma campanha de sensibilização e recolha de fundos, onde cada participante adquire um cadeado e coloca-o numa das letras que formam a palavra LOVE (AMOR) a palavra mais bela e mais perfeita, para demonstrar a igualdade, entre homens e mulheres.

publicado por Nuno Santos às 09:17

Março 05 2015

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 Foto Blog Outeiro Seco Tradição e Modernidade

 

Calcula-se que em Portugal existam mais de cento e quarenta pessoas centenárias vivas, na sua maioria mulheres, sendo duas delas as nossas conterrâneas, Maria da Costa e Amélia Ferreira, mais conhecidas por tia Bia e tia Amélia, ambas a caminho dos 103 anos.

Nascidas em 1912 dois anos depois da implantação da república, tinham dois anos quando rebentou a primeira guerra mundial, trinta e três anos na segunda grande guerra e sessenta e dois anos no vinte e cinco de abril.

Embora estas datas sejam marcantes na história do nosso país, pouco dizem a estas nossas conterrâneas, na época com outras preocupações, senão a luta pela sua sobrevivência, pelo menos a de assegurar a subsistência das suas famílias.

Com a tia Bia é possível dialogar com alguma assertividade, porque preserva ainda alguma lucidez, apenas perdeu uma boa parte da sua capacidade auditiva e de visão, mantendo todavia uma boa locomoção deslocando-se dentro de casa encostada aos objectos, mas por causa da sua falta de vista e não por falta de pernas.

A tia Bia não fala dos acontecimentos que marcaram o país, mas fala da actividade que exerceu durante a maior parte da sua vida, a actividade de leiteira, distribuindo o leite pela cidade de porta a porta, recordando-se do nome de muitas das suas freguesas, apesar da maioria delas já terem morrido.

Continua a morar na mesma casa onde sempre morou e onde criou os seus filhos, agora na companhia da sua filha Lucília, mas com alguma autonomia, pois come e veste-se sozinha.

Quanto à tia Amélia e até há uns dois anos, era ainda mais autónoma do que a tia Bia, por isso e apesar de ter vários filhos na aldeia, preferia morar sozinha na sua casa, mantendo os seus hábitos e costumes. Entretanto a sua saúde degradou-se de uma forma abrupta, retirando-lhe essa autonomia, vivendo por isso agora, em casa da sua filha Laurinda.

Embora tenha perdido quase todas as suas capacidades cognitivas, logo a tia Amélia que tinha tantas, herdadas da sua mãe Mafalda, como as rezas para os diversos males do corpo e da alma, os versos do Ramo, ou as modas populares do seu tempo de menina e moça.

A tia Amélia perdeu essas faculdades, mas não perdeu ainda a sua locomoção, antes pelo contrário, têm de estar sempre com um olho nela, de outra forma, quando vão a dar conta, lá vai ela rumo ao Papeiro, o local onde viveu a sua infância.

Como a nossa longevidade continua a aumentar, a ver vamos qual vai ser o próximo conterrâneo a atingir o centenário. Falta pouco para que o nosso amigo Manuel Torres atinja esse desiderato, esperamos que tal aconteça, e que o seu filho Vasco possa estar presente, na festa do centenário do seu pai.

publicado por Nuno Santos às 13:42

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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