Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 27 2016

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Foi como assinante do jornal “A voz de Chaves” que li com enorme  orgulho, a notícia de que equipa juvenil de futsal feminino do Agrupamento Júlio Martins, se sagrara campeã nacional, indo agora defender as cores nacionais no mundial da modalidade, a realizar na Croácia.

Fiquei contente como flaviense mas sobretudo, porque foi na Escola Industrial e Comercial, atual Júlio Martins, onde eu fiz a minha formação escolar. Infelizmente esta escola não costuma vir muito bem classificada nos ranquingues nacionais, ainda que os indicadores que servem de base a essa classificação sejam muito subjetivos e não contemplem todas as cambiantes. Mas o facto do nome da escola, ser citado por uma coisa positiva, já é gratificante e de enaltecer.

Que eu saiba, esta já não é a primeira vez que a Escola Júlio Martins, ganha no âmbito do desporto escolar um título nacional, a nível coletivo. Já na década de oitenta uma equipa feminina se sagrou campeã nacional, na modalidade de andebol, tendo como treinadora a Prof.ª Georgina Szabo e como jogadora uma outra outeiro secana, a Berta Chaves.

Parabéns a estas jovens atletas, oxalá aproveitem a experiência da viagem à Croácia como um fator positivo, pois o desporto escolar pode e deve alavancar outros valores para a vida, como a dedicação o esforço a disciplina e o trabalho de equipa.

publicado por Nuno Santos às 12:38

Fevereiro 26 2016

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Tal como diz o Palma na sua canção, “Ai eu hoje estou tão Frágil, que nem consigo ser ágil” também ontem após o almoço,  eu me senti extremamente frágil, provavelmente por causa de um ovo que, acompanhava o hambúrguer grelhado do frugal almoço no H3, o qual não estaria em boas condições. O efeito foi imediato e tive de ir à cama.

Só que ontem era a noite do concerto do Sérgio Godinho e do Jorge Palma no Coliseu, para o qual eu já tinha bilhetes havia mais de três meses, de modo que recorrendo a chás de cidreira, Malox Plus, e Benurons lá recuperei um pouco, e à noite, fui um dos muitos que encheram o Coliseu, para ouvir esta dupla que, encantou os presentes.

Estávamos perante dois dos maiores poetas de canções, o Sérgio Godinho e o Jorge Palma. O Palma, que ao longo da sua vida artística, tem atravessado períodos de altos e baixos, não tanto no aspeto criativo, mas sobretudo pessoal, ontem estava em forma, e ambos encantaram com uma viagem pelo seu extenso reportório.

Como o público presente era composto por uma faixa etária que, viveu o período revolucionário, conhecia bem todas as canções, por isso foram entoadas a muitas vozes.

De salientar a juventude dos excelentes músicos que os acompanhavam, capitaneados pelo grande Nuno Rafael, o qual dá uma nova roupagem às canções como, “Liberdade” ou “A noite passada” do Sérgio as quais com nova orquestração, parecem ser canções recentes.

Ora, depois de uma tarde tão frágil, a noite acabou com um brilhozinho nos olhos, só não foi melhor, porque o Sporting foi afastado da Taça da Liga Europa, pese embora ficasse a sensação de que o Jorge Jesus, fez muito pouco para que isso não acontecesse.

publicado por Nuno Santos às 09:21

Fevereiro 23 2016

 

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A Nucase News é a newsletter da Nucase Contabilidade e Assistência Fiscal Sa., empresa onde eu trabalhei durante vinte e cinco anos, até ao final de 2015. Com publicação trimestral este nome é um estrangeirismo, dos anteriores nomes, primeiro “O Jornal da Nucase” depois “A Nucase em Notícia”, dos quais eu fui o primeiro diretor.

Foi Johann Goethe um escritor alemão do século XIX quem escreveu “O que passou, passou mas o que passou luzindo resplandecerá para sempre”.

Ora, estou certo que foi o meu passado na Nucase, a causa de ter sido um dos seus entrevistados nesta primeira edição do ano de 2016,  sentindo-me por isso, extremamente agradecido e orgulhoso.

Claro que a newsletter tem outras entrevistas, com muito maior interesse do que a minha, desde logo a do Pedro Fernandes, atual apresentador do Concurso “The Big Picture”, como a de outros desenvolvendo temas relacionados com o core da Nucase. Mas o facto de eu já não pertencer aos quadros da Nucase e ter merecido essa deferência, deixa-me deveras sensibilizado.

Resta-me agradecer à direção da Nucase o convite para a entrevista, ciente de que veio ao encontro da frase de Goethe. E se o gesto simboliza uma discriminação positiva, da minha passagem pela empresa, o sentimento é recíproco, porquanto, a Nucase foi muito importante na minha vida, tanto profissional como pessoal.

Eis o link para consulta da newsletter

http://www.nucase.pt/institucional/?page_id=2058&lang=PT

 

publicado por Nuno Santos às 17:06

Fevereiro 22 2016

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No post dedicado ao meu querido amigo Manuel Benedito, descrevi uma das muitas histórias com que ele nos brindou, no almoço da celebração do seu 90.º aniversário. Porque são histórias da sua vida real e porque ele não se importa que eu as partilhe, aqui fica mais uma.

A Carris, empresa concessionária dos transportes urbanos de Lisboa, onde o Manuel trabalhou como barbeiro, foi fundada em 1872 por capitais ingleses, embora nacionalizada  após o 25 de Abril.

A sua frota era e é composta por autocarros, elétricos, elevadores e ascensores. Talvez por isso os seus autocarros antigos, fossem de dois pisos, tais como os que circulavam em Londres. A tripulação tanto dos autocarros como  dos elétricos, era  composta por dois operacionais, um condutor e um revisor, mais vulgarmente conhecido pelo “pica”, celebrizado numa recente canção do António Zambujo, “O Pica do 7”.

Entre os muitos colegas de trabalho, o Manuel tinha uma grande cumplicidade com o Zé Pinto. O Manuel foi sempre muito extrovertido, gostando de conhecer novas pessoas e novas terras, razão pela qual, acompanhou algumas vezes este seu amigo, à sua terra na Beira Baixa, mais concretamente na Aldeia do Bispo, concelho de Penamacor.

Decorria a década de cinquenta e na época, não havia a mobilidade de hoje, de modo que as viagens, faziam-se essencialmente de comboio. Quem queria ir para Penamacor, teria de apanhar o comboio da linha da Beira Baixa, o qual saía da Estação de Santa Apolónia em Lisboa, até à Estação da Guarda.

O comboio não terminava nem termina ainda, no centro da cidade da Guarda, fica nos seus arredores, num lugar chamado  Estação, sendo agora um dos bairros mais modernos da cidade.

A linha da Beira Baixa ainda que turisticamente não seja tão conhecida, quanto a linha do Douro, pese embora a CP e a Câmara de Vila Velha do Ródão tenham agora um protocolo de promoção desta linha, como do concelho de Vila Velha do Ródão, é também de extrema beleza, porque o seu percurso faz-se quase todo à beira do Tejo.

É só depois do Entroncamento, quando o comboio abandona a linha do norte que se entra propriamente na linha da Beira Baixa, e onde a paisagem ganha contornos de beleza mais interessantes.

Começa logo com as lezírias do Ribatejo e com  os arrozais do Vale do Sorraia. Depois aparece-nos o Castelo de Almourol, construído pelos Templários no século XII, situado numa pequena ilha mesmo no centro do leito do rio Tejo. A seguir é a vila de Constância, onde desagua o rio Zêzere e segundo a lenda, devido à sua beleza idílica, Luís de Camões ter-se-á inspirado, para escrever uma boa parte dos Lusíadas.

O percurso da linha continua, fazendo as mesmas curvas do rio, em cujas encostas não sendo tão ingremes quanto as da linha do Douro, no lugar das vinhas, nestas encostas, sobressaem oliveiras e outras árvores de fruto, como as figueiras.

O clímax de uma viagem na linha da Beira Baixa atinge-se, quando no virar de uma curva, nos deparamos com as Portas do Ródão, as quais segundo um concurso nacional recente foram classificadas, como uma das sete maravilhas naturais de Portugal.

As Portas do Ródão são uma formação geológica que, estreitam o leito do rio como numa espécie de garganta, surpreendendo os visitantes. Nas suas escarpas reside uma das poucas colónias de grifos em Portugal, uma espécie de abutre que, nidificam apenas nas escarpas do Ródão e nas escarpas do Douro Internacional, na zona de Miranda do Douro.

 

Ora toda esta paisagem era apreciada pelo Manuel Benedito e pelo seu amigo até Castelo Branco onde desciam, onde os esperava um primo do Zé Pinto que, era padre. Este tinha comprado havia pouco tempo, um Volkswagen, também conhecido por carocha, que os transportaria à aldeia.

Embora na época ainda não houvesse uma grande crise de vocação, o certo que este padre prestava serviço em várias paróquias. Pelo caminho foi-os avisando de que, nesse fim-de-semana, iria celebrar dois casamentos, mas que entretanto já avisara as famílias, de que ele tinha dois convidados.

No dia seguinte como o amigo preferira ficar em casa socializando com a família, só o Manuel acompanhou o padre. O primeiro casamento era por procuração, uma coisa vulgar na época. Esta situação acontecia, quando o noivo se encontrava ausente numa das ex-colónias ultramarinas, umas vezes em missão militar, outras como colono, fazendo-se então representar por alguém da família, esta prática era reconhecida pela a igreja.

A noiva do primeiro casamento era oriunda de uma família humilde, jovem simples mas muito bonita. Não trazia um vestido de cauda comprido, porque na época era um luxo acessível a poucas noivas, mas vestia um fato de fazenda claro, tapando a cabeça com um véu branco. Nas mãos segurava o ramo de laranjeira, em sinal da sua pureza e virgindade.

Só quando o padre se preparava para iniciar o casamento, é que se deu pela falta do representante do noivo. Feito um compasso de espera e como ninguém aparecia, o padre já um pouco zangado até porque tinha ainda outro casamento para realizar, virando-se para o Manuel, disse-lhe.

- Oh senhor Manuel! Importa-se de fazer de noivo?

O Manuel ficou um pouco atrapalhado com a pergunta, primeiro por ser inesperada, segundo porque já era casado, mas como sabia que isso não tinha implicações pessoais, disse-lhe que sim.

Nesse entretanto, apareceu o representante do noivo, ficando o Manuel dispensado de ter sido um noivo inesperado. Terminada a cerimónia os noivos foram à sacristia, a fim de procederem às formalidades obrigatórias.

É prática corrente que os serviços religiosos, com a exceção da missa de domingo, tenham um custo para os utentes e nessa paróquia, o preço para os casamentos era de noventa escudos.  

Para o pagamento do serviço o representante do noivo, entregou ao padre uma nota de cem escudos que de imediato a guardou na gaveta de um móvel, continuando a falar com o Manuel, não se apercebendo de que o homem se mantinha estático, como que à espera de alguma coisa.

Mas quando o padre se apercebeu da sua presença, disse-lhe que já estava tudo terminado, foi então quando o homem retorquiu.

- Sim, mas o senhor padre, ainda me não deu o troco!

A contragosto o padre abriu de novo a gaveta, devolvendo os dez escudos ao homem. Quando estavam apenas os dois na sacristia, o padre virou-se para o Manuel e disse-lhe.

- Oh senhor Manuel, já viu este filho da puta, sabe que comprei um carro novo e que ainda o não  paguei todo, mas veja lá se ele se esqueceu do troco!

Durante a viagem a caminho da outra paróquia, onde iria decorrer o segundo casamento, esse bem mais pomposo, porquanto, a noiva era da filha de uma figura pública, ligada ao desporto, o padre disse ao Manuel.

- Oh senhor Manuel, tenho muita pena da rapariga que acabei de casar, é tão jovem e tão bonita e o marido, é um viúvo, já com dois filhos. Em contrapartida, a que vou casar agora, é uma grande puta, digo-lhe eu.

O Manuel ouviu e concluiu que se o padre o dizia, é porque o sabia. Nesse fim de semana o Manuel acabou por não ser noivo, mas foi um convidado iinesperado, tendo comido e bebido como um abade.

 

publicado por Nuno Santos às 16:35

Fevereiro 20 2016

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Assisti hoje no Pavilhão Paz e Amizade em Loures, a um espectáculo que, será memorável não tanto para mim, porque felizmente já pude assistir a muitos bons espetáculos, mas sobretudo, para muitos dos jovens músicos da Orquestra Geração, porque tiveram a oportunidade e o privilégio, de tocarem ao lado de grandes músicos, como são os músicos da Orquestra da Fundação Gulbenkian.   

Tendo bebido a sua influência no El Sistema venezuelano, criado em 1975, o qual proporciona a cerca de 350.000 jovens desse país da América do Sul, fazerem a sua iniciação na musical. A Orquestra Geração só foi criada em Portugal no ano de 2007, numa iniciativa do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, no concelho da Amadora, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, Escola de Música do Conservatório Nacional e Fundação EDP.

Este Agrupamento incluía escolas das freguesias de São Brás, Buraca e Damaia, todas no concelho da Amadora. Posteriormente o projecto expandiu-se, primeiro pela periferia de Lisboa, depois pelo país, estando já em Vila Franca de Xira, Loures, Oeiras, Sesimbra, Sintra, Amarante, Mirandela, Murça, Coimbra, Gondomar, contando já com perto de um milhar praticantes, preparando-se para se implementar nos PALOP, estando já em Cabo Verde.

Segundo o Diretor da Escola de Música do Conservatório, o objetivo deste projeto, não é formar todos estes jovens em músicos, mas contribuir para a sua integração social, através do desenvolvimento do trabalho coletivo, elevando a sua auto estima, tanto mais que a maioria destes jovens, são oriundos de meios sociais mais desfavorecidos e sobretudo, combater o abandono escolar.

Até ao momento, este projecto tem sido apoiado fundamentalmente pela Fundação Gulbenkian, Fundação EDP, Conservatório Nacional e pelas Câmaras Municipais dos respetivos concelhos, e ainda pelo recurso a fundos comunitários. Agora, parece haver um maior compromisso deste governo, no apoio a este projeto, razão pela qual estiveram hoje no Pavilhão Paz e Amizade de Loures dois ministros deste governo, o ministro da Educação e o ministro da Cultura.

Claro que destes praticantes, nem todos irão ser músicos profissionais. Mas o país só poderá ficar a ganhar, com a proliferação de mais Orquestras Geração, porque os valores ali adquiridos, como o esforço, o rigor e o trabalho em equipa, são valores que ficarão assimilados nestes jovens para a vida, logo serão aplicados nas profissões que eles venham a abraçar no futuro.  

   

publicado por Nuno Santos às 01:21

Fevereiro 17 2016

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A minha primeira experiência de voar em balão, pese embora a aterragem fosse um pouco atribulada ainda que sem danos físicos, estava longe de imaginar que se ficou a dever em muito, à experiência da passarola do Frei Bartolomeu de Gusmão, no século XVIII.

Ao que parece, a técnica de fazer subir pequenos balões de ar quente, já vem da antiguidade, mas foi a experiência do Frei Bartolomeu de Gusmão, apresentada ao rei D. João V, quem mais potenciou o desenvolvimento dessa técnica, tendo a sua passarola voado desde o Castelo de São Jorge até ao Terreiro do Paço.

Lamentavelmente e apesar da inovação do Frei Bartolomeu de Gusmão, acabaram por ser outros investigadores estrangeiros, a desenvolver e patentear a invenção, em resultado de muitas mais experiências levadas a cabo, durante os séculos XVIII e XIX.

Esta minha experiência de voar em balão ocorreu no verão de 2015 na Turquia, na região da Capadócia. E por muitos anos que viva, jamais a esquecerei e recomendo-a.

A Capadócia é uma região da Turquia, que tem sofrido grandes mutações ao longo da história, de uma grande região na antiguidade, está agora confinada a cerca vinte quilómetros quadrados, mais conhecida como um centro turístico e um dos locais, onde mais se pratica o balonismo.

Apesar de ainda ficar longe da fronteira com a Síria, a Capadócia como toda a Turquia, será por certo afetada pela instabilidade que impera na zona, o que é uma pena, pois trará alguma retração turística a este país, o qual tem um enorme potencial, tanto do ponto de vista do lazer por causa das suas praias mediterrânicas na Anatólia, como do ponto de vista da história antiga, visível em cidades como Éfeso, Troia, Pamakuale, e muitas outras, sem esquecer claro está Istambul, a antiga Constantinopla que foi a capital do Império Bizantino.

Em Portugal também se pratica balonismo, em especial no verão e com particular incidência no Alentejo, mais propriamente em Alter do Chão e Fronteira. Quem for a Alter do Chão e se gostar de cavalos, não deixe de visitar a Coudelaria Nacional, onde pode observar os cavalos da pura Raça Lusitana.

  

       

    

 

 

publicado por Nuno Santos às 23:22

Fevereiro 16 2016

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É vulgar ouvirmos dizer, a minha vida dava um romance, embora isso dependa muito, da nossa idade e das nossas vivências. Os chineses, até costumam dizer que, a realização do homem atinge-se apenas, quando faz um filho, planta uma árvore e escreve um livro.

Embora isso me pareça exagerado, o facto é que todos nós conhecemos pessoas, com histórias de vida mirabolantes que, embora não deem um romance, têm episódios pitorescos, os quais devem ser partilhados.

O meu amigo Manuel Benedito que tal como eu, é um outeiro secano residente em Lisboa, é precisamente uma dessas personagens, e porque tem noventa anos, feitos no passado dia 16 de janeiro, tem histórias de vida, verdadeiramente deliciosas.  

Para comemorar o seu 90.º aniversário, o Manuel juntou à sua volta num restaurante nos Olivais, mais de quarenta pessoas, entre familiares e amigos, onde me incluiu.

A certa altura do encontro e como forma de justificar a razão da presença de cada um dos convidados, o Manuel confidenciou alguns dos seus episódios de vida, vivenciados com cada um deles.

No grupo estava um casal natural da Beira Baixa, cujo marido tinha sido seu colega na Carris, onde o Manuel fez o seu percurso profissional e como se diz que a amizade é para a vida, a amizade com esse casal, tem perdurado até hoje.

O Manuel contou então uma história deliciosa que eu não resisto a recontar, de um fim-de-semana, passado na Aldeia de João Pires, concelho de Penamacor, onde esse amigo tinha um primo padre, com um grande espírito folião.

Chegados numa sexta-feira à noite, o padre avisou logo que para a noite de sábado, estava prometida uma grande patuscada. Era altura da desobriga, e como não havia mais nada para fazer, o Manuel acompanhou o padre, como forma de conhecer mais dessa região.

Porém quando chegaram à igreja, o padre foi surpreendido com um número inusitado de fiéi,s dispostos a confessarem-se, ora fazendo um breve cálculo mental, concluiu que isso iria atrapalhar a patuscada, e virando-se para o Manuel disse-lhe.

- Oh Sr. Manuel vista estas vestes e vá para aquele confessionário, pois só pelos dois conseguiremos despachar isto.

O Manuel muito atrapalhado ainda perguntou.

- Mas o que é que eu faço?

Nada disse-lhe o padre, oiça-os só, mas dê-lhe pouca penitência.

O Manuel não teve outro remédio, enfiou as vestes por cima da cabeça e lembrando-se do tempo da sua juventude na  aldeia, em que se confessava pelo menos, uma vez por ano, ouviu cinco fiéis, deu-lhes pouca penitência, mas nunca confessou a ninguém, aquilo que ali ouviu.

publicado por Nuno Santos às 09:53

Fevereiro 15 2016

 

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Este fim-de-semana agora terminado, embora comercialmente seja dedicado a São Valentim, padroeiro dos namorados, para mim foi um fim-de-semana fantástico, tambémpor razões do coração, mas por causa de paixões clubísticas e não tanto por razões propriamente românticas, tanto mais que o tempo, também não esteve propicio para grandes momentos de romantismo, pois choveu durante todo o fim-de-semana.

Claro que essa satisfação prende-se com a conjugação dos resultados desportivos. Começando logo na sexta-feira, com a derrota do Benfica, porque assim atrasou-se na classificação, ainda que a favor do Futebol Clube do Porto. Essa satisfação continuou depois no sábado, primeiro com a vitória do Desportivo de Chaves sobre o Freamunde por 1-0, porque o Freamunde é um dos rivais diretos do Chaves.

Depois à noite, a vitória do Sporting por 4-0 ao Nacional da Madeira, foi a cereja no topo do bolo, porque nos isolamos no topo da classificação, com três pontos de avanço sobre o Benfica e seis sobre o Futebol Clube do Porto.

Mas claro que, o facto de estarmos isolados no comando, não devemos ainda entrar em grandes euforias, até porque ainda há muito campeonato pela frente e as contas só se fazem no fim. É verdade que, cadeia que vai à frente, alumia duas vezes, mas como diz o nosso técnico, o caminho faz-se caminhando, e o que importa é ganhar jogo a jogo. Ora se tal acontecer, então em maio, seremos campeões.

O domingo continuou caseiro, com a receção a uns amigos de longa data, que de vez em quando nos brindam também com receções na sua casa de praia, na Ericeira. Apesar de serem naturais de Sacavém são também sportinguistas e apreciadores das coisas boas da nossa terra, onde já estiveram várias vezes.

De modo que mais que o São Valentim, foram o Sporting e o Desportivo, assim como a socialização com estes amigos, quem me deram mais razões de felicidade, neste fim-de-semana, a ver vamos se os próximos essa felicidade continua, já na quinta feira com Bayer Lerkusen e depois com o Boavista.

Mas porque eu acredito, nesta equipa belíssima, eu vou lá estar, para os apoiar.

 

   

publicado por Nuno Santos às 01:00

Fevereiro 14 2016

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Está a decorrer nas redes sociais uma petição pública, para que a autarquia flaviense, reponha a anterior estrutura do Jardim das Freiras. Todos reconhecemos a dinâmica das coisas e já o poeta dizia “todo o mundo é composto de mudança” algumas dessas mudanças são bem vindas, porque trazem valor acrescentado aos seus utentes, porém, há outras que são introduzidas, apenas porque sim, porque não acrescentam qualquer valor, pelo contrário, são apenas um desperdício do erário público.

No caso do Jardim das Freiras em Chaves, aconteceu um pouco isso. Conhecem-se as razões da  destruição deste Jardim também conhecido por Praça das Freiras, por estar defronte a um antigo convento onde atualmente funciona a Escola Fernão de Magalhães. Embora a verdadeira toponímia seja Praça General Silveira, mas como se trata de uma figura histórica que não é consensual na cidade, o povo prefere chamar-lhe Jardim das Freiras.

Em Chaves há o mau hábito, de que o carro tem de nos acompanhar, para onde quer que vamos. Basta estar algum tempo na esplanada do café Sport, para vermos a quantidade de vezes que a Polícia, lá vai autuar os veículos ali estacionados, mas passados dez minutos, o espaço está de novo cheio de carros.

A esse propósito os condutores flavienses, deveriam aprender com os lisboetas. Todos recordamos de ver postais ilustrados, com os Restauradores, o Rossio e a Praça do Comércio, pejados de carros. Ora, isso acabou há muito tempo e não foi por isso, que, a baixa lisboeta, continuou a ser, um dos locais mais frequentados da cidade.

Voltando a Chaves, o pretenso parque de estacionamento nas Freiras esteve demasiado tempo embargado pelo IPPAR, para ser objeto estudos arqueológicos. Finalmente quando houve luz verde para a sua construção, o poder autárquico na cidade tinha mudado, e os novos dirigentes decidiram, não sei se em resultado de consulta pública, mudar a localização do parque, para o Arrabalde.

Ora, como a cidade de Chaves está edificada, sobre as ruinas de uma outra cidade, houve de novo a intervenção do IPPAR, e em boa hora, porque no local escavado para a construção do parque de estacionamento, foi descoberto um antigo balneário termal romano.    

De salientar que o balneário, contínua sem abertura ao público, pese embora por razões eleitoralistas, creio eu, ele já tivesse sido inaugurado há mais de um ano, contudo continua fechado ao público.

Quanto ao Jardim das Freiras é urgente a sua requalificação, quer seja com o ordenamento anterior, ou com um outro mais moderno, o certo é que o atual não serve de modo algum o embelezamento da cidade. Por isso deixo aqui o meu apelo, para que assinem a petição pública em curso, eu já assinei.

 

publicado por Nuno Santos às 09:22

Fevereiro 13 2016

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Diz-se que a vida é que nos faz e a Esterinha, pese embora só faça hoje 14 anos, há muito que está feita numa mulher, tais as funções e tarefas domésticas que executa, continuando ao mesmo tempo a ser uma menina.

Como aluna a Ester é bastante aplicada e com um bom aproveitamento curricular, sobrando-lhe o tempo para outras atividades. Entre as quais, ser um dos elementos na Banda Musical Flaviense “Os Pardais”, zeladora do altar da Sra. das Dores, uma herança geracional da família Rodrigues Afonso,  leitora de textos na missa dominical, e mais recentemente, assumindo o lugar da avó, no grupo coral da igreja.

Apesar da sua precoce idade, a Ester passou recentemente por uma das piores provações, a perda de um ente próximo. Ainda que não fosse de linha direta, isto é o pai ou a mãe, a perda da sua avó Ester, com quem ela tinha uma relação tão especial, porque passava tanto ou mais tempo com ela, do que com os seus pais, essa perda foi um duro golpe, o qual suportou com uma estoicidade incrível, ficando demonstrado no belo texto que escreveu e fez questão de ler, a título de homenagem póstuma à sua avó, na cerimónia do funeral, homenagem que nos comoveu a todos.

Apesar de já lhe ter dado os parabéns via telefone, não podia deixar de fazer-lhe esta pequena discriminação positiva, dizendo-lhe que, para mim a Esterinha, personifica os valores e os princípios da família Rodrigues Afonso, esperando que assim continue, e que tenha uma vida cheia de sucessos e de muitas felicidades.

publicado por Nuno Santos às 23:30

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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