Outeiro Secano em Lisboa

Junho 30 2016

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Hoje as nossas atenções, estão todas viradas para o jogo da seleção contra a Polónia, de modo que, tudo o que demais aconteça no mundo, passa-nos um pouco a margem, sejam as consequências do Brexit, as hipotéticas sanções da União Europeia a Portugal e a Espanha, por causa do deficit excessivo de 2015, os atentados na Turquia, tudo isso é relativizado face ao jogo de logo à noite, porque o país pára, por causa da seleção.

Durante o dia, haverá muitos programas de televisão, com vários comentadores, apresentando cada um a sua equipa ideal, porque cada um de nós, é um potencial treinador de bancada ou de sofá. Eu também não me excluo de fazer a minha escolha, por isso aqui fica a minha equipa, para iniciar o jogo.

Na baliza o Rui Patrício, na defesa Cédric, Pepe, Ricardo Carvalho e Rafael Guerreiro, se estiver em boa condição física. No meio campo William de Carvalho, Adrien Silva, João Mário e Rafa, depois na frente, o Cristiano Ronaldo e o Nani.

Esta seria a minha equipa ideal, depois em função das incidências do jogo, faria as alterações, necessárias, reforçando os sectores mais deficitários com as entradas de Renato Sanches, Quaresma ou Danilo Pereira.

Claro que não vai ser esta a escolha do selecionador oficial Fernando Santos, mas sejam quais forem os seus eleitos, desejo ardentemente que Portugal ganhe, pela alegria que daria a todos os portugueses, mas sobretudo, aos nossos emigrantes, que, nestas alturas, são quem mais sofre pela seleção. Mais ainda porque atendendo às incidências recentes, são quem  sente na pele alguma xenofobia, que vai alastrando pela Europa e pelo Mundo, donde, esta vitória seria como que um alento de alma, ajudando-lhes a mitigar as dificuldades e a saudade.

Entretanto do outro lado, irá  estar uma seleção que se equipara a Portugal,  não só na sua valia técnica mas também como povo, porquanto a Polónia, é também um país com um dos maiores números de emigrantes espalhados pelo mundo.

Mas como dizia Jorge Sampaio, há vida para lá do Campeonato Europeu de Futebol e eu não consigo esquecer que, há precisamente um ano, estavamos na Turquia, passando duas vezes no aeroporto Attaturk de Instambul, onde esta semana, aconteceu o fatídico atentado, que vitimou tantos turistas inocentes.

Estes acontecimentos trazem-nos sentimentos contraditórios, o primeiro é se devemos ficar no nosso cantinho evitando expor-nos a estes constrangimentos, ou pelo contrário, lutar para que o medo e o terror nos impeça de fazer aquilo de que gostamos, nomeadamente viajar e conhecer outras gentes e outras terras. Eu sou partidário da segunda opção e tal como dizia o poeta – Não há machado que corte a razão ao pensamento, não há morte para o vento, não há morte.

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:45

Junho 25 2016

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Há dias, publiquei na minha página de facebook uma foto da cidade de Chaves, com a legenda, a minha terra é linda, tendo merecido vários “gostos” de amigos, porque gostaram do que viram. Só que afinal esta cidade, faz-nos lembrar aquelas embalagens, que são muito bonitas por fora, mas o seu interior é vazio. As cidades são as suas casas, ruas e monumentos, mas também as pessoas e instituições.

Vem isto a propósito porque os meus sogros, que já ultrapassaram ambos a barreira dos noventa anos, precisando agora de um apoio de maior proximidade, razão pela qual, embora mantendo a residência em Lisboa, temos vindo a Chaves, com maior frequência.

Ora, foi um constrangimento de saúde da minha sogra, que nos levou ao Hospital de Chaves, onde, apesar da rapidez e simpatia com que fomos atendidos, ficamos a saber que em Chaves, não existe atualmente um Serviço de Urologia, nem tão pouco no Centro Hospitalar de Vila Real, para onde por razões economicistas, transferiram uma boa parte dos serviços que, anteriormente funcionavam em Chaves.

Deste modo, um doente que necessite dos serviços de urologia, tem de ser transferido para o Hospital de São João no Porto, independente do seu estado de saúde ou da sua idade.

Esta situação acentua bem as assimetrias existentes, num país tão pequeno como o nosso, onde se gastaram milhões em infraestruturas hospitalares, para depois estarem inativas, enquanto vão proliferando clínicas privadas por todo o lado, muitas delas funcionando com os mesmos médicos que, pertencem aos quadros dessas unidades públicas.

Claro que tudo isto é fruto das políticas neoliberais dos nossos governantes, mas paradoxalmente, vendo os mapas eleitorais, são as pessoas dessas regiões mais desprovidas desses serviços públicos, quem os elegem.

Acho que é tempo de se inverter esta situação, havendo coragem para se implementar a mesma política imposta recentemente no ensino, com a retirada do apoio ao ensino privado, onde existe o ensino público.

Assim e em cumprimento da Constituição Portuguesa, a qual consagra que, o Serviço Nacional de Saúde é também assegurado a toda a população, devem acabar as parcerias privadas, as quais, servem apenas uma parte da população, em especial a mais protegida.

A marcha da cidade de Chaves tem uma quadra que diz “ Para as doenças mais graves, aqui damos a saúde, venham às Caldas de Chaves, as Caldas de mais virtude”. Ora, para que esta quadra não seja letra morta, é necessário que o hospital recupere todas as suas valências, e as centenas de médicos transmontanos e flavienses espalhados pelo país, assumam as suas origens assim como o tributo da terra que os formou.

Na década de setenta, só de uma turma do Liceu Fernão de Magalhães, entraram onze alunos em Medicina. O próprio secretário de estado da saúde Dr. Manuel Delgado é um flaviense e ex-aluno desse liceu.

É urgente que a cidade de Chaves recupere um bom serviço de saúde, mas não só também em outras áreas como a cultura e o lazer, recuperando assim a importância que já teve na história deste país, e os seus habitantes se sintam felizes e seguros, não tendo que andar a correr para o São João ou Clipóvoa, por cada constrangimento de saúde.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 11:36

Junho 22 2016

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Uma das coisas que mais abomino é o sentimento da ingratidão, e este movimento anti Cristiano Ronaldo deixa-me irritado. Todos sabemos que, os resultados do futebol, tal como o de outras modalidades desportivas, tem muitas cambiantes, para se obter resultados positivos, neste caso os golos, não basta só ter o talento e o querer, qualidades que ele tem de sobra, por vezes é necessário ter a sorte do seu lado, embora a sorte tenha de se fazer por ela, não sendo à toa que se diz, hoje estás com a bola toda, ou seja com a sorte.

Claro que, todos sabemos donde parte este movimento anti Ronaldo, ele vem dos adeptos do Benfica, só porque graças a Deus, ele não é benfiquista. Mas os benfiquistas já tiveram o Eusébio que, durante toda a sua vida desportiva, contribuiu apenas para o apuramento da selecção, a uma fase final, ou seja o mundial de 1966. De resto, apesar de todas as conquistas internas e externas no Benfica, no seu tempo a selecção de Portugal, jamais foi a qualquer outra fase final do Europeu ou Mundial.

 Mesmo assim, apesar do Eusébio não ser o detentor de nenhum record, tanto nacional como europeu ou mundial, não deixaram de lhe fazer todas as comendas e condecorações, faltando-lhe apenas a sua canonização, só que essa não depende da vontade dos benfiquistas, mas da cúria romana.

O Cristiano Ronaldo costuma dizer que os golos são como o Ketchup, por vezes é difícil de sair, mas quando sai é em excesso, ora é isso que todos esperamos hoje no jogo de hoje contra a Hungria, que o Ketchup se solte e os anti Cristiano Ronaldo, fiquem rubros de vergonha.

  

publicado por Nuno Santos às 08:31

Junho 15 2016

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Há um ditado que diz que, “os ciganos, não gostam de bons começos para os filhos” ou ainda que, “isto não é como começa, mas como acaba”. Seja como for, o jogo de ontem foi uma deceção para os milhões de portugueses que, o seguiram em todo o mundo.

E nem foi propriamente pelas escolhas do selecionador, pois quanto a isso, cada um de nós teria feito opções diferentes, o facto é que a seleção criou as oportunidades mais que suficientes, para fazer os golos necessários, para vencer o jogo, mas mais uma vez entrou muito mal no campeonato e não demonstrou eficácia, não ganhando à Islândia, justamente, a seleção apontada como a mais fraca do torneio, porquanto, em toda a sua história, a Islândia fez ontem a sua estreia, em fases finais do campeonato europeu.

E se durante o dia, se multiplicaram por todos os canais televisivos, mesas redondas, debates e outros programas de entretenimento, assim como os mal fadados prognósticos, sobre quem é que vai marcar os golos, como se os repórteres de serviço não tenham outro tipo de perguntas, o certo é que depois do jogo, ficamos todos com uma tremenda azia, porque de facto, a seleção, não correspondeu ás expetativas da generalidade dos portugueses.

Quem me conhece sabe que, tenho sempre algum ceticismo quanto à nossa seleção, porquanto em minha opinião, ela tem funcionado um pouco como a montra de um certo empresário, e seja quem for o selecionador, são sempre os seus jogadores quem vão à seleção. O exemplo mais gritante foi o caso de João Moutinho, que, enquanto jogador do Sporting, apesar de ser apontado como o melhor jogador na sua posição, Carlos Queirós não o levou a um mundial, tornando-se só indispensável, desde que mudou de empresário. Ainda agora apesar de ter estado parado durante meses por lesão, e o Adrien Silva estar em grande forma, como o João Moutinho tem ainda o seu futuro incerto no Mónaco, ele é que é o titular, enfim critérios.

No entanto, continuo a torcer pela seleção, por isso espero que, no sábado dia 18, a seleção retifique esta exibição e este resultado contra a Áustria, para depois no dia 22 contra a Hungria, carimbar o passaporte para a fase seguinte.

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:30

Junho 13 2016

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Há muito tempo que este cruzamento, estava identificado como um dos pontos negros da via que, faz a ligação de Outeiro Seco a Chaves, antigamente conhecida como Estrada de Outeiro Seco, depois Avenida do Tâmega, mas também conhecida naquele troço, como a Rua da Senhora da Azinheira.

Toponímia à parte, o facto é que têm sido inúmeros os acidentes ocorridos neste cruzamento, felizmente sem vítimas a lamentar, apenas chaparia e consequentes gastos económicos.

Ora, na impossibilidade de se fazer neste local uma rotunda, a autarquia optou e bem pela colocação de semáforos, tendo já iniciado os trabalhos para a sua instalação. O processo torna-se mais onoroso, porquanto, é necessário refazer a nova paragem do autocarro, a qual entrará pelo recinto da antiga escola primária, hoje convertida em casa mortuária.

Esta obra vem melhorar a segurança dos automobilistas que, diariamente circulam nesta via, mas ao mesmo tempo, aumenta também a sua responsabilidade cívica, tanto mais que agora, com a nova regulamentação da carta por pontos, o não respeito pela sinalização, implica a perda de pontos, mas antes isso que, a perda de vidas.

 

publicado por Nuno Santos às 09:22

Junho 06 2016

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Decorreu ontem no Centro Desportivo das Paivas, concelho do Seixal, o sexto encontro de flavienses, residentes na área metropolitana de Lisboa. Apesar do encontro ir já no sexto ano da sua realização, infelizmente o grupo não tem aumentado, rondando as quatro dezenas de participantes, quase todos da mesma faixa etária, ou seja dos sexagenários. 

Quanto às causas da fraca mobilização, elas poderão ser várias, embora não seja pela sua divulgação, porque atempadamente o Zé Costa, envia dezenas de emails para um sem número de flavienses. Só que, alguns talvez não achem o programa muito apelativo, outros não sintam a necessidade dessa socialização. Mas a organização, essencialmente o Zé Costa, que é quem todos os anos, arca com essa responsabilidade, continua com a vontade de manter o encontro, ficando desde já agendado o próximo, para o primeiro fim-de-semana de junho de 2017.

Apesar de haver muitos repetentes neste encontro, aparece sempre gente nova. Alguns dos presentes, visitam a cidade com regularidade, mas existem outros que, por já lá não terem família direta, e porque também eles vão criando família, com ramificações a outras terras, vão perdendo esse vínculo com a cidade. Porém, não deixa de ser comovedora a forma, como essencialmente esses, relembram pessoas e as situações vivenciadas, durante a fase da sua vida em Chaves.

Claro que por causa da subida do Desportivo à primeira Liga, para o ano, haverá mais vezes o reencontro com muitos dos flavienses que, ontem estiveram nas Paivas, mas é sempre bom rever amigos e relembrar o passado, até porque uma das melhores fases da vida, é a nossa mocidade e a mocidade da maioria dos presentes no encontro, foi passada em Chaves.

A logística foi o trivial, as fêveras e as sardinhas, embora as sardinhas ainda não estejam no ponto, mas não é pela comida que estes convívios são promovidos, eles valem sobretudo, pela socialização e pela animação. Este ano além das concertinas, o nosso amigo Marcolino Pinheiro, que esteve ligado a muitos dos conjuntos de baile que, animaram a nossa juventude, entre os quais os Leaders, desta vez trouxe um amigo, o Artur, um transmontano da Régua com quem continua a tocar na noite lisboeta.

Além disso esteve presente a Alice Barreira que durante muito tempo foi a voz desse grupo e que ontem nos deu um cheirinho em temas da música genuinamente popular, porque ao contrário do que disse o Zé Cid em Trás-os-Montes é onde vão beber muitos dos cantores da boa música popular como a Brigada Vítor Jara, Né Ladeiras e muitos outros.

Como manda a tradição o encontro terminou com a marcha de Chaves, desta vez a Lúcia levava a letra escrita porque infelizmente continua a haver muitos flavienses que não conhecem as duas últimas quadra e que rezam assim:

O castelo é guarda-mor

Sentinela da fronteira

Santa Maria Maior

Ès a nossa padroeira

 

Nossa Senhora das Graças

Por um milagre de Deus

Senhora quando tu passas

As preces caem dos céus

Refrão

Cidade linda……….. 

publicado por Nuno Santos às 12:48

Junho 04 2016

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Há quem defenda que a Estrada Nacional 2 deveria ser a grande via estruturante do país, porque o liga de norte a sul (Chaves-Faro), fazendo-se a partir dessa via, a intercessão com o litoral e o interior. Porém não foi essa a opção e o país, inclinou-se todo para o litoral, havendo autoestradas que, distam menos de dez quilómetros entre elas, como acontece em vários troços da A1 e da A8, visíveis a olho nu.

Atualmente a Estrada Nacional 2, é utilizada como símbolo  meramente romântico, e praticamente utilizada, apenas pelos residentes locais. De vez em quando a EN 2 é notícia porque, em nome desse romantismo, alguém se lembra da sua existência.

Há alguns anos foi João Catarino, um professor e ilustrador que, numa carrinha Volkswagen chamada “pão de forma” percorreu essa estrada, ligando Chaves a Faro, ilustrando vários locais e paisagens por onde passou, escrevendo um livro com 127 páginas, o qual tive o privilégio de adquirir, mas que está atualmente esgotado, merecendo uma nova  reedição.

Hoje um grupo de ciclistas da zona de Coimbra, do qual faz parte o outeiro secano Rui Rio Martins, irão fazer o percurso da estrada nacional 2, tendo como missão, um projecto filantrópico. Eles vão tentar nos locais de paragem, angariar fundos para o Centro de Medicina Desportivo – Rovisco Pais.

Desejamos que a viagem decorra com a maior naturalidade e ao mesmo tempo, que consigam não só dar maior projeção à Estrada Nacional 2, como angariar o máximo de fundos possível para a causa a que se propõem.

 

publicado por Nuno Santos às 09:09

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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