Outeiro Secano em Lisboa

Outubro 28 2016

Prof Lobo Antunes.jpg

 

Já decorreram quase quinze anos, mas a notícia de ontem anunciando a morte do Prof. João Lobo Antunes, trouxe-me à memória, um dos momentos menos bons da minha vida familiar, ainda que, com um final feliz.

A minha mulher queixava-se com frequência de dores de cabeça, pese embora seja uma situação normal nas mulheres, quando ainda estão no seu período fértil, as dores dela eram sobretudo causadas por aturar vinte e cinco galferros, dentro de uma sala de aula.

Mas como as queixas eram permanentes, para fazer o seu despiste, um dia pediu ao seu médico assistente a requisição de um TAC – Tomografia Axial Computorizada. Estávamos no mês de dezembro, bem próximo do Natal, de tal modo que, o resultado do TAC, chegou na véspera da nossa viagem para Chaves, onde todos os anos, passamos o Natal com a família.

A minha mulher tem por hábito, abrir os envelopes dos exames, ainda que não saiba interpretar as imagens,  pois parecem-lhe figuras geométricas, costuma ler os relatórios técnicos antes de os mostrar ao médico assistente e requisitante.

Nesse dia mal cheguei a casa com o envelope do exame, embora o jantar já estivesse pronto, assim como a bagagem arrumada para a viagem da manhã seguinte, ela cumpriu o seu ritual e abriu o envelope,  lendo o relatório.

Enquanto lia o relatório a sua voz foi ficando cada vez mais sumida,  e o seu rosto pálido, quando leu a palavra meningioma, embora não soubesse bem o seu significado, associou-a logo a uma coisa má.

Embora a mesa já estivesse posta, já não jantamos. No prédio vive uma enfermeira nossa amiga, a Ana Bela, que, na época trabalhava no departamento de neurocirurgia do Hospital Santa Maria, chegando a fazer parte da equipa do Prof. Lobo Antunes. Fomos logo a sua casa, para que nos fizesse uma leitura mais técnica do relatório.

A Ana Bela confirmou-nos a existência do meningioma, contudo desvalorizou-o dizendo-nos que, era benigno, com pouca dimensão e tinha uma boa localização, porquanto, não estava em compressão com o cérebro. Só que o jantar desse dia já não se engoliu, da mesma forma que, tivemos uma noite, muito mal dormida.

Ao Prof. João Lobo Antunes como a quase todos os seus irmãos, nas diversas actividades que desempenhavam, pois nem todos eram médicos, era a Nucase, empresa onde eu trabalhava, quem lhe tratava dos assuntos contabilísticos e fiscais, desse modo, a mim como funcionário da Nucase, era-me fácil ter acesso aos seus serviços.

Na manhã do dia seguinte, já não fizemos a viagem para Chaves, e tendo a minha colega e amiga Maria Mestra, como intermediária, conseguimos logo uma consulta com o Prof. João Lobo Antunes, na Cuf Infante Santo.

Após a análise dos exames, o Professor confirmou o diagnóstico da nossa amiga Ana Bela, e quando a Celeste lhe perguntou, se podia ir passar o Natal a Chaves, ele em tom divertido disse-lhe.

- Oh filha, podes ir a Chaves e comer um presunto inteiro!

Porque se tratava de um meningioma benigno e de pequena dimensão, recomendou fazer um acompanhamento anual. Assim durante seis anos seguidos, visitávamo-lo na Cuf, até quando ele achou que o meningioma estava a crescer, e decidiu extraí-lo através de uma cirurgia.

Por tudo isto, o Prof. João Lobo Antunes ficará perpetuado para sempre nas nossas memórias, mas sobretudo na cabeça da Celeste, onde tem uma cicatriz com vinte e três pontos.

Paz à sua alma.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 11:06

Outubro 23 2016

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Não é meu hábito dizer mal do meu clube, mas após o resultado de ontem com o modesto Tondela, na senda de outros resultados mal sucedidos, impõe-se-me fazer uma crítica ao desempenho de alguns jogadores, porque, apesar das poucas mudanças operadas, não parecem os mesmos da época passada, mas também a algumas das opções do técnico Jorge Jesus.

Bem sei que todos nós somos treinadores de bancada, mas eu estou à vontade para fazer esta crítica, porquanto, não fui apoiante do atual presidente, nem da aquisição milionária deste treinador, tanto mais que o Sporting já ficou em segundo lugar com outros treinadores, mas com salários  muito inferiores.

Bruno de Carvalho embora até ao momento tenha sido um razoável presidente do clube, porque galvanizou os sócios que andavam desmotivados e finalizasse o processo de reestruturação financeira, o qual já estava em curso na anterior direção, iniciou a construção do pavilhão desportivo, uma promessa sucessivamente adiada noutras direções. Porém esse êxito está longe de ser obtido na gestão da SAD - Sociedade Anónima Desportiva, a entidade que superintende a gestão do futebol, ainda que essa gestão ao que parece seja partilhada com o técnico.

Em minha opinião ambos têm gerido mal a dispensa e aquisições de jogadores, tendo dispensado jogadores de elevado potencial e adquirido outros, sem valor para representar o Sporting. Outra prática de gestão que não tenho apreciadi, são as sucessivas guerrilhas com o Benfica, as quais não tem trazido qualquer valor acrescentado

Quanto aos jogadores, este ano praticamente não temos um defesa esquerdo, contudo foi dispensado o Jonathan Silva, um jovem internacional  argentino assim como o Ricardo Esgaio que, na seleção sub 23 joga na direita e na esquerda, também não faz parte das opções do técnico.

No meio campo dispensaram o João Palhinha e o Yuri Medeiros, readquirido o Elias que na sua primeira passagem pelo Sporting, provou não ser jogador para o nosso clube, assim como o Petrovic, outro jogador que nos jogos que já realizou, demonstrou não ter valor nem qualidade para as exigências do Sporting..

E se não se questionam as vendas de Sliman e do João Mário, atendendo às mais-valias realizadas, porém, já questiono as aquisições do André Filipe, Jean Campbel, Castaignos e Markovic, porque face aos elevados salários que auferem, não têm acrescentado nada, quando dispúnhamos de jovens da nossa formação, como Carlos Mané, Podence e outros.

Eu gostava que o Sporting se focasse exclusivamente na sua gestão interna, e esquecesse as guerras estéreis com o rival Benfica, porque os três pontos do Tondela ou do Guimarães, valem tanto como os três pontos com o Benfica ou com o Porto.

Ainda a propósito das bicadas no rival, qual o interesse do Sporting na aquisição do Nélson Évora! Quando este atleta já está com 32 anos. Será que é para utilizar o nosso departamento clínico? Com todo o respeito pelo passado desportivo do Nelson Évora, mas sinceramente, não vejo qual o interesse desportivo, a não ser aumentar a rivalidade.

Ora, com estes resultados obtidos eu temo que o Sporting, volte a cair no marasmo dos anos anteriores, pois até agora a única coisa que aumentou, foi a folha salarial.

publicado por Nuno Santos às 16:43

Outubro 22 2016

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José Pedro Gomes é um ator a quem se pode chamar imortal, e nem é tanto pela sua fama, pese embora o seu enorme prestígio, granjeado com os êxitos obtidos na sua vida artística, mas porque já fintou a morte por duas vezes, primeiro em 2005 e agora em 2016, ressuscitando sempre com as capacidades a que nos habituou.

Desta vez chegou a estar em coma induzido mais de um mês, razão porque num dos diálogos do espectáculo agora em cena, ele diz com humor que, gosta muito de dormir e ainda recentemente, dormiu um mês seguido.

José Pedro Gomes tem uma carreira vasta, recheada de grandes êxitos, tanto em espetáculos coletivos como a solo, embora o grande público o recorde mais, das suas parcerias com António Feio, que, ao contrário de José Pedro Gomes, não conseguiu fintar a morte, tendo terminado a parceria em 2010.

Dois grandes êxitos dessa parceria foram “ O que diz Molero” e as Conversa da Treta. As Conversas da Treta iniciaram-se numa série na televisão, daí saltou para o palco, enchendo durante várias sessões o Coliseu, na época a maior sala de espetáculos de Lisboa, mas percorrendo também o país, terminando depois no cinema.

O modelo desse espectáculo foi agora retomado com o título de “Filho da Treta”. Os textos sãos dos mesmos autores de Conversa da Treta, mas com temas em consonância com a atualidade. Nesta representação o Zé Pedro Gomes continua a ser o Zé Zé e a parceria é agora com António Machado, representando o papel de Júnior numa pretensa homenagem a António Feio, esse grande ator desaparecido precocemente.

O espetáculo está por agora no Auditório do Casino de Lisboa, mas segundo os seus promotores, irá andar pelo país. Quem tiver a oportunidade de assistir não perca este espetáculo, pois são quase duas horas de boa disposição.

   

publicado por Nuno Santos às 10:44

Outubro 21 2016

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Há dias encontrei em Montalegre, na casa do meu amigo Zé Augusto Francisco este estojo de injeções, um objeto que me trouxe muitas recordações da infância, porquanto, existiu um estojo igual em nossa casa, o qual tratou da saúde de muitas pessoas da aldeia.

Apesar da curta distância entre a nossa aldeia e a cidade, a menos de uma légua, há muitas décadas atrás, os serviços de saúde eram escassos, contavam-se pelos dedos das duas mãos e sobravam dedos, os médicos existentes em Chaves, de modo que, primeiro o meu avô Eurico, depois os meus tios Adelino e Norberto, foram durante anos o João Semana, o médico rural criado por Júlio Dinis nas Pupilas do Senhor Reitor.

Os seus pacientes nem sempre eram pessoas, muitas vezes era uma vaca ou uma porca que se fizera mal parida, ou outro animal que, contraíra uma moléstia, mas que se não fosse tratado e morresse, afetaria de sobremaneira, a economia doméstica dessa família.

Muitas vezes acompanhei o meu avô nessa tarefa, fazíamo-lo à noite pelas ruas da aldeia pouco iluminadas e enlameadas ou com estrumeiras, quando o meu avô chegava do trabalho na Repartição de Finanças de Chaves. Quando o paciente se podia deslocar, era ele que ia a nossa casa levar a injeção, caso contrário, era o meu avô quem ia a casa do paciente, embora fosse a prestação de um serviço, os honorários que recebia era um obrigado senhor Eurico, e que Deus lhe pague.

Tanto o meu avô como depois os meus tios não tiveram formação tecnica para este serviço, mas faziam-no com mestria e sentido de responsabilidade, não sendo conhecido qualquer constrangimento, na aplicação deste ato, hoje só possível por tecnicos especializados como os enfermeiros.

Ainda me recordo do processo utilizado antes da injeção, à família do paciente era pedido um prato e álcool puro se o tivessem, caso contrário, o meu avô já o levava de reserva. Na tampa do estojo colocava-se a agulha e uma porção de álcool o qual se acendia para esterilizar a agulha.

Curiosamente nessa altura não se conheciam infeções causadas por esse equipamento, atualmente segundo informações divulgadas hoje, morre-se mais por infeções contraídas nos hospitais, do que em acidentes de viação.O meu pai foi vítima dessa situação, porquanto, em resultado de uma cirurgia ortopédica, faleceu no hospital, vítima de uma infeção generalizada.

publicado por Nuno Santos às 18:34

Outubro 20 2016

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Esta semana decorreu mais uma jornada da Champions League, com sorte diferente para as três equipas portuguesas em prova, e digo sorte, porque estes dois fatores da sorte e do azar, estão muito ligados aos resultados dos jogos, sejam eles de futebol ou outro jogo qualquer.

Nesta jornada Benfica e o Porto com maior ou menor dificuldade, venceram os seus jogos, mas para meu pesar, o Sporting perdeu por 1-2 com o Borrússia de Dortmund, onde, apesar das diferenças orçamentais entre as duas equipas, o desfecho esteve apenas na eficácia, na falta de sorte, mas também, em algumas decisões dúbias da equipa de arbitragem, invalidando um golo ao Sporting e não marcando um penalti a seu favor.

Porém a má sorte do Sporting ficou traçada, logo no sorteio dos grupos, saindo-lhe o pior grupo possível, ou seja, o Real Madrid, Borrússia de Dortmund e Légia de Varsóvia. Mesmo assim em Madrid, o Sporting esteve a ganhar até ao minuto 89, realizando uma exibição muito superior ao Real Madrid, soçobrou apenas nos últimos cinco minutos do jogo, sofrendo dois golos, um deles marcado de livre pelo Cristiano Ronaldo, proeza que o CR7 já não cometia, havia muitos jogos.

Como é habitual e sempre que o Sporting joga em Alvalade, eu lá estive na terça-feira em Alvalade, assistindo ao jogo do Sporting-Borrússia de Dortmund, o segundo classificado da Bundesliga alemã. Ora, a diferença no poder económico das duas equipas expressava-se logo nas bancadas, porquanto, os alemães trouxeram a Lisboa quase cinco mil apoiantes,  quando nenhuma equipa portuguesa consegue arrastar tão numeroso apoio, quando se desloca ao estrangeiro, nem com a ajuda dos emigrantes, o que não era o caso.

De salientar o excelente fair play entre os adeptos, em convívio nos bares e nas roulottes, onde os alemães puderam degustar a nossa cerveja, quase sempre em copos gigantes. Esse fair play esteve  em contraste com os jogadores alemães na fase final do jogo, quando em face do resultado tangencial que, se verificava, tiveram uma atitude de equipa pequena, recorrendo a todos os meios de antijogo, simulando lesões e queimando tempo e ritmo de jogo.

Costuma dizer-se que no futebol são onze contra onze e no fim ganham os alemães. Claro que nem sempre é assim, mas infelizmente contra os portugueses, quase sempre é isso que acontece.

publicado por Nuno Santos às 18:16

Outubro 17 2016

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Há tempos li no jornal a Voz de Chaves, um artigo da autoria de Julio Braz, presumo que seja extraído de um livro escrito por este autor, sobre o românico no concelho, o qual não tive ainda o privilégio de ler. Para repor algum rigor histórico escrito na publicação, enviei este artigo para o Diretor do Jornal do qual sou assinante, mas não se dignou publicá-lo, razão pela qual o publico agora no meu blogue.

Embora tenha gostado da referência à Igreja da Nossa Senhora da Azinheira, por se tratar do ex-libris da minha terra, como outeiro secano desgostou-me o facto do autor do artigo, em parte alguma do texto, ter feito qualquer menção a Outeiro Seco, quando a própria Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, hoje com outra nomenclatura, no seu Boletim n.º 112, editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda no ano de 1964, referencia esta igreja como; Igreja de Nossa da Azinheira de Outeiro Seco – Chaves.

Além da omissão do nome de Outeiro Seco, o artigo contém ainda outras imprecisões. Desde logo, a igreja não está localizada na estrada que conduz a Vila Verde da Raia, pois essa via só começa umas centenas de metros adiante e tem como toponímia, Estrada das Antas, quanto muito a igreja está localizada na estrada que, conduz a Vilela Seca.

Claro que com as novas dinâmicas tudo muda, nomeadamente os nomes das ruas por isso, a igreja situa-se agora na Rua da Senhora da Azinheira, que começa no alto do Cruzeiro e termina no lugar das Alminhas. A partir das Alminhas a via passou a designar-se Avenida do Tâmega, embora o seu estado de conservação, não esteja em conformidade com a designação de avenida, antes o nome dessa via era Estrada de Outeiro Seco, nome que ainda aparece em algumas moradas comerciais.

Outra das imprecisões prende-se com a menção aos seus anos do restauro. Quando o autor escreveu que, no ano de 1963 “foi retirado o alpendre da frontaria, desmontado o campanário, demolido o coro, excluído o altar-mor de talha dourada e fixadas algumas pinturas em paneis móveis” esse restauro ocorreu no ano de 1937, quando a igreja correu sérios riscos de ruir, na sequência de um incêndio na sua cobertura, provocado por um foguete da festa. Foi na sequência desse restauro, realizado no ano de 1937, que, a igreja foi classificada pela Direção Geral dos Monumentos Nacionais, passando a sua administração para a esfera pública.

Na época viviam-se tempos difíceis causados pela 2ª Guerra Mundial e pela guerra civil na vizinha Espanha. Em Portugal apesar de não entrarmos na guerra os recursos eram escassos e vivia-se até em racionamento, daí que as obras na cousa pública, ou eram feitas pelas populações locais, ou eventualmente por algum mecenas, que, tivesse enriquecido no Brasil.

Só que em Outeiro Seco nunca houve mecenas, e as obras de que a igreja carecia, eram de grande monta, razão porque a população andava preocupada, vendo a destruição acelerada da sua igreja. Os fundos angariados localmente eram poucos para a realização da festa, uma tradição tão enraizada na aldeia, não havendo memória, de que em algum ano, a festa não se tenha realizado.

Por essa altura viviam no solar dos Montalvões, o Dr. José Maria Ferreira Montalvão e D. Ana da Conceição Morais Alves. O Dr. Ferreira Montalvão era um grande proprietário, não só em Outeiro Seco, como noutras aldeias vizinhas, dizendo-se até que ele era o maior pagador de “décima” contribuição predial, do distrito de Vila Real. Só que infelizmente o Dr. Montalvão, nunca foi um mecenas, e o povo deve-lhe pouco, o mesmo não se pode dizer da alguns dos seus filhos, os quais doaram alguns bens à aldeia.

A sua mulher conhecida pelo povo como Donana, era amiga de infância de D. Maria do Carmo Ferreira da Silva, uma ilustre flaviense conhecida como Madame Carmona, por ser casada com o Presidente da República da época, o Marechal Óscar Carmona. Esta vinha todos os anos a banhos ao Vidago e a Chaves visitar a família, aproveitando para visitar também sua amiga, no solar de Outeiro Seco. Assim no ano de 1936, numa das suas presenças no solar, uma comitiva de outeiro secanos, chefiada por Miguel Sanches, solicitou uma audiência à Madame Carmona, pedindo-lhe que fizesse algo para recuperar a igreja, antes que esta ruísse totalmente, tal o seu estado de degradação.

O pedido caiu fundo em Madame Carmona, de tal forma que, após o seu regresso à capital, ela moveu influências e o restauro aconteceu. Mas lá diz o ditado “Não se pode agradar a gregos e troianos” por isso, ainda há na aldeia quem conteste as alterações introduzidas na igreja, quando da sua restauração, nomeadamente, da retirada do altar-mor, do cabide e do campanário. Eu não comungo dessa opinião, porquanto, este restauro, restituiu à igreja a sua forma primitiva, ou seja o seu estilo românico. 

Atualmente o seu interior está bastante degradado, nomeadamente os seus frescos, mas quando da governação do Eng.º Sócrates e da adjudicação do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Elétrico, sobretudo na bacia do Tâmega, a Iberdrola comprometeu-se como contrapartida dessa adjudicação, requalificar todo o património românico a norte do Douro, onde se incluía a Igreja da Senhora da Azinheira.

Por isso aguardamos o cumprimento dessas contrapartidas, esperando que não aconteça, como as contrapartidas da compra dos famigerados submarinos.

 

 

publicado por Nuno Santos às 17:22

Outubro 16 2016

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esgotos.jpeg

Foto de Humberto Ferreira

 

Há já alguns anos que eu venho assistindo e apoiando, a denúncia do nosso conterrâneo Humberto Ferreira, quanto à falta de qualidade do PEC – Parque Empresarial de Chaves localizado em Outeiro Seco, no tocante às descargas dos seus esgotos, os quais escorrem a céu aberto na vala de enxugo, a que nós outeiro secanos chamamos, Rigueiro do Cego.

Este curso de água agora putrificado e nauseabundo foi no passado, um autêntico viveiro de várias espécies de peixes, onde faziam a sua desova. Conheço vários os episódios passados no rigueiro do cego relacionados com a pesca dessas espécies, mas deixo-vos aqui um episódio passado comigo, já lá vão mais de cinquenta anos.

Nessa época, a maioria dos homens do campo usavam como calçado de inverno, os socos, cuja base era feita em pau de amieiro e a parte superior em cabedal. Para aumentar a sua durabilidade assim como o isolamento perante a água, os socos eram besuntados com sebo, uma gordura animal, extraída na matança dos porcos ou dos cordeiros da festa. As mulheres também usavam socas de madeira, mas com algumas diferenças. Enquanto os socos dos homens quase cobriam o calcanhar, terminando em forma de V, as socas das mulheres eram mais abertas, cobrindo apenas o peito do pé e o cabedal em vez de ensebado, era pintado com um verniz preto.

Aos seus fabricantes chamavam-lhes soqueiros e na região de Chaves havia vários na aldeia da Torre de Ervededo. Em Outeiro Seco também chegou a haver um soqueiro, foi o senhor Augusto Bouças, embora não fosse um outeiro secano de origem, aqui casou e viveu grande parte da sua vida.

Por meados da década de sessenta, começaram a aparecer as galochas, umas botas de cano alto em borracha, que por força das suas caraterísticas isolantes, permitiam pisar e atravessar pequenos cursos de água, sem necessidade de se descalçar.

O meu pai que, em matéria de inovação, gostava de estar sempre na vanguarda, acabara de comprar umas galochas, sendo das primeiras da aldeia. O senhor Zé Pispalhas seu vizinho e amigo trazia de renda um lameiro no Campo Lavrado, confinante com o Rigueiro do Cego, mas, todos os anos tinha de concertar as abertas, para melhor irrigar o lameiro, com a água do rigueiro.

Sabendo que o seu amigo Roxo, nomeada pela qual era conhecido o meu pai, já tinha umas galochas, pediu-lhas e sugeriu que eu fosse com ele, tocando as nossas vacas para o seu lameiro. De modo que era dois em um, em troco do pasto, emprestava-lhe as botas e eu guardava-lhe as vacas.

Andando ele na tarefa de reparar a aberta, viu subir o rigueiro uma espécie animal. Inicialmente até lhe pareceu ser uma cobra, mas em breve reconheceu tratar-se de uma enguia. Eufórico largou a enxada e com as duas mãos agarrou a enguia, só que não contou com a viscosidade da pele do animal, assim, em vez de atirar com ela para o lameiro e imobilizá-la com os pés ou com a enxada, decidiu erguê-la mostrando-me o belo troféu que, acabava de ganhar.

Nesse mesmo tempo, a enguia fletiu o dorso para a esquerda e para a direita soltando-se-lhe das mãos, e retomando o curso de água, desaparecendo num ápice, para grande deceção e frustração do Sr. Zé Pispalhas.

Durante anos sempre que nos encontrávamos ele recordava o episódio.

- Oh Nuno e aquela enguia no Campo Lavrado! Que bem me fintou.

Esta semana fui surpreendido com uma notícia no jornal A Voz de Chaves, de que o Parque Empresarial de Chaves foi eleito a nível nacional, para integrar a iniciativa “Selo de Qualidade e+”, uma medida que o pretende qualificar e dinamizar.

Claro que tal medida deixa-me satisfeito, mas quem conhece a situação do parque no tocante aos esgotos, ainda recentemente denunciada também pela QUERCUS, não pode deixar de demonstrar estranheza por tal qualificação, pese embora essa qualificação, seja apenas a nível do serviço energético.

Eu ainda não li nem ouvi nenhuma medida, para a reparação deste crime ecológico, o qual dura há já vários anos e vários mandatos autárquicos, tanto mais que as subestações estão feitas, faltando apenas a ligação dos esgotos do Parque até ao lugar da Ribeira. Quando tal obra for feita, então a certificação do parque será plena e talvez o Rigueiro do Cego, volte a ser de novo um lugar para a desova dos peixes do rio Tâmega.

publicado por Nuno Santos às 07:53

Outubro 14 2016

monumento.jpg

Musicos.jpg

 

A maioria das nossas cidades têm um monumento, em memória dos combatentes da Grande Guerra. O de Chaves está situado numa rotunda bem próximo do cemitério, onde também existe um talhão dos combatentes. Esta rotunda é uma das artérias mais emblemáticas da cidade e está na justa proporcionalidade para Chaves, como a rotunda do Marquês de Pombal para a cidade de Lisboa, ou a Rotunda da Boavista para a cidade do Porto.

Tal similitude não se verifica apenas no trânsito que por aqui circula, mas também porque é aqui, onde se celebram os êxitos desportivos, como aconteceu no verão passado, primeiro comemorando-se a subida do Desportivo de Chaves à 1ª Liga, depois, a conquista do título Europeu pela nossa selecção, um feito que contagiou o país de norte a sul.

Ora, porque esta rotunda é um local de passagem não só de viaturas, mas também de muitos transeuntes, agora às quartas-feiras e aos sábados de manhã, este local ganhou uma nova atração, dada por um grupo de músicos amadores, todos com idade sénior. Estes músicos movidos apenas pela paixão da música, encontram-se bissemanalmente na arcada do Edifício Nova Iorque, no lado poente da rotunda,provavelmente à falta de outro local para ensaio.

Assim e sem qualquer maestro ou regente, o grupo que inicialmente se compunha de dois acordeões e um bombo, tem vindo a crescer, sendo já quase uma dezena elementos com novos instrumentos, entre os quais; um clarinete, ferrinhos, pandeiretas e outros instrumentos e para ser uma tuna, já só falta um vocalista.

Quem ali passa acha graça à iniciativa parando por instantes, ouvindo a improvisada orquestra. Quem não acha tanta graça, são os profissionais que trabalham no edifício, onde funcionam vários escritórios de serviços, desde consultórios médicos e advogados, havendo já a circular um abaixo-assinado, a fim de por cobro a estes concertos bissemanais. Não sei se é uma das signatárias, mas a D. Celestinha do Quiosque, face ao reduzido reportório do grupo, costuma dizer-me.

 – Já viu Isto! É vira o disco e toca o mesmo.

Indiferente ao som ambiente o monumento lá está, vetusto e imponente, em homenagem aos ex-combatentes que, sem saberem qual o propósito, foram combater para terras de França, onde anos mais tarde outros portugueses, seus filhos e netos haveriam de ir, mas para ganhar o pão e a sua subsistência.

publicado por Nuno Santos às 21:06

Outubro 08 2016

Orquestra.jpg

 

Outeiro secanos.jpg

 

Há dias nas vésperas do jogo do Desportivo de Chaves com o Benfica, numa reportagem efectuada pela RTP em Chaves, onde por acaso eu tive a ocasião de participar, o Prof. Guedes com formação em desporto dizia que, o futebol, secava tudo à volta.

Com efeito, hoje eu tive ocasião de constatar isso mesmo, porque jogando a selecção, ainda que fosse com a Andorra, onde a vitória era um resultado anunciado, de tal forma que Portugal ganhou por 6-0, tudo o restante que se passou em Chaves, não teve qualquer relevância.

Assim e depois de durante o dia ter havido o Festival de Literatura, às 18,00 horas procedeu-se ao lançamento do livro “Contra as ordens de Salazar”, cuja personagem principal do livro é um flaviense, e o próprio autor embora lisboeta de nascimento, é casado com uma flaviense, contavam-se quase pelos dedos das duas mãos, as pessoas presentes. O mais lamentável é que não estava presente ninguém do executivo camarário, embora como já disse, o Tenente Seixas personagem central do livro ser um flaviense, o qual teve uma ação semelhante à de Aristides Sousa Mendes, salvando centenas de espanhóis de morrerem, durante a guerra civil espanhola, às mãos dos falangistas.

Pese embora tivesse sido o Tenente Seixas um herói, não existe qualquer referência do seu nome na cidade, nem um memorial nem o seu nome numa rua, apenas a sua campa no cemitério velho.

Já quanto a Aristides Sousa Mendes, sabemos que a evocação do seu nome e o facto de não ter caído também no esquecimento, não se deveu às autoridades portuguesas, mas à comunidade judaica americana, em tributo dos milhares de judeus que salvou.

Hoje foi também o Dia Mundial dos Castelos tendo-se a Câmara Municipal de Chaves, associado à efeméride, promovendo um programa para a sua celebração. Desse programa constava o acesso livre ao castelo, e ainda, um concerto pela Orquestra de Sopros da Academia de Música de Chaves.

O concerto foi espetacular, só que o público presente, contavam-se mais uma vez pelos dedos das mãos. A certa altura éramos apenas os funcionários da Câmara escalados para o serviço e quatro outeiro secanos, que, embora residentes em Lisboa, estão de férias em Chaves.

Ora, como estes eventos são promovidos na Agenda Cultural e nas redes sociais, não deveriam merecer um maior interesse dos flavienses residentes! Justamente hoje que, apesar de já estarmos no outono, até esteve uma noite de verão.

Mas que será que tal como disse o Prof. Guedes é mesmo assim, o futebol seca tudo à volta! Eu por acaso também gosto muito de futebol, tanto mais que sou o sócio 404 do Desportivo e 11.813 do Sporting, mas acho que há mais vida para lá do futebol.

 

 

publicado por Nuno Santos às 00:16

Outubro 05 2016

Foto Tio Fernando i.jpg

 N 12-04-1929 F 04-10-2016

 

Faleceu ontem Fernando André o seu corpo encontra-se em camara ardentena capela mortuária de Outeiro Seco e o seu funeral será realizado hoje dia 5 de outubro às 15 horas, na igreja da Sra da Azinheira.

Sentidos pêsames a toda a família enlutada filhos e netos, família à qual eu tenho o prazer de pertencer, pois Fernando André era viúvo da minha tia Ester Afonso.

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:49

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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