Outeiro Secano em Lisboa

Novembro 29 2016

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Vá lá saber-se porquê mas um dos acontecimentos que, não deixa ninguém indiferente em Outeiro Seco, é a chegada do rio pequeno. Isso vale tanto para os outeiro secanos residentes, como para os não residentes, disso me vão dando testemunho quer em comentários no blogue como pessoalmente quando nos encontramos na terra, ainda que atualmente, a importância do rio na vida das pessoas, seja agora muito secundária, porquanto, com a instalação  da água e saneamento nas casas da aldeia, a importância do rio esteja reduzido apenas, a um valor paisagístico.

No passado tudo  era bem diferente, pois era no rio, onde as mulheres lavavam a sua roupa doméstica, em especial os cueiros dos recém nascidos e nasciam muitos nesse tempo,  só no ano de 1955 o ano em que eu nasci, entre rapazes e raparigas nascemos vinte e dois.

Era também no rio, onde as leiteiras lavavam os cântaros, onde diariamente transportavam o leite que vendiam de porta a porta na cidade. No inverno por altura das matanças e com temperaturas por vezes negativas, enquanto os homens saboreavam o sangue d porco cozido com alho, as mulheres iam para o rio lavar as tripas com que se fazia o fumeiro.

No verão os garotos banhavam-se nos no lugar dos Pelames, e os proprietários confinantes com o rio regavam as suas hortas através de processos manuais como baldões ou garabanos, deste modo o rio pequeno entrava na economia doméstica de toda a comunidade.

Praticamente tudo isso passou, exceto a curiosidade de saber se o rio já chegou, um fenómeno extensivo a outras terras, tal como se constata na canção Postal dos Correios do João Monge, cantada pelos Rio Grande.

Curiosamente, também nós também temos um rio grande, o rio Tâmega só que esse graças a Deus não seca, embora esteja a precisar de uma requalificação das suas margens tal o estado em que ficou devido à exploração de inertes durante as últimas décadas do século passado.   

Por este ano o rio já corre de novo debaixo da ponte, assim como nas poldras, porém nas poldras do Papeiro não é possível atravessá-las, porquanto, foram derrubadas três e nunca foram levantadas.

 

publicado por Nuno Santos às 09:52

Novembro 28 2016

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O facto de ter estado ausente do país durante duas semanas, impediu-me de fazer este post mais cedo, sendo este a minha homenagem ao grande Comandante Fidel Castro, que, juntamente com Che Guevara, foram dois ícones que me acompanharam desde a minha juventude e ambos figuras marcantes do século XX.

Obviamente que há, quem não se identifique com os ideais que Fidel Castro, porém em toda a parte do Mundo, mas sobretudo na América Latina, reconhecem o seu carisma e liderança, sendo inclusive o elemento catalisador doutras revoluções, em países subjugados pelo colonialismo.

Em minha opinião e por força do embargo imposto pelos Estados Unidos, o seu vizinho mais próximo e a maior potência mundial, impediu que se possa fazer com justeza e rigor, uma avaliação aos ideais e medidas aplicadas em Cuba. Por causa do embargo, os cubanos viveram sempre com alguma escassez de bens materiais, mas não deixa de ser verdade que o regime de Fidel Castro, proporcionou a todos os cubanos regalias sociais que, noutros países, estão apenas acessíveis a algumas elites.

Dessas medidas destacam-se a taxa de analfabetismo zero, assim como a gratuitidade do ensino e da saúde, medidas das quais até os portugueses beneficiaram ao fazerem protocolos com os governos portugueses, quer recebendo médicos cubanos para suprirem carências de médicos em regiões mais desfavorecidas, mas também beneficiando dos seus conhecimentos científicos na área da saúde, em particular na oftalmologia.

Durante muitos anos, acalentei a esperança de visitar Cuba, uma viagem que para mim, seria uma espécie de homenagem ao grande comandante, mas, por circunstâncias várias, nunca se proporcionou fazer essa viagem, com o seu desaparecimento perdura essa nostalgia e o fim desse sonho, pelo que só me resta dizer “Hasta Siempre Comandante”.

 

 

publicado por Nuno Santos às 17:40

Novembro 19 2016

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Apesar de me encontrar na Holanda, não deixei de vibrar com a vitória do nosso Desportivo sobre o Futebol Clube do Porto, assim como a consequente passagem aos oitavos de final da Taça de Portugal. Segui o jogo pela Internet, com um sofrimento tremendo, embora compensado pelo resultado final.

Em face do que vi, não me custa admitir que, o Futebol Clube do Porto teve a seu favor, além de um plantel com um orçamento muito superior, teve também as estatísticas do jogo. Só que em futebol, não há vitórias morais, pois só conta as que entram, e o Desportivo no final ganhou por 3-2 sendo esse o resultado que, vai ficar para a história.

Este ano, já tive o privilégio de assistir a vários jogos em casa do Desportivo, nomeadamente com o Benfica, onde as incidências do jogo até nos foram favoráveis, ao contrário dos resultados, estou a lembrar-me com o Setúbal, Feirensee mesmo o jogo com o Benfica, que nos ganhou por 2-0, independente das nossas oportunidades e das duas bolas aos postes.

Claro que até à Final da Taça, ainda há muito jogo pela frente, mas era bom que o Desportivo viesse mais uma vez ao Jamor, pois seria um sinal de afirmação do interior perante o litoral, tão discriminado que é em matérias de desenvolvimento sustentável, razão pela qual obriga ao êxodo de tantos transmontanos, e de outras regiões interiores.

Se eventualmente o Desportivo chegar à Final, gostaria que fosse com o Sporting, outro dos meus clubes de eleição. Assim, além da merenda sempre agradável que se comeria nesse dia, o resultado qualquer que fosse seria sempre bom para mim, ainda que gostasse mais que ganhasse o Desportivo pois seria o seu primeiro troféu, enquanto que o Sporting já tem 8.

Força Chaves e como dizia o saudoso José Dias da Electro Flávia aos altifalantes nos dias de jogo - Chaves! Chaves! Chaves!  À vitória! À vitória! À vitória.

 

publicado por Nuno Santos às 09:23

Novembro 18 2016

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Apesar do outono estar já bastante avançado, ainda não há novidades, sobre a chegada do nosso rio pequeno, que,  como as aves de arribação, desaparece todos os anos por altura do verão, só regressando sem aviso prévio, por altura dos Santos.

Mas por causa das alterações climatéricas que, têm influenciado o meio ambiente em todo o planeta, o nosso rio pequeno não deixa de também sentir essas influências,  de tal forma que em finais do mês de junho passado, quando noutros anos o rio já estava seco, este ano ainda  corria e com um caudal tal que, quase cobria as poldras no Papeiro.

Ora, a razão deste meu post, é precisamente por causa das poldras do Papeiro, as quais, como se veem na foto, têm umas três caídas, há já varios anos. Eu já por mais de uma vez fiz esse reparo, mas infelizmente e até ao momento, o reparo ainda não teve qualquer acolhimento.

Mas como se diz que "água mole em pedra dura, tanto dá até que fura" aqui fica mais uma vez o reparo, a quem de direito, para que antes que o rio volte a correr debaixo das pontes, as poldras possam ser reerguidas. Bem sei que atualmente as poldras já não têm a utilidade prática do passado, quando eram praticamente utilizada pelos garotos do Bairro, na maioria das vezes, em brincadeiras que depois lhe saiam caras, nomeadamente, quando chegavam a casa todos molhados, porque na sua travessia caiam ao rio, por isso, não se livravam de uns cuziotes das mães.

Mas as poldras, fazem parte do património da aldeia e todo o património deve ser preservado, quer seja material ou imaterial.

  

publicado por Nuno Santos às 15:37

Novembro 14 2016

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Como é costume, este ano também tivemos o Verão de São Martinho, associado à lenda de que “ Num dia muito chuvoso e frio de outono, o São Martinho à época um soldado romano, terá rasgado metade da sua capa e dado a um mendigo, a fim deste se resguardar do frio. De Imediato, o dia chuvoso e frio transformou-se, num dia de resplandecente sol quente”. Desde aí a alteração meteorológica que, normalmente acontece sempre nesta época do ano, passou a chamar-se, como o Verão de São Martinho.

Mas se a lenda do Verão de São Martinho ainda perdura, o mesmo já não acontece, com a tradição da realização do Magusto comunitário em Outeiro Seco, onde se vivia uma tarde de convívio e de socialização.

Mas se o magusto não se realizou, não é pela falta de entidades que o possam promover, desde logo duas associações, como a Casa da Cultura e as Mãos Amigas, e ainda, a própria Junta de Freguesia. Também não é pela falta de infraestruturas locais apropriadas para o efeito, porque tanto o pátio do Solar dos Montalvões, como o espaço contíguo ao Polivalente Desportivo, reúnem as condições ideais para a realização desse evento.

O que falta infelizmente, é a dinâmica das forças vivas da aldeia, as quais têm caído num imobilismo ensurdecedor, no tocante a iniciativas que mobilizem os moradores na aldeia.

Por razões familiares neste último ano, temos aí passado mais tempo, acompanhando com tristeza a esse imobilismo mas também abandono, latente em todas as áreas sociais. E se nunca se conseguiu a integração dos moradores, dos bairros periféricos da freguesia. Agora são os próprios naturais e moradores na aldeia, que aos domingos, paradoxalmente vão à missa Igreja Matriz de Chaves, assim como muitos jovens catecúmenos, que, preferem andar na catequese na cidade.

Deste modo a aldeia vai perdendo vitalidade, tornando-se uma aldeia só para velhos, e mesmo estes, por força das melhores condições que vão tendo em casa, já não recorrem tanto ao Largo do Tanque, outrora a nossa sala de estar.

É urgente repensar tudo isto e como para o próximo ano há eleições autárquicas, oxalá apareça alguém com ideias que dinamizem a aldeia, acabando com o marasmo do qual vai saindo apenas com a realização da festa da Sra. Da Azinheira. Entretanto deixo aqui uma declaração de interesses, embora seja um outeiro secano de coração, eu sou recenseado e residente em Odivelas, logo, não sou um putativo candidato a nenhum cargo político, em Outeiro Seco.

publicado por Nuno Santos às 10:32

Novembro 11 2016

 

 

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Todos os dias são motivo para festejar algo, quanto mais não seja, para festejar a vida. Assim hoje dia 11 de novembro Henriqueta Ferreira Faria, além de festejar o São Martinho, festeja também os seus 90 anos de vida, na companhia de uma boa parte da sua família direta, o seu marido (93 anos) filhas, genros e parte dos seus netos e bisnetos. Infelizmente por razões que se prendem com a distância a que se encontram, em resultado desta vida moderna, nem todos podem estar presentes, contudo, não deixam de se associar à efeméride, desejando-lhe todos, os presentes e ausentes, uma longa vida com muita saúde, o único bem que agora se lhe deseja.

 

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:28

Novembro 10 2016

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Depois de tantos posts colocados por flavienses nas redes sociais, contestando o atual ordenamento da Praça General Silveira, eternamente conhecido como Largo das Freiras, eis que o Município de Chaves se dispôs a requalificar a anterior requalificação, mal sucedida diga-se em abono da verdade.

Com efeito, pese as obras se tenham iniciado no passado dia 4 de novembro, logo após o levantamento das barracas dos Santos, foi de todo uma surpresa para a generalidade dos flavienses que por ali passavam, mas sobretudo, para os que fazem desse espaço sala de estar, em especial no período da pausa do almoço.

Claro que a falta de informação afixada no local da obra, aliada à pouca ou nenhuma discussão pública sobre a mesma, dava a aso a uma série de conjeturas, tanto mais que, se aproxima um ano de eleições autárquicas.

Deste modo e porque existe na internet um portal do Governo, onde se publicam todos os contratos públicos, eu tive o cuidado de consultar esse portal e lá está registado o contrato, sendo celebrado em 19-10-2016 e publicado em 21-10-2016.

O objecto do contrato é muito vago, diz apenas “Remodelação do Largo General Silveira, o preço contratual é de 245.699,00 € o adjudicante é o Município de Chaves, adjudicatário, Anteros Empreitadas, Sa., com o prazo de execução da obra em 90 dias, ou seja dois meses e vinte e nove dias.

Quer pelo preço da obra, quer por aquilo que se vai sabendo oficiosamente, as Freiras não irão voltar ao modelo anterior. Irá apenas ser destruído o tanque agora existente, e o piso em granito polido, será substituído por calçada portuguesa. Continuará a haver repuxos de água, mas rente ao chão, os quais serão suspensos, quando na praça houver eventos.

Do lado do antigo Liceu serão abatidas as árvores, ao que parece, porque houve má escolha quando da sua plantação, pois produzem uma resina, a qual suja não só o chão, como as roupas dos alunos. A propósito das árvores, sendo isso uma opinião pessoal, as que estão do lado dos Correios deveriam também ser abatidas e em contrapartida, colocar uma outra qualquer estrutura que dê sombra no verão, pois as árvores encobrem as fachadas dos edifícios, que, em termos arquitetónicos, são de uma beleza rara e estão bem enquadrados, tantos os Correios como a CGD como a Biblioteca Municipal e o Liceu.

Ao que parece no verão, continuaremos a contar com a esplanada do Biquinho Doce, embora o local de cargas e descargas vá ser encurtado, logo com menor disponibilidade de estacionamento privado. Talvez depois se dê maior utilidade ao parque de estacionamento, um pouco mais abaixo, curiosamente foi a construção do parque de estacionamento, quem esteve na origem da grande alteração do Largo das Freiras.

 

 

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 11:38

Novembro 09 2016

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Contra todas as expectativas e sondagens, Donald Trump é o novo presidente dos Estados Unidos da América, ainda que, em minha opinião, avaliando por aquilo que foi dizendo na sua campanha, sobram-nos razões para grandes preocupações, com este excêntrico no poder.

O seu discurso de vitória, teve alguma assertividade nas palavras dirigidas a Hillary Clinton, bem diferente das que teceu durante a sua campanha. Apesar de ter dito que, será o presidente de todos os americanos, fez um discurso de circunstância, alguém disse que mais parecia um discurso de agradecimento, numa festa de aniversário, porque se esperava mais no discurso de vitória, sobretudo, porque foi eleito para um cargo que todos reconhecemos, como um dos cargos mais importante do mundo, atendendo à importância dos Estados Unidos no contexto mundial.

Claro que hoje haverá imensos debates, com várias teorias dos politólogos sobre esta vitória, a qual é sem dúvida um caso de estudo, face às expectativas de todos os analistas e da população em geral. Diz-se que esta vitória é contra o sistema, mas o facto é que os americanos, não elegeram só o Donald Trump para a presidência, como o Partido Republicano ganhou em toda a linha, isto é ganhou o Senado a Camara dos Representantes e a escolha do presidente do Supremo.

Porém se o discurso populista de Trump ganhou votos nas classes mais desprotegidas, já não entendo a motivação de vários portugueses, entrevistados ontem, para votar em Donald Trump, quando ele disse na sua campanha que, iria expatriar os emigrantes!

Esta eleição faz-nos lembrar um pouco a de Ronald Reagan, por isso resta-nos aguardar o desenvolvimento dos próximos capítulos, e ao mesmo tempo, esperar que os efeitos colaterais desta eleição no resto do mundo, não sejam muito nefastos.

publicado por Nuno Santos às 09:11

Novembro 06 2016

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Se existe alguém fiel às suas origens, um deles é o Nuno Pereira de São Vicente da Raia, pese embora haja um oceano que o separe, da sua terra de nascimento à terra de acolhimento. Natural de São Vicente da Raia, o Nuno estudou em Chaves, onde nos conhecemos, mas fruto de várias vicissitudes, comum a muitos portugueses, é nos Estados Unidos da América que vive e tem a sua prole.

Só que o Nuno, nunca perdeu a ligação à sua terra, nem aos amigos que fez, enquanto estudante em Chaves. E para cimentar ainda mais essa amizade, assim como a relação com a sua terra, promoveu uma caminhada sob o lema “ 2 países (Portugal e Espanha) 2 concelhos (Chaves e Vinhais) e 6 freguesias (São Vicente, Orjais, Santa Cruz da Castanheira do concelho de Chaves e São Jumil, Vilar de Lomba, Ferreiros, e Sandim do concelho de Vinhais.

Para essa caminhada convidou um grupo de amigos, alguns já habitués nesta saudável prática de caminheiros, outros nem tanto, contudo, corresponderam ao seu convite, para disfrutar do convívio e da camaradagem, mas também, alguns para revisitarem a região já sua conhecida, outros para a conhecerem pela primeira vez, ficando deslumbrados com as suas paisagens belíssimas.

À convocatória compareceram além do promotor Nuno Pereira, o César, Carlos Teixeira, Norberto Jorge, Nelson Leitão, José Avelino, Dinis do Castro e eu próprio.

Após algum compasso de espera pelos retardatários que não compareceram, saímos de São vicente da Raia, eram quase dez da manhã, em direção a Orjais, com passagem pelo santuário do São Gonçalo. Este santuário situa-se à beira de um ribeiro que, desagua a poucos metros de distância no rio Mente. Neste santuário que é disputado por duas freguesias, Orjais e Santa Cruz da Castanheira celebram-se grandes festejos, sobretudo com grandes merendas, pois o local é propício a esses repastos, em especial no verão.

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A travessia do ribeiro faz-se em pontes de madeira, mas a ponte sobre o rio Mente, é já uma obra de arte, em alvenaria. O pior é a subida desde a ponte até São Jumil. Que o diga o Carlos Teixeira, porque a certa altura do percurso, as suas passadas não tinham mais de vinte centímetros, claro que tal como as alcateias, que nunca deixam ficar nenhum elemento para trás, também o grupo se manteve unido, mantendo sempre o Carlos, a uma distância visível. Apesar de tudo, nunca faltou a boa disposição ao Carlos, animando o grupo com um vasto reportório de anedotas.

Em São Jumil deixamos a terra batida e entramos no asfalto, mas como o almoço estava programado para a aldeia seguinte, em Vilar da Lomba, mas como o apetite já apertava, quase nem deu para observarmos bem esta localidade.  Paradoxalmente, em todas as aldeias por onde passamos, ao longo da nossa caminhada, passamos sempre ao lado dos cemitérios, não se poderá dizer que é a coisa mais bela dessas terras, mas é onde está depositada muita da história dessas aldeias, vivenciada pelos personagens ali enterrados.

O restaurante ficava logo ali à beira da estrada, e depois de umas entradas variadas, como uma salada mista, pastéis de bacalhau, presunto e queijo, foi-nos servido várias travessas de batatas cozidas com galo estufado. Se era galo ou galinha, não deu para diferenciar, contudo, deu para apreciar que estava bom, assim como o arroz malandrinho com miúdos dos cantantes. Como sobremesa tivemos um pudim caseiro e fruta variada, vindo depois o café com direito a chopinho caseiro e ainda, um licor de café que o Zé Avelino levou na sua mochila.

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A caminhada deveria ter terminado ali, para maior comodiadade do grupo, sobretudo dos iniciados, mas o roteiro indicava que, deveríamos prosseguir até Ferreiros, descendo depois para Sandim, atravessando de novo o rio Mente, em Segirei, para regressar de novo a São Vicente da Raia agora por Aveleda.

Quando chegamos a Segirei era já noite cerrada, faltando ainda nove quilómetros de uma subida acentuada. Como o lanche ajantarado nos aguardava em São Vicente às 19 horas, foi pedido boleia a uma alma bondosa que ali passou, e trouxe os proprietários dos carros que tinham ficado em São Vicente.

Deste modo, a caminhada terminou em Segirei, mas com cerca de trinta quilómetros palmilhados. Os restantes nove quilómetros foram feitos de carro, doutra forma, o lanche estaria já retardado, tal como as castanhas, que estavam assadas de mais.

A avaliação da caminhada foi altamente positiva, sobre os pontos negativos, ficou apenas um reparo a corrigir na próxima, ficando decidido de que haverá uma próxima caminhada, ainda que sine die. Porém, eu deixo a sugestão de que a próxima caminhada, ocorra numa data, em que os dias sejam maiores.  

  

 

 

publicado por Nuno Santos às 00:16

Novembro 02 2016

 

 

Segundo algumas opiniões a origem da Feira dos Santos, em Chaves, remonta ao século XIII, outras dizem que é ainda anterior. Desde que eu me conheço, ainda que com grandes transformações, sobretudo quanto à sua localização, a Feira dos Santos realiza-se todos os anos, entre os dias 30 e 31 de outubro, culminando a dia 1 de novembro.

A razão do certame se chamar feira dos Santos, prende-se precisamente com o facto deste dia, ser dia santo de guarda, consagrado pela Igreja a todos os Santos.

No passado, o dia 30 de outubro era dedicado à feira da lã, porque nesta região havia muitos rebanhos, donde, a lã que não era vendida para as fiações da Covilhã, era aqui transformada e confecionada em peças de vestuário, feitas artesanalmente, desde as mantas tecidas em teares, às meias, cachecóis e camisolas. Esta feira realizava-se nas imediações do Largo do Anjo, embora houvesse vendedoras que percorriam as ruas da cidade, nomeadamente as que vendiam as meias ou carpins.

O dia 31 era o dia da feira do gado, comercializando-se aqui todo o tipo de gado, desde o ovino, bovino, azinino e cavalar.

Os lavradores que criavam gado bovino, se as vacas parissem um vitelo, esse era vendido passados um ou dois meses, para um dos chicheiros da cidade, que depois comercializavam essa carne, nos seus talhos. Mas se a cria fosse uma vitela, então era criada em casa durante mais algum tempo, para ser vendida mais tarde na Feira dos Santos.

No meu tempo de menino e moço, também já havia prémios, mas priviligiavam-se os produtores locais. Na década de sessenta e na categoria de raça torina, os prémios eram quase sempre ganhos pelas vacas do Dr. Félix Alves, criadas numa das suas quintas no São Roque.

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Já os prémios na categoria de touros de cobrição, costumavam ser mais disputados. O senhor Manuel Félix de Outeiro Seco, arrecadou várias prémios com o seu touro, exibindo depois esses troféus na sua taberna em Outeiro Seco, junto ao tanque.

Um ano outro outeiro secano, António Gonçalves Chaves, atualmente meu sogro, arrecadou o segundo prémio nessa categoria, ganhando como troféu, um relógio despertador. Só que passado algum tempo, o mesmo touro que lhe deu esse momento de alegria, quase que o matou na loja. Da refrega saiu com várias costelas partidas, e a decisão de abandonar a prática de criador de touros.

Durante muitos anos a feira do gado repartiu-se entre o Tabolado e o São Roque. No Tabolado fazia-se a feira do gado bovino, ovino e cavalar. No São Roque, no local onde mais tarde funcionou o Parque de Campismo e agora é a Alameda do São Roque, fazia-se a feira dos porcos.

No ano de 1960 unificou-se o Toural, passando para a Estrada de Outeiro Seco, no local onde agora se albergam uma série de infraestruturas, entre as quais; o Centro de Saúde, a Segurança Social, o Pavilhão Municipal, o Mercado Municipal e ainda uma parte da Escola Nadir Afonso.

Da Estrada de Outeiro Seco, o Toural passou para terrenos desta freguesia, ficando próximo da Cocanha. Porém, o certame dos prémios na Feira dos Santos, são atribuídos no fosso do Forte de São Neutel, inviabilizando a possibilidade de estar nos dois lugares. Os prémios  agora  são distribuídos pelas raças autótones da região, como a Raça Barrosã, Raça Maronesa e Raça Mirandesa. Deste modo discrimina-se a raça e não os produtores, donde os vencedores, raramente são produtores do concelho de Chaves, mas criadores que se passeiam de feira em feira, ou seja, de concurso em concurso.

O dia 1 de novembro é que é propriamente, o dia de Santos e a cidade é literalmente inundada pelos “nuestros hermanos” tradição que continua, até porque aqui a língua não é barreira e as fronteiras já não existem, pese embora antigamente neste dia, a fronteira era aberta. O que mudou foram os produtos agora comercializados. Salvo raras excepções, como a criação recente de algumas cozinhas regionais, onde se vendem produtos regionais, os restantes expositores vendem produtos de contrafação, iguais aos que se comercializam noutras feiras, quer seja em Trás os Montes, nas Beiras ou no Algarve.

Claro que se mantém o parque das diversões, também este sempre em bolandas e agora, mesmo ao lado da Escola Júlio Martins para gáudio dos seus alunos. As diversões de agora são mais tecnológicas, já não há “Robertos” nem a “Cabra de cinco patas” que se equilibrava numa garrafa, mesmo os matraquilhos já não têm a mesma graça, pois já não existe o Pavilhão do Romualdo, que tinha os matrecos e as bolas de madeira, e era o mais procurado pelos mais especialistas, agora os matrecos são metálicos e já não têm as jukebox ou seja as máquinas de discos, onde a troco de uma moeda qualquer um de nós podia ser um disco jokey.

Meteorológicamente os Santos deste ano foram atípicos, porque o Verão de São Martinho antecipou-se, assim durante o dia registaram-se temperaturas perto dos trinta graus. Outra particularidade foi a de que os feirantes, tiveram um bónus por causa da proximidade do fim de semana. Assim os dias de sábado dia 29 e domingo dia 30 registaram mais público, do que propriamente nos dias 31 e dia 1.

No dia 31 realizou-se também o certame do polvo à galega. Com efeito havia vários stands onde se podia degustar o polvo, e não exclusivamente na zona delimitada, junto ao Forte São Neutel, pois havia vários stands espalhados pela cidade. Os preços variavam entre os 8 euros para um prato pequeno e os 16 euros para o prato médio. O pão e o vinho eram pagos à parte. Apesar do preço e como a tradição tem muita força, não havia stand que não tivesse fila de espera.

Dizem que a Feira dos Santos de Chaves, é a maior feira do país em espaço aberto. O facto é que nestes dias, a sua população aumentou substancialmente, mas em minha opinião, esta feira do ponto de vista cultural e artístico, merecia um programa bem mais ambicioso do que os Gigantones e o Quim Barreiros.

 

 

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publicado por Nuno Santos às 01:07

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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