Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 21 2013

 

A revista à portuguesa teve o seu início no século XIX, no extinto teatro Gynasium, e conheceu o seu maior apogeu, em meados do século passado, na altura em que a censura do regime de Salazar mais apertava, obrigando os autores dos textos teatrais, a serem altamente criativos.

Nessa época em Lisboa, o Parque Mayer era um parque de diversões, chamando-lhe inclusive, a Broadway portuguesa, por analogia com um espaço algo semelhante em Nova York, um velho hábito de fazermos sempre comparações,tais como "Aveiro ser a Veneza portuguesa" etc.

Ora só no parque Mayer, funcionavam quatro salas de teatro; Teatro Maria Vitória, Variedades, Capitólio e Teatro ABC. Actualmente dos quatro, só o Teatro Maria Vitória ainda resiste, graças à persistência do empresário Hélder Freire.

Mas havia outras salas de espectáculo, espalhadas pela cidade que, também encenavam teatro de revista, como o Monumental, o Villaret ou o Laura Alves, entre outras.

Estes espetáculos quando saíam de cena em Lisboa faziam depois tournées pelo país e pelas ex-províncias ultramarinas. Eu recordo-me ainda menino e moço, quando o cineteatro de Chaves ainda funcionava, de ver na esplanada do Sport, artistas como Florbela Queiroz, Artur Semedo, Vítor Mendes, pai do actual Fernando Mendes, nessa altura ainda não tinha idade para assistir a esses espectáculos, os quais por causa das pernas ao leu das coristas, eram classificados para maiores de 18 anos.    

Este ano o teatro Politeama faz cem anos, tendo sido construído em 1913. O seu actual proprietário Filipe la Féria, para comemorar o centenário, montou como só ele sabe um espectáculo de revista, homenageando os 100 anos do teatro e ao mesmo tempo, este género de espectáculo.

Aconselho a quem tiver a oportunidade de assistir que não o perca, pois está ao nível dos grandes espectáculos do antigamente. É certo que já lá não estão a Ivone Silva a Laura Alves o Eugénio Salvador, o Solnado ou o Zé Viana, mas está a Marina Mota e o João Baião que, secundados por uma série de jovens actores, dão-nos três horas de alegria e boa disposição, fazendo-nos esquecer os apertos pelos quais passamos no dia à dia, causados pelos cortes da Troika, a qual como não podia deixar de ser, não deixam de ser mimoseados.    

publicado por Nuno Santos às 09:24

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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