Outeiro Secano em Lisboa

Outubro 17 2013
 
 

 

 
 
 
 
 

 

Há tempos li no blog “velharias” do Luís Montalvão, de que o primeiro carro que foi para Chaves, um Darracq modelo de 1901, adquirido por Francisco Luís Alves e depois por herança coubera ao seu genro José Maria Ferreira Montalvão, era o mesmo que muitos da minha geração viram  guardado com muito esmero na garagem do Eiró, fazendo agora parte do acervo do Museu do Automóvel no Caramulo.

Há dias revisitando o meu parco arquivo de imagens, pois sou mais de transportar a máquina, do que tirar fotografias, descobri estas fotos, tiradas por mim no Caramulo, numa visita ao museu.

Como na altura não tinha a informação de que esse automóvel estava no museu, não me dei ao trabalho de tentar saber qual era, até porque deve estar diferente, pois presumo terá sido objecto de alguma recuperação.

É esse desafio que aqui deixo para os meus amigos, em especial os da minha idade ou mais velhos, se porventura alguém identifica o primeiro carro do Doutor.

A terceira foto é mais conhecida, trata-se do Mercedes Benz que serviu Salazar. Havia um mito de que fora uma oferta de Hitler, mas tal não é verdade, pois o carro foi pago pelo erário público, porque os alemães não dão nada a ninguém, nem antes nem agora.

Este carro era blindado para prevenir possíveis atentados, como o que acontecera no dia 4 de Julho de 1937, na Av. Barbosa du Bocage, precisamente duas ruas abaixo do meu local de trabalho, a menos de trezentos metros.

Todos os domingos Salazar vinha ouvir missa à capela particular de um amigo que, morava nesta rua. Os seus inimigos conhecedores desse ritual prepararam-lhe um atentado, colocando uma bomba  nos esgotos da rua, no local onde o carro parava.

A bomba foi fabricada por um anarca sindicalista, mas por erro de cálculo, o cabo do rastilho tinha menos três metros do que a medida necessária. Assim o rebentamento da bomba não teve os efeitos desejados, partindo apenas os vidros do carro e das janelas dos prédios limítrofes, ficando o Salazar incólume.

Desde esse incidente Salazar passou a transportar-se apenas em carros blindados, estando este Mercedes Benz modelo 770 Grosser em exposição no Caramulo, curiosamente um local onde ele costumava passar as suas férias de verão.

 

Em 2010 por ocasião do centenário da República, esteve patente na estação do Rossio uma exposição, com todos os carros que serviram os presidentes da república, assim como este de Salazar.

 

 

publicado por Nuno Santos às 19:10

lembro-me do carro mas não sei reconhece-lo
quanto aos alemães não darem nada estão certos estou de pleno acordo cada um que cuide do seu
vasco sobreira garcia a 27 de Outubro de 2013 às 19:04

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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