Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 27 2013
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A fuga de cérebros está associada à falta de desenvolvimento dos países de origem. Este fenómeno transpõe-se também para as regiões. E neste capítulo, a região de Trás os Montes é disso um mau exemplo, porque todos nós conhecemos pessoas, que, pela sua capacidade e massa crítica, seriam um valor acrescentado para a nossa região. Lamentavelmente a falta de oportunidades locais, obriga-os a colocar essa massa crítica, em favor de outras regiões, embora a sua terra de origem, jamais lhes saia do pensamento. São centenas senão milhares os transmontanos, migrados e emigrados com esse perfil, e o José Carlos Barros, é um desses exemplos, paradigmáticos. Natural de Boticas fez o liceu em Chaves e depois o curso de arquitectura paisagística na universidade de Évora, aplica agora os seus saberes profissionais, na região do Algarve, mais propriamente em Vila Real de Santos António. Conheci-o através da Celeste, porque durante dois anos, foi hóspede em casa dos seus pais. Apesar da sua acção e postura muito discreta, o Zé Carlos Barros é uma figura reputada das letras portuguesas, com vasta obra publicada e premiada, tanto em poesia como prosa.  Tal como Miguel Torga, também o Zé Carlos Barros é um exemplo paradigmático das pessoas que, apesar de viverem longe da sua terra, mantém-na sempre no pensamento. Servindo-lhe de mote para a sua escrita, como no último livro “O amor e o tédio” assim como em grande parte da sua obra poética. O Zé Carlos mantém uma regular colaboração, no blog do Fernando Ribeiro, tendo a  nossa região como principal referência. Apesar dos novecentos quilómetros de distância, é visita frequente, embora não tanto quanto gostaria. A foto que ilustra o post, é de uma visita a Segirei, um local muito frequentado por ele e outros seus amigos, pois o Zé Carlos é um exímio pescador de trutas. Anualmente não descura a sua presença na festa da Sra da Livração, em Boticas, o mesmo não se passa com os Santos, em Chaves, porque apesar de continuarem no seu imaginário, a distância a que vive, não permite estar presente tantas vezes, como gostaria. Deixo-vos com  pequeno poema da sua vasta obra.

         A VIDA TODA 

 Nada mais procuras:

 o lugar no escano em redor do lume,

 as bagas do lódão,

 a flor da urze.

 

publicado por Nuno Santos às 11:35

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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