Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 14 2013


 

Esta condição de migrante, obriga-me ao constante vaivém entre a terra de origem, e a terra de acolhimento, mas vá lá saber-se porquê, as viagens no sentido sul norte, são sempre menos penosas, do que as do sentido contrário, ou seja de norte sul. Na maioria das vezes   essas viagens, costumam ter uma motivação especial, e desta vez eram várias. Nem todas foram levadas a cabo com sucesso, porque esta coisa do dia de carnaval ser feriado para uns serviços, e dia de trabalho para outros, torna o planeamento mais difícil. Embora as principais  fossem resolvidas, a primeira foi levar a minha mãe de regresso a casa. Porque após a morte do meu pai, a minha mãe passou segundo ela, a fazer o ciclo das andorinhas, no início do Outono desloca-se para sul (Alentejo), e regressa a casa pela primavera. Mas como este ano o carnaval foi mais cedo, ainda em pleno inverno, ela regressou primeiro do que as andorinhas, pois não tenho ideia de ter visto alguma.

A segunda razão foi fazer a poda da vinha, porque a avançada idade do meu sogro, já não lhe permite fazer ele essa tarefa, recaindo por isso nos seus  genros, embora continue a beber, pois não tem qualquer outro impedimento, senão de ordem física. Uma outra razão destaa viagem, foi a supervisão das obras de beneficiação aí na casa,  criando melhores condições para um futuro próximo, que se espera breve. Essas obras passam pela pintura do interior e pela substituição das janelas. As janelas anteriores eram em alumínio, e foram agora substituídas por outras em pvc com vidros duplos, uma nova tecnologia mais apropriada à nossa região, pois têm uma melhor capacidade de isolamento térmico e sonoro.

Apesar dessas tarefas, ainda houve tempo para a vertente lúdica, pois recepcionamos uns amigos oriundos da capital que, aproveitaram para passar  a quadra carnavalesca connosco, e degustar as iguarias características da nossa região, nesta altura do ano. Em matéria de diversão carnavalesca, a cidade de Chaves nunca teve uma grande tradição, assim como as nossas aldeias. Em Outeiro Seco,  o tio Lépido o meu pai e o Serra, durante algum tempo, sempre improvisavam nesse dia, uma brincadeira qualquer, mais tarde foi a Casa de Cultura quem organizou também durante alguns anos, um pequeno corso. Os foliões de hoje só podem brincar ao carnaval, nas várias discotecas da cidade, no casino, ou ainda, no Entroido em Verin, onde além da diversão, poderão beber também umas boas “cañas”. Eu estive lá no sábado, onde já havia a actuação de dois grupos musicais, e os cigarróns, que este ano eram mais que muitos.

Houve ainda tempo para ir beber um copo ao bar do Hotel Palace do Vidago, que continua a ser um dos melhores cartões de visita, da nossa região, e constatar que, pese embora a actual conjuntura, tinha uma utilização aceitável, assim como as restantes unidades hoteleiras da cidade, sendo visível esses turistas pela cidade. Em meu entender o governo deveria rever esta questão dos feriados e pontes, porque são uma mais valia para o turismo regional.

Gostei também de ver alguns melhoramentos na nossa aldeia, como o alargamento da rua de acesso ao bairro do Borrajo, de salientar a cooperação do Serra com a junta de freguesia nesta obra, e ainda o início da construção das casas de banho para os utentes da igreja.  Em contrapartida, soube que o peditório para a restauração da capela da senhora da Portela, não está a decorrer conforme o expectável, porquanto as dávidas estão muito abaixo daquilo que é necessário, face ao orçamento para a realização da obra.

Desta vez não deu para visitar todos os amigos e família, nem para a habitual tertúlia no café Sport, mas como o meu Sporting anda tão mal, confesso que até tive vergonha de aparecer, pois já me basta ser gozado pelos colegas no emprego.
publicado por Nuno Santos às 00:20

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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