Outeiro Secano em Lisboa

Abril 29 2017

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Foto Humberto Ferreira

 

Desde sempre que a agricultura de subsistência esteve dependente dos rigores do clima, razão pela qual os agricultores da nossa aldeia desejam ardentemente que se passe o 3 de maio, a data em que normalmente as colheitas ficam mais seguras, quanto às geadas.

Este ano a natureza até estava a ser generosa, porquanto, havia uma grande produção de tudo. As árvores estavam carregadas de fruta, as batatas do cedo logo mais floriam e a vinha, estava muito avançadas para a época, ao ponto de já se ter feito a primeira monda, havendo até, quem tivesse aplicado uma calda.

Mas costuma-se dizer que “Deus o Deus, Deus o levou” e antes da data mítica do 3 de maio, na passada noite do dia 26 de abril, uma geada queimou a maioria da produção agrícola deste ano, deixando os agricultores desalentados, porquanto  perderam as culturas deste ano, em especial a do vinho, conforme o ilustra as fotografias do amigo Humberto Ferreira.

Claro que isto acontece com os agricultores de subsistência, como são os pequenos produtores da nossa região, porquanto, nas explorações mais profissionalizadas, utilizam vários processos para evitarem estas calamidades, as quais são anunciadas antecipadamente.

Agora devido às previsões meteorológicas, sabia-se que a temperatura mínima em Chaves ia descer a menos um grau centígrado. Ora como a geada se forma aos zero graus, estava assim anunciada o desastre ecológico, só que nesta altura as pessoas confiam muito na providência, esperando que a geada não se forme no seu quintal.

Já aqueles que fazem da agricultura um projecto de vida, utilizam processos como a utilização de velas a arder cujo aquecimento evita a formação da geada ou a utilização de rega entre outros.

Claro que estes processos são inviáveis para quem faz agricultura apenas por óbice. Agora os que tiveram uma boa produção no ano de 2016, resta-lhes fazer uma boa gestão dessa produção, para durar até ao ano de 2018. Em alternativa podem beber vinho de outras regiões e atenção que atualmente, produz-se bom vinho em todo o país. Em contrapartida têm de beber água, pois segundo se diz “ a água não fura a barriga”.

      

publicado por Nuno Santos às 09:03

Abril 25 2017

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Eu sei que para muitas gerações, em especial aqueles que nasceram pós 1974, não faz grande sentido estarem a comemorar o dia em que se conquistou a liberdade, porquanto, a liberdade é um direito adquirido e inalienável, ao ponto de alguns a usarem, pondo em risco a liberdade e os direitos dos outros.

São exemplo disso os anti vacinas, que, contrariando o Plano Nacional de Vacinação, acham-se no direito de não vacinarem os seus filhos, pondo assim em risco a saúde dos seus filhos e a dos outros.

Embora esta seja uma forma enviesada de ver a liberdade, antes do 25 de abril ninguém punha em causa impunemente as leis do estado, ainda que muitas dessas leis fossem injustas e arbitrárias, e muitos foram os que pagaram com a prisão e a morte, só porque as contestavam.

Eu sou desse tempo ainda, razão porque todos os anos não deixo de comemorar este dia, estando em Lisboa assistindo a um dos vários concertos evocativos que, se comemoram na véspera e no dia 25 de abril descendo a avenida da liberdade e de cravo na mão gritando, 25 de abril sempre, fascismo nunca mais.

publicado por Nuno Santos às 08:57

Abril 23 2017

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Ontem vivi no estádio José de Alvalade as emoções de mais um dérbi. Desde que estou em Lisboa e já lá vão quarenta e quatro anos, sempre que o dérbi se disputou em Alvalade, só não terei assistido, quando estou fora de Lisboa.

Como todos os jogos entre estes dois rivais, este foi um jogo intenso, onde não faltou nada, emoção e casos de arbitragem. Felizmente que durante e após o jogo não houve incidentes graves, tanto dentro como fora do campo, ainda que infelizmente já tivessem ocorrido durante a madrugada incidentes, resultando na morte de um adepto sportinguista, em condições que a polícia estará a investigar.

No entanto, estavam reunidas as condições para que algo de grave pudesse acontecer, muito por causa da posição das estruturas dirigentes dos dois clubes, os quais estão de relações cortadas. E nem me interessa discutir quem tem ou não razão, a verdade é que esta situação cria crispações e excessos em alguns adeptos, porque têm uma visão enviesada, daquilo que, deve ser o desporto, sobretudo a nível das suas claques organizadas.

A propósito, há dias o Iker Casillas atual guarda-redes do Futebol Clube do Porto, disse numa entrevista que, achava que estávamos a perder o futebol e de facto, o futebol deixou de ser um mero jogo de paixões, para ser algo mais, muito por causa da mediatização que, se dá a este fenómeno.

Para os jogos entre os três grandes são criados cenários que, mais parecem de guerra, fazendo-nos lembrar como dizia ontem na SIC Notícias o Marinho, um ex-jogador do Sporting e Benfica, aqueles cenários pós ataques terroristas, tal o aparato policial que rodeia estes jogos.

Tenho para mim que, a comunicação social ajuda muito a potenciar esse fenómeno, com a ênfase que dá, antes, durante e após os jogos. São os programas de debates televisivos e radiofónicos, alguns com jornalistas outros com adeptos dos próprios clubes, que só servem para ajudar a extremar ainda mais essas paixões.

Quanto ao jogo, o Sporting entrou bem, beneficiando logo de início de um erro individual do guarda-redes benfiquista, cometendo um penalti sobre Bas Dost, do qual resultou no golo sportinguista. O lance não teve qualquer sansão disciplinar, desconheço se houve alteração nas regras, mas ainda no ano passado, um penalti cometido por Rui Patrício no jogo contra o Tondela, resultou em expulsão.

Penaltis também terão ficado por marcar a favor do Benfica, ainda que esses lances sejam mais fáceis de analisar pela televisão, pois em campo, passaram despercebidos ao árbitro, assim como aos próprios jogadores do Benfica que, não os reivindicaram.   

O resultado acabou num empate a uma bola, ficando o Benfica mais próximo de conquistar um feito nunca antes alcançado, ao contrário dos seus rivais Porto e Sporting, que é a conquista do Tetra.

Ao Sporting resta-lhe agora continuar a ganhar todos os jogos que lhe falta disputar, e preparar melhor a próxima época desportiva. Porque apesar alguns erros de arbitragem, nos quais foi penalizado, o Sporting tem sobretudo de penitenciar-se dos pontos perdidos com equipas como inferiores como; Nacional, Tondela, Rio Ave, Chaves, Marítimo e Vitória de Guimarães, não fora estes pontos perdidos e face à atual tabela classificativa, o Sporting seria campeão.

publicado por Nuno Santos às 09:25

Abril 21 2017

 

O meu filho é um melómano, sobretudo de música alternativa. Enquanto estudante exerceu funções diretivas na rádio e era solicitado frequentemente por colegas que, tinham bandas de garagem, a fim de os ouvir e emitir a sua opinião crítica, sobre algo que tinham criado.

Agora mesmo vivendo no estrangeiro, mantém-se atualizado sobre tudo o que se vai fazendo por cá, em matéria de música. E foi ele quem me chamou a atenção para um projeto que, ao ouvi-lo, me deixou deveras emocionado, porquanto esse género musical “O Cante Alentejano” tem esse condão de me emocionar, mas neste caso mais ainda, por ser cantado no estrangeiro e por estrangeiros.

Claro que tudo isto se deve ao facto do Cante Alentejano, ter sido reconhecido como Património Imaterial da Humanidade, chamando a sua atenção para outros lugares, que não só as vilas e as cidades alentejanas, ou nas imediações de Lisboa, onde vive uma vasta comunidade alentejana.

Por isso é gratificante ver e ouvir homens e mulheres de outras nacionalidades, a cantarem o Cante Alentejano e tão bem, acrescentando essa especificidade de misturar homens e mulheres, coisa que o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento já tinha feito no seu último disco, ao introduzirem a Luísa Sobral num dos temas.

Este grupo constituído em Paris chamou a atenção do Tiago Pereira autor do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” que se deslocou a Paris onde gravou um documentário sobre este grupo, assim como em Portugal onde cantaram com os Cantadores de Pias e da Aldeia Nova de São Bento.

Para disfrutarem dessa preciosidade, aqui ficam alguns links do Grupo de Cantadores de Paris.

 

publicado por Nuno Santos às 09:46

Abril 20 2017

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Já lá vão quase dez anos que o governo então presidido por José Sócrates, lançou o maior complexo de barragens para a produção elétrica no país, a maioria delas no rio Tâmega e seus afluentes. Quatro dessas barragens foram adjudicadas pela Iberdrola, que, entre outras contrapartidas financeiras para o governo e para a região, prometeu requalificar o património românico a norte do rio Douro.

Ora é sabido que, a igreja da Nossa Senhora da Azinheira de Outeiro Seco, é um edifício classificado como românico, tendo afortunadamente sido incluída, na lista dos edifícios a requalificar. A primeira fase dessa requalificação parece estar concluída, porquanto as telas que, estavam junto ao altar-mor e bastante degradadas, tinham sido enviadas para Lisboa, presumo que para o Instituto José de Figueiredo, onde se faz uma boa parte da recuperação deste tipo de arte, e segundo informação do nosso pároco José Banha, vão regressar à igreja, já na próxima sexta-feira dia 21.

Entretanto o senhor pároco anunciou na missa do domingo de Páscoa, que, na passada segunda-feira, a igreja iria ser visitada por uma equipa de técnicos da DRCN - Direção Regional da Cultura do Norte, estes nomes e siglas mudam consoante mudam os governos, para in loco se inteirarem de outras necessidades de requalificação na igreja, nomeadamente a nível da sua cobertura.

Com efeito numa das minhas passagens na estrada em frente à igreja eu constatei nesse dia que, várias pessoas acompanhados pelo Eng. França, da Câmara Municipal e morador na nossa freguesia, visitavam a igreja, conforme o senhor pároco tinha anunciado. Mas não sei se nesta futura requalificação, estarão incluídos os frescos das paredes laterais, isso seria a cereja no topo do bolo.

Esta será uma das muitas requalificações efetuadas nesta igreja, após a sua construção no século XII. Uma das mais importantes terá ocorrido no ano de 1531, quando se pintaram os frescos nas paredes. Depois ocorreu uma outra no ano de 1768, para se recuperarem os estragos causados pelo terramoto de 1755. Uma outra requalificação importante ocorreu no ano de 1937, da qual resultou a classificação como edifício classificado de interesse público, passando desde aí a gestão da igreja, para esfera do Estado.

Para quem segue na RTP1 a série “Vidago Palace” ficou a saber que, em 1936 quem presidiu à inauguração do seu campo de golfe, foi o presidente da república Óscar Carmona. Ora, precisamente nessa altura o presidente Carmona esteve em Outeiro Seco, acompanhando a sua esposa Maria do Carmo Fragoso Carmona, uma flaviense e amiga de infância da Donana, espessa do Dr. José Maria Ferreira Montalvão, donos do solar dos Montalvões.

A igreja estava em grande estado de degradação, vítima de um incêndio causado por um foguete da festa. Na altura uma comissão de cidadãos da aldeia encabeçada por Miguel Sanches, solicitou os serviços à Madame Carmona para interceder junto do Estado, para a recuperação da igreja.

O pedido foi aceite e a igreja foi requalificada, ainda que com grande celeuma porquanto, foi realizada uma intervenção de fundo com a alteração da sua fachada, a qual não agradou a todos, o que é uma situação normal.

O que não é muito normal é o cumprimento das contrapartidas financeiras no caso das adjudicações, como foi no caso da compra dos submarinos e outras. Porém no caso das barragens da Iberdrola, ao que parece estão a ser cumpridas e ainda bem.

 

           

publicado por Nuno Santos às 08:42

Abril 19 2017

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Este é um dito popular que, ilustra bem uma forma muito peculiar da nossa vivência em sociedade, vindo a propósito de uma situação passada na nossa aldeia, no último domingo de Páscoa, com o concerto da banda musical.

O ano passado a Direção da Casa da Cultura decidiu não realizar, o tradicional concerto da Páscoa, atendendo ao facto de, a maioria dos músicos integrantes da Banda, não residirem na aldeia e porque sendo um dia festivo, por certo lhes daria mais prazer em passá-lo com as suas famílias.

De imediato choveram críticas de alguns sócios da Casa da Cultura, dizendo que na sua condição de associados apenas tinham Deveres, porquanto lhes tinha sido retirado o Direito, ao concerto da Páscoa.

Ora, por causa dessa contestação, a Direção decidiu neste ano, realizar o Concerto, só que do público presente, uma boa parte dele eram familiares dos músicos, estando ali na condição de acompanhantes. Sabemos quão frustrante é para os artistas, sejam eles músicos ou atores a falta de público, ainda que muitas vezes a razão dessa ausência esteja associado à má divulgação do evento, desconhecendo se foi este o caso.

É verdade que, as nossas aldeias têm perdido população, mas no caso de Outeiro Seco, acho que a sua maior perda, tem sido o sentido de comunidade, espírito de unidade e bairrismo,

E nem é por falta de estruturas associativas, pois além da Junta de Freguesia, em Outeiro Seco existe uma associação desportiva e cultural que é a Casa de Cultura, uma IPSS, as Mão Amigas e ainda a Fábrica da Igreja, a qual está numa situação de vacatura há já uns anos, sendo composta apenas pelo seu presidente, o pároco e um ajudante aos domingos.

Ora, tendo em consideração que Outeiro Seco possui um património religioso de algum relevo, era importante que tivesse uma Fábrica da Igreja forte e dinamizadora, potenciadora desse mesmo património, tornando-o num polo de interesse turístico da região, porquanto é espectável que, a procura turística na nossa região, vá estar em linha com o resto do país.

Embora eu seja sócio das duas instituições, a minha condição de não residente não me permite acompanhar os seus planos de atividade, razão pela qual não posso nem devo emitir opinião sobre a sua atividade, por ser uma realidade que desconheço.

No entanto e sobre a Corrida da Páscoa organizada pela Casa da Cultura, porque no passado tive uma estreita ligação à sua organização, e porque já tem um longo historial de quase trinta anos, lamento que o seu nível tenha decaído, quando a maioria das corridas organizadas por todo o país, têm vindo em crescendo.

 

publicado por Nuno Santos às 22:14

Abril 10 2017

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Eu sei que por estes dias, os portugueses não querem ouvir falar da Holanda, sentindo até alguma hostilidade, por causa das declarações de Jeroen Dijsselbloem, embora na qualidade de presidente do Eurogrupo, que não como representante do governo holandês, dizendo que os do sul, gastam o dinheiro em copos e mulheres.

Ora se é verdade que no sul se produz cada vez melhor vinho e as mulheres estão também cada vez mais bonitas, a verdade é que aos portugueses falta-lhes o dinheiro para gastar, porque a maioria dos seus trabalhadores, não veem os seus ordenados aumentarem, há anos.

Mas é pena que os portugueses, em especial aqueles que exercem responsabilidades autárquicas não visitem a Holanda, para daqui tirarem muitos ensinamentos, nomeadamente, quanto ao seu ordenamento urbanístico, no tocante a zonas verdes e de lazer para os seus munícipes.

Aqui não se faz sentir o lóbi do betão, embora a Holanda não seja um país solarengo, antes pelo contrário, são raros os dias de céu limpo, todas as cidades têm extensas áreas de parques verdes, com variadíssimas valências, onde se pode passear a pé ou de bicicleta, assim como praticar todos os tipos de desporto, com particular destaque para o hóquei em campo, uma das modalidades preferidas pelas jovens.

A propósito do hóquei em campo, uma das suas melhores jogadoras de sempre foi uma luso-holandesa, de seu nome Fátima Moreira de Melo, filha de um diplomata português e de uma holandesa.

Só em Amsterdam existem variadíssimos parques, alguns mesmo no centro da cidade, outros na periferia como o de Amsterdamse Bos onde ontem estivemos. Este parque situa-se entre os municípios de Amsterdam e Amstelveen que em termos de localização se assemelham a Lisboa e Amadora, ou ao Porto e Matosinhos.

Embora seja mais conhecido como bosque, por causa da quantidade de árvores que ocupam a sua área, no seu interior existem muitas outras infraestruturas desportivas, como uma pista para a prática de remo e um anfiteatro, utilizado para espetáculos no verão.

Ontem estiveram 23º em Amsterdam, uma coisa rara, por isso era quase impossível estacionar no Amsterdam Bos. Felizmente nós conseguimos e por isso passamos lá um dia de domingo espetacular.

publicado por Nuno Santos às 16:59

Março 28 2017

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O meu amigo Lelo Sobreira tem publicado no facebook extratos de leituras bíblicas, embora nada tenha contra, nem vá tão longe como o José Saramago, que, numa entrevista disse que, a Bíblia era um manual de maus costumes, o certo é que também não se deve tomar como verdadeiro, tudo quanto lá se lê.

Curiosamente há meses, numa das minhas idas à terra e assistindo a uma missa por intenções familiares, como era um dia da semana e à falta dos leitores habituais, eu próprio tive de ler as Leituras, sendo que uma delas era uma “ Epístola de São Paulo aos Cristãos de Éfeso”.

Para quem não conhece Éfeso, esta situa-se na atual Turquia, estando a ser objeto de escavações arqueológicas por uma equipa de arqueólogos austríacos, só esperamos que nunca lhe aconteça, o mesmo que à cidade de Palmira na Síria, infelizmente recém-destruída pelos radicais do exército islâmico.

Quem visite Éfeso ou faça uma busca no Google, poderá ver que uma vasta extensão da cidade já está a descoberto, embora segundo os especialistas, corresponda apenas a dez por cento da cidade antiga, a qual no passado fez parte da Grécia Antiga, sendo depois a quinta maior cidade do Império Romano.

Há dois anos tive o privilégio de visitar Éfeso, e a fotografia que ilustra o texto, é dessa altura e do seu anfiteatro, o qual tinha uma capacidade para 16.000 espectadores sentados.

Ora, o nosso guia local um turco natural de Izmir ou Esmirna, por sinal uma cidade bem próximo de Éfeso, disse-nos que o São Paulo, jamais ali pregou, porque nessa época vivia na cidade um grande mercador, pessoa de grande predominância na região, e porque não se convertera ao cristianismo, opôs-se sempre às pregações de São Paulo em Éfeso.

Ora perante estas duas realidades, qual delas é a verdadeira?

publicado por Nuno Santos às 07:30

Março 27 2017

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Acabo de ler no facebook a mensagem do Carlos Xavier, dando conhecimento da sua recandidatura, à presidência da Junta de Freguesia de Outeiro Seco. Ora, fico satisfeito pela sua recandidatura, primeiro pela nossa relação pessoal a qual é geracional, vindo do nosso lado materno. Segundo, pelo empenhamento que ele tem colocado na resolução dos interesses da freguesia, bastas vezes tomando essas resoluções como causas pessoais, como foi o caso da rampa do adro da igreja.

Só lamento que a recandidatura esteja enquadrada numa corrente política, que em minha opinião, tem sido pouco agregadora e responsável pelo marasmo em que, a região flaviense tem vivido nas últimas décadas, muito por falta de uma liderança carismática e visionária.

Não tendo sido capazes de alavancar polos de desenvolvimento para o concelho, estes gestores autárquicos cometeram ainda verdadeiros atentados arquitetónicos, desvirtuando a cidade da sua vertente antiga e medieval.

Esta é apenas a minha opinião, pois embora eu me sinta muito ligado sentimentalmente a Outeiro Seco e a Chaves, não tenho opção de escolha pis não sou ali  eleitor, voto na minha área de residência, Odivelas onde me sinto um peixe fora de água, porquanto Odivelas é praticamente e apenas, o lugar onde durmo.

Quanto a Chaves e em comparação com aquilo que vejo um pouco por todo o país, acho que, as potencialidades endógenas da nossa cidade e do concelho, mereciam uma liderança com uma maior dinâmica, de molde a que a nossa região, apareça definitivamente no roteiro turístico nacional.

Infelizmente o que vamos assistindo é à degradação da cidade, em especial pela falta da sua promoção. As Caldas, apesar dos sucessivos investimentos, perderem utentes para a concorrência, as festas do concelho a 8 de julho pese embora o simbolismo da data continuam, com um programa pouco aliciante, assim como o programa dos Santos, que embora seja uma das feiras mais antigas do país, não descola das barracas das farturas, dos bombos e das concertinas.

Vai nos valendo o Desportivo que, domingo a domingo vai elevando o nome da cidade pelo país, embora de uma forma pouco sustentável, porquanto, na equipa principal não se vislumbra nenhum jogador natural do concelho, já que os naturais militam noutras equipas, como o exemplo do Edu Machado no Boavista.  

Voltando à recandidatura do Carlos Xavier, tal como disse anteriormente, desejo-lhe o maior sucesso pessoal e social, e ao mesmo tempo, porque a Junta é o elemento mais agregador da freguesia, gostava que conseguisse unir todas as suas forças vivas, de molde a que Outeiro Seco, voltasse a ser a referência que foi no passado, e da qual ele foi também um elemento ativo.

  

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:36

Março 22 2017

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O tema dos refugiados não é recente. Ao longo dos tempos têm sido recorrente as fugas em massa de populações, umas fugindo por razões económicas causadas por secas extremas que, trazem a fome e doenças, outras das guerras, causadas por perseguições políticas e religiosas.

A própria Bíblia fala-nos numa dessas vagas de refugiados, designada por Êxodo, descrevendo a fuga dos Hebreus do Egito para a Terra Prometida, de onde já tinham fugido, por causa de uma seca extrema.

Durante os finais do século XIX e princípios do século XX, Portugal também conheceu de certa maneira este fenómeno, quando, por razões económicas, milhares de portugueses emigraram para as Américas, sobretudo para o Brasil. O fenómeno haveria de repetir-se nas décadas de cinquenta e sessenta, desta vez para a França e Alemanha, para suprirem a falta de mão-de-obra nesses países, devastados pela segunda guerra mundial.

Ora, foi por causa da guerra mundial e em especial pela guerra civil espanhola que, as nossas aldeias transfronteiriças receberam algumas centenas de estrangeiros, sobretudo espanhóis, perseguidos pela guerra civil.

O Pedro Prostes da Fonseca no seu livro “Contra as Ordens de Salazar” ilustra bem este fenómeno, dando particular ênfase à ação do flaviense António Augusto Seixas, que, na qualidade de tenente da Guarda Fiscal na região de Barrancos, permitiu a fuga de 405 espanhóis, evitando assim que fossem mortos pelas milícias de Franco, ainda que essa ação lhe causasse a passagem à reforma compulsiva.

Embora o seu corpo esteja enterrado no cemitério flaviense, o facto não foi muito valorizado em Chaves, nem sequer em termos toponímicos. Porém António Augusto Seixas tem dois memoriais em sua honra, um em Barrancos e outro em Oliva de la Frontera na província de Badajoz.

Na região de Chaves também houve vários casos de refugiados políticos, sendo o mais mediatizado o ocorrido na aldeia de Cambedo, onde um grupo espanhol composto por Juan Salgado Ribera, Bernardino García e Demétrio García Alvarez se refugiaram, em casa de uma irmã do Demétrio.

Em Outeiro Seco, os casos mais conhecidos foram o de uma família espanhola, a quem o senhor João Alferes deu asilo. Pouco se sabia do míster desta família, dizia-se pedreiro mas claro que, era para esconder a sua verdadeira identidade. Todos os dias a sua mulher ia a casa do meu avô Eurico, pedir-lhe o jornal o Comércio do Porto que, o meu avô comprava diariamente e lera na véspera. O espanhol lia depois com sofreguidão, os acontecimentos da guerra civil espanhola descritos no jornal.

Por essa altura Outeiro Seco recebeu um outro casal de refugiados, estes vindos da Bélgica. O marido era português e chamava-se Arnaldo, a mulher era estrangeira e respondia por Marta, nunca se soube porque fugiam, mas o mais provável era que Marta fosse de origem judia. Estavam exilados em casa do senhor Francisco Bouças, mas tomavam diariamente o café em casa dos meus avós, sempre sem açúcar, relembra a minha mãe.

A senhora tinha grande dificuldade em fazer-se entender pelos os vizinhos, todos eles com grande iliteracia, pois nessa época, ainda não se dera a vaga emigratória para França. Por isso um dia em conversa com a Fernanda André, a senhora após lhe dizer algo e vendo que, esta não a entendia, perguntou-lhe.

- Tu compri? Compri?

- Nom compri disse-lhe a Fernanda.

Então a senhora bastante irritada disse-lhe.

Merde! Merde! Compri! Compri!  

A Fernanda só disse.

- Agora compri.

O episódio tornou-se pitoresco e a minha mãe, passados mais de setenta anos, ainda o recorda com graça.

 

publicado por Nuno Santos às 09:59

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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