Outeiro Secano em Lisboa

Março 01 2016

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Confessionários da Catedral de Santiago

 

A desobriga pascal também conhecida por confissões, consiste num preceito da igreja Católica, no qual os católicos praticantes se confessam e pedem a contrição dos seus pecados. Este preceito está inclusive consagrado nos Mandamentos da Santa Madre Igreja, onde no segundo mandamento se pode ler: “Confessar-se ao menos uma vez por ano”.

Esta prática ainda persiste em quase todas as paróquias católicas, só que atualmente são cada vez menos os crentes que, fazem a sua desobriga. Recordo-me ainda do tempo de menino e moço, quando eu também fazia a desobriga, mais por obrigação imposta pela minha mãe, do que por devoção, confesso-o.

Tratava-se de um dia especial desde logo, porque ocorria durante as férias escolares da Páscoa, e embora se realizasse num dia de semana, era como se fosse dia de feriado na aldeia. Vestia-se o fato domingueiro e todos confluíamos para as imediações da igreja, aguardando a vez de nos confessarmos.

Os padres confessores vinham das paróquias vizinhas, situação que só acontecia nesse dia, ou quando havia um funeral de alguém com posses, cujas exéquias fúnebres tinham missa e ofício de almas. As posses da família desse defunto mediam-se pelo número de padres presentes no ofício.

 

Embora o nosso padre fosse um dos confessores, a maioria dos fiéis vá lá saber-se porquê, preferia confessar-se aos padres que vinham de fora. Porque a nossa igreja só tinha dois confessionários, a maioria dos crentes fazia-o cara a cara com o padre, isto é, o padre sentava-se numa cadeira e o crente ajoelhava-se perante ele.

Ora, foi por isso que a confissão do Luís Martinho, foi ouvida pela Idalina, porquanto estava próxima mas também, porque a Idalina tinha o defeito de ser uma cusca.

O Luís era um pouco fraco de ouvido, por causa de uma otite mal curada na infância, e como todos os surdos falava um pouco alto. Quando chegou a sua vez, ajoelhou-se perante o padre e depois de receber a sua bênção e de fazer o sinal da cruz, o padre perguntou-lhe.

- Então meu filho, quais são os teu pecados?

- Oh senhor padre, eu falo mal à minha avó e falo mal à burra.

- E que mais pecados tens?

E o Luís repetia – Eu falo mal à minha avó e falo mal à burra.

Então o padre disse-lhe.

- Pronto meu filho podes-te ir embora. Senão fosse a burra e a tua avó, tu não tinhas pecados.

publicado por Nuno Santos às 18:54

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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