Outeiro Secano em Lisboa

Junho 25 2016

Chaves 1.jpg

Há dias, publiquei na minha página de facebook uma foto da cidade de Chaves, com a legenda, a minha terra é linda, tendo merecido vários “gostos” de amigos, porque gostaram do que viram. Só que afinal esta cidade, faz-nos lembrar aquelas embalagens, que são muito bonitas por fora, mas o seu interior é vazio. As cidades são as suas casas, ruas e monumentos, mas também as pessoas e instituições.

Vem isto a propósito porque os meus sogros, que já ultrapassaram ambos a barreira dos noventa anos, precisando agora de um apoio de maior proximidade, razão pela qual, embora mantendo a residência em Lisboa, temos vindo a Chaves, com maior frequência.

Ora, foi um constrangimento de saúde da minha sogra, que nos levou ao Hospital de Chaves, onde, apesar da rapidez e simpatia com que fomos atendidos, ficamos a saber que em Chaves, não existe atualmente um Serviço de Urologia, nem tão pouco no Centro Hospitalar de Vila Real, para onde por razões economicistas, transferiram uma boa parte dos serviços que, anteriormente funcionavam em Chaves.

Deste modo, um doente que necessite dos serviços de urologia, tem de ser transferido para o Hospital de São João no Porto, independente do seu estado de saúde ou da sua idade.

Esta situação acentua bem as assimetrias existentes, num país tão pequeno como o nosso, onde se gastaram milhões em infraestruturas hospitalares, para depois estarem inativas, enquanto vão proliferando clínicas privadas por todo o lado, muitas delas funcionando com os mesmos médicos que, pertencem aos quadros dessas unidades públicas.

Claro que tudo isto é fruto das políticas neoliberais dos nossos governantes, mas paradoxalmente, vendo os mapas eleitorais, são as pessoas dessas regiões mais desprovidas desses serviços públicos, quem os elegem.

Acho que é tempo de se inverter esta situação, havendo coragem para se implementar a mesma política imposta recentemente no ensino, com a retirada do apoio ao ensino privado, onde existe o ensino público.

Assim e em cumprimento da Constituição Portuguesa, a qual consagra que, o Serviço Nacional de Saúde é também assegurado a toda a população, devem acabar as parcerias privadas, as quais, servem apenas uma parte da população, em especial a mais protegida.

A marcha da cidade de Chaves tem uma quadra que diz “ Para as doenças mais graves, aqui damos a saúde, venham às Caldas de Chaves, as Caldas de mais virtude”. Ora, para que esta quadra não seja letra morta, é necessário que o hospital recupere todas as suas valências, e as centenas de médicos transmontanos e flavienses espalhados pelo país, assumam as suas origens assim como o tributo da terra que os formou.

Na década de setenta, só de uma turma do Liceu Fernão de Magalhães, entraram onze alunos em Medicina. O próprio secretário de estado da saúde Dr. Manuel Delgado é um flaviense e ex-aluno desse liceu.

É urgente que a cidade de Chaves recupere um bom serviço de saúde, mas não só também em outras áreas como a cultura e o lazer, recuperando assim a importância que já teve na história deste país, e os seus habitantes se sintam felizes e seguros, não tendo que andar a correr para o São João ou Clipóvoa, por cada constrangimento de saúde.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 11:36

Tens toda a razão, Nuno! As políticas de Saúde têm sido desastrosas, especialmente para as localidades do interior. É preciso dotar esse hospital de todas as valências que lhe foram retiradas (e, talvez, de outras), porque, tal como está, apesar de toda a simpatia e boa-vontade dos profissionais, não vamos longe. Não podemos fazer omeletas sem ovos...
Alice Barreira a 25 de Junho de 2016 às 18:00

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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