Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 19 2017

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Tal como a maioria das pessoas também eu detesto filas de espera, por serem uma coisa fastidiosa e sobretudo, uma perda de tempo. No entanto, suporto-as quando são por uma boa causa, nomeadamente, as filas de espera para visitar uma boa exposição, num museu.

Ora, foi por causa da exposição de Amadeu Sousa Cardoso no Museu do Chiado que, neste sábado, aguentei algum tempo numa fila de espera, a qual só não foi maior, porque fizemos a visita cedo, bem antes da hora do almoço.

Para mim é sempre um prazer ir ao Chiado e ao Bairro Alto, pois considero esta zona da cidade só por si, uma espécie de museu, tantos são os pontos de interesse que, ali existem. Além de que foi no Bairro Alto e Chiado, onde passei uma boa parte da minha vida de solteiro em Lisboa, por isso ir ao Bairro Alto, é como que um regresso a casa.

Esta exposição composta por 81 quadros é a evocação do centenário das primeiras exposições que, Amadeu fez no Porto e em Lisboa, em finais do ano de 1916, as quais decorreram nos Jardins Passos Manuel no Porto, e a de Lisboa, na Liga Naval, por sinal perto do Chiado.

Cem anos depois a exposição percorre o mesmo itinerário, esteve primeiro no Porto no Museu Nacional Soares dos Reis, agora está em Lisboa, no Museu Nacional de Arte do Chiado até ao dia 26 de fevereiro.

Quando há cem anos ocorreu esta exposição, segundo rezam as crónicas, ela mereceu uma grande discussão entre o público, não familiarizado com este estilo de pintura tão vanguardista. Na época teve como grande defensor um crítico, também ele pintor e vanguardista José Almada Negreiros.

Por coincidência, está atualmente patente ao público, no Centro de Arte Contemporânea da Fundação Calouste da Gulbenkian também uma grandiosa exposição de Almada Negreiros, a qual tem gerado um enorme interesse do público, gerando-se por isso enormes filas de espera na sua visita.

Tal como disse no início deste post, eu detesto as filas de espera, porém não deixo de ficar satisfeito com este tipo de filas de espera, são um sinal de interesse pela cultura, ora, um povo será mais desenvolvido, quanto maior for a sua cultura.  

 

    

publicado por Nuno Santos às 10:34

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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