Outeiro Secano em Lisboa

Março 12 2017

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Se nos cingíssemos aos tempos de hoje, os meus amigos Herculano Pombo e Altino Rio não teriam escrito o livro “Crescem pães pelos outeiros”, nem haveria tantos encontros amorosos nas searas, quando estas cobriam dois cus.

Um artigo no Expresso de hoje dá-nos a explicação para isso, dizendo que, a produção de cereais atingiu o ano passado, números mínimos e históricos em Portugal, ao ponto de termos necessidade de importar 98% dos cereais para a nossa alimentação.

Ora todos nós constatamos que, nos campos da nossa aldeia, onde outrora verdejavam searas ondulantes ao vento, atualmente cresce mato que, mais não serve do que ser um combustível fácil para alimentar os incêndios de verão, ainda que na primavera, nos deem algum colorido.

Os moinhos que dantes davam um ambiente bucólico aos nossos rios e ribeiras, hoje são edifícios em ruínas, existindo um ou outro, porque as Câmaras Municipais os decidiram preservar, servindo de património cultural e museológico. Em Outeiro Seco chegou a haver três moinhos, os quais desapareceram há décadas, e mesmo em ruínas, já só  podemos  observar as paredes laterais do moinho das Freiras.

Segundo o artigo do Expresso, Portugal gastou durante o ano passado 733 milhões de euros, na importação de cereais, para introduzir na nossa cadeia alimentar. Mas não se pense que, consumimos os cereais apenas quando vamos à padaria comprar o pão, já que são ingeridos também no frango e no bife, pois, também as aves, vacas, porcos e ovelhas, consomem cereais em forma de ração.

Atualmente torna-se mais barato importar o cereal do que produzi-lo em Portugal, razão pelo qual os agricultores abandonaram a sua produção. Por exemplo em 2016 o seu custo foi de 17 cêntimos o quilo, ou seja 170 € a tonelada. A acrescer ao fator do preço há ainda a acrescer outros fatores como o da produção de cereal ter um elevado risco de sucesso, muito dependente do clima.

Umas vezes é a seca que impede uma boa produção, outras vezes o excesso de chuva e outras a geada, sendo óbvio que a produção do cereal não é a mais indicada para Portugal. Mesmo a região do Alentejo outrora conhecida como o celeiro de Portugal, após a construção da barragem do Alqueva, virou-se para a produção de vinho e azeite com muito mais valor acrescentado, do que a produção do cereal.

Mas se em termos económicos o abandono da produção de cereal poderá acarretar mais-valias, o mesmo já não acontece em matéria de emprego. Ora não havendo emprego as populações não se fixam, razão pela qual nós vimos que o interior está cada vez mais desertificado, enquanto antes, apesar de termos uma agricultura de subsistência, a maioria das populações rurais viviam nas suas aldeias, donde, é urgente olhar para esta problemática, sob pena do país se encostar todo ao litoral.

publicado por Nuno Santos às 11:41

é uma tristeza mas não vai melhorar
pois teriam que derrubar muitas paredes para mecanizar a agricultura só assim teriam condições de concorrer com preços mais baixos mas não há interesse nem do governo e muito menos do povo
vasco sobreira garcia a 12 de Março de 2017 às 16:43

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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