Outeiro Secano em Lisboa

Maio 04 2017

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Ontem foi o dia 3 de maio e presumo que, para muitos outeiro secanos, terá sido um dia como outro qualquer. Só que nem sempre foi assim. Tempos houve em que este dia era feriado na aldeia, em nome da veneração da Santa Cruz, porque segundo os cânones religiosos, terá sido neste dia que, Santa Helena descobriu a cruz, onde Jesus Cristo fora cruxificado.

 A data foi tão levada a sério que, ao lugar da nossa freguesia para onde se terão deslocado algumas famílias, como uma espécie de colonos, chamaram-lhe Santa Cruz.

Durante muitos anos Santa Cruz não teve qualquer autonomia, dependia administrativamente da junta de freguesia sedeada em Outeiro Seco, assim como dos serviços religiosos e o cemitério. Mais tarde foi construída uma capela, tomando-se como orago a Santa Cruz, realizando-se a festa em sua honra neste dia do 3 de maio.

Embora esta festa tivesse essencialmente um cariz religioso, a população de Outeiro Seco também a tomava como sua, guardando o feriado e participando no peditório para a sua realização. Aliás a prática do peditório era recíproca, pois quando da realização da festa da Sra da Azinheira em 8 de setembro, a comissão de festas também ia e continua a ir pedir a Santa Cruz.

Em alguns anos dependendo da dinâmica das comissões de festas, além da festa religiosa também se organizava baile, com banda de música e tudo. Esse baile realizava-se na eira grande, onde havia um coreto improvisado.    

Por causa da situação estratégica deste lugar, muito próximo da cidade, Santa Cruz teve um crescimento exponencial, passando a ter mais residentes e eleitores do que a própria sede da freguesia. Assim no ano de 2001 ocorreu o desmembramento da freguesia de Outeiro Seco, passando a ser mais uma freguesia de Chaves, com o nome de Santa Cruz Trindade.

Em 2011 na sequência da última reforma administrativa, a sua toponímia voltou a ser alterada, passando a designar-se como União das freguesias de Santa Cruz Trindade e Sanjurge, parecendo-me uma união sem grande nexo, pois, não havia qualquer ligação histórica entre estas duas localidades, porquanto, essa ligação histórica existiu sim mas com Outeiro Seco.

Atualmente Santa Cruz tornou-se num lugar descaraterizado, já que a maioria dos seus moradores, não têm ali as suas raízes. Compraram ali um lote de terreno e construíram ali uma casa, muitos deles oriundos das terras da montanha, mas apenas para que os seus filhos beneficiem da proximidade das escolas da cidade.

Assim o dia 3 de maio passou a ser uma data como outra qualquer, embora continue a ser recordado pelos outeiro secanos, sobretudo os mais velhos porque a esta data está ainda associado um outro facto, o início das sestas, ou seja a pausa no trabalho entre o almoço e a tarde.

Este é um costume usado na vizinha Espanha “la siesta” e seguido ainda pelos mais velhos nas regiões transfronteiriças, no Alentejo chamam-lhe “a folga” mas que sabe bem lá isso sabe.

publicado por Nuno Santos às 10:47

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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