Outeiro Secano em Lisboa

Março 20 2016

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A leitura do evangelho nas missas dominicais de hoje dirá que, esta festa, simboliza a entrada triunfante de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém, quando montado num burro e acompanhado pelos seus apóstolos, foi saudado pela multidão, com ramos de palmeira.

Ora, como a flora não é igual em todas as terras e as palmeiras predominam sobretudo, na zona mediterrânica e marítima, na nossa terra a saudação a Cristo, é feita com ramos compostos de louro, oliveira, congorsa, salva e alecrim.

Mas mais do que o simbolismo da saudação a Cristo, no meu tempo de menino e moço, este dia era para nós um concurso de ramos. A tarde de sábado era dedicada à procura das plantas com que ornamentávamos os ramos, e a sua apresentação, dependia da imaginação de cada um. Havia-os grandes e pequenos, uns em forma de arco, outros em forma de cruz, mas a maioria eram do tipo fachuco, ou seja, as plantas eram misturadas e atados com um fio, alguns também lhe dependuravam rebuçados.

Embora o dia de Ramos signifique o início da semana santa, para nós esse dia confinava-se apenas à bênção do ramo, o qual depois de benzido era oferecido aos padrinhos, dando quase sempre uma moedita, servindo para adoçar a boca, com as guloseimas compradas na taberna da Sra. Cândida ou da Sra. Adelaide.

Mas claro que nem todos os ramos eram para oferecer aos padrinhos, a sua maioria eram guardados e secos em casa, para serem utilizados como defumadouros. Nessa época a ida ao médico não era tão generalizada, muitas das doenças curavam-se com remédios e mezinhas caseiras.

E como nem todas as doenças eram físicas, algumas eram apenas do foro mental e psicológico, atribuídas ao mal da inveja ou mau olhado, a cura dessa doença fazia-se com um defumadouro. Queimava-se os ramos bentos e segundo os crentes, esse fumo afastava o mau olhado, curando o paciente.

Acredite quem quiser, mas era assim no meu tempo.

Um bom dia de Ramos para todos.

 

  

  

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:17

era assim mesmo e por esses motivos era um dia de muita alegria
eu perdi faz muito tempo a caminho que leva à igreja e não tenho
nenhuma vontade de o encontrar a unica coisa que lembra o feriado
da sexta
vasco sobreira garcia a 21 de Março de 2016 às 11:10

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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