Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 13 2017

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Esta história é muito antiga porque já a minha bisavó a contara á minha avó, que, por sua vez, a recontou á minha mãe e às minhas tias. Também no meu tempo de menino e moço, quando às refeições havia alguma contenda com os meus irmãos, porque algum de nós sentia prejudicado com a repartição do peguilho, a minha mãe dizia-nos.

- Vê-de lá se quereis ir ao macaco juiz.

Ora, a história do macaco juiz reza assim.

Era uma vez dois ratitos que, ludibriando a segurança do bichano lá da casa, o qual gostava mais de ficar enroscado ao borralho da lareira, do que caçar ratos, entraram na despensa da casa e furtaram um queijo. Depois, confrontados com a forma equitativa da partilha do queijo, um deles disse.

- Cá por mim íamos ao macaco juiz, pois segundo ouvi dizer, tem muita sabedoria e um grande sentido de justiça.

O outro rato concordou e lá foram ao macaco, para que este lhes fizesse a partilha do queijo. Exposta a situação, o macaco foi buscar uma balança e partiu o queijo em dois, colocando cada bocado do queijo, nos pratos da balança.

Como o prato esquerdo da balança estivesse mais baixo, o macaco deu-lhe uma valente dentada fazendo com que o desequilíbrio passasse para o lado oposto. Nova dentada na porção do queijo da direita e o desequilíbrio passou de novo para a esquerda.

Os ratitos vendo o queijo a desaparecer, ainda interpelaram o juiz, mas este com ar de muito compenetrado na sua ação, disse-lhes.

- Mas não foi a justiça que procurastes? Então deixai que a justiça se faça.

Continuando com mais uma dentada no bocado da direita, outra dentada no bocado da esquerda, sobraram apenas dois bocaditos de queijo em cada prato da balança. E perante a estupefação dos ratitos, o macaco juiz disse-lhes.

- Bem, como já só há estes dois bocaditos, não vale a pena fazer a partilha, estes ficam como paga do meu serviço.

E dizendo isso, meteu os dois bocados de queijo à boca, ficando os dois ratitos incrédulos com o que lhes tinha acontecido.

Moral da história, nem sempre recorrer à justiça é a melhor solução, por vezes, é melhor o diálogo e a concertação entre as partes.

publicado por Nuno Santos às 09:34

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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