Outeiro Secano em Lisboa

Outubro 16 2016

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Foto de Humberto Ferreira

 

Há já alguns anos que eu venho assistindo e apoiando, a denúncia do nosso conterrâneo Humberto Ferreira, quanto à falta de qualidade do PEC – Parque Empresarial de Chaves localizado em Outeiro Seco, no tocante às descargas dos seus esgotos, os quais escorrem a céu aberto na vala de enxugo, a que nós outeiro secanos chamamos, Rigueiro do Cego.

Este curso de água agora putrificado e nauseabundo foi no passado, um autêntico viveiro de várias espécies de peixes, onde faziam a sua desova. Conheço vários os episódios passados no rigueiro do cego relacionados com a pesca dessas espécies, mas deixo-vos aqui um episódio passado comigo, já lá vão mais de cinquenta anos.

Nessa época, a maioria dos homens do campo usavam como calçado de inverno, os socos, cuja base era feita em pau de amieiro e a parte superior em cabedal. Para aumentar a sua durabilidade assim como o isolamento perante a água, os socos eram besuntados com sebo, uma gordura animal, extraída na matança dos porcos ou dos cordeiros da festa. As mulheres também usavam socas de madeira, mas com algumas diferenças. Enquanto os socos dos homens quase cobriam o calcanhar, terminando em forma de V, as socas das mulheres eram mais abertas, cobrindo apenas o peito do pé e o cabedal em vez de ensebado, era pintado com um verniz preto.

Aos seus fabricantes chamavam-lhes soqueiros e na região de Chaves havia vários na aldeia da Torre de Ervededo. Em Outeiro Seco também chegou a haver um soqueiro, foi o senhor Augusto Bouças, embora não fosse um outeiro secano de origem, aqui casou e viveu grande parte da sua vida.

Por meados da década de sessenta, começaram a aparecer as galochas, umas botas de cano alto em borracha, que por força das suas caraterísticas isolantes, permitiam pisar e atravessar pequenos cursos de água, sem necessidade de se descalçar.

O meu pai que, em matéria de inovação, gostava de estar sempre na vanguarda, acabara de comprar umas galochas, sendo das primeiras da aldeia. O senhor Zé Pispalhas seu vizinho e amigo trazia de renda um lameiro no Campo Lavrado, confinante com o Rigueiro do Cego, mas, todos os anos tinha de concertar as abertas, para melhor irrigar o lameiro, com a água do rigueiro.

Sabendo que o seu amigo Roxo, nomeada pela qual era conhecido o meu pai, já tinha umas galochas, pediu-lhas e sugeriu que eu fosse com ele, tocando as nossas vacas para o seu lameiro. De modo que era dois em um, em troco do pasto, emprestava-lhe as botas e eu guardava-lhe as vacas.

Andando ele na tarefa de reparar a aberta, viu subir o rigueiro uma espécie animal. Inicialmente até lhe pareceu ser uma cobra, mas em breve reconheceu tratar-se de uma enguia. Eufórico largou a enxada e com as duas mãos agarrou a enguia, só que não contou com a viscosidade da pele do animal, assim, em vez de atirar com ela para o lameiro e imobilizá-la com os pés ou com a enxada, decidiu erguê-la mostrando-me o belo troféu que, acabava de ganhar.

Nesse mesmo tempo, a enguia fletiu o dorso para a esquerda e para a direita soltando-se-lhe das mãos, e retomando o curso de água, desaparecendo num ápice, para grande deceção e frustração do Sr. Zé Pispalhas.

Durante anos sempre que nos encontrávamos ele recordava o episódio.

- Oh Nuno e aquela enguia no Campo Lavrado! Que bem me fintou.

Esta semana fui surpreendido com uma notícia no jornal A Voz de Chaves, de que o Parque Empresarial de Chaves foi eleito a nível nacional, para integrar a iniciativa “Selo de Qualidade e+”, uma medida que o pretende qualificar e dinamizar.

Claro que tal medida deixa-me satisfeito, mas quem conhece a situação do parque no tocante aos esgotos, ainda recentemente denunciada também pela QUERCUS, não pode deixar de demonstrar estranheza por tal qualificação, pese embora essa qualificação, seja apenas a nível do serviço energético.

Eu ainda não li nem ouvi nenhuma medida, para a reparação deste crime ecológico, o qual dura há já vários anos e vários mandatos autárquicos, tanto mais que as subestações estão feitas, faltando apenas a ligação dos esgotos do Parque até ao lugar da Ribeira. Quando tal obra for feita, então a certificação do parque será plena e talvez o Rigueiro do Cego, volte a ser de novo um lugar para a desova dos peixes do rio Tâmega.

publicado por Nuno Santos às 07:53

Nos dias de hoje, quando vamos a um bar ou café,e pedimos ao empregado uma água, é normal ouvir da parte do emproado ; Com sabor ou natural?. Pois com todas estas modernices já temos Licor de Merda, aguas com viários sabores, presunto certificado, carne dos lameiros do Barroso certificada. Mas Chaves também já foi Princesa do Alto Tamega , e Rainha , a cidade mais florida, Capital do Alto Tamega, pobre cidade que mais será.Mas o Município de Chaves, onde não faltam ideias, e por isso criou no Antigo Magistério Primário, o ninho de empresas recreativos maravilhoso. Mas como não há duas sem três, ai vai mais uma ideia criativa: O Executivo decide na sua ultima Reunião, proceder ao lançamento de uma linha de engarrafamento de água do Rio Tamega, junto ao poldra-do de Curalha, em cujo rotula da garrafa passará a constar o seguinte ; ÁGUA DO RIO TÂMEGA COM SABOR A MERDA DO PARQUE EMPRESARIAL (CERTIFICADA). E esta eh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Anónimo a 17 de Outubro de 2016 às 09:54

realmente é uma vergonha mas quem sabe agora com a reportagem da quercos a coisa se resolva
vasco sobreira garcia a 17 de Outubro de 2016 às 19:31

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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