Outeiro Secano em Lisboa

Novembro 01 2014

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É costume ouvirmos dizer “a minha vida dava um romance” e foi o caso da vida de Deolinda Silva, actual companheira de Américo Novais, a qual deu um belo romance com o título “Pegadas que ficam” cuja leitura recomendo. O livro tem dois prefácios, um do Padre Fontes, outro de Barroso da Fonte, duas figuras barrosãs, de reconhecido valor cultural, na região e no país.

Deolinda Silva é natural de Vilar de Perdizes feita da rija têmpera dos barrosões, razão porque escolheu como pseudónimo das suas obras, o nome de Sónia Guerreiro, um nome mais demonstrativo dessa força interior que lhe vai na alma.

Depois da sua primeira formação escolar na aldeia, fez o ensino secundário em Chaves, onde conheceu o grande amor da sua vida, o qual viria a marcá-la para sempre.

Inconformada com os horizontes que a limitavam entre as serras do Larouco e do Leiranco, a Deolinda decidiu alargar esses horizontes indo para Angola, não para responder aos apelos do presidente do governo da altura, cuja máxima era “Para Angola e em força” mas para fugir à precariedade vigente na nossa região.

De salientar que nessa época, aqueles que tinham habilitações literárias ainda que secundárias, já tinham várias saídas profissionais no sector terciário, ainda que tivessem de vir para Lisboa ou Porto. Só que havia outras razões que levavam  Deolinda a ir para Angola, o local onde idealizara encontrar a sua felicidade.

Mas a vida nem sempre é como se planeia, sendo mais parecida com um carrossel que, ora sobe ora desce, e as melhores expectativas da Deolinda não se consumaram. Consertou-a da forma que na altura achou melhor, embora mais tarde constatasse, não ter feito a melhor opção.

Em 1974 integrou o contingente de quase um milhão de portugueses retornados de África, vindo como sói dizer-se, com uma mão à frente e outra atrás. Foi nessa altura que descobriu a “Guerreiro” que havia dentro de si, conseguindo dar a volta por cima e reconquistando tudo o que perdera.

A Deolinda já está reformada da sua vida profissional, mas não da sua actividade cívica. Além das funções sociais que desempenha em Montalegre, como Presidente da Delegação da Cruz Vermelha, é a actual presidente da Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes, responsável por variadíssimas actividades realizadas nessa aldeia, desde o Congresso de Medicina Tradicional, à noite de Halloween.

Ora, por via da sua relação que agora tem com a nossa terra, em minha opinião a Casa de Cultura, poderia aproveitar essa sinergia, promovendo senão a geminação com Vilar de Perdizes, uma terra que do ponto de vista cultural é uma mais valia para a região, mas pelo menos, promover o lançamento deste romance no seu auditório, visando com isso a integração de uma pessoa que, pode trazer valor acrescentado à nossa terra.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 13:52

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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