Outeiro Secano em Lisboa

Março 26 2015

 

futebol de rua.jpg

 Foto jornal Público

 

 

A nossa caixa de correio electrónico é  diariamente invadida com emails, uns mais divertidos do que outros, por isso os partilhamos ou apagamos. Hoje recebi um email com as regras do futebol de rua e não resisto em partilhá-lo,  porque me fez recuar cerca de cinquenta anos atrás, ao tempo em que jogávamos à bola com a roupa e o calçado que traziamos no corpo.

Jogávamos  na eira do Caneco, do Pispalhas, no Largo do Zé Merceana, no adro da Sra. Rosário, ou no recinto da escola de baixo, durante o intervalo no tempo lectivo, mas também à noite e aos domingos à tarde, à revelia do presidente da junta, o meu avô Eurico, por causa dos vidros das janelas da escola, que de vez em quando lá se partia um. O pior era quando a bola entrava pela sala dentro, acabando-se logo jogo, pois sem bola não havia  jogo.

Os meus contemporâneos recordar-se-ão ainda dessas partidas, sobretudo das guerras provocadas pelo Lelo Sobreira, porquanto, para ele os golos só eram válidos quando rasteiros e bem no centro da baliza, doutra forma, a bola ou tinha saído ao lado ou fora  alta de mais.

Mas também do Zé Mau que impunha a sua lei e quando dizia que fora golo, era mesmo golo, razão porque todos queriam jogar sempre na sua equipa, pois sabiam que saiam sempre vencedores.

Por vezes num mesmo jogo, havia paradoxalmente dois resultados diferentes, porquanto uma das equipas não reconhecia o golo da outra, razão pela qual se recorria depois à regra 3. 

 

 

Regras

 

1º- O gordo é o Guarda-redes
2º- O jogo termina quando todos estão cansados
3º- Embora o jogo esteja 20 a 0, “quem marcar, ganha!”
4º- Não há árbitro
5º- Só se marca falta se for muito claro, ou se sair alguém a chorar
6º- Não há fora-de-jogo
7º- Se o dono da bola se chateia… acaba o jogo
8º- Os melhores jogadores não podem jogar na mesma equipa e são eles que escolhem o resto da equipa
9º- Ser o último a ser escolhido é a maior humilhação
10º- Nos livres directos, a barreira vai estar sempre perto da bola
11º- A partida pára quando a bola entra pelo vidro de alguma casa, café, carro… ou quando passa um camião, autocarro ou carro. Se forem motas ou bicicletas… segue o jogo
12º- São inimigos eternos os jogadores do bairro mais perto (Eiró/Pontão)
13º- Os que não sabem dar um pontapé na bola, são suplentes ou quanto muito… defesas
14º- Se chegam os mais velhos, temos que sair do campo, mas não, sem protestar primeiro
15º- Há sempre um vizinho que não te deixa jogar ou que ameaça que te fica com a bola
16º- Se se aposta alguma coisa, jogamos como se fosse uma final
17º- As balizas são duas pedras, ou latas, mas vai haver sempre uma equipa que tem a baliza mais pequena
18º- Quando uma equipa marcar um golo de chapéu, a equipa adversária vai gritar sempre “FORA”( para que o golo não seja validado)
19º- Os foras são marcados com o pé e é possível atirar contra um adversário e seguir a jogada.
20º- Num penalty, o gordo sai sempre da baliza e quem defende é o melhor jogador.

Um abraço para o Manel e para o Zé Mau.

 

publicado por Nuno Santos às 15:17

ó tempos que não voltam
mas acho que o que mais mais nos dava trabalho era o adro pois o tio lepidio não dava folga
vasco sobreira garcia a 3 de Abril de 2015 às 16:51

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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