Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 04 2016

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O termo saber da poda, tem uma carga negativa, significando que alguém, sabe fazer algo de forma ilícita. No meu caso pessoal o saber da poda, significa eliminar as varas que, estão a mais na videira, deixando os gomos suficientes, de modo a produzir em função da sua robustez.

Aprendi a técnica de podar tarde e por necessidade, só após a morte do meu pai, quando nos vimos herdeiros de duas vinhas, uma delas com quase dois mil pés. Foi o meu irmão Manuel o único que se fixou na aldeia, quem me instruiu. Aliás o meu irmão Manuel, apesar de ser o mais novo, herdou outras caraterísticas do meu pai, nomeadamente a de matador de porcos, herdando também as facas e os demais instrumentos da função.

Essa vinha fora plantada na década de setenta, precisamente quando fui para Lisboa, fugindo da vida rude e agreste da agricultura, com a qual convivera durante dezoito anos.

Por coincidência, a primeira vindima dessa vinha, coincidiu com um período das minhas férias, tendo sido eu e o meu pai, os seus primeiros vindimadores, na altura apenas uns galelos, porque era o seu primeiro ano de produção.

Por circunstâncias especiais essas duas vinhas já não existem. A maior porque era uma carga demasiado penosa para a minha mãe, por isso decidimos candidata-la ao plano de abate, promovido pelo IFADAP. A segunda porque foi expropriada pelo Instituto de Estradas de Portugal para fazer o nó da A 24.

Agora exerço a técnica de podador na vinha do Tabolado, pertencente ao meu sogro. Costuma ser uma tarefa partilhada com os meus cunhados, porém este ano, por circunstâncias especiais, tocou-me só a mim.

Para os flavienses moradores na cidade a toponímia do Tabolado, seja em qualquer época do ano, está ligado a lazer ou passeio, porque é a zona que vai da ponte romana às caldas. Mas para os outeiro secanos, o Tabolado, é a zona onde se situam uma boa parte das vinhas, logo o Tabolado quer dizer labuta pois qualquer que seja a altura do ano, há ali sempre tarefas para se fazer, seja a poda, a escavada, os tratamentos das videiras e por fim a vindima.

Resta agora aguardarmos para ver, se o ano vai ser de boa colheita, a colheita dos anteriores, avaliando pela opinião dos seus provadores tem sido boa, presumindo que o digam não apenas por simpatia. Mas como se costuma dizer, até ao lavar dos cestos há vindima, por isso, até que o vinho esteja no copo, há ainda muito trabalho a fazer. Haja saúde, para depois se fazer o brinde à mesma.

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:57

que coisa boa como não esquecermos o engaço
e vou torcer para que seja a melhor colheita de todas
vasco sobreira garcia a 6 de Fevereiro de 2016 às 14:27

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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