Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 20 2014

Embora venham do início do século XX, algumas medidas para a criação de um serviço nacional de saúde, o certo é que só a Constituição da República de 1976, no seu artigo 64.º o consagre, ao fazer constar que:

Todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Esse direito efectiva-se através da criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação, bem como uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país.

Embora consagrado na Constituição de 1976, o SNS só viria a ser implementado em 1979, sendo ministro da saúde o socialista António Arnaut, ficando conhecido por isso, como o “pai” do Serviço Nacional de Saúde, o qual comemorou nesta semana trinta e cinco anos (1979-2014) de existência, organizando-se a propósito da efeméride uma grande conferência, a qual juntou todos os ministros da saúde até à data.

E apesar das juras dos actuais governantes, sobre a manutenção deste serviço nacional e gratuito, tal como está consagrado na Constituição da República, todos nós sentimos quanto ele está ameaçado.

Basta viver-se fora dos grandes centros habitacionais, para se constatar que este serviço não é gratuito, nem tem uma eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país. Já não me refiro aos flavienses, cujo Hospital vem perdendo cada vez mais valências.

Esta semana vivi em Lisboa, uma situação que me incomodou, embora não fosse a pessoa afectada. Aconteceu  quando por razões pessoais tive de ir ao Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, onde ao que parece, em algumas especialidades, centraliza agora a assistência a todos os pacientes, desde Santarém ao Alentejo. Nesse serviço estava uma senhora de 81 anos, vinda nesse dia de Sines, para lhe ser aplicado um pace maker.

Acontece que a senhora como muitos outros, não tem possibilidade de se deslocar em meios próprios, tendo para isso contactado os bombeiros de Sines, que lhe pediram 470,00 € pelo transporte, um valor superior à sua reforma mensal, optando por um táxi, propriedade de uma pessoa amiga que lhe levou 140,00 € mas apenas na vinda, porque, como esta prática médica obriga a uma dormida no hospital, terá de pagar a deslocação do regresso.

Por outro lado, é pressuposto que alguém que precise de um pace maker, seja uma pessoa de risco, mas apesar da sua avançada idade, esta paciente para chegar a Lisboa e ao Hospital de Santa Maria, passou antes pelos hospitais de Sines, Santiago do Cacém, Setúbal e Garcia da Horta, onde em nenhum deles existe este serviço.

Mas a senhora não  viajou só a custas próprias, fê-lo sozinha  e sem qualquer apoio médico ou paramédico. Será que poderemos dizer que esta senhora, é uma verdadeira utente do Serviço Nacional de Saúde?

 

publicado por Nuno Santos às 08:06

Sim, é utente da actual politica do ministério da saúde.
Teodoro a 24 de Setembro de 2014 às 12:40

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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