Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 25 2015

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Quem costuma seguir as telenovelas de produção portuguesa na SIC, recordar-se-à ainda das duas personagens centrais da novela Sol de Inverno, a Laura e a Sofia, representadas por Maria João Luís e Rita Blanco.

Pois estas duas excelentes actrizes tiveram um novo desempenho artístico, numa peça de teatro no São Luís, cuja encenação termina hoje, com o título “Na solidão dos campos de algodão”.

O nome da peça pode induzir que, o seu tema trata de algo de rural ou bucólico, contudo é uma dramaturgia com um texto altamente filosófico, protagonizado por dois homens, pois o texto foi escrito para ser representado por dois homens, pese embora esta encenação tenha sido e bem, representada por duas mulheres.

O autor do texto o dramaturgo francês, Benanard Marie Koltès já desaparecido (1948-1989), apresenta-nos como agentes comerciais, onde todos somos compradores ou vendedores, seja de bens materiais ou de afectos, demonstrando o esforço que, cada um faz para vender algo que, o outro rejeita. Aliás duas das frases mais fortes do texto são:

- Diga-me o que quer que eu vendo-lho, diz o primeiro e o outro responde-lhe: Diga-me o que tem que eu digo-lhe o que quero.

A peça obriga-nos a uma grande introspeção, porque expressa bem a competitividade em que vivemos nos nossos dias, em todas as áreas. Apesar do cenário ser extremamente simples gostei do espectáculo, primeiro, porque foi um pretexto para regressar ao meu Bairro Alto, onde morei e fui muito feliz, parafraseando o Malato. Segundo pela excelente representação das duas actrizes, terceiro, porque o teatro estava esgotado, sendo sempre mais agradável assistir a um espectáculo com a sala cheia, tanto para os actores como para o público.

De salientar que antes de adquirir os bilhetes para esta peça, tentei o Teatro D. Maria onde está o Cyrano de Bergerac com o Diogo Infante, à frente de um grande elenco, mas já estava com lotação esgotada para toda a semana, um sinal de que o Teatro está de novo em alta. Contudo como este espectáculo vai estar em cena até 1 de março, espero ter a oportunidade de ainda o ver.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:23

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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