Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 28 2013

Há quem defenda que a nossa terra é onde ganhamos o nosso dinheiro. Para mim a nossa terra é onde nos sentimos bem, por isso eu digo que sou de Outeiro Seco, e do concelho de Chaves.

A bem dizer eu deveria evocar uma outra terra, não aquela onde nasci nem onde ganho o dinheiro, mas onde tenho a minha habitação permanente e sou contribuinte perante a lei das finanças locais, a cidade de Odivelas.

Mas a não ser esses laços institucionais, confesso que tenho pouca afectividade com Odivelas, talvez porque durante anos, senti-me mais ligado a Loures, a anterior sede do concelho, com cuja gestão camarária tinha maior afinidade politica. 

Aliás essa afectividade a Loures é extensiva à Celeste, que apesar de se ter reformado numa escola em Odivelas, distante da nossa casa apenas duzentos metros, onde leccionou catorze anos, ainda hoje sente nostalgia da escola de Fanhões, no concelho de Loures, onde leccionou durante dezanove anos, e fez amigos para a vida agora comuns aos dois. Ainda agora nas suas actividades de voluntariado e como utente da universidade sénior, optou por Loures, onde reune um maior número de amizades. 

Odivelas é das cidades da zona metropolitana de Lisboa mais emergente, em apenas vinte anos 1950-1970 passou de 6.772 h para 51.395 h e nos últimos censos, apresentava cerca de 60.000 habitantes. Foi um concelho criado apenas em 18 de Novembro de 1998, anteriormente pertencia ao concelho de Loures, daí a minha relação com essa cidade.

Quem passa na A8, Odivelas parece-lhe um aglomerado de betão, mas não é propriamente assim, Odivelas é uma terra muito antiga e com muita história. Sendo outrora um prolongamento das quintas da nobreza que, havia no paço do Lumiar, está ligada a Lisboa pela célebre Calçada de Carriche.

 Era por certo de Odivelas, a Luísa em quem António Gedeão se inspirou no célebre poema, “ Calçada de Carriche” – (Luísa sobe, sobe a calçada, sobe não pode, que vai cansada……) mas há muitos outros episódios ligados a Odivelas, que a situam num passado muito distante.

Desde logo o seu próprio nome, associado a uma lenda com alguma brejeirice. Diz-se que no mosteiro de São Dinis e São Bernardo, mandado edificar por D. Dinis, cujo túmulo ali se encontra, para pagar uma graça a Deus, quando durante uma caçada, se viu encurralado por um urso e vendo a sua vida em risco, prometeu construir um mosteiro, se saísse salvo daquela situação.

O mosteiro era habitado por freiras, ficando célebre a Madre Paula que se diz ter sido amante do rei D. João V. A rainha avisada da infedelidade do marido, saiu-lhe um dia ao caminho e perguntou-lhe – Ides vê-las, senhor? Ides vê-las?

Razão pela qual se atribui o nome a Odivelas, a terra onde eu moro há mais de trinta anos.

publicado por Nuno Santos às 19:03

Os alemães têm uma palavra de difícil tradução chamada Heimatland, que segundo o meu professor de alemão não se refere necessariamente ao lugar onde se nasce, nem onde se vive, mas onde se sente bem e em casa.
Apesar de ter vivido em Odivelas um quarto de século, também não nutro pelo suburbio um particular sentimento de identificação.
A minha Heimatland é um certo sétimo frente duma rua com nome de poeta!
Nuno Pedro Santos a 4 de Março de 2013 às 20:54

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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