Outeiro Secano em Lisboa

Março 20 2013

 

Foi por ela que amanhã me vou embora

 ontem mesmo hoje e sempre ainda agora

 sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa

 diz Madrid, Paris, Bruxelas quem me alcança

 em Lisboa fica o Tejo a ver navios

 dos rossios de guitarras à janela

 foi por ela que eu já danço a valsa em pontas

que eu passei das minhas contas foi por ela

Quando o Fausto Bordalo Dias escreveu esta canção, estavamos longe de imaginar, o que iriamos passar, por fazermos parte do clube dos ricos da Europa, ou mais propriamente, do seu sistema monetário, a principal causa dos nossos actuais problemas sociais. Portugal um dos países mais antigos da Europa, com quase um milénio de existência, vive agora sob um protetorado, o qual dita a forma como nos devemos governar.

É certo que também temos algumas culpas no cartório, em especial por causa das opções que fizemos, com os investimentos dos fundos estruturais, mas muitos deles foram-nos impostos por esse directório, e porque acreditamos nas promessas feitas, de que uma vez membros dessa comunidade, estaríamos defendidos das crises, quer fossem económicas ou financeiras, porque a união velaria por nós.

Agora estamos resignados ao nosso fado, o de um povo pobre e triste, à espera que o céu ou a Troika nos caia em cima. Em contrapartida os cipriotas, deram-nos esta semana uma lição de não resignação, tal como antes já o tinham feito os islandeses, ao não aceitarem as condições impostas do exterior.

 

 Foi por ela que eu passo coisas graves

 e passei passando as passas dos Algarves

 com tanto santo milagreiro todo o ano

 foi por milagre que eu até nasci profano

 e venho assim como um tritão subindo os rios

 que dão forma como um Deus ao rosto dela

 foi por ela que eu deixei de ser quem era

 sem saber o que me espera foi por ela.

 

 E é assim que estamos sem saber o que nos espera, quando as nossas expectativas de vivermos os últimos anos das nossas vidas, era bem diferentes.
publicado por Nuno Santos às 20:05

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Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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