Outeiro Secano em Lisboa

Abril 03 2013
 

Há um ditado popular que diz “ passarinho com cuidado, na Páscoa já tem criado” isto vale o que vale, porque a data da Páscoa é variável, e a própria natureza renova-se mais cedo nuns anos, do que noutros.

Esta história é verdadeira e ocorreu há muitos anos, bem depois da Páscoa, tendo como protagonistas, a Esmeralda Afonso e a Ana (Costa) Perpétua, que enquanto meninas pastoreavam as vacas nos lameiros. A Ana no lameiro das Freiras, contíguo ao moinho com o mesmo nome, e a Esmeralda na outra margem do rio, no chamado lameiro do João Ruço, pese embora ele fosse propriedade do Dr. Montalvão.

Há muito que as duas tinham referenciado um ninho de pica-paus, num dos freixos que ladeavam o rio, e todos os dias viam a mãe com o cibo na boca alimentando as crias, seguindo assim o seu crescimento.

Um dia achando que os passarinhos já estavam cobertos e prestes a desaninharem-se, a Esmeralda que para subir às árvores, tinha a mesma agilidade dos guarda fios que subiam aos postes telefónicos, subiu ao freixo onde estava o ninho.

No local onde se encontrava o ninho cavado no tronco do freixo, a Esmeralda fez das fraldas do vestido um regaço, depositando nele um a um, os seis pequenos pica-paus, descendo depois com a mesma agilidade como subira.

Apesar dos pássaros no regaço do vestido, servirem como uma espécie de  troféu, Esmeralda sentia-se desconfortável, como se acabasse de fazer algo de errado. E pior ficou quando a mãe dos pássaros se apercebeu da falta dos filhos, começou a piar tão lancinante que, aos ouvidos de Esmeralda parecia-lhe ouvir.

- Ladrão, ladrão, ladrão.

Apesar da oposição da amiga, a Esmeralda não resistiu aos lamentos daquela mãe, e se fora ágil da primeira vez que subira à árvore, foi-o ainda mais lesta nesta segunda, repondo os passarinhos no ninho, para grande felicidade daquela mãe que  de imediato cessou de piar, em sinal de agradecimento.

Nesse dia o estômago de Esmeralda não se satisfez com os passarinhos, em contrapartida o seu coração ficou mais confortável, por ter cobro ao sofrimento daquela mãe.

publicado por Nuno Santos às 18:25

Em Lisboa, para um lisboeta ou um outeirosecano, não é tanto assim.
Em lugar de destruir os ninhos e fazer sofrer as suas mães, espera-se que nasçam os passarinhos e cresçam para se fritarem.
Em miúdo lembro-me de umas tascas na rua Barros Queirós, onde se comiam os tentilhões fritos entalados em papo secos. Hoje, talvez mais gourmet, prefiro um belo arroz de tordos.
Pica-pau, sim, também em miúdo, lembramo-nos do Woody Woodpecker das séries Looney Tunes.
Não sei qual será o maior pecado: destruir ninhos ou papar os passarinhos fritos.
J.
Júlio Pereira a 3 de Abril de 2013 às 20:50

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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