Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 18 2013

 

Esta estória foi vivida por um meu amigo e conterrâneo, que, durante uma fase da sua vida, esteve migrado em Lisboa. Nesse período que, remonta à década de setenta, não havia em Lisboa muitos lugares de diversão nocturna para casais convencionais. A maioria deles ou iam ao cinema, ou iam comer um frango ao Bonjardim e depois à revista no Parque Mayer.

Havia contudo algumas casas de diversão como; o Máxime, o Comodoro, a Tamila, o Hipopótamo e a Cova da Onça, o Elefante Branco só abriu mais tarde. Só que essas casas, tinham uma especificidade.  Algumas delas também funcionavam durante o dia como restaurantes normais, sendo até frequentados por clientes de um extracto social alto, como era o caso do Comodoro. A maioria delas só abriam ao final da tarde para servir os  jantares, mas com o crescer da noite, viravam casas de alterne, sendo frequentadas por jovens mulheres que, faziam da noite o seu modo de vida, e  por homens na sua maioria ligados a negócios do ramo imobiliário, os chamados patos bravos.

A Cova da Onça situava-se na avenida da Liberdade, bem próximo do Marquês de Pombal, e era um desses restaurantes nocturnos, frequentada sobretudo pela classe militar. O meu amigo que também era militar, cumpria em Lisboa uma comissão de serviço, razão pela qual não trouxera consigo a família, para não alterar a rotina escolar dos filhos, porque as comissões de serviço, não duravam mais que dois anos. Deste modo tinha por sua conta, a noite lisboeta.

Um dia a esposa veio visitá-lo, e pediu-lhe que a levasse a um restaurante, onde se pudesse jantar, mas também dançar. Com essa especificidade o nosso amigo lembrou-se da Cova da Onça, na época explorado por três irmãos transmontanos, naturais das Pedras Salgadas, curiosamente também o Hipopótamo, tinha como gerente um transmontano, natural de Mirandela.

Quando apareceu na Cova da Onça e apresentou a esposa ao gerente, este aproveitando um momento em que estava a sós, recomendou-lhe.

- O senhor conhece bem o funcionamento da casa, portanto têm de sair antes das dez da noite.

Claro que a essa hora, o meu amigo pensava estar já fora do restaurante, e por isso se aprestara a jantar cedo. Só que a esposa agradada com todo aquele ambiente dançante, não tinha nenhuma vontade em sair. O meu amigo estava aflito, ainda por cima, o gerente do restaurante, não cessava de lhe fazer sinais, indicando-lhe o relógio.

Por fim, dizendo à mulher que estava indisposto, lá conseguiu arrastá-la para fora do restaurante. Uns tempos mais tarde o casal recebeu em casa uns amigos e a esposa toda vaidosa disse-lhes.

- Gostei imenso da minha visita a Lisboa, o meu marido levou-me a jantar a um restaurante agradabilíssimo, onde se podia jantar e dançar, pena foi ter ele ficado indisposto, e não pudemos estar lá muito tempo.

Entretanto deu as coordenadas do restaurante aos amigos, que ficaram com curiosidade de conhecerem esse restaurante. Passado algum tempo, num outro encontro entre os dois casais, o amigo saiu-se com esta.

Ah é verdade! Fomos a Lisboa aquele restaurante que nos informastes, mas aquilo é uma casa de putas!

publicado por Nuno Santos às 12:16

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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