Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 22 2013
Foto retirada do Blog do Altino
 

Foi com satisfação que tomei conhecimento através do blogue do Altino, de que, o processo de restauro da capela da Senhora da Portela vai ter o seu início, em breve. A obra insere-se no princípio de que, devemos preservar o nosso património, deixando aos vindouros, aquilo que os nossos antepassados nos deixaram. Infelizmente este restauro tem estado envolvido em alguma polémica, quanto a mim desnecessária, dando inclusive azo, à edição de um livro denominado “Altares Vazios”.

Por causa da sua especificidade, o restauro do património religioso, é sempre um trabalho minucioso e exigente, devendo ser feito exclusivamente por especialistas, tornando-se por isso moroso e oneroso.

Ora como a igreja não é fausta em rendimentos, diz-se até mendicante, o pagamento desses serviços costuma ser feito, através de demandas pelo povo, ou muitas das vezes pagas por mecenas que, num acto de fé, ou como forma de pagamentos de promessas, custeiam essas obras.

 A própria imagem da Sra da Portela, já bastante corroída pelo caruncho foi recentemente restaurada, graças à intervenção de um benfeitor. Infelizmente a polémica começou aqui, porque entendia a sua zeladora e outras pessoas de que, a imagem após o seu restauro, deveria retornar à capela. Por sua vez a comissão da igreja entendeu e bem, de que, era um risco, face ao estado em que estava o altar, repor a imagem na capela, sem que se fizessem primeiro as obras de restauração da mesma, sob pena de se perder tudo, o altar e a imagem.

Por razões diversas, a obra nunca se realizou até que no verão passado, mercê de uma feliz conjugação de factores, entre as quais a edição do livro da Lurdes Figueiras “Poemas do meu coração” uma comissão de outeiro secanos, em cooperação com o Sr. Padre Banha, decidiu avançar para o processo de restauração da capela.

 

Após um trabalho de prospeção junto de especialistas em arte sacra, a comissão chegou ao que parece a um consenso, na entrega da obra, orçada em 13.000,00 € (treze mil euros).

Ora se por um lado poderemos entender que face à actual conjuntura, não será a melhor altura, por outro lado é também nas alturas de crise que, surgem algumas janelas de oportunidade, e este orçamento para restaurar o altar e a própria cobertura da capela, parece-me ajustado.   

O importante agora é que todos os outeiro secanos, onde quer que se encontrem, se unam em torno deste projecto, sendo o primeiro de outros também necessários, como o restauro da capela da Sra. do Rosário, cuja situação de risco, é análoga à capela da Sra da Portela.

Uma coisa que tem de ficar clara para todos, acabou-se o tempo dos subsídios. De futuro tem de ser a sociedade civil a criar as dinâmicas necessárias, para fazer as coisas. No fundo é seguir o lema do ex-presidente americano, John Kennedy – Não me perguntem o que a América pode fazer por nós, mas o que nós podemos fazer pela América.

O mesmo lema podemos adaptá-lo a Outeiro Seco, juntando-nos todos, para fazermos o melhor pela nossa terra.

publicado por Nuno Santos às 12:01

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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