Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 28 2013

                                                                                                              

 

 

 

                                                                    A 1ª foto é da década de sessenta a segunda é de 2011

   

Quem visita a península de Tróia, ou vê as imagens que, de vez em quando passam na novela Dancing Days, em exibição na SIC, não deixa de ficar deslumbrado com as imagens de Tróia, mais parecendo o paraíso na terra, se é que o há.

Só que esse paraíso já foi para muitos portugueses, um purgatório, o qual parece que também já não há, ou então um inferno, porque muitos deles, viram ali esfumadas uma boa parte das suas poupanças, nesse projecto.

Tudo começou na década de sessenta, quando dois irmãos, José e Agostinho da Silva, proprietários da Torralta e percursores do conceito da casa de férias, iniciado no Algarve, na região de Alvor, conceberam esse mesmo projecto de construção, para a península de Tróia. Era um projecto megalómano, com cerca de setenta mil camas.

Os meios financeiros para a construção, vinham como era comum, do recurso ao crédito bancário e dos adiantamentos dos potenciais compradores. Ora mercê de uma boa campanha de marketing, muitos portugueses em especial emigrantes, depositaram grandes esperanças e dinheiro, nesse investimento, para depois, poderem ali gozar a sua reforma dourada.

Só que o plano não correu como estava delineado, e a piorar tudo isso, apanhou com  a revolução de Abril.  Devido às imensas perturbações sociais que se viveram a partir desse momento, a Torralta acabou por entrar em insolvência. De modo que, lá se foram as esperanças e os depósitos dos pequenos investidores. A Torralta passou então por várias convulsões, acabando intervencionada pelo Estado. Porém, apesar das sucessivas promessas de que, agora é que é, os investimentos jamais avançavam, em contrapartida, as infra estruturas que havia, entraram em degradação.

 Até que já em finais da década de noventa, o Estado entregou a Torralta aos seus fundadores que, a venderam à Sonae, a qual reconverteu todo o projecto imobiliário.

Das setenta mil camas do projecto inicial, passou-se para pouco mais de sete mil. E aquilo que antes se projectava como um turismo massificado, tornou-se num dos locais mais aprazíveis de veraneio, para um estrato social médio alto.

Eu conheço quem seja proprietário na península de Tróia, mas digo-vos que, recentemente foram notificados pela AT Autoridade Tributária, de que o valor do património tributável, sobre o qual se calcula o IMI – Imposto Municipal sobre Imóveis, foi aumentado dez vezes mais que, o valor anterior. Esperamos que tal como aconteceu no passado, o paraíso de agora, não se converta para muitos dos actuais investidores, no purgatório ou no inferno.

publicado por Nuno Santos às 18:59

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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