Outeiro Secano em Lisboa

Março 06 2013
 

Todos os grandes líderes são idolatrados por uns e odiados por outros, e Hugo Chávez o ex-presidente da Venezuela falecido ontem ao início da noite, com apenas 58 anos de idade, vítima de cancro, não é excepção. Idolatrado pela maioria dos venezuelanos da classe baixa e odiado pela classe média alta. Era  também uma figura  controversa no panorama internacional, ficando célebre o episódio com o rei de Espanha “Porqué non te calas”

Os países da América do Sul vivem na sua maioria com grandes assimetrias, quanto à distribuição da sua riqueza produzida. Ora foi o combate a essas assimetrias, com uma boa dose de populismo à mistura que, fez ganhar a Hugo Chávez, uma grande base de apoio popular, proporcionando-lhe obter várias vitórias, em actos eleitorais.

Entre os países da América do Sul a Venezuela, é daqueles que tem uma maior prática democrática, mais baseada em eleições do que em golpes de Estado, apesar de ter sido por essa via que, Chávez tentou chegar ao poder. Não o tendo conseguido porque o golpe fracassou, fundou o MVR Movimento V República e foi por via da eleição que chegou ao poder.

Porém esse mesmo povo que o idolatrava, não deixou porém de lhe infligir uma derrota nas urnas, quando “el comandante” através de um referendo, se propunha aprovar a “lei Habilitante”, a qual lhe permiti-a implementar leis, sem aprovação do senado.

Durante a sua governação aprovou várias medidas que favoreceram sobretudo, as populações mais carentes, em desabono de outras mais favorecidas, razão pela qual o estado social na Venezuela se tornou muito bipolarizado, a ver vamos como vai ficar esse clima social, após o seu desaparecimento.

Entre outras medidas, Chávez tornou a educação gratuita até aos 15 anos. A saúde caminhava para um serviço de saúde nacional, universal e gratuito, tendo actualmente uma das taxas mais baixas de mortalidade infantil de toda América do Sul, graças à boa cooperação que mantinha nessa área com Cuba, donde tinha importado vinte e cinco mil médicos. Ainda em matéria da saúde criou vários programas como o programa Bárrio Adentro, uma espécie dos nossos CATUS, levando a saúde aos bairros pobres.

Em matéria de economia, a Venezuela vivia em grande parte, da exploração e exportação do petróleo. Era membro da OPEP e recentemente fez-se membro do Mercosul. Existem indicadores referentes a 2011, que consideram a Venezuela, como o país menos desigual de toda a América do Sul.

Hugo Chávez tinha uma boa relação com Portugal, de tal forma que Paulo Portas nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, tenha dito hoje que morreu um amigo de Portugal. Mas essa coperação foi  mais notória durante a governação de José Sócrates, importando o nosso “Magalhães” e chegou a encetar negociações, para viabilizar os estaleiros de Viana do Castelo.

Esse plano acabou por ficar num impasse, desconhecendo-se as razões, embora há quem defenda que as razões para não se avançar com a reestruturação do estaleiro, resulte da aposta do nosso governo no seu encerramento, por se considerar não haver as condições para combater os preços baixos dos estaleiros asiáticos.

O mundo está agora expectante, quanto à evolução futura da Venezuela e Portugal em particular, pois existem mais de seiscentos mil portugueses residentes na Venezuela, onde uns choram a morte do El Comandante e outros se regozijam com a morte do ditador.  
publicado por Nuno Santos às 12:35

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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