Outeiro Secano em Lisboa

Março 18 2013
 
A queimada é uma bebida típica da Galiza, elaborada com aguardente e açúcar queimado, aos quais é adicionado entre outros ingredientes, casca de limão ou laranja. Qualquer ocasião é boa para realizar uma queimada, desde que se esteja em boa companhia. A queimada tem ganho adeptos no norte do país, sobretudo em Montalegre nas noites de sexta-feira 13, tendo como seu esconjurador-mor o Sr. Padre Fontes. Mas bebe-se também noutros locais e noutras alturas, o importante é que a aguardente seja boa e a queimada bem feita.
Para isso convém que arda durante bastante tempo, de preferência num recipiente de boca larga, como uma caldeira de cobre, como as utilizadas para as moadas do fumeiro. Associado à queimada existe um esconjuro, que se pronuncia enquanto da sua elaboração.
Segundo a crença, este esconjuro protege contra os feitiços, mantendo afastado de quem a bebe, os espíritos e demais seres do mal. A sua origem remonta à época medieval, embora a sua origem seja também atribuída aos celtas. Quanto ao esconjuro, haverá por certo outros textos, este  foi escrito por Mariano Marcos Abalo em 1967 e revisto em 1974. Mariano Marcos Abalo é um galego residente em Vigo, funcionário bancário, e escreveu este esconjuro, para um concurso de jogos florais. 
 
     Esconjuro
 

  Mochos, corujas,

 sapos e bruxas.

 Demônios, trasgos e diabos,

 espíritos das enevoadas veigas.

 Corvos, píntigas e meigas:

 feitiços das mezinheiras.

 Podres canhotas furadas,

 lar dos vermes e alimárias.

 Fogo das Santas Companhas,

 mau-olhado, negros feitiços,

 cheiro dos mortos,

 trovões e raios.

 Uivar do cão,

 pregão da morte;

 focinho do sátiro e pé do coelho.

 Pecadora língua da má mulher

 casada com um homem velho.

 Averno de Satã e Belzebu,

 fogo dos cadáveres ardentes,

 corpos mutilados dos indecentes,

 peidos dos infernais cus,

 mugido do mar embravecido.

 Barriga inútil da mulher solteira,

 falar dos gatos que andam à janeira,

 guedelha porca da cabra mal parida.

Com este fole

levantarei as chamas deste fogo

 que assemelha o do Inferno,

 e fugirão as bruxas a cavalo das suas vassoiras,

 indo se banhar na praia das areias gordas.

 Ouvi, ouvi! os rugidos que dão

 as que não podem deixar de se queimar

na aguardente

 ficando assim purificadas.

 E quando esta beberagem baixe pelas nossas goelas,

 ficaremos livres dos males da nossa alma

 e de feitiço todo.

 Forças do ar, terra, mar e fogo,

 a vós faço esta chamada:

 se é verdade que tendes mais poder

 que a humanas pessoas,

 aqui e agora,

 fazei que os espíritos dos amigos que estão fora,

 participem connosco desta Queimada.

publicado por Nuno Santos às 21:12

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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