Outeiro Secano em Lisboa

Março 27 2013
 

Na próxima sexta-feira à mesma hora em que na aldeia decorre a via-sacra, em evocação da paixão de Cristo, eu estarei sobrevoando a aldeia, e lá de cima irão ocorrer-me alguns pensamentos, sobre o que se estará a passar lá em baixo.

Seguramente que os meus pensamentos não irão tanto para a evocação das três quedas de  Cristo e das ajudas do Cireneu ou da Verónica, mas, para a azáfama que em outros anos a essa mesma hora, um grupo no qual eu me incluía, andávamos com a organização da Corrida da Páscoa.

Uma azáfama que embora começasse alguns meses antes, intensificava-se na noite de quinta-feira santa, com o planeamento do dia seguinte, o dia das provas. Digo provas porque eram várias, contemplando todos os escalões, desde a formação aos veteranos. 

A Corrida da Páscoa e o arraial da festa da Sra. da Azinheira, foram durantes anos os dois eventos que, mais forasteiros trouxeram à nossa aldeia. Entre atletas e apoiantes, visitavam a aldeia nesse dia centenas de pessoas, oriundas dos mais variados concelhos do norte do país, ao contrário do arraial da festa, que tem um público mais localizado.

Por isso é para mim uma enorme frustração, que a nossa Corrida não tenha continuidade, quando a maioria das outras corridas pelo país, têm vindo em crescendo, só no passado domingo a Corrida da Ponte, teve mais de 40.000 atletas. Eu estive no sábado à noite nos pastéis de Belém, bem perto do local onde termina a prova, e lá estavam já imensas carrinhas de clubes e de juntas de freguesia vindas do norte do país, para participarem na corrida do dia seguinte.

 A frustração é ainda maior porque a nossa corrida foi durante anos, considerada das melhores provas  da região norte. Sendo uma organização da Casa da Cultura, vivia da carolice de alguns amigos, apoiados pelo exaurido comércio da cidade.

Quanto ao apoio institucional, não se pode dizer que não existisse, embora em minha opinião ficasse aquém do que devia, porquanto a Corrida da Páscoa, poderia ter sido um excelente veículo de divulgação da região, se da parte dos seus responsáveis, houvesse uma outra visão estratégica.

Fica-nos a satisfacção de termos tido entre os participantes, atletas olímpicos, campeões nacionais e mundiais, entre os quais; Delfim Moreira, Mário Silva e Albertina Dias e tantos outros.

Durante anos dizia eu que na XXV Corrida da Páscoa, iriamos ter a presença de um queniano. Ora se o ciclo não fosse interrompido, este ano seria a XXV Corrida, a qual curiosamente  não vai ter nem um queniano, nem este outeiro secano.

publicado por Nuno Santos às 17:53

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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