Outeiro Secano em Lisboa

Junho 28 2013

O azeite tal como o vinho está nas nossas produções agrícolas mais emergentes, produzindo-se em todas as regiões e com prémios de qualidade, em vários certames internacionais. A Sovena produtora do azeite “Oliveira da Serra” é das maiores produtoras de azeite mundial.

Na última semana tive a oportunidade de visitar dois lagares de azeite. O pimeiro foi o lagar da Cooperativa dos Olivicultores do Cano, na freguesia do Cano, concelho de Sousel. Trata-se de um lagar moderno,todo ele mecânico em inox, onde se produz um azeite extra virgem, com apenas 0,2º de acidez.

No sábado passado acabei por visitar um outro lagar, desta vez em Vila Velha de Ródão, o qual já não labora desde 1930. Este lagar agora convertido num ecomuseu era designado por lagar de varas e laborava por processos artesanais. A azeitona era esmagada por três mós numa espécie de tina ou lagar, a que chamavam o pio.

As mós eram movidas por tracção animal, quase sempre por bois, que rodavam à volta do engennho, num processo semelhante às tradicionais noras. As mós moviam-se com simetrias diferentes, para apanharem toda a superfície do pio. Depois de moída a massa era prensada num outro departamento, por meio de pesos na extremidade das varas, daí a origem do seu nome.

A nossa veiga foi outrora um local de muita produção de azeitona. Nos olivais do Dr. Ferreira Montalvão situados nos termos de Outeiro Seco e Faiões, as campanhas da apanha de azeitona duravam quase um mês. Mas não era o único produtor, a D. Beatriz também tinha alguma dimensão,  precisamente nas mesmas aldeias. Havia depois outros produtores mais pequenos, que produziam azeite para consumo interno, durante todo o ano.

Em Outeiro Seco chegou a haver vários lagares de azeite, eu já não conheci nenhum a laborar, embora soubesse que havia um lagar de azeite, lá para os lados do Campo da Roda.  É pena não haver um único lagar na zona para mostrar às gerações mais novas, de que o azeite, não sai das prateleiras dos supermercados. A única peça ainda preservada é a roda da azenha do Agapito, a qual servia precisamente, para mover um lagar de azeite.

 
publicado por Nuno Santos às 21:10

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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