Outeiro Secano em Lisboa

Junho 13 2013

Pintado pelos pincéis da Celeste

 


Parte da colecção de António Nunes

 

Hoje é dia de Santo António padroeiro de Portugal que não de Lisboa, cujo padroeiro é o S. Vicente. É por demais conhecida a história de Santo António que, nasceu com o nome de Fernando em Lisboa e morreu com o de António, em 13 de Junho de 1231 em Pádua.

Santo António é considerado o padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, dos barqueiros, dos velhos, das grávidas, dos pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos; é o padroeiro de Portugal, invocado para achar-se coisas perdidas, para conceber-se filhos, para evitar naufrágios e para conseguir casamentos.

São várias as lendas associadas a sua faceta de casamenteiro. Uma delas consta que uma mãe, tendo em casa uma filha casadoira, não havendo meios de aparecer nenhum pretendente, comprou uma imagem do santo, na esperança de que fruto das suas preces, lhe aparecesse um noivo. Fervorosamente a rapariga lá fazia as suas preces ao santo, várias vezes ao dia, contudo os pretendentes é que não apareciam. Um dia cansada e zangada com o santo, pegou na sua imagem e atirou-a pela janela, no preciso momento em que um jovem bem aparentado ia a passar na rua, sendo atingido pelo santo. Reparando que apenas uma das janelas do prédio estava aberta, logo supôs donde terá caído.

Com o intuito de devolver o santo aos seus proprietários, bateu à porta e perguntou à jovem que lha abriu, se aquele objecto lhe pertencia. De imediato gerou-se tal empatia entre os dois jovens, que pouco tempo depois resultou em casamento, sendo mais um atribuído aos favores do Santo António.

São várias as localidades do país onde se comemora este dia de Santo António, consagrando-lhe também o feriado municipal. Em Lisboa o dia é comemorado de forma muito peculiar, com o desfile das marchas populares na avenida e arraiais populares em todos os bairros, onde a sardinha assada é a rainha.

 Oh meu rico Santo António

 Desculpa, mas não vou ficar.

 Juntamente com os meus cunhados,

 Vamos para Espanha passear.  
publicado por Nuno Santos às 00:00

Junho 11 2013

No início do século passado o Almeirinho foi palco de uma sublevação popular, travada com grande violência pelos soldados da guarda republicana. Existia ali um grande lameiro e uma terra que eram baldios e o povo, utilizava-os para a pastagem dos seus gados.  Entretanto a Junta de Freguesia da altura, decidiu acabar com esse regime livre, tomando posse dos lameiros e da terra para os arrendar, captando com isso alguma receita para o erário público que, na altura era escasso.

A medida gerou uma grande indignação popular, vendo-se a Junta obrigada a requisitar a força militar, para por cobro ao movimento popular. Como contra a força não há resistência, o povo rendeu-se, mas durante algum tempo a guarda foi obrigada a vigiar o local, multando os infractores mais resistentes, que, acabaram por abandonar essas pastagens.

O lameiro foi depois dividido em duas partes, uma ficou para a Junta de Freguesia, a quem se pagava a renda. A outra passou para património da igreja, sendo o padre quem recebia a renda. O terreno de cultivo junto aos Poços, ficou também a pertencer à Junta de Freguesia e um outro junto ao caminho, tornou-se propriedade de António Sobreira, desconhecendo os contornos da operação.

Na década de sessenta o lameiro da Junta estava arrendado ao meu pai, o da igreja a Manuel André e a terra dos Poços ao João Maria. Esse terreno tinha um poço, onde frequentemente apareciam cágados, uma espécie rara da nossa fauna. O João Maria regava desse poço o seu renovo, um pouco de tudo, desde couves a feijões  milho e outras culturas que, tantos constrangimentos me causaram.

É que o terreno era mesmo junto ao nosso lameiro e  as nossas vacas, pareciam ter uma fixação nesse renovo. À mais pequena distração nossa, cravavam-se  logo no renovo do João Maria, que depois apresentava as queixas ao meu pai.

Mas estória mais bizarra que me aconteceu nesse lameiro, foi um dia já com o sol sob o ocaso na serra de Bustelo, quando fui “botar” as vacas para regressar a casa, deparei-me com uma delas a lamber um vitelo acabado de nascer ali e sem que eu me tivesse dado conta. Corri a casa a chamar o meu pai para transportamos o vitelo, carregamo-lo  dentro de um cesto de vime, em cima de uma burra, com a vaca ainda com a placenta dependurada, mas bem próxima da cria, mugindo de ternura.

 

publicado por Nuno Santos às 23:44

Junho 11 2013

Para a maioria dos naturais de Outeiro Seco, o Almeirinho é mais um lugar no termo da aldeia, composto por terras centeeiras e de lameiros. Geograficamente confronta a sul com o Senhor dos Desamparados, a norte com o Fundo da Lama, a nascente com os Poços e a poente com a estrada municipal e o lugar de Pedrianes.

Nem todos saberão é que o Almeirinho é um lugar com muita história e muitas estórias. O seu caminho era um dos trilhos utilizados na rota do contrabando, quando as treleiras sabiam ou pressentiam de que a Guarda, vigiava o caminho do moinho,  para ludibriarem essa vigilância, atravessavam o rio Tâmega junto ao moinho de cima, subindo ao Alto do Coelho e dali à Bouça apanhando o caminho do Almeirinho, no Vale de Amieiro. Quando passavam junto ao Senhor do Desamparados faziam umas preces, rogando-lhe que as livrasse do encontro com a guarda. Entravam na Mina do Doutor junto a Painhos, passando o rio pequeno nas poldras da Fontainha, seguindo depois pelo caminho do Campo da Veiga até à Cocanha, chegando às suas casas na cidade, com a mercadoria a salvo.

No dia 8 Julho de 1912 também fora esse o percurso que D. João d' Almeida “ Conde do Lavradio” traçara, para se juntar mais cedo à coluna de Paiva Couceiro que, entrara pelo São Caetano e já iniciara o ataque à vila de Chaves. Foi precisamente no Almeirinho que, este militante da causa monárquica foi preso, por dois soldados republicanos, que estavam de atalaia no lugar do Facho, fazendo vigilância a possíveis ataques vindos do norte, fosse pelo caminho do Almeirinho, ou pelo caminho Vale de Travesso, ligado à estrada da Torre, no lugar do Mocho.

Terminou desta forma inglória no Almeirinho, o sonho do D. João de Almeida restaurar a monarquia, repetindo-se a sua derrota um ano antes, por terras de Vinhais, onde fora ele próprio o comandante das tropas monárquicas.

Em matéria de tropas e soldados há muitas mais histórias passadas neste local. Por exemplo os Poços eram utilizados como campo para treinos dos soldados de cavalaria. Para quem não conhece os Poços, trata-se de uns terrenos com grandes baixios, causados pela utilização no tempo dos romanos, do solo barrento do qual se compõe este terreno, para fabricarem a telha e outros artefactos de barro.

São conhecidos nas suas proximidades vários fornos, onde se fazia a cozedura desse barro. Um deles está num terreno logo ali ao lado, pertencente à D. Beatriz, um outro foi descoberto quando da construção da variante da rotunda das chaves às Antas. Este forno foi referenciado pela arqueóloga municipal mas subterrado de imediato, para não atrapalhar a construção.

Um terceiro foi descoberto mais recentemente, na terra do Anselmo em Pedrianes. Consultado o IPAR sobre a preservação destes fornos, disseram que só teriam interesse, se fossem descobertos muitos mais, podendo então pensar-se na criação de um centro museológico. O certo é que também não se fez nenhum esforço nessa procura, mas que os há, lá isso há e os três fornos descobertos, dois deles recentemente, são a prova dessa existência. 

publicado por Nuno Santos às 08:34

Junho 10 2013

 

Hoje é dia 10 de Junho, feriado nacional comemorando-se o dia de Portugal de Camões e das Comunidades. Já foi conhecido por Dia da Raça, mas recentemente passou a ter esta designação. Apesar da data  ter uma origem distante,  o dia 10 de Junho de 1580, atribuído ao dia da morte de Camões, o facto é que esta efeméride só começou a comemorar-se, após a implantação da República em 1910, primeiro como um feriado municipal e, só apartir de 1933 passou a feriado nacional.
A sua comemoração costumava ser na capital, mas de há uns anos a esta parte, tornou-se itinerante. Chaves já foi contemplada, era na altura presidente da república o Dr. Jorge Sampaio. Este ano as comemorações decorrem em Elvas, uma cidade que tem alguma similitude com a nossa cidade de Chaves, por causa da sua situação estratégica, também situada junto à fronteira com a Espanha e, pela sua fortaleza, muito semelhante aos nossos fortes de S. Francisco e S. Neutel.
Este dia é comemorado um pouco por todo o mundo, onde quer que haja comunidades portuguesas, infelizmente há cada vez mais, por causa da nossa crise de emprego, obrigando-nos a procurar lá fora aquilo que não se encontra cá, porquanto o emprego é a base da nossa qualidade de vida.
Mas é no Brasil e nos Estados Unidos, onde estas comemorações atingem uma maior expressão. Nos Estados Unidos costuma até haver uma parada, onde os portugueses ali residentes ostentam o seu orgulho lusitano.
Quem ontem ficou com o orgulho lusitano ferido, foram os portugueses residentes na Suíça, quando esperavam a nossa selecção que joga hoje em Genebra, um jogo particular com a Croácia. Segundo as notícias foi humilhante a indiferença dos nossos jogadores, perante as centenas de emigrantes que os esperavam, primeiro no aeroporto depois à chegada ao hotel. Nem um aceno, nem um autógrafo, nada, até parece que não podiam perder a concentração, porque iam disputar alguma final do campeonato do mundo, quando vão apenas fazer um jogo particular.
Nos meios rurais este feriado, como todos os feriados que não são dias santos,  é pouco respeitado e pelo contrário, a força de trabalho é ainda reforçada com os jovens que não têm escola, e  por aqueles que trabalham na cidade.
Hoje porém  em Outeiro Seco é um dia de luto, porque vai a enterrar o Fernando Reis, marido da Lúcia Barroco, que apesar de natural da Torre de Ervededo e residente em Chaves, escolheu Outeiro Seco para a sua última morada. Que descanse em paz e os sentidos pêsames à família.
publicado por Nuno Santos às 09:12

Junho 08 2013

 

Inesperadamente acabei por ir ao estádio da Luz, assistir ao jogo Portugal-Rússia. Eram cinco da tarde quando recebi um telefonema de um amigo, informando-me de que tinha um bilhete para mim. Para minha surpresa o lugar era para um camarote, de modo que assisti ao jogo na zona vip. Mas se o meu lugar era de qualidade, o mesmo não posso atestar da qualidade do jogo, a que assisti. Porque embora o resultado tenha sido positivo, ficou muito aquém do esperado.

Bem sei que estamos no final da época e os jogadores, demonstram algum cansaço, mas depois de terem  marcado cedo, só tinham de pressionar mais para marcar o segundo e dar uma  maior tranquilidade. Pelo contrário, acomodaram-se apresentando os mesmos sinais de outros jogos, pouca gente na frente de ataque, poucos remates,  pondo-se a jeito para sofrer um golo do adversário, o qual só não aconteceu, porque houve alguma sorte à mistura e pelo acerto da defesa, em segurar o magro resultado.

Por falar em defesa de assinalar a presença de Luís Neto, um jovem que há três ou quatro anos jogava nos escalões secundários pelo Varzim, donde se transferiu para o Nacional da Madeira, onde esteve apenas um ou dois anos, dando depois o salto para o Zenit da Rússia, onde faz dupla com o Bruno Alves, a razão de ontem terem jogado os dois.

Um bom jogo também de Miguel Veloso, o restante meio campo não conseguiu pressionar os jogadores russos, e os defesas laterais subiram pouco e quando subiam, como foi o caso do Coentrão, perdia-se em rodriguinhos tornando essas jogadas inconsequentes. Sobre o Cristiano Ronaldo apesar de algum individualismo joga muito desacompanhado, em minha opinião, a entrada de Nani é bastante tardia.

Portugal passou agora para a frente do grupo, mas tem mais dois jogos disputados que a Rússia, vamos esperar que a Rússia não ganhe esses jogos, porque mesmo no confronto entre as duas seleções dá um empate, porquanto também perdemos em Moscovo por 1-0.

publicado por Nuno Santos às 08:56

Junho 07 2013

Sou desde menino e moço um incondicional ouvinte da rádio, mais do que da televisão ouvindo de preferência a antena 1, antiga emissora nacional, passando com alguma alternância pela antena 3, para ouvir algumas rubricas específicas. O facto de me deslocar de carro para o trabalho, dá-me também esse privilégio tornando-me assíduo ouvinte de algumas rubricas, as quais condicionam até o horário das minhas saídas, tanto de casa como do escritório.

Entre essas rubricas destaco “O amor é” de Júlio Machado Vaz e Inês Menezes cuja rubrica passa todos os dias de manhã pelas 09,20, ainda que se repita depois durante o dia, e às 20,15  “Os dias do avesso” com Eduardo Sá e Isabel Stilwell. Tanto o Prof. Júlio Machado Vaz como o Prof. Eduardo Sá são professores e médicos, ligados à área da saúde cognitiva, o primeiro é psiquiatra e o segundo psicólogo, as suas companheiras de programa são ambas jornalistas e escritoras.

No programa de ontem de “Os dias do avesso” abordaram um tema interessante, sobre o tratamento da disciplina de Educação Física nas escolas, com particular destaque na escola privada. Todos sabemos da importância da Educação Física, sendo aliás a responsável pela nossa qualidade de vida, mas infelizmente esta disciplina, tem vindo a perder terreno nos currículos escolares. E segundo disseram ontem nesse programa, é vulgar nos colégios particulares mas não só, serem os próprios professores de educação física a desvalorizar a sua disciplina, porque nos finais de período dão as suas notas em função das médias dos alunos nas outras disciplinas, e não em função do seu desempenho, na sua disciplina de Educação Física.

Deste modo temos alunos com 18 e 19 a Educação Física, mas não conhecem um cavalo com arções, nem fazer um serviço no voleibol. Por outro lado, temos cada vez mais jovens obesos que, serão no futuro uns potenciais utentes do serviço nacional de saúde, alguns deles porque os professores de educação física se demitiram da exigência e rigor na sua profissão.

A propósito como vão as aulas de educação física que, se tinham iniciado na nossa aldeia, ainda continuam? Ou também aí a educação física, virou um parente pobre. Da minha parte e ainda que não pareça, continuo a ir ao ginásio no mínimo uma a duas vezes por semana, e ao fim de semana a Celeste não dispensa a minha companhia, para a sua caminada.

Para que tenham uma boa qualidade de vida, mexam-se pela vossa saúde.

 

  

 

publicado por Nuno Santos às 08:18

Junho 05 2013

 

A selecção portuguesa joga na próxima sexta-feira dia 7 de Junho, a última oportunidade de se qualificar para o Mundial do Brasil. Confesso que estou com algum cepticismo quanto à nossa vitória, desde logo, porque o ambiente à volta do jogo não será o melhor, senão vejamos. O jogo realiza-se no estádio do Benfica, cuja equipa sendo  composta essencialmente por estrangeiros, não tem praticamente jogadores na selecção.

Ora sendo o jogo no seu estádio, a maioria dos adeptos presentes serão benfiquistas,  mas porque o estado de espírito dos benfiquistas não anda muito em alta, por causa dos últimos resultados obtidos, não se espera que o ambiente seja também muito escaldante.

Depois sabendo-se da grande rivalidade entre os adeptos do Benfica e do Porto, o João Moutinho que é uma das pedras basilares da selecção, deu esta semana uma entrevista, demonstrando a sua índole e, a razão pela qual o José Eduardo Bettencourt, um dia lhe chamou “maçã podre”. Disse nessa entrevista que quando era pequenino e porque o pai, era jogador do Benfica, ele tinha simpatia pelo Benfica, mas que entretanto crescera. Fazendo lembrar aquela história dos gatinhos que, quando nasceram eram todos benfiquistas, mas depois começaram a abrir os olhos e mudaram.

Sabendo ele que ia jogar no estádio da Luz parece-me pouco avisado para não dizer pouco inteligente esta entrevista, porque o ambiente na Luz agora não lhe vai ser seguramente favorável, tal como não costuma ser para o Cristiano Ronaldo, embora aí por outros motivos.

Contudo e  apesar da evolução da selecção russa e, da qualidade da nossa selecção ter vindo a decair, a nossa selecção continua a ser melhor, colectiva e individualmente, por isso espero que, os nossos jogadores se encham de brios e, joguem como o sabem fazer, vencendo este jogo coisa que não têm feito ao longo da campanha, estando por isso na posição que estão, com o apuramento em risco.

publicado por Nuno Santos às 07:44

Junho 02 2013

Miserere também conhecido por miserere mei dei (tende misericórdia Deus),  é uma peça musicada no século XVII por um compositor italiano chamado Gregorio Allegri. Há dias o Blog Outeiro Seco Aqi, numa das brilhantes colaborações de João Jacinto, evocou a Miserere, dizendo ter sido cantada pelo povo de Outeiro Seco, numa revolta popular contra a usurpação dos baldios, reprimida pelas forças militares do governo de então.

Ontem o Miserere foi de novo cantado em Outeiro Seco, desta vez na igreja matriz pelo Ensemble Vocal do Coral de Chaves, que brilhantemente animou a cerimónia religiosa, do casamento da minha sobrinha e afilhada Joana. Foi para mim um momento emocionante, porque o grupo cantou o Miserere e todos os outros cânticos  muito bem,  do lugar onde em minha opinião, o  grupo que habitualmente canta na missas dos domingos o devia fazer, do coro da igreja. Dali o som das vozes sobrepõe-se sobre as nossas cabeças, dando uma sensação algo mistica.

O tema trouxe-me à memória, os acontecimentos de há quase dois séculos atrás, imaginando o desespero das pessoas a serem reprimidas e ao mesmo tempo, cantando o Miserere, fazendo lembrar os cristãos da antiga Roma que, enfrentavam a morte com cânticos ao seu Deus.

publicado por Nuno Santos às 09:23

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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