Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 07 2013

 

Vivemos tempos diferentes, mas a festa da senhora da Azinheira, continua a ser uma referência e um elemento agregador, de toda a comunidade outeiro secana. São muitos os que fazem a programação das suas férias, em função desta data, por isso, desde ontem que a aldeia ganhou maior população, pelo regresso de muitos imigrados, vindos propositadamente para passar a festa com a família.

Digo imigrados porque os emigrados embora ainda aqui haja alguns, os que têm filhos em idade escolar tiveram de antecipar o seu regresso às terras de acolhimento, por causa do início das aulas dos filhos, onde é mais cedo que o nosso.

Outeiro Seco que usa o lema de “Tradição e Modernidade” no tocante à sua festa, mantém a tradição ancestral, de a celebrar sempre no dia 8 de Setembro, independente do dia da semana, por coincidência este ano é num domingo. A mesma tradição é mantida com as comissões organizadoras, os mordomos, sendo nomeados de forma sequencial, à das suas habitações.

Mas porque tudo é dinâmico, actualmente são muitas as pessoas que residem na aldeia, sem qualquer raiz à nossa terra, mas apenas porque compraram aqui a sua casa, ou um lote de terreno para a sua para construção, por causa da nossa proximidade com a cidade e do preço da construção. Mas querendo manter essa tradição na realização da festa, este ano cabia ao Bairro do Cruzeiro, a sua organização.

Como os habitantes deste bairro, não são naturais da nossa aldeia e porque as suas casas, estão muito próximas do local onde é queimado o fogo, existe no bairro uma grande aversão à festa, daí que a maioria dos nomes indicados como mordomos, não aceitaram a sua nomeação.

Houve por isso um grande impasse, pensando-se que ao fim de vários séculos, tinha chegado o ano em que a festa ficava enterrada, tal como o vem sendo noutras localidades vizinhas.

Mas Outeiro Seco é uma terra de resistentes e se um cai outro se levanta,  por isso a um mês do evento, apareceu uma comissão, composta por Paulo Barroso um dos nomeados, Francisco Pipa como voluntário e  Tony Rio também como voluntário. Com tão pouco tempo para a promoção da festa, aliado à crise que afecta muitas famílias, esta comissão conseguiu senão o orçamento ao qual estamos habituados nos últimos anos, o essencial para termos  uma festa idêntica às dos anos anteriores, com o senão de haver apenas uma banda filarmónica à noite.

Sobre as bandas eu já o escrevi noutro local que, em minha opinião, este ano era o ano ideal para se fazerem algumas ruturas, nomeadamente, terminar com as bandas à noite, substituindo-as por uma boa orquestra espanhola, ou um bom grupo musical, continuando a privilegiar-se o fogo de artifício, porque ainda que tenha alguns contras, o fogo é a razão do arraial de Outeiro Seco ser um dos mais concorridos da região.

Não quero dizer que tenha algo contra as bandas antes pelo contrário, gostaria inclusive de ser um dos participantes na nossa banda, entendo é que o o seu local de actuação não deva ser o do arraial, porque em minha opinião uma banda deve ser mais de audição do que de animação. 

Paralelamente ao programa oficial da festa, um grupo de amigos, tem realizado no polidesportivo um outro evento, com um porco assado no espeto, fogo de artifício e este ano também com um conjunto musical, deste modo pode-se dizer com toda a propriedade, de que a festa da senhora da Azinheira realiza-se nos dias 7 e 8 de Setembro.

Desejo uma boa festa para todos, com um grande abraço fraterno, para os outeiro secanos espalhados pela diáspora, em especial aqueles que não podem estar presentes fisicamente, mas estou seguro de que o estarão em espírito, tanto ou mais, do que muitos presentes no recinto da festa.

publicado por Nuno Santos às 10:02

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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