Outeiro Secano em Lisboa

Novembro 16 2013

Está a decorrer desde ontem no tribunal de Chaves, um julgamento, com continuação na próxima segunda-feira, onde em boa verdade, os réus, são os homens e mulheres mais velhos da aldeia, porque são os utilizadores da rampa de acesso ao adro da igreja, cujo direito está ser contestado por uma família.

Este acesso é um direito adquirido há séculos, e todos os outeiro secanos com mais de setenta anos sabem que, a igreja matriz tinha três acessos. O principal é pelas escadas, compostas por nove degraus que servem para subir para a igreja, mas também de plano para as fotografias nos casamentos.

Os outros dois acessos que na década de quarenta, foram vedados por causa da birra de um padre, eram laterais. Um ficava a sul da igreja, no lugar onde agora está construída a garagem da família Ferreira Dias, e outro a norte junto ao muro da casa construída pelo pároco Domingos Pinheiro, ele próprio utente dessa entrada, e agora propriedade da família Rio Vitorino.

O Sr. Padre Carlos, cujo nome completo era Carlos Jorge Alexandre e natural de Vila Real, exerceu o seu sacerdócio na nossa aldeia, durante o período de 1944-1949. Diz-se que não convivia muito bem com os animais domésticos, como as galinhas e porcos, na época criados pelas ruas, entrando inclusive no adro da igreja.

Conta-se até que a tia Bispa, uma velha beata da altura, andava de madrugada a mandar calar os galos madrugadores, para não perturbarem o sono ao senhor padre. Ora aproveitando os pedreiros que tinham feito as obras no tanque, o padre Carlos mandou construir os atuais muros, vedando assim os dois acessos laterais.

Recentemente foi criada legislação, no sentido de se favorecer o acesso a locais públicos, das pessoas com mobilidade reduzida, razão pela qual a Junta de Freguesia, em consonância com a Comissão da Fábrica da Igreja, refez um dos acessos e construi a rampa, beneficiando essa comunidade com maiores dificuldade em subir os nove degraus das escadas, alguns até já nem iam à igreja.

Só que o proprietário da casa que fica  ao lado da igreja, arrogando-se em proprietário de um bem que lhe fica fora de portas, impugnou esse direito, estando agora a construção da rampa em julgamento. Paradoxalmente o povo de Outeiro Seco tem- se alheado do assunto, mais parecendo um caso individual, ou seja, uma contenda entre o proprietário da casa, contra o actual presidente da Junta e Comissão Fabriqueira, quando em minha opinião, este tema é de interesse geral, donde, o povo deveria marcar presença no tribunal,  ficando a saber quem está do seu lado e das suas causas.

 

 

publicado por Nuno Santos às 10:05

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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