Outeiro Secano em Lisboa

Janeiro 03 2014
 
Praça do Chile 
Rua Morais Soares

Apesar dos quase quinhentos quilómetros de distância que separam Chaves de Lisboa, existem por cá muitas reminiscências que nos reportam à nossa terra, senão vejamos. Por razões profissionais hoje tive de me deslocar duas vezes à rua General Alves Roçadas, (Penha de França) onde está localizado o Serviço de Finanças de Lisboa 1, estas terminologias estão sempre a mudar, porquanto ainda há bem pouco tempo, este serviço era conhecido por 1º bairro Fiscal de Lisboa.

Como o meu escritório está situado na Av. 5 de Outubro, vejam só quantas memórias encontrei relacionadas com Chaves. Depois de atravessar a Av. Da República, cruzei a Av. Defensores de Chaves, atravessei a praça do Chile, onde está a estátua de Fernão de Magalhães, que uns defendem ser transmontano nascido em Chaves na rua do Poço e que, terá sido em sua memória, que, atribuíram o nome ao liceu. Outros defendem que Fernão de Magalhães é minhoto. Seja lá de onde for, Fernão de Magalhães está em plena praça do Chile, porque foi o governo desse país, quem ofereceu a estátua, à cidade de Lisboa.

Em seguida entrei na Av. Morais Soares, este sim um transmontano natural da Torre de Ervededo, e que viveu no período de 1811-1881. Na capital  foi médico, mas ficou muito ligado às questões da agricultura, tendo sido inclusive, director geral dos serviços de agricultura e deputado.

Ao cimo desta avenida virei à direita na praça Paiva Couceiro, outra figura ligada a Chaves, pelas razões que são sobejamente conhecidas, estando na origem do seu feriado municipal o 8 de Julho. Circundando a praça entrei depois na General Alves Roçadas, chegando por fim ao serviço de Finanças.

É por estas e por outras que a minha terra, nunca me sai do pensamento.

publicado por Nuno Santos às 20:38

Janeiro 02 2014

 

O dia 1 de Janeiro é quase sempre um dia caseiro, porque está quase tudo fechado,  servindo para retemperar os estragos do dia anterior. Ainda que este ano não fosse o caso, porque a noite da passagem de ano foi calma. O primeiro dia do ano teve apenas uma saída para almoço em casa dos meus cunhados, porque o dia também não estava muito convidativo, para grandes passeios.

Agora nem os jogos da Premiere League inglesa ajudam a passar a tarde, porque passaram a ser transmitidos pela Benfica TV, e seria um sacrilégio para um sportinguista como eu, tornar-se assinante da televisão dos rivais.

Porém este dia costuma ter dois momentos marcantes. O primeiro é o concerto de Ano Novo, pela Orquestra Filarmónica de Viena e à noite, o discurso do nosso presidente, os quais ficaram aquém das minhas expectativas.

Quanto ao concerto, apesar dos compositores escolhidos serem todos Strauss, ainda que nem todos familiares, os temas eram na sua maioria pouco conhecidos, embora simbólicos, pois pretendiam comemorar o centenário da 1ª Guerra Mundial 1914-1918. Valeu no final a Marcha de Radetzky com que se encerram todos os concertos, o qual deve ser o tema mais conhecido mundialmente, e onde o público participa batendo palmas, a compasso da música.

O discurso do presidente da república ficou também muito aquém das minhas expectativas, foi de uma total cobertura ao actual governo, e um piscar de olho ao PS para uma convergência, a fim de agradar aos mercados. Ficamos a saber que não irá haver novo resgate, mas haverá um plano cautelar, que o facto de ter sido rejeitado pela Irlanda, faz de nós cobaias, para se saber como isso vai funcionar.

Sobre o orçamento por si promulgado e publicado no Diário da República no último dia do ano, o presidente nada disse se o iria submeter à fiscalização sucessiva do Tribunal Constitucional, embora saibamos que tal irá acontecer, mas por via da acção dos outros partidos e das centrais sindicais.

Entramos assim no novo ano com a certeza de que vamos pagar mais, por bens essenciais, como a água e a electricidade. Resta-nos a aguardar que os desejos formulados à meia-noite quando se ingeriram as passas, se realizem ao menos alguns.

publicado por Nuno Santos às 10:41

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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