Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 19 2014

 

Ainda só estive por uma vez em Madrid, mas não consegui visitar o museu do Prado, porque havia uma extensa fila de visitantes, por causa de uma exposição temporária ali patente, a qual estava a terminar o prazo. Em alternativa optamos por visitar o museu Thyssen - Bornemisza, que fica mesmo de fronte.

O museu Thyssen – Bornemisza, embora não comparável com o Prado, é também de grande interesse artístico, com imensos quadros de pintores italianos e flamencos do século XVI e XVII. O mais curioso é que este museu, está associado a uma situação, totalmente oposta ao que se passa actualmente em Portugal, com a colecção Miró. Tudo porque no ano de 1993, o governo espanhol adquiriu este espólio à família Thyssen-Bornemisza, quando o governo alemão rejeitou a oferta de compra.

A colecção Miró que acabou por ser propriedade do estado, de uma forma algo rocambolesca, prepara-se para sair da sua posse, também da mesma forma.  

Mas voltando ao Museu do Prado, para quem vive ou visite Lisboa nos próximos tempos, e tenha algum interesse por esta forma de arte que é a pintura, pode visitar embora não a colecção do Prado, obviamente, mas a sua “Paisagem Nórdica” composta por 57 obras, pintadas por grandes pintores do século XVII, como Brueghel, Rubens, Lorraine e muitos outros.

De salientar que esta mostra, insere-se numa política de parcerias ou permutas, e depois de já terem estado cá obras do Goya, e agora esta, em breve serão obras portuguesas que estarão em Madrid, nomeadamente as tentações de Santo Antão, que são a jóia da coroa do Museu de Arte Antiga.   

É interessante a história desta extensa obra, agora exposta em Lisboa. Ela foi adquirida numa época, em que a Espanha, era uma das maiores potências mundiais. O seu rei era conhecido por rei sol, porque nunca se punha o sol nos seus domínios que iam das Filipinas às Américas,  reinando inclusive sobre Portugal e os Países Baixos (Bélgica e Holanda), donde vieram a maioria destas obras. Outras foram adquiridos por Filipe IV de Espanha, Filipe III de Portugal.

Curiosamente foi um português, Manoel Moura Corte-Real, amigo e conselheiro do rei, quem negociou a maioria destas obras, para decorar um dos palácios do rei. Este português que entre outros títulos, era o Marquês de Castelo Rodrigo, foi um dos muitos nobres que, não aderiu à causa da restauração, ficando a viver em Espanha, e por isso os seus bens em Portugal, foram confiscados pela corte portuguesa. 

A exposição está patente no Museu de Arte Antiga, o maior e melhor museu português, até ao dia 30 de Março. Quem já conhece o museu, pode adquirir o bilhete apenas para a exposição do Prado, pelo preço de 6,00 €. Quem queira visitar o museu completo, pagará 10,00 € pela visita conjunta.

Façam-no ao fim de semana no período da manhã, e verão que não darão o tempo gasto, por mal empregue.

 

publicado por Nuno Santos às 07:46

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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