Outeiro Secano em Lisboa

Julho 09 2014

É conhecida a paixão que o povo brasileiro nutre pelo futebol, estão em primeiro lugar no ranquing da FIFA, são penta campeões mundiais, têm jogadores espalhados por todos os cantos do mundo, e neste ano de campeonato do mundo ou de Copa, como eles dizem, eram os seus anfitriões. Apesar disso ontem assistimos à maior hecatombe da sua história, ao serem goleados em casa pela Alemanha, por um score pesadíssimo de 7-1.

A humilhação torna-se ainda maior, por ter sido perante o seu público, e porque as expectativas de serem os campeões mundiais, estavam demasiado elevadas. Além da pressão dos adeptos, a própria presidente Dilma Roussef disse antes do jogo de ontem, que no domingo, lá estaria no estádio do Maracanã, para entregar a taça ao capitão do Brasil.

Mas porque em futebol os prognósticos só são no fim, afinal o que assistimos ontem, foi a uma demonstração de classe da equipa alemã, jogando afinada como se tratasse de uma equipa, de um clube, e de facto, vários dos seus jogadores jogam juntos no Bayern de Muniche, enquanto que a equipa brasileira, talvez fruto da pressão que sobre eles recaía, jogou com onze jogadores individualistas, parecendo uma orquestra composta só por solistas.

Por tudo isto o povo brasileiro chora copiosamente esse desaire, porque jamais imaginou esse desfecho, mas diga-se em abono da verdade, neste mundial  com excepção da primeira parte do jogo contra a Colômbia, o Brasil foi ganhando, mas com fracas exibições.

Bem sabemos que este foi apenas um jogo de futebol, e que a vida continua o seu ciclo. Mas se o falhanço no mundial de 1954, em que o Brasil perdeu a final em casa com o Uruguai por 2-1 e deixou marcas, ao ponto de ainda hoje ser falado e de lhe chamarem o maracanazo, a derrota pesadíssima de ontem que, afastou a canarinha da final de domingo, será por certo recordada por muitos mais anos, ejá lhe chamam o mineirazo, por o jogo de ontem se ter disputado no estádio do mineirão.

Contudo eu acho que os brasileiros têm pela frente desafios mais importantes do que a Copa, entre os quais o da educação, da saúde e do desenvolvimento sustentado e igualitário a todo o país, eliminando as assimetrias que existe actualmente,  e que o tornam num país de vários Brasis.

     

publicado por Nuno Santos às 07:54

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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