Outeiro Secano em Lisboa

Julho 08 2014

 

 

Hoje é o feriado municipal em Chaves que, como em quase todos os municípios, excepto aqueles que escolheram dias de santos, como o Santo António, São João ou São Pedro, este dia do município, costuma estar ligado a uma data ou a um acontecimento ocorrido na terra.

Há já muitos anos que Chaves escolheu o dia 8 de Julho, porque é o dia em que os republicanos deram a estocada final na monarquia, tendo isso ocorrido precisamente no nosso concelho, e em terrenos que à data pertenciam à freguesia de Outeiro Seco.

Os factos são por demais conhecidos, existe um livro com o nome de “Ataque a Chaves” da autoria de Joaquim Leitão, escrito em 1916, que descreve tudo isso, e Lisboa reconheceu o feito, ao escolher toponimicamente o nome da avenida paralela à avenida da República, como avenida Defensores de Chaves.

Porém esta data do dia do município, foi desde sempre contestada por muitos flavienses, por evocar um acontecimento bélico e fratricida, colocando portugueses e flavienses, dos dois lados da barricada.

Só que já se passaram 102 anos após este acontecimento, e nenhum executivo teve a coragem para alterar esta data do dia do município.

O certo é que também não a têm aproveitado, para fazer dela uma grande promoção e divulgação, ao contrário do que se faz noutras terras, em que os feriados municipais, são um polo de atracção e divulgação das potencialidades do concelho.

Em Chaves estes festejos fazem lembrar, quando chegam a uma certa idade, e já não há prazer em se comemorar os anos, por isso seus programas de festas são algo insípidos e raramente ultrapassam as fronteiras da cidade.

Contudo os outeiro secanos podem ir ouvir a sua Banda, porque inserido no programa das festas, dá hoje um concerto no Largo das Freiras. E digo Largo das Freiras, para não dizer Largo General Silveira, porque isso é mais um lugar de polémica na cidade.  

publicado por Nuno Santos às 07:47

Julho 07 2014

 

Hoje um Filipe de Espanha regressou a Portugal, embora viesse em missão de cortesia e não para ocupar o poder, como acontecera em 1598, vindo desse tempo a expressão, de que “ De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”.

A razão dessa expressão deve-se ao facto de ter sido um casamento, quem nos fez perder a soberania. Tratou-se do casamento de D. Isabel de Portugal com o rei D. Carlos V de Espanha, e o seu filho Filipe tornou-se no herdeiro dos dois reinos, legitimado nas Cortes reunidas em Tomar.

Esse ditado tem ainda mais consistência, porque já no final da primeira dinastia se vivera uma situação semelhante, quando a única filha de D. Fernando, D. Beatriz casara com D. João I de Castela, que também reivindicou o trono poprtuguês.

Só que nessa altura o povo andava muito descontente com o reinado de D. Fernando e depois da sua mulher Leonor Teles que, após a morte do rei ficara como regente, vindo a aclamar um outro João, mas o mestre de Avis, tornando-se em D. João I de Portugal.

A visita deste Filipe é um gesto de amizade, sendo a segunda visita que faz após a tomada de posse, a primeira visita  fora a Roma, para visitar o Papa.

Recentemente em Espanha uma minoria tem questionado a continuação da monarquia, querendo implementação da república. Mas nos tempos que correm parece-me um pouco relevante, essa questão das monarquias ou da repúblicas.

Em Portugal há mais de cem anos que somos governados pela família Espírito Santo, sem que algumas vez se tenham submetido a sufrágio, os últimos acontecimentos ocorridos com o BES, são disso uma prova evidente.

publicado por Nuno Santos às 13:49

Julho 06 2014

Hoje o dia amanheceu feio e triste em Lisboa, e pior ficou com as duas notícias recebidas via telemóvel, com o intervalo de menos de meia hora. A primeira foi a informar do falecimento da D. Laura Negreiro Morais Moura, mãe do meu cunhado Artur, em seguida foi a minha sobrinha Lili, a comunicar-me a morte do seu avô José Ferreira, mais conhecido na aldeia por Zé do Forno.

Se a D. Laura nem todas as pessoas da aldeia conheciam, porquanto é natural de Alvarelhos concelho de Valpaços, embora fosse residente há alguns anos, no lar de Santa Marta. O tio Zé, além de ser meu parente afastado, pelo ramo dos Pantaleões era sogro do meu irmão Manuel, meu amigo e uma referência da aldeia que, a partir de hoje fica mais pobre, porquanto, perde uma fonte da sua memória coletiva.

Muito do que tenho escrito sobre a história social da nossa aldeia, devo-o ao Sr. Zé, em resultado de longas conversas que trocávamos, sentados no banco junto ao portão da casa da minha mãe, algumas coisas era ele quem me informava, outras era com ele que eu as validava.

Às duas famílias enlutadas eu e a Celeste associamo-nos neste seu pesar, infelizmente por razões muito ponderosas impedem-nos de estar presentes nos dois funerais, mas apesar de não podermos estar fisicamente, estaremos espiritualmente.

Paz às suas almas.

publicado por Nuno Santos às 11:51

Julho 05 2014

Devemos aprender sempre com as boas práticas dos outros, e em muitas delas, os países do norte da Europa dão-nos meças. Desde alguns anos que me desloco com alguma frequência a esses países, e uma dessas boas práticas prende-se com a utilização dos mercados urbanos.

O primeiro que vi foi em Tours em França, mas depois em Delft na Holanda, o qual se realiza todas as quartas e sábados. Pela manhã bem cedo o mercado é montado numa das praças centrais da cidade, e às quatro da tarde a praça, volta ter a funcionalidade que tinha antes.

Este exemplo é seguido em Amsterdam no Bairro Jordan, um dos bairros mais típicos da cidade, assim como noutras cidades, como a que apresento nas fotos, do mercado na cidade de Deventer, também realizado todos os sábados.

Deste modo poupa-se na construção de infraestruturas, que na maioria dos dias da semana ficam abandonadas, porque foram construídas na periferia, ou foram preteridas pelo público em favor das grandes superfícies, por causa das facilidades de mobilidade, ou antes de estacionamento, porque agora toda a gente se desloca de automóvel, coisa diferente nesses países, em que apesar das temperaturas serem mais baixas, deslocam-se mais em bicicleta.

Actualmente no nosso país vão-se vendo alguns mercados de rua, mas são essencialmente mercados de artesanato, as chamadas feiras de velharias. Recentemente em Chaves tem se realizado no Arrabalde um mercado, designado pela feira das varandas, onde se pode encontrar produtos regionais como o pão e outros bens alimentares.

Oxalá a moda pegue porque isso traz mais centralidade às cidades, e poupança na construção de obras supérfluas para a comunidade.   

publicado por Nuno Santos às 09:02

Julho 04 2014

 

Nas fases finais dos campeonatos de futebol, tanto mundiais como europeus, habituamo-nos a ter jogos quase todos os dias, e quando isso não acontece, até parece que ficamos de ressaca. Mas para gáudio dos apreciadores o mundial regressa hoje com a fase mata-mata, como diz o Filipe Scolari. Assim logo vamos ter dois grandes jogos, às 17,00 h o França-Alemanha, e às 21,00 h o Brasil-Colômbia. Amanhã temos mais dois jogos, a Holanda-Costa Rica e a Bélgica-Argentina, com este alinhamento e com excepção do jogo Brasil-Colômbia, os restantes jogos são todos um confronto Europa – América.

Os jogos de hoje são um duelo de titãs, pois das quatro equipas em confronto, apenas a Colômbia nunca foi campeã mundial, embora em minha opinião, seja a equipa que está a praticar  melhor futebol.

Claro que a eliminação do Brasil seria uma decepção enorme, primeiro porque é sempre candidata, segundo porque é o país anfitrião, mas de facto a canarinho tem apresentado um futebol pouco entusiasmante e a vitória sobre o Chile, já foi obra da Senhora do Caravaggio, razão pela qual no final dos penaltis, os jogadores brasileiros choravam que nem Madalenas, em reconhecimento da graça concedida.

Quanto às selecções da Alemanha e da França este ano apresentam-se muito semelhantes, mas já o Gary Lineker dizia que, o futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha.

E se no último mundial de 2010 houve um polvo, o Paul que acertava nos resultados, desta vez parece que existe um elefante, o Nelly, que já acertou em 30 dos 33 resultados, e para não variar o Nelly dá a vitória à Alemanha.

Desfrutem pois só temos mais uma semana de mundial, depois é como diz a canção “ eu nem sei o que vou fazer, domingo à tarde” porque o tempo também não está a ajudar, para ir à praia.

 

publicado por Nuno Santos às 07:41

Julho 03 2014

 

Sem grande alarido mas com inteira justiça, assistimos ontem à transladação dos restos mortais de Sophia de Melo Breyner Andresen, para o Panteão Nacional, um local onde em minha opinião apenas devem estar os maiores e os mais notáveis, dando razão aos gregos criadores do panteão, para preservavam os diversos deuses.

Após a conversão ao monoteísmo passando a haver um único Deus, os panteões tornaram-se em mausoléus, onde se preservam aqueles, cuja obra em vida se tornou imortal. Embora no nosso panteão estejam algumas figuras e queiram lá colocar outras que,  em meu entender não têm esse estatuto de dimensão nacional, a Sophia de Melo Breyner Andresen   tal como  Camões, Pessoa e mesmo José Saramago, deixou-nos uma obra, a qual será evocada através dos tempos, como este belo poema, a cantatata da paz, escrita ainda na década de sessenta quando o país e o mundo viviam tempos difíceis, mas que continua intemporal.

 

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado

.

publicado por Nuno Santos às 13:49

Julho 02 2014

O Sporting comemorou ontem o seu 108º aniversário, e ao contrário de outros clubes que, têm vários nascimentos, este só tem um, em 1 de Julho de 1906.

Para os sportinguistas ontem foi um dia de grande exaltação clubista. A equipa de futebol iniciou o seu trabalho, com vista à preparação da época desportiva 2014/2015. O clube comemorou o seu aniversário com uma gala no Pavilhão Meo Arena, onde a razão principal era a apresentação do seu canal de televisão que, vai operar nos canais 34 e 35 da MEO e da NOS (ZON). Infelizmente já estamos habituados a que nos criem dificuldades e a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social, não deu atempadamente a luz verde para que o canal arrancasse ontem que era uma data mítica, pelo que a cerimónia só pode ser transmitida na página da web do clube.

Mas como o verde é a cor da esperança, temos essa esperança de que a nova época que agora se inicia, seja repleta de êxitos e sucessos desportivos, mas com " Esforço Dedicação Devoção e Glória" porque esse é o nosso lema, e não com osesquemas a que estamos habituados a ver noutras  conquistas.

Tu sabes bem 
Qual foi o ano em que ele nasceu
mil 906 e desde sempre foi sonho meu


Oh oh oh oh Grande Sporting
Oh oh oh oh Nosso amor
Oh oh oh oh A Juve Leo
Oh oh oh oh A tua cor

Sporting Allez lalalalalala
Allez Sporting Allez lalalalalala
Sporting Allez lalalalalala
Allez Sporting Allez lalalalalala

Tu sabes bem 
Qual foi o ano em que ele nasceu
mil 906 e desde sempre foi sonho meu

Oh oh oh oh Grande Sporting
Oh oh oh oh Nosso amor
Oh oh oh oh A Juve Leo
Oh oh oh oh A tua cor

Sporting Allez lalalalalala
Allez Sporting Allez lalalalalala
Sporting Allez lalalalalala
Allez Sporting Allez lalalalalala

publicado por Nuno Santos às 07:43

Julho 01 2014

Apesar da notícia da abertura do museu dos descobrimentos no Porto ter passado na televisão, o facto passou-me completamente ao lado. Tive conhecimento através de um amigo que, por coincidência, estava de fim-de-semana no Porto, e ia visitá-lo.

Nesse dia acabamos por passar em frente do museu, ficando a saber a sua localização. Mas para ser sincero, não fiquei muito entusiasmado com a ideia, porquanto não estava a ver um museu dos descobrimentos no Porto! Porquanto os descobrimentos estão mais associados a Lisboa, quer seja pela Torre de Belém pelos Jerónimos ou ainda pelo Padrão dos Descobrimentos.

Só quando tive conhecimento de que o museu era um projecto privado do empresário Mário Ferreira, aproveitando bem, o facto do Infante D. Henrique mentor dos descobrimentos, ter nascido no Porto, fiquei com alguma curiosidade, porquanto é bem conhecida a dinâmica e o sucesso deste empresário.

Assim no domingo de manhã sem outros planos, acabamos por ir visitar o museu, designado por Worlds Discovers, o qual fica situado próximo do edifício da Alfândega, onde outrora funcionou um antigo estaleiro naval. Quem vê o edifício por fora, não imagina o que lá está dentro.

Logo à entrada, os funcionários que fazem a recepção dos visitantes, aparecem trajados à época dos descobrimentos, da mesma forma que os restantes que vão aparecendo pelas seguintes salas do museu. Parecem todos bem identificados com a temática, e ajudam a fazer um enquadramento histórico e interactivo dos objectos com os descobrimentos.

As primeiras salas têm de facto um caracter museológico, com vários objectos expostos, como os instrumentos de navegação, a evolução dos barcos desde as pequenas caravelas aos galeões, tudo isso acompanhado de conteúdos de multimédia, mostrando as diversas rotas de Diogo Cão, Pero da Covilhã, Bartolomeu Dias ou a mais extraordinária de todas, a viagem de circunavegação de Fernão de Magalhães.

Ao longo da visita vamo-nos identificando com a forma como os marinheiros viviam nos barcos durante essas viagens, as tarefas que faziam, os constrangimentos que sofriam, o que transportavam tanto na ida como no regresso, aqueles que regressavam, porque muitos fizeram a viagem sem retorno, por isso Pessoa escreveu “ Oh mar salgado, quanto do teu sal, são lágrimas de Portugal”.

O museu conta ainda com animação, e se as figuras nos parecem de carne e osso, algumas são-no de verdade, como o velho do Restelo que inesperadamente nos clama.

"A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?

 

Mas também Camões faz a sua aparição na ilha dos amores, retratando as ninfas que não eram senão nativas que despreocupadamente se banhavam nuas nas praias e fugiam ao ver aproximarem-se as naus.

 

 

Nesta frescura tal desembarcaram
Já das naus os segundos argonautas,
Onde pela floresta se deixavam
Andar as belas deusas, como incautas
Algüas doces cítaras tocavam,
Algüas harpas e sonoras flautas;
Outras, cos arcos de ouro, se fingiam
Seguir os animais que não seguiam



Depois desse percurso pedonal pelo museu, a visita torna-se temática e os visitantes entram nuns pequenos barcos que, depois de passarem pelo Adamastor, revisitam os locais por onde passaram os nossos marinheiros atravessando paisagens tropicais, ouvindo os sons da selva, paisagens essas que vão da África à Ásia e à Oceânia, com passagem pelas Américas.

Confesso que gostei do que vi e espero que, este projecto seja amplamente divulgado, e de que as expectativas dos promotores, de terem cerca de 300.000 visitantes por ano seja amplamente ultrapassado.



publicado por Nuno Santos às 07:36

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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