Outeiro Secano em Lisboa

Agosto 27 2014

 

 

o Bar Sol e Pesca

 

O nosso país com apenas noventa e de dois mil quilómetros quadrados de área possui uma multi variedade de produtos alimentares, alguns de caracter regional que são umas autênticas iguarias para a cozinha, levando a Unesco a considera-la como património imaterial da humanidade, com a designação de Cozinha Mediterrânica.

Antes valorizávamos basicamente os enchidos, algumas espécies de peixes, e as carnes não tinham grandes generalizações, era tudo  carne fosse de porco de vaca de borrego, ou de aves, sendo talvez a carne de aves e as de porco, as mais consumidas, por causa da sua produção ser mais acessível. Havia depois os vinhos diferenciados por serem do Alentejo ou do Douro, e alguma doçaria conventual.

Com a globalização que de certa maneira foi transversal a todos sectores, a nossa cozinha evoluiu muito, priviligiando mais os sabores e a qualidade, em detrimento da quantidade, havendo nisso uma mais-valia não só para o turismo, mas também, para os apreciadores da boa comida.   

E se em matéria de enchidos, costumam ter maior tradição os do norte, promovidos pelas suas feiras do fumeiro, realizadas nos meses de inverno, existem outras regiões como por exemplo o Alentejo, onde também se fazem bons enchidos. As carnes passaram a ter regiões demarcadas como os vinhos, que embora se façam já bons vinhos em todo o país, as regiões preferenciais continuam a ser as do Alentejo e do Douro. 

No Algarve uma das suas iguarias mais apreciadas é o atum, parecendo estar na moda. Tudo porque os japoneses passaram a importá-lo às toneladas, para o seu famoso sushi, dizem que querem fazer o mesmo com o polvo algarvio. Só que a utilidade do atum, não se esgota no sushi japonês, nem nas conservas em azeite. Há mais de dois mil anos quando os Fenícios e os Romanos cá viveram, comiam-no de outras maneiras, como em muxama.

A muxama é feita da parte mais nobre do atum, ou seja dos seus lombos. Estes depois de curados ao sal, são secos ao ar quente do algarve. Há quem chame à muxama de atum o presunto do mar, e de facto come-se em fatias finas tal como o presunto, e com um gosto algo semelhante.

Durante muitos anos confesso que não fui muito fã de atum, com excepção das conservas em azeite. Há tempos numa visita à Madeira, comi-o em casa da minha cunhada Lisete como bife e gostei. Mas a minha rendição total ao atum deu-se recentemente, quando o comi como muxama, num bar situado na rua Nova do Carvalho ao Cais do Sodré, conhecido por Sol e Pesca.

A muxama pode ser adquirida no Algarve, na zona de Vila Real de Santo António, tanto em casas da especialidade, como no mercado. Quando o  encontrar à venda eu vou comprar, porque garanto-vos, é um grande pitéu.

 

publicado por Nuno Santos às 07:45

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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