Outeiro Secano em Lisboa

Agosto 29 2014

 

 

Diz-se dos amigos verdadeiros que são para a vida, e eu prezo-me de ter alguns entre os quais, o casal Carlos David e a Luísa Afonso, uns transmontanos de Vinhais residentes em Lisboa, com quem eu e a Celeste privamos, há quase quarenta anos.

Temos com este casal uma série de cumplicidades, desde logo o facto de sermos vizinhos, de nos assinarmos Afonso, de sermos transmontanos e de torcermos todos pelo Sporting.

Ainda que não fosse por todos estes atributos, existe um outro, que levaria a terem a minha simpatia, por serem ainda familiares afastados de Manuel Buíça, o transmontano e vinhaense que, participou no regicídio, contribuindo com o seu gesto revolucionário o facto de vivermos actualmente numa república.

Além disso, os seus filhos a Sara e Roberto têm também  com o nosso filho uma grande cumplicidade, e nem o facto de este ter ido morar para a Holanda os afastou. O Roberto que, é um excelente músico e juntamente com a sua companheira Patrícia, constituem a banda “Os Lavoisier”. Nas suas tournées pela Europa, sempre que tocam em Amsterdam, ficam em casa do nosso filho, ao ponto de este dizer com graça e prazer, de que a sua casa, é a delegação oficial dos Lavoisier na Holanda.

Hoje a Luísa faz anos, e por isso aqui ficam os meus parabéns e da Celeste, embora logo à noite lá estejamos em sua casa para os comemorar, porque naquela casa, a palavra de ordem é – Entre quem é!

 

  

publicado por Nuno Santos às 14:03

Agosto 29 2014

 

 

 

No recente encontro da família Rodrigues Afonso, mais do que o convívio intergeracional e familiar o qual é frequente, esteve também subjacente uma homenagem ao nosso avô Eurico, pelo protagonismo que teve na aldeia, entre as décadas de trinta a setenta, e porque em nosso entender, existe essa dívida de gratidão por parte da população local, em especial dos responsáveis políticos que lhe seguiram.

E se há coisas em que a memória do nosso avô deve ser perpetuada, a festa da Sra da Azinheira deve ser uma delas, porque apesar de passados tantos anos, a sua marca ainda persiste. Desde logo, porque foi ele quem criou o espaço onde agora se realiza a festa, assim como foi também ele quem construiu o primeiro coreto, e concluiu o segundo, pese embora ambos tenham sido recentemente requalificados, a obra original foi sua.

O nosso avô tinha uma relação com a festa como ninguém. Na qualidade de presidente da junta nomeava os mordomos para o ano seguinte, e se havia dificuldade em constituir a comissão, lá estava ele por trás como mordomo sombra, fazendo reforço positivo. Entre outras tarefas relacionadas com a festa, era ele quem tratava das licenças na cidade, e justava logo no ano anterior a Banda de Loivos, uma das mais afamadas da região, razão pela qual esta Banda, deve ser a que tem um maior número de presenças, nas festas da nossa aldeia.

Quando se viviam tempos mais difíceis e era difícil distribuir os músicos pelas casas da aldeia, os sobrantes cabiam sempre na sua casa, e eu recordo-me ainda de ver uma cama pejada de instrumentos, dos músicos que comiam lá em casa.

Ainda que a contratação da segunda banda fosse tarefa da comissão dos solteiros, pela ligação que ele tinha com a cidade, por ali ser funcionário público e amigo de muitos dos elementos desta Banda, tando de membros da Direcção como de músicos, exercia sempre alguma influência, para que a segunda banda da festa fosse a Banda dos Pardais.

Vem isto a propósito porque neste ano, um dos mordomos da festa é um neto seu, o meu primo Tibério que, também herdou as géneses do avô, ao ponto de o nosso primo Eurico, dizer muitas vezes aos seus pais.

- Não sei porque me puseram a mim o nome de Eurico? Quem deveria ser Eurico deveriam ser o Tibério e o Nuno, pois esses é que herdaram as géneses do avô!

Da minha parte carrego com orgulho essa herança, tal como o meu primo a carrega, disso tenho a certeza. Para o Tibério e todos aqueles que estão envolvidos na produção da festa deste ano, desejo-lhes um grande sucesso, pois a julgar pelo programa divulgado, será com certeza um grande êxito, oxalá o S. Pedro também colabore.

publicado por Nuno Santos às 07:34

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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