Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 28 2014

As datas estão quase sempre associadas, a uma qualquer efeméride, e se em Outeiro Seco o 28 de setembro, é apenas a véspera do São Miguel, em Lisboa este dia é evocado por alguns sectores da sociedade política, como o dia da derrota das forças mais conservadoras e hostis às conquistas do 25 de abril, ficando conhecida como, a Maioria Silenciosa.

Estavamos no ano de 1974 e passara-se apenas cinco meses após o 25 de abril, o país era ainda governado por uma Junta de Salvação Nacional, presidida por António Spínola, que, não estava satisfeito com o rumo que o país estava a levar, nomeadamente por causa de alguns excessos cometidos com o PREC – Processo Revolucionário em Curso.

Contra esse estado de coisas, fora então convocada para Lisboa, uma manifestação silenciosa, a qual foi proibida pelo COPCON, presidido pelo então major Otelo Saraiva de Carvalho.

A aliança POVO-MFA funcionou em pleno, realizando barricadas nos principais acessos a Lisboa, que, sob a palavra de ordem “A reacção não passará” abortaram essa manifestação.

Em resultado do fracasso da manifestação, António Spínola demitiu-se da presidência, juntamente com outros membros mais conservadores da Junta de Salvação Nacional, dando lugar na presidência da república, ao flaviense General Costa Gomes.

Por essa altura, foram presos alguns empresários e figuras ligadas ao antigo regime, outros saíram do país, indo viver para o estrangeiro, com predominância para o Brasil, iniciando-se uma segunda fase do PREC II, com a nacionalização de vários sectores da economia.

Eu tinha apenas 19 anos e vivia sozinho em Lisboa, tendo vivido com grande intensidade, todo esse período revolucionário, do qual guardo uma grande nostalgia, recordando-o de de vez em quando, ouvindo o “ Eu vim de Longe” do Zé Mário Branco.

 

Quando o avião aqui chegou
quando o mês de Maio começou
eu olhei para ti
então entendi
foi um sonho mau que já passou
foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
uma flor vermelha n'outra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a fronteira me abraçou
foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
de muito longe
o que eu andei p'ra'qui chegar
Eu vou p'ra longe
p'ra muito longe
onde nos vamos encontrar
com o que temos p'ra nos dar

E então olhei à minha volta
vi tanta esperança andar à solta
que não exitei
e os hinos cantei
foram feitos do meu coração
feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa s'estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p'ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
coisas começadas noutra mão
tinha um grande amor
marcado pela dor
e quando a espingarda se virou
foi p'ra esta força que apontou

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 08:53

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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