Outeiro Secano em Lisboa

Setembro 21 2014

A marcha de Chaves numa das suas estrofes diz:

 

 

Nossa senhora das Graças

Por um milagre de Deus

Senhora quando tu passas

As preces caiem dos céus

 

Pois hoje é o dia da Senhora das Graças, uma festa que nos últimas anos, se transformou na festa religiosa do concelho, com uma missa campal no Jardim Público, seguida de uma grandiosa procissão, integrando os andores, com os padroeiros de todas as paróquias da diocese.

Ao que parece e pela informação que disponho até ao momento, o S. Miguel padroeiro de Outeiro Seco, não vai desfilar pelas ruas da cidade, porquanto, ninguém armou o andor, quando o mesmo, vai ter a sua festa já no próximo dia 29 de setembro, podendo até ficar já armado, para a festa.

Não sei de quem é a culpa desta situação, se as pessoas mais ligadas à igreja, se a Junta da Freguesia, ou mesmo a Comissão de Festas em exercício, pois só cessa funções precisamente após o S. Miguel. O facto é que ontem o S. Miguel ainda estava em cima do altar, para grande decepção do Monsenhor Padre Banha que, quanto a mim e com toda a estima e consideração, também não está isento de culpas, pois deveria ser ele o dinamizador da armação do andor.

Este facto traz a nu, uma enorme falta de bairrismo que grassa na aldeia, assim como a uma falta de liderança, porque se todos assistimos ainda há bem poucos dias, a uma grande pujança com a festa da senhora da Azinheira, como é possível agora não haver uma mobilização, para armar o andor e participarmos nesta festa, com as outras paróquias!

Além disso, nos últimos anos a festa de Outeiro Seco, tem contado com a colaboração da cidade, bem sei que agora menos, face à difícil conjuntura económica, por isso acho que ficava bem essa retribuição, colaborando também a nossa aldeia, na festa da cidade.

 

publicado por Nuno Santos às 08:07

Setembro 20 2014

Embora venham do início do século XX, algumas medidas para a criação de um serviço nacional de saúde, o certo é que só a Constituição da República de 1976, no seu artigo 64.º o consagre, ao fazer constar que:

Todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. Esse direito efectiva-se através da criação de um serviço nacional de saúde universal, geral e gratuito. Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação, bem como uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país.

Embora consagrado na Constituição de 1976, o SNS só viria a ser implementado em 1979, sendo ministro da saúde o socialista António Arnaut, ficando conhecido por isso, como o “pai” do Serviço Nacional de Saúde, o qual comemorou nesta semana trinta e cinco anos (1979-2014) de existência, organizando-se a propósito da efeméride uma grande conferência, a qual juntou todos os ministros da saúde até à data.

E apesar das juras dos actuais governantes, sobre a manutenção deste serviço nacional e gratuito, tal como está consagrado na Constituição da República, todos nós sentimos quanto ele está ameaçado.

Basta viver-se fora dos grandes centros habitacionais, para se constatar que este serviço não é gratuito, nem tem uma eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país. Já não me refiro aos flavienses, cujo Hospital vem perdendo cada vez mais valências.

Esta semana vivi em Lisboa, uma situação que me incomodou, embora não fosse a pessoa afectada. Aconteceu  quando por razões pessoais tive de ir ao Serviço de Cardiologia do Hospital de Santa Maria, onde ao que parece, em algumas especialidades, centraliza agora a assistência a todos os pacientes, desde Santarém ao Alentejo. Nesse serviço estava uma senhora de 81 anos, vinda nesse dia de Sines, para lhe ser aplicado um pace maker.

Acontece que a senhora como muitos outros, não tem possibilidade de se deslocar em meios próprios, tendo para isso contactado os bombeiros de Sines, que lhe pediram 470,00 € pelo transporte, um valor superior à sua reforma mensal, optando por um táxi, propriedade de uma pessoa amiga que lhe levou 140,00 € mas apenas na vinda, porque, como esta prática médica obriga a uma dormida no hospital, terá de pagar a deslocação do regresso.

Por outro lado, é pressuposto que alguém que precise de um pace maker, seja uma pessoa de risco, mas apesar da sua avançada idade, esta paciente para chegar a Lisboa e ao Hospital de Santa Maria, passou antes pelos hospitais de Sines, Santiago do Cacém, Setúbal e Garcia da Horta, onde em nenhum deles existe este serviço.

Mas a senhora não  viajou só a custas próprias, fê-lo sozinha  e sem qualquer apoio médico ou paramédico. Será que poderemos dizer que esta senhora, é uma verdadeira utente do Serviço Nacional de Saúde?

 

publicado por Nuno Santos às 08:06

Setembro 19 2014
Um símbolo da luta pela indepedência da Escócia
Edimburgo onde o Não foi maioritário
Glasgow onde o Sim foi maioritário

Apesar de durante vários séculos a Escócia, ter sido um reino independente, integra desde o início do século XVIII, o Reino Unido ou Grã -Bretanha, juntamente com a Inglaterra, Pais de Gales e Irlanda.

Mas porque se trata de um dos países mais ricos que, integram o Reino Unido, em resultado das riquezas extraídas do Mar do Norte, tem coexistido a vontade de uma boa parte dos escoceses, em especial da classe média dos meios urbanos, de voltarem a ser um país independente, porque ainda que tenham um governo autónomo, estão dependentes das políticas centralistas de Londres.

Como esse desejo tem vindo em crescendo, realizou-se ontem o referendo que, ao contrário dos referendos portugueses, onde os assuntos referendados, têm sempre perguntas difíceis de interpretar, este referendo pedia apenas, deve a Escócia tornar-se independente, Sim ou Não.

Depois de um período de sensibilização que decorreu com o maior civismo, acabou por vencer o Não, ainda que por uma margem pouco folgada, mas esclarecedora, quanto à vontade do povo escocês, continuar integrado no Reino Unido.

Este referendo foi seguido com muita atenção por toda a Europa, onde existem outros movimentos independentistas, ainda que sem esta liberdade referendária, como são os casos da Catalunha em Espanha, da Córsega em França, ou entre Valões e Flamengos na Bélgica, os quais contrariam o espírito da União Europeia, que vai no sentido da união dos povos e não da sua desagregação.

Mas quanto a esta questão das uniões e das independências é tudo muito relativo, pois tudo depende dos interesses económicos dos países. Como estamos lembrados, a União Europeia quis à viva força a independência do Kosovo, apesar dos seus habitantes serem na sua maioria sérvios, mas em contrapartida, opõe-se à independência da Crimeia, de maioria russa, assim como de uma parte da Ucrânia.

Desde o passado dia 4 de setembro, sou o tutor de uma formanda, nascida na cidade de Odessa, agora pertencente à Ucrânia, a qual vive agora em Portugal, por ter casado com um português de Valença do Minho. A Svetlana diz jamais querer ser ucraniana, porquanto, os seus avós eram russos, os seus pais são russos e ela sente-se russa, segundo ela, um sentimento comum aos naturais naturais da sua região. Ora os naturais destas regiões, não devem ter o seu direito de opinião, ou os interesses económicos da região de Kiev para a União Europeia, sobretudo da Alemanha, falam mais alto?

 

publicado por Nuno Santos às 11:06

Setembro 18 2014

Ontem terminou a primeira jornada da Liga dos Campeões, onde as três equipas portuguesas tiveram sortes diferentes, obtendo os três resultados possíveis, uma derrota um empate e uma vitória. Podia ter sido diferente? Sim podia, nomeadamente o resultado do Sporting, porquanto a um minuto do fim, tinha a vitória assegurada, mas um duplo erro dos seus defesas centrais fê-lo sofrer o golo do empate aos 92 minutos.

Quanto ao resultado das outras equipas, o Benfica perdeu em casa por 0-2 com o Zenit de S. Petersburgo, um resultado que pode considerar-se normal, face à mais valia do adversário, mas também às incidências do jogo, pois viu-se a perder por este resultado logo aos vinte minutos e com menos um jogador, por expulsão do seu guarda redes.

O Futebol clube do Porto teve uma vitória mais fácil do que era esperado, arrasando o Bate Barisov da Bielo Rússia, por 6-0, numa noite mágica de Ibrahimi (Brahimi) que, só à sua conta, marcou três golos.

Apesar do empate na Eslovénia, o Sporting fez do meu ponto de vista, o pior resultado das três equipas portuguesas, quer atendendo ao valor do adversário, mas também à ineficácia da equipa falhando em diversas ocasiões o golo tranquilizador, e como se diz na gíria futebolística, quem não marca arrisca-se a sofrer, e foi isso que aconteceu, sofreu um golo resultado de dois erros infantis dos nossos defesas centrais que, demonstraram mais uma vez não terem categoria para jogar em campeonatos deste nível.

Como as vitórias valem um milhão de euros e o empate apenas meio milhão, o Sporting face à sua pobre exibição, não só não ganhou o milhão de euros, como não ganhou ainda uma equipa moralizada, pois vai já no seu quarto empate nesta época que começou apenas há um mês. Provavelmente o nosso Presidente, terá de rever os objectivos traçados que era a luta pelo título porque a jogar assim não vamos lá.  

publicado por Nuno Santos às 07:03

Setembro 17 2014

 

Embora o mês de setembro assinale a mudança do verão para o outono, guardo ainda na minha memória, os meses de setembro da minha infância, desde logo, porque era o mês das nossas festas, a da sra da Azinheira no dia 8 e a do S. Miguel no dia 29 e porque as férias escolares prolongavam-se até outubro, prevalecendo quase sempre o calor, embora por vezes a chuva, fizesse a sua aparição pelo S. Miguel.

Ainda se tomava banho no rio grande, onde as mulheres lavavam os cobertores e as roupas de cama e outras que se iriam usar no inverno, sendo nessa altura que se substituíam a palha dos colchões, a qual duraria até ao ano seguinte, porque ainda não havia as fibras sintéticas, e a palha ainda estava firme e hirta, das malhadas recentes.

Era um mês de grande abundância de fruta, em especial de figos, peras e maçãs, sem falar das uvas porquanto, em muitos dos anos era neste mês que se iniciavam as vindimas. Ainda sinto o aroma das maçãs que amadureciam em casa nas adegas, ficando amarelas como gemas de ovo.

Nessa altura as estações do ano eram mais vincadas, agora a meteorologia anda mais incerta e o exemplo disso foi este verão, cheio de intermitências, para desespero dos banhistas e daqueles que vivem das actividades relacionadas com a praia.

Mas o pior, têm sido os fenómenos extremos ultimamente ocorridos, como o de ontem na zona do oeste, nomeadamente em Alcobaça, onde um mini tornado deixou um lastro de destruição em casa e explorações agrícolas.

Com efeito, o mês de setembro da minha infância tem em comum com os de agora, apenas as festas da senhora da Azinheira e do S. Miguel, pois o ano escolar começa no início de setembro e a fruta, já não amadurece naturalmente, e senão for tratada, apodrece ainda nas árvores.  

publicado por Nuno Santos às 08:02

Setembro 16 2014

 

 

Episódio VIII

 

No disco do Rui Veloso, “Mingos e Samurais”, o Carlos Tê escreveu uma letra que diz:

Arménio! Tenho nas minhas gavetas,

Aerogramas cheios de erros de ortografia,

Entre as minhas meias pretas,

Aquelas! Que te põem em estado de euforia.

Na década de noventa, tivemos na Parede uma colega que de vez em quando usava um fato preto, em seda rendada, quase transparente, outros dias usava uns shorts muito curtos e umas meias pretas, que punha os seus colegas num verdadeiro estado de euforia, com excepção do Sr. António Nunes que, na qualidade de administrador, era  o responsável pela imposição das boas práticas na empresa, até porque na época ainda não havia um regulamento interno, regulador do vestuário a usar na empresa.

O Sr. Nunes bastas vezes chamou a atenção dessa colega, para a forma pouco assertiva como ela se vestia, em contexto de trabalho, ameaçando-a inclusive de que um dia, proibia-a de entrar ao serviço, em tal preparo. Só que a colega era muito irreverente e fazia orelhas moucas às chamadas de atenção do patrão, e sempre que lhe dava na real gana, lá aparecia ela com o seu fato preto de seda transparente, ou os shorts e as meias pretas, para gáudio dos seus colegas.

Como é natural do convívio diário entre colegas de sexos diferentes e como a carne é fraca, aconteceram alguns relacionamentos ocasionais, alguns até se tornaram mais sérios, resultando em casamentos.

Porém, jamais se constou que tivesse acontecido algo com essa colega, nem se lhe conhecia qualquer parceiro, fora da Nucase. Constava-se em surdina que, no seu passado, teria havido algo lá para os lados de Pombal, e que teria sido por via disso, que ela viera para Lisboa.

Mas não eram apenas os colegas que, não ficavam indiferentes ao vestuário sensual da colega, o mesmo acontecia com os clientes e os técnicos das finanças que nos visitavam.

Como os empregos são dinâmicos, um dia essa colega optou por outro projecto de trabalho, deixando a Nucase. Ora, quando um dos técnicos da fiscalização das Finanças de Cascais, apareceu para fiscalizar um cliente, a primeira questão que colocou ao técnico que o recebeu foi:

- Já não trabalha cá, a vossa colega que, se veste de lingerie?  

Quando lhe disse que não, o homem não evitou deixar transparecer, uma expressão de decepção.  

publicado por Nuno Santos às 07:30

Setembro 15 2014

 

Hoje quando liguei o computador, já tinha várias felicitações pelo meu falso aniversário, desde logo do Skype do Facebook, do Banco, mas também de alguns amigos mais distraídos, e durante o dia por certo irei receber ainda mais, em especial de entidades onde estou registado, como do Sporting, da Galp  e muitas outras. Só que ninguém nasce duas vezes, e os meus amigos mais próximos sabem que eu nasci às 14 horas do dia 15 de abril de 1955, porém um descuido do meu avô Eurico, que até trabalhava no mesmo edifício, onde funcionava o registo civil, apenas me registou a 15 de setembro de 1955.

Felizmente que o facto não me fez atrasar o meu ingresso na escola primária, porque graças ao meu amigo Vasco sabendo que o Prof. Amílcar tinha ainda duas vagas para a primeira classe, tratou de me inscrever, tendo essas duas vagas sido preenchidas, por mim e pelo Zé António Chaves, quando os restantes nascidos em 1955, apenas entraram na escola no ano seguinte.

A desvantagem maior é em termos de reforma, porque assim estou obrigado a trabalhar mais cinco meses, pese embora já tenha trabalhado durante 41 anos, embora esteja a congeminar uma forma de o fazer antes, porquanto, acho que a minha contribuição para o sistema de pensões, já foi o suficiente.

Hoje é também o dia do meu regresso ao trabalho, após mais um curto período de férias em Chaves, embora o regresso à capital e às rotinas habituais, já tenha ocorrido no sábado. Assim e poucas horas após a chegada a Lisboa, lá fui a Alvalade, infelizmente o meu apoio foi insuficiente e o Sporting, empatou a uma bola com o Belenenses.

Ontem fomos ao cinema ver os Maias. Paradoxalmente e embora tenha quase toda a sua obra, sendo que dos Mais, até tenho dois exemplares, e uma edição especial, editada este ano pelo Expresso, nunca li os Maias, embora conheça a história.

Quanto ao filme, gostei da realização e da representação, tenho pena que as filmagens não tenham sido gravadas no exterior, pois presumo que não haveria orçamento para isso, razão pela qual foi filmado em estúdio e com os cenários do Chiado e do Douro, pintados em tela.

Quanto aos parabéns, recebo-os com prazer, mas claro que só se nasce uma vez, e essa aconteceu em 15 de abril de 1955.

publicado por Nuno Santos às 07:54

Setembro 13 2014
Comissão dos casados
parte da procissão
Alguns dos Amigos de Outeiro Seco junto ao assador do porco
Mesa de honra da apresentação do livro

Por razões de ordem técnica com a minha internet móvel, só após o regresso a Lisboa, é que me foi possível postar a homenagem ao meu amigo Escaleira, como a festa da Sra da Azinheira, os dois acontecimentos que nos fizeram regressar a Chaves, depois de aí estarmos em agosto.

É público que eu me insiro na corrente que, defende a mudança da nossa festa para um fim de semana, convicto de que essa mudança, beneficiaria a festa, com uma maior presença de pessoas, em especial dos seus naturais não residentes, porque estando no ativo e calhando a festa em dia de semana, há muitos que não podem estar presentes, ainda que não seja o meu caso, porque em 59 anos de idade, só faltei à festa no ano de 1980, devido ao nascimento do meu filho, poucos dias antes.

Este ano, embora a festa calhasse a uma segunda-feira, e as condições atmosféricas estivessem algo adversas, foram milhares os forasteiros que acorreram à nossa festa, não tanto para lhe prestar culto ou pagar promessas à Santa, mas foram para ouvir o conjunto ou as bandas, ainda que a esmagadora maioria, fosse apenas, para verem o fogo de artifício.

E contra as minhas expectativas, nem a propalada crise que grassa no país se fez sentir, porquanto tivemos quatro dias de festa, iniciando-se logo na sexta-feira dia 5, e prolongando-se até segunda-feira dia 8.

Diga-se em abono da verdade que, a programação oficial, não teve uma grande inovação em relação aos anos anteriores, a não ser a colocação de tochas ao longo do percurso da procissão das velas, dando um ar mais solene à procissão das velas. O restante programa, andou à roda dos conjuntos de baile, e foram três os conjuntos ao longo dos quatro dias de festa, tantas quantas as bandas filarmónicas só no dia da festa.

Quanto às bandas, a da Casa da Cultura de Outeiro Seco fez a arruada matinal, a procissão e deu um concerto à tarde. As bandas de Loivos e da Cumieira (Vila Real) abrilhantaram o arraial no recinto principal da festa, porque no espaço reservado aos solteiros, actuou durante toda a noite o conjunto AF, vindo de Oliveira do Hospital, sinal de que a nossa festa ganha cada vez maior dimensão geográfica. E o exemplo foram os dois autocarros  de pessoas que, acompanharam a Banda da Cumieira, e no final se manifestaram admirados, com a grandeza da nossa festa. 

Tal como nos anos anteriores, este ano também ocorreram acontecimentos colaterais, enriquecendo o programa oficial. Alguns já se vêm tornando habituais, caindo na tradição, como  a noite do Porco Assado, uma organização independente da comissão das festas, promovida por um grupo intitulado “Os Amigos de Outeiro Seco”. Como sempre foi realizado junto ao polivalente, e além de um porco assado no espeto à maneira medieval, este ano teve um conjunto e uma descarga de fogo de artifício, a qual durou 12 minutos. Esta sessão foi coordenada por jovens amadores, com grande paixão pela arte da pirotecnia.

Nesse mesmo dia realizou-se o tradicional jogo de futebol, entre os solteiros e casados. Esta tradição tem vindo a decair, pois outrora, realizava-se um jogo de futebol de 11, onde ficava difícil formar as equipas tanta era a oferta de jogadores. Agora passou-se para futebol de 5 e  mesmo assim, houve dificuldades em encontrar atletas em número suficiente, para formar a equipa dos casados, que perderam, claro está.

No domingo à tarde do dia 7 ocorreu um outro evento, também fora do âmbito da programação oficial da festa. Tratou-se da apresentação de um livro, que ao mesmo tempo,  foi uma homenagem ao senhor Augusto Escaleira, uma figura referencial da aldeia, não tanto por ser  uma figura pública na verdadeira aceção da palavra, mas que serviu de exemplo para todos nós, pelo seu arrojo e inconformismo com a vida. Além disso esta homenagem ao senhor Augusto Escaleira, porque não é natural de Outeiro Seco, veio demonstrar que somos um povo que, sabe receber e integrar.

Este livro com recolhas de Altino Rio, foi escrito e romanceado pelo Herculano Pombo, o cronista oficial da aldeia, chama-se o Rabo Vermelho do Destino, e tem um título que assenta bem, na personalidade central do livro.

O lançamento deste livro, permitiu dar a conhecer à nossa comunidade uma outra outeiro secana, em quem são depositadas grandes esperanças, para continuar o legado da nossa cultura local. Trata-se da Dora Joana Serra, que fez a sua apresentação e tem já colaborado noutros projectos, mas porque tem residência fixa na aldeia e uma grande capacidade cultural, esperamos que venha a ser uma grande mais valia, para o futuro da cultura da nossa terra.

 

De regresso ao programam da festa, na noite do dia 8, quando se esperava a cereja no topo do bolo, ou seja a descarga do fogo de artifício, um problema técnico ou negligência dos técnicos pirotécnicos, causou uma sensação de frustração às pessoas que ali se deslocaram, porquanto, o remate final que costuma deixar as pessoas em êxtase, desta vez não saiu, talvez porque tenha ficado um fio mal ligado, ou se desligou durante a descarga.

O facto gerou um grande descontentamento nos mais aficionados pelo fogo de artifício, e uma enorme frustração na comissão de festas, que tanto tinham investido neste momento.  Apesar deste incidente e da comissão ter assumido isso como um fracasso, eles estão isentos de culpa e depois de tanto trabalho durante cerca de quatro meses, não mereciam este desfecho.

Apesar disso não deixam de estar de parabéns pelo muito que fizeram, tanto a comissão dos casados como a dos solteiros, assim como todos quantos se envolveram na sua promoção, ajudando a cumprir-se esta tradição centenária da realização da festa da Sra da Azinheira.

Em jeito de conclusão deixo o desafio lançado pelo nosso amigo Herculano Pombo, o de saber a razão, porque a nossa festa se chama Sra da Azinheira, há várias centenas de anos? Todos sabemos que a Senhora “apareceu” sobre uma azinheira em Fátima no ano de 1917. Será que conseguiremos chegar à origem do nome da nossa festa?

 

 

publicado por Nuno Santos às 23:31

Setembro 09 2014
 
Episódio VII
 

Apesar das recentes alterações nas regras da facturação, as quais desde que emitidas com o número de contribuinte, permitem ganhar carros de alta cilindrada, as facturas emitidas para os Clientes, quer por sistema informático ou impressas em tipografia, tinham como regra essencial exigida pela Administração Fiscal, o de serem sequenciais, tanto na data de emissão como na sua numeração.

Ora, quando alguém da Nucase fazia a recolha dos documentos nos clientes, uma das formas de controlo se faltavam ou não documentos, era precisamente ver se a numeração das facturas estava sequencial.

Um dia, o Filipe, um jovem colaborador no serviço externo, filho da D. Bertília primeira empregada de limpeza da Nucase, enquanto fazia a recolha de documentos num cliente, constatou que, faltavam várias facturas de Clientes.

Quando questionou o gerente sobre o hiato na numeração, este respondeu-lhe com a maior naturalidade:

- O quê faltam facturas! Se calhar foi o Artur que as comeu!

- Mas como! senão trabalha aqui nenhum Artur - retorquiu o Filipe que conhecia todo o pessoal da pequena empresa;

- O Artur é o nosso cão.

 Disse o gerente apontando para um grande pastor alemão que, durante a noite guardava as instalações, sendo mais eficaz e mais barato do que uma central de alarmes.

- Hum! Sorriu o Filipe com ar de quem não acreditava naquilo que ouvia.

- Ai não acreditas? Então já vais ver! - Artur toma! E atirou-lhe um maço de papéis.

Qual não foi o espanto do Filipe quando viu o cão num ápice, comer o maço de papéis.      

 
 
publicado por Nuno Santos às 08:44

Setembro 05 2014

Hoje senti que a canção do Sérgio Godinho “ A paz o pão a educação e saúde” continua a fazer todo o sentido, como uma canção de intervenção e de protesto, porquanto o direito à saúde continua a ter muitas restrições, em algumas zonas do país, nomeadamente em Chaves.

Chegados ontem de Lisboa para passarmos a festa da Sra. Da Azinheira, hoje logo às oito da manhã já estávamos no hospital de Chaves com a minha sogra, a fim dela fazer a recolha de sangue para análises.

Confesso que o serviço deste hospital não me traz gratas recordações. Em 2004 faleceu aqui o meu pai, na sequência de uma cirurgia ortopédica. Segundo a opinião da equipa operadora a cirurgia até correu bem e com efeito, ao terceiro dia já se movimentava sozinho pelos corredores, só que ao quarto dia, vá lá saber-se porquê, apanhou uma infeção generalizada tendo falecido ao sétimo dia.

Hoje fomos confrontados com o facto não haver no hospital um único técnico, para fazer a recolha de sangue para as análises. Acontece que a minha sogra já tem 87 anos anos, e o simples facto de ter de ir ao hospital fazer análises, uma coisa rotineira para qualquer pessoa mais nova, para ela fez com que já não dormisse, e o mesmo irá acontecer em 19 de setembro, a data para a qual marcaram a nova recolha.

O que torna isso mais revoltante é que tenho uma sobrinha com o curso de analista, o estágio feito no Hospital de Santos António do Porto, e que já esteve durante dois períodos de tempo a trabalhar gratuitamente no Hospital de Chaves. Atualmente está em casa dos pais sem trabalho, porque o hospital nem a gasolina lhe pagava.

Como é possível que um hospital que já teve a designação de Hospital Central, não tenha em serviço permanente, um técnico para fazer recolha de sangue? O caso da minha sogra era uma situação de rotina, mas se fosse uma situação de emergência como se tratava? Será que fica mais barato a deslocalização do serviço? E qual a preocupação com a comodidade de pessoas com 87 anos e mais, para fazerem mais de 100 quilómetros, apenas para fazer uma recolha de sangue?

Há um ditado chinês que diz que “as folhas voltam sempre às raízes” mas também se diz que “a nossa terra é onde nos tratam bem” e confesso que cada vez mais estou a ficar mais partidário do segundo, onde sou bem melhor tratado.

 

publicado por Nuno Santos às 13:46

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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