Outeiro Secano em Lisboa

Fevereiro 01 2015

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Decorreram esta semana as comemorações dos cinquenta anos da construção da Barragem dos Pisões, também conhecida como Barragem do Alto Rabagão. Durante muitos anos esta barragem foi a maior do país, só suplantada recentemente pela barragem do Alqueva. Ainda me recordo da impressão que fez em mim quando a vi primeira vez, pois fiquei com uma sensação de imensidão, como se estivesse perante o mar.

A sua construção empregou cerca de quinze mil homens, alguns deles outeiro secanos entre os quais; José Luís Martins, falecido precocemente, Joaquim Chaves, Augusto Salgado que juntamente com a família, viveu ainda muitos anos nos Pisões, já com a barragem a produzir.

O último outeiro secano a sair dos Pisões foi o meu tio Silvestre Santos, embora não fosse funcionário da barragem, era funcionário dos CTT em Montalegre mas deslocado nos Pisões, onde havia uma estação, que se manteve aberta até à década de oitenta.

Foi graças ao meu tio que eu fui várias vezes aos Pisões. A primeira vez que andei num elevador, foi quando visitei a central, descendo a uma profundidade creio que, de noventa metros, para visitar as turbinas que gerem a energia.

Antes de ser construída a barragem, a aldeia dos Pisões era conhecida na região do Barroso, porque ali funcionavam os pisões para produzir o burel, extraído da lã de ovelha. Uma das muitas aventuras de juventude vividas com o meu amigo Altino, foi quando fomos jogar futebol aos Pisões, porque a distância entre as duas aldeias é de cinquenta quilómetros, contudo havia alguns pontos comuns.

Além do meu tio Silvestre, havia muitos jovens cujos pais trabalhavam na barragem, mas estudavam em Chaves, e graças a essa amizade com esses jovens, marcamos um jogo de futebol entre as duas aldeias.

Estávamos em 1972 e nessa altura não havia muitos automóveis na aldeia, havia o Volkswagen do Rodrigo, e porque funcionava como táxi, garantia-lhe um lugar na equipa, o Zé Luís Chaves tinha vinda da tropa e comprara um Fiat 850, e o do Sr. Zé Merceana que o Altino conduzia com perícia. Só que nessa altura o Altino, ainda não tinha 18 anos, nem carta de condução, daí a imprudência de fazermos 50 quilómetros numa estrada nacional, sem carta.

A viagem decorreu sem incidentes assim como o jogo pois ganhamos por 4-0. O meu tio Silvestre que foi o árbitro é que ainda ouviu algumas bocas, acusado de ter favorecido a sua terra.

 

 

 

publicado por Nuno Santos às 15:10

Um outeiro secano residente em Lisboa, sempre atento às realidades da sua terra.
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